9.3.10

BEM HAJA


Por estes dias, os media oficiosos têm-se esforçado por se lembrar de Cavaco. O pretexto é o quarto ano em Belém e a putativa recandidatura. Pressente-se, pela necedade geral dos comentários, que a temem. Cavaco é dos poucos no activo que não exibe uma biografia de papel ou arranjada à pressa no sofá da secção. Cometeu o deslize de "confiar" em Sócrates mas, após alguns edificantes episódios, deve ter ficado esclarecido para a eternidade. Como político profissional que é, percebeu que não podia subestimar determinados sinais. E não tem culpa que o seu partido de origem seja a tragédia que é por mais que tantos beneméritos o queiram puxar para a trapalhada em que aquilo se tornou. Com luzes e sombras, como é próprio do humano não "planificado" ou plastificado, o Presidente chega ao derradeiro ano de mandato como a única possibilidade do regime. Julgo, como lhe compete, que só deverá anunciar a sua recandidatura no último minuto do último dia legal para o fazer, deixando os anacoretas de serviço entregues às suas exibições de pura frivolidade. Tudo visto e ponderado, bem haja.

7 comentários:

Cavaco colaboracionista disse...

Cavaco não cometeu apenas o deslize de confiar em Socrates. Foi muito para alem disso. Foi activamente colaboracionista do pior do Socratismo em aspectos fundamentais. Dois exemplos flagrantes:
O apoio de Cavaco ao desastrado novo codigo penal do PS, aliás aprovado tambem com o apoio total do PSD (alô Paulo Rangel), que lançou o país numa bandalheira ainda maior do que aquela em que já vivia, no que diz respeito ao problema da criminalidade.
O apoio de Cavaco à desastrada nova lei da nacionalidade do PS, aliás aprovada tambem com o apoio total do PSD (alô Paulo Rangel), que lançou o país numa enorme bandalheira no que diz respeito á atribuição sem critérios da nacionalidade portuguesa.
Mas lá vetou o estatuto dos Açores...

Anónimo disse...

O dito cujo aldrabão nunca foi de confiança... Já se vê isso desde os tempos do beiçolas guterres e do "ambiente" - é só recordar os episódios da co-incineração e o prosaico assunto das garrafas de vidro nos restaurantes, por serem reutilizáveis... Só por estes episódios, juntamente com uma conversa de café que ouvi um dia, por acaso (eu estava na mesma mesa, a ouvir a conversa sem "funil"), dava para perceber a peça "desenrascada" que ali está. Um badameco!

PC

Garganta Funda... disse...

Por razões muito diferentes daquelas que a nefanda «esquerda moderna e democrática» alega, o desempenho do Prof. Cavaco Silva como Presidente da República é uma desilusão completa.

O Prof. Cavaco Silva não é de esquerda nem é de direita.

Nem é carne nem é peixe.

É um homem bem intencionado, um homem sério e bem formado.

Mas nas actuais circunstâncias, isso não chega.

(Muitos apelidam-no de ser um «instituicionalista» e o episódio do Estatuto dos Açores assim o determinava.

Agora que todas as «instituições» da República estão de pernas pr'o ar - a começar pela Justiça e acabar na governamentalização de tudo o que é Estado - onde está essa veia «instituicionalista» do nosso PR?
Quem pergunta não ofende.)

Alex disse...

Deveria ser atribuída ao PR uma mais ampla margem de acção. É uma figura muito passiva... Reflecte a imagem de um indivíduo assediado pela inércia.. e não é.

Anónimo disse...

Lamento mas Cavaco é um colaboracionista e um desastre.
Todo o comportamento de Cavaco foi sempre evitar um conflito a qualquer custo.

Para começar um Presidente é suposto ser o garante da boa fé dos Governos, é ele que é o polícia das promessas dos Governos, é função do Presidente obrigar Governos respeitar o povo que os elegeu - referendo ao Tratado de Lisboa por exemplo? Impostos? defice 5,9% transformado em 9,3%?.
Cavaco foi conivente por omissão nos últimos 4 anos.

lucklucky

Alex disse...

Sim… é possível que tenha razão. De início, pensei que o PR tivesse mais “garra”.

Tino disse...

Foi Cavaco que derrubou Santana Lopes.

E foi Cavaco o principal apoiante de Sócrates.

O meu voto não volta a ter, nem que Soares se lembre de se candidatar.

Pior do que esta nulidade em que Cavaco se converteu, é difícil.