1.9.07

«NO FIM, FICAREI SÓ»


Num dos livros que ando a ler devagar, já citado, encontro esta referência a propósito de Michaux, um trágico sobrevivente, nas palavras de Sloterdijk: "o descobrimento traumático de que o Outro íntimo se tornou inalcançável, e que, por conseguinte, uma pessoa tem de enquistar-se em si mesma e endurecer-se. De modo geral, resulta inclusive válida a sabedoria de que só poderá converter-se num indivíduo independente aquele que sabe de uma vez por todas ou que quer saber o seguinte: «No fim, ficarei só».

11 comentários:

rodrigo sacadura disse...

Só, sempre V esteve nessa torre carunchosa...

Anónimo disse...

O que eu acho, eu que acho o blog de V. Exa. por vezes delicoso, por vezes bem amargo, e de quem o meu Pai repousa á vista das janelas de V. Exa., o que EU acho é que:

Todos morremos sós, todos nos apresentamos sózinhos perante o criador (Seja Cristo, Alá, Buda ou qualquer outro "Concessionario"!)

ABraco, vou de vacancas...

Anónimo disse...

Todos estamos sós. E tão mais sós quanto mais livres, ou vice-versa.
A grande questão é que muitos não sabem isso e outros não querem nem ouvir falar nisso.

Zé Pereira disse...

"Life is a tale told by an idiot,full of sound and fury and signifying nothing"
Desculpe o aparente pedantismo,mas neste capítulo estamos todos no mesmo barco - incluindo os que acham que a coisa não lhes diz respeito.
.

Luis Moreira disse...

Só, se for uma escolha,que se faz dia a dia e, com sorte, no futuro!

Não, no passado,porque não existe!

Mas só, só, é quando não é uma escolha,é uma inevitavilidade não escolhida.Aí é que está o drama.

Anónimo disse...

Friday, March 11, 2005
ENTREVISTA A JOSÉ GABRIEL PEREIRA BASTOS
(Antropólogo - FCSH/UNL)

Que função desempenha o sonho no ser humano?

Eu diria que o sonho é aquilo que é mais especificamente humano, mesmo que para isso eu tenha de reduzi-lo a uma categoria de acto que recusa a realidade. Portanto, o sonho é a actividade do espírito que nos quer libertar do fracasso, da frustração, da decepção, da impotência, e que mostra que nós somos um animal inconformista, um animal revoltado. Poderíamos usar várias expressões filosóficas para descrever o humano mas não o hommo sapiens sapiens, que é isso que não somos. Teorias como o empirismo, o racionalismo, o pragmatismo que se baseiam na apologia do progresso, da razão, da ordem negam isso, As teorias românticas, como o neo-romantismo que hoje é transportado pela psicanálise e pelo marxismo, são teorias do Homem dramático, do Homem revoltado, do Homem inconformado com a exploração do Homem pelo Homem, da mulher pelo homem, com a injustiça, com a humilhação, com o racismo, com o preconceito, etc; são teorias do Homem inconformado com o seu próprio recalcamento, ou seja, com a impossibilidade de sentir, de viver, de pensar, de ser agente, de ser autêntico, de tér uma identidade pessoal, de correr riscos em nome de si próprio... Deste modo, o marxismo e a psicanálise sãó, para mim, as correntes modernas que continuam a exprimir a problemática do Homem inconformado. Foi nessa acepção que Edgar Morin propôs que se alterasse a designação de homo sapiens sapiens para homo sapiens demens. O sonho é o demens e é o demens que é a parte realmente humana do Homem, é o acto louco. Louco quer dizer que nós temos que viver fora do real porque temos uma alma tão sensível, tão vulnerável, tão traumatizável face a realidades que podem estar tão fora de nós como a morte, ou biológicas como a doença, o envelhecimento, a decrepitude, ou de outras coisas que vêm das relações inter-humanas: o racismo, a opressão, crianças a morrer à fome, genocídio, tortura, actos terríveis que os Homens podem fazer alguns muito visivelmente terríveis, outros disfarçadamente terríveis, organizadamente terríveis que magoam tanto que nós desejaríamos que o mundo fosse qualquer coisa que não é. Posto isto, o problema é que nós vivemos entré o que há e não gostamos e o que não há e queríamos que fosse, ou seja, temos ideais, protestamos contra a realidade e inventamos outra porque queremos fugir à angústia. E o sonho é a forma que os humanos têm de vencer a adversidade.

Poderíamos dizer, então, que “o Homem é o lobo do Homem”, que é intrinsecamente mau, e que o sonho serviria como um escape à monstruosidade dos seus próprios actos?

Eu não diria isso. Diria que essa dimensão existe, e não é bom negá-la, diria que o Homem é um animal em sofrimento, em ferida aberta, que gostaria de sarar as suas feridas através do amor, do abraço, da família, da arte… somos um animal ferido que gostava de se curar, mas quando procura curar-se magoa e é magoado novamente. O Homem é um animal à procura de salvação, à procura de paz, de realização; mas não temos salvação possível. Na minha perspectiva, a vida do Homem é estruturalmente dramática e problemática. Somos a única espécie problemática que se pode auto destruir; exactamente porque se quer salvar.

Se o sonho é, como disse Frédéric Gaussen, “a expressão mais secreta e mais impúdica de nós próprios”, se ele é de tal forma individual e subjectivo, poder-se-á fazer uma análise dele com exactidão científica? No fundo, pode a psicanálise aspirar a ser uma ciência?

Eu poria a questão ao contrário, perguntaria se alguma disciplina, com excepção da psicanálise, pode fazer uma análise cientifica do sonho. Eu diria que a biologia não pode, a neurobiologia cerebral também não e que eu saiba nenhuma outra das restantes escolas psicológicas o fazem. A psicanálise é uma disciplina estrutural-dinâmica, que parte de observações sobre indivíduos para criar um modelo da vida mental, um modelo com dimensões colectivas, políticas,

Anónimo disse...

Como é que uma PESSOA CRENTE como DZ SER diz uma coisa destas?

Já agora, por gentileza poder-me-ia lembrar de quem é essa pintura?

Obrigado

Maria Lua disse...

João,

vi este post e estas palavras, e acho que transmite exactamente o que queria dizer neste comentário: http://jardinsdelisboa.blogspot.com/2007/06/poema-in-placvel.html
e quem ama (as pessoas ou animais, a arte, os países, os livros, a natureza, as cores, a Religião/Deus, as estrelas, o amanhecer, a política, a Vida em geral, nunca ficará só.
;)

Anónimo disse...

Claro, a ~PINTURA é a capa do Livro ...

De qualquer forma pereceu-me TURNER ... e, gostaría de ter a certeza, se é ou não , pois não conheço a obra completa ...

Anónimo disse...

DE FACTO FOI IGNORÂNCIA

A PINTURA DEVE DE SER DE Henri Michaux E O LIVRO DO FILOSOFO ALEMÃO Peter Sloterdijk

OBRIGADO

Cândida disse...

posso dizer uma asneira: vão-se foder com as vossas filosofias de algibeira.