28.3.04

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APOCALÍPTICO

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<strong>APOCALÍPTICO</strong><br /><br /><img src="http://www.portugal-linha.pt/literatura/saramago/gbook/saramago.gif" border="0"<br /><br /><br />O Sr. Saramago, o nosso venerável Prémio Nobel, está de volta. Desfez-se em entrevistas e lança o seu <em>Ensaio sobre a Lucidez </em> perante uma esperável plateia de bonzos. Mário Soares e Marcelo Rebelo de Sousa encarregam-se da apresentação. A presença dos dois servirá porventura para contrabalançar as descrenças democráticas de Saramago. Quem ignorasse por completo o "estado da arte" do mundo no presente e lesse ou ouvisse a autor, podia julgar que estávamos a viver um momento <em>Blade Runner</em>, povoado de "replicantes" e de andróides assassinos, em luta com eficazes e "sentimentais" defensores de "boas" causas. Saramago não acredita definitivamente no homem, aparentemente já não ouve os "amanhãs" que cantam e lamenta deixar esta "merda de mundo" pior do que a encontrou. Apela ao protesto através do "voto em branco", a partir da alegoria do livro, mas lá se encaixou na lista da CDU para as "europeias". É este Saramago apocalíptico e contraditório que dois dos maiores optimistas da política portuguesa vão comentar. Cada um certamente a pensar num "futuro" radicalmente diferente daquele que Saramago entrevê ou que, por toda uma vida, andou a prometer para si próprio e para o mundo. Verdadeiramente Saramago nunca foi outra coisa senão o mesmo visionário amargurado que transparece nestas entrevistas e nos últimos livros, a milhas e milhas dos sóis radiosos que jamais brilharão.

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