12.1.05

MERGULHOS

Vou começar a tomar a minha modesta dose de anti-depressivos. Não apenas para me suportar a mim próprio, mas sobretudo para aguentar a privação. Refiro-me à privação do sentimento de infinita comicidade que me provoca este estertor governativo. O país, se conseguir chegar a um patamar mínimo de normalidade depois das eleições, ainda vai recordar com moderado gozo o contínuo espectáculo propiciado por esta estranha gente. A coisa conseguiu chegar ao nível do "Estado e da Presidência". O soturno Morais Sarmento convocou uma soturna conferência de imprensa, às tantas da noite, para avisar a nação que tinha posto o seu glorioso cargo à disposição do primeiro-ministro por causa do incidente tropical. Lopes manteve em Sarmento uma confiança que verdadeiramente nunca chegou a ter, apesar de "incomodado". Embotado e grave, Sarmento contou em minutos a história da sua pequena vaidade. Não perdeu tempo com detalhes "mesquinhos" nem com "mercearia". Foram três anos bem medidos "a bem da Nação" e que não podem ser postos em causa por um aluguer de um avião, uma conta de hotel ou mesmo por um pacífico mergulho. Se a sua "central de informação" tivesse avançado, talvez Sarmento dispusesse agora de um "departamento do ridículo" que ajudasse a evitar cenas como esta. Sarmento, o taumaturgo da maioria, não resistiu a frequentar a frívola polémica. De uma penada, conseguiu desfazer a imagem tão laboriosamente construída de "grande pensador". E Santana Lopes, o vago timoneiro desta "nave de loucos", bem pode bramir "contra ventos e marés". Todos eles acabam a mergulhar cada vez mais fundo e cada vez mais para o fundo.

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