18.3.04

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PEQUENO, DEMASIADAMENTE PEQUENO

1. O Teatro Nacional de São Carlos, de que fui efémero dirigente, vive presentemente perdido algures entre o delírio e a intimidação. Pressinto que só não há mais "tensão" interna porque o ambiente é "musical"... O director artístico, que é simultaneamente o director do Teatro, para evitar ter de se relacionar directamente com os corpos artísticos - coro e Orquestra Sinfónica Portuguesa - dispôe de uma figura chamada "coordenador" dos ditos, cujo último titular, tanto quanto sei, se fartou pura e simplesmente do "estilo" dirigente em vigor. O "estilo" é dado fundamentalmente pelo director e por duas senhoras que, em conjunto com parte do gabinete governamental na Ajuda, perfazem a "direcção" efectiva da Casa. Tudo, naturalmente, estimáveis criaturas, repletas de legítimas ambições e com os "contactos" adequados para os tempos em que vivemos. Duvido, porém, que essas ambições coincidam com as expectativas reais do Teatro e com a sua inserção no panorama geral da música em Portugal. O tal "estilo" - errático, mesquinho, prepotente e "pequenino" - revela mais insegurança e pusilanimidade do que qualquer outra coisa. Tudo sob um manto diáfano de um notável exercício de relações públicas destinado a ocultar o essencial. Enquanto dura o "interregno", eu praticamente abstenho-me de frequentar a Casa. Prefiro a minha discoteca. Porém, sei o que se passa. Nomeadamente que a Elisabete Matos, prevista e programada solista no último concerto sinfónico, não apareceu. Não foi a primeira vez que tal aconteceu sob a responsabilidade de Paolo Pinamonti e, a avaliar pelo texto que a seguir reproduzo, sem quaisquer explicações por parte do Teatro. No país virtual da cultura, é como nada de grave se passasse. Por todos os motivos, talvez não fosse má ideia efectuar-se proximamente um "follow up" da inspecção/inquérito realizada em 2001/2002, ao TNSC, pela Inspecção Geral das Actividades Culturais. Um trabalho de auditoria, isento e objectivo, certamente teria muito para "relatar".

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<strong>PEQUENO, DEMASIADAMENTE PEQUENO</strong><br /><br /><strong>1.</strong> O Teatro Nacional de São Carlos, de que fui efémero dirigente, vive presentemente perdido algures entre o delírio e a intimidação. Pressinto que só não há mais "tensão" interna porque o ambiente é "musical"... O director artístico, que é simultaneamente o director do Teatro, para evitar ter de se relacionar directamente com os corpos artísticos - coro e Orquestra Sinfónica Portuguesa - dispôe de uma figura chamada "coordenador" dos ditos, cujo último titular, tanto quanto sei, se fartou pura e simplesmente do "estilo" dirigente em vigor. O "estilo" é dado fundamentalmente pelo director e por duas senhoras que, em conjunto com parte do gabinete governamental na Ajuda, perfazem a "direcção" efectiva da Casa. Tudo, naturalmente, estimáveis criaturas, repletas de legítimas ambições e com os "contactos" adequados para os tempos em que vivemos. Duvido, porém, que essas ambições coincidam com as expectativas reais do Teatro e com a sua inserção no panorama geral da música em Portugal. O tal "estilo" - errático, mesquinho, prepotente e "pequenino" - revela mais insegurança e pusilanimidade do que qualquer outra coisa. Tudo sob um manto diáfano de um notável exercício de relações públicas destinado a ocultar o essencial. Enquanto dura o "interregno", eu praticamente abstenho-me de frequentar a Casa. Prefiro a minha discoteca. Porém, sei o que se passa. Nomeadamente que a Elisabete Matos, prevista e programada solista no último concerto sinfónico, não apareceu. Não foi a primeira vez que tal aconteceu sob a responsabilidade de Paolo Pinamonti e, a avaliar pelo texto que a seguir reproduzo, sem quaisquer explicações por parte do Teatro. No país virtual da cultura, é como nada de grave se passasse. Por todos os motivos, talvez não fosse má ideia efectuar-se proximamente um "follow up" da inspecção/inquérito realizada em 2001/2002, ao TNSC, pela Inspecção Geral das Actividades Culturais. Um trabalho de auditoria, isento e objectivo, certamente teria muito para "relatar". <br /><br /><img src="http://www.classicalvoice.org/articles/RV_tos1.gif" border="0"<br /> <strong>Elisabete Matos</strong><br /><br /><strong>2. </strong>Segue a opinião do <a href="http://criticomusical.blogspot.com">critico musical</a>, que não é o Henrique Silveira, por sinal já a "pagar a factura" de, nos seus textos, não dizer aquilo que o director do Teatro quer ler: nem todos pertencem à "tarimba" de Jorge Calado, do <em>Expresso</em>. Tudo realmente em pequeno, demasiadamente pequeno.<br /><br /><em>Solistas da Missa de Beethoven no CCB último domingo <br />Soprano Ricarda Merbeth.<br />Meio-soprano Olga Savova <br />Tenor Jorma Silvasti<br />Baixo Kurt Moll<br /><br />Que dizer dos solistas; penso que são do pior que se pode ouvir hoje em dia.<br />Uma concepção da vocalidade velho com utilização da voz como se fosse a única finalidade da criação musical em vez de elemento integrante e estrutural, componente, da partitura. Dito curto e grosso: cantaram todos forte e "profissional" e utilizo esta palavra no seu significado pior; sempre igual sem modulação, sem participação, sem tratamento da voz, sem nenhum respeito pelo texto e sem uma dicção apropriada; o que é isto!? Contudo estiveram presentes, operários de uma arte que precisaria de inspiração. Todos andaram a fugir aos andamentos e a fazer exibicionismo da própria vocalidade que se mostrou, de facto, obsoleta e inútil.<br />É demasiado fácil. Parece que o Doutor Pinamonti faz de Director artístico apenas tendo como meio o auscultador do telefone. Há muita gente hoje em dia que sabe, e pode, fazer melhor do que estas velhas glórias. Ainda por cima os gostos, as técnicas, a aproximação à execução destas obras mudou profundamente nestes últimos anos e parece que o TNSC, com o Dr. Pinamonti e o Maestro Peskó à frente, nem repararam. Começa a perceber-se por que razão Elisabete Matos cancela todos os trabalhos com o S. Carlos. Sem ser dada uma explicação cabal pela direcção.</em>

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