5.2.06

A FOGUEIRA E A GASOLINA


Por razões de força maior, fui forçado a prestar mais atenção à minha pessoa do que normalmente gosto. Tal infeliz circunstância fez-me deixar para trás jornais, blogues e outra trivia que eu consumo como "lexotans". Depois, num almoço ajantarado na Trafaria, em redor de um "fondue cavaco" (juro), comecei finalmente a entrar nos mistérios dos cartoons e das bandeiras queimadas. Os jargões habituais já foram todos utilizados. A "dignidade" do "outro", a "imprensa livre", as "civilizações" e até o distraído Bush pediu, por causa do petróleo, "respeito". Sócrates também. Nós não podemos esperar entender o "outro" da mesma forma que não se deve aguardar que o "outro" nos entenda a nós. Os últimos anos foram passsados do lado de cá a excitar precisamente o "outro". Não houve "pensamento politicamente correcto" ou literatura melancólico-progressista que não aplaudisse e "puxasse" por aquilo a que Eduardo Lourenço, há muitos anos, apelidou, com felicidade, de "o triunfo do recalcado". São os mesmo, aliás, que hoje falam no "direito à indignação". Acontece que o "recalcado", na sua versão original ou de segunda ou terceira geração "europeia", se limita a atear fogos com a gasolina que o ocidente "esclarecido" e "amigo" lhe forneceu. Todos querem ser verdadeiramente "superiores" no seu primitivismo. E a "liberdade" não é para aqui chamada. Não sei do que é que se admiram.

2 comentários:

Anónimo disse...

Análise confortável esta.
O programa segue dentro de momentos em Damasco, Amã, Beirute, Teerão,etc, etc...
Sendo um petulante de 1.ª água, MST tem alguma razão quando escreveu o Cerco, não o Equador, Jesus!

Anónimo disse...

Quem diria! Com uns hábitos assim tão monásticos, pular a cerca e ir comer um fondue à Trafaria!
Qual é a diferença entre Garcia Pereira, o Hamas e o autor deste poste?