11.2.10

LAMENTÁVEL

Por falar em fachadas, o senhor conselheiro Noronha do Nascimento é mais logo entrevistado pela D. Judite, a "entrevistadeira" do regime. Noronha é presidente do STJ e, enquanto tal (como magistrado), não pode falar de processos "em concreto", como eles apreciam significar. Assim sendo, o senhor conselheiro vai à RTP presumivelmente para produzir "doutrina" e soprar qualquer coisa para as bandas do seu colega conselheiro PGR que anda, em termos de pura linguagem, um pouco "entaramelado". Vindo do sindicalismo judicial, Noronha tem outra retórica e distinto método. Todavia, é lamentável o espectáculo que os mais altos protagonistas da justiça portuguesa permitem que se monte em torno das suas venerandas figuras.Mas é o que há.

«A PURA FACHADA DE ACTOS FORMAIS»


«Como escreveu Montesquieu, se há experiência eterna, é a de que "todo o homem que tem poder tende a abusar dele". Se Montesquieu tem razão, e os últimos séculos deram-lha, o maior desafio que a democracia enfrenta é sempre o do abuso de poder. E, para o evitar, ela só tem, na verdade, uma arma, a do pluralismo dos partidos e dos media. Isto mesmo foi assumido pela UNESCO com a aprovação da Declaração de Windhoek, em 1991, e reforçado com a Declaração de Dakar, em 2005. Só o pluralismo garante a expressão dos diversos valores que atravessam uma sociedade, e qualquer passo que se dê no sentido de limitar o pluralismo é um passo no caminho errado: o do enfraquecimento da democracia. É por isso que é cada vez mais importante garantir a independência do poder político face ao poder económico. Nesta independência joga-se não só (como a crise que vivemos tem mostrado) a sua capacidade para fazer face aos problemas do mundo de hoje mas também a sua credibilidade. Mas o pluralismo, ao contrário do que se diz tantas vezes, não é só ameaçado pelo abuso de poder. Ele é também atingido pela cada vez mais frequente mercantilização da informação, a que tantas agências de comunicação se dedicam, envenenando o espaço público com a disseminação de factos inventados, notícias encomendadas e outras distorções, sobrepondo os interesses particulares ao interesse geral. É por isso bom lembrar a ideia de Stuart Mill, para quem a democracia é sempre um combate contra os "interesses sinistros" que desprezam o bem público. Também neste ponto se vai reconhecendo, nomeadamente na União Europeia, que tem havido graves falhas de regulamentação, nomeadamente quando a actividade dessas agências incide sobre bens públicos, como indiscutivelmente é o caso da informação. Mas um perigo ainda maior espreita as democracias de hoje: ele surge da convergência das tendências atrás referidas, isto é, quando o abuso de poder se casa com a mercenarização da informação, dando forma a um instrumento de condicionamento dos cidadãos, que reduz a vida democrática a uma pura fachada de actos formais. Este perigo tem sido identificado por vários reputados cientistas destas matérias. M. Schudson designou como "parajornalismo" essa amálgama de informação, assessoria política, relações públicas, organizadores de eventos, etc. E J.L. Missika apontou a cada vez mais frequente "co-produção" (a expressão é dele) de acontecimentos políticos, como a melhor ilustração desta inédita e intolerável cumplicidade. Para a democracia, é vital contrariar estas tendências. E, para o fazer, como diz este último autor, só há um caminho: o de lembrar que o único fundamento da regra maioritária é que todas as opiniões são equivalentes e que "estar exposto a pontos de vista contraditórios é uma condição sine qua non da vida democrática".»

Manuel Maria Carrilho, DN

10.2.10

ENFIM

O Carlos, quando quer ser parvalhão, é inexcedível.

CONTRA A COMPLACÊNCIA - 2


Hotel Tivoli, Lisboa. 20 horas.

CONTRA A COMPLACÊNCIA


«Maria Filomena Mónica, Francisco Sarsfield Cabral, Maria João Avillez, José Luís Saldanha Sanches, Eduardo Cintra Torres e Francisco José Viegas estão entre os mais de 7500 signatários da Petição "Todos pela Liberdade".»

via 31 da armada

O DECURSO DO TEMPO

O orçamento? O orçamento já está desactualizado antes de ser aprovado.

A PALAVRA

O conselheiro Souto Moura não é um tagarela. Não era feliz na relação com a opinião que se publica e também não teve sorte no processo que o crucificou. Parece que em tal processo está pronto mais um batalhão de testemunhas como se ele não estivesse morto e enterrado há muito. Mas Souto Moura vem agora dizer aquilo que, aparentemente, envergonha colegas seus dizer ou onde, quando tentam dizer alguma coisa, a emenda sai pior que o soneto. E o que Souto Moura diz é muito simples. Há uma substância das coisas que pode para sempre ficar num limbo porque é precedida de "análises técnicas" ou jurídicas. E existe uma clara diferença entre este registo, o técnico, e o registo ético que está no coração das coisas. Em português corrente, eu posso ver o lixo debaixo do tapete mas só posso apreciar a qualidade da fibra do tapete. Ao mencionar a palavra "ética", Souto Moura disse tudo sem ter tido a necessidade de dizer nada. Demais conselheirismo judicial tem alguma coisa a aprender com este homem.

QUE FELICIDADE


O senhor conselheiro Pinto Monteiro é magistrado desde os vinte e três anos, disse a propósito de nada. Terá ficado por lá, pelos vinte e três anos? Que felicidade poder ficar pelos vinte e três anos.

9.2.10

O GÔNGORA DE COIMBRA E O OUTRO

Onde pára este papa almoços e jantares gongóricos? Em compensação, o Gôngora mais arguto já perorou, como tem feito ultimamente, em defesa do "chavismo" nacional e do "coitadismo" relançado invariavelmente em situações de aperto.

O KIM-IL-SUNGUISMO E A CRÍTICA


Até a azougada Ana Gomes já anda "a levar" dos camaradas patrulheiros. A coisa promete. Por que é que a eurodeputada não assina isto? Ficava-lhe bem.

A MISTURA DOS PODERES

O ministro da justiça veio a público defender os senhores conselheiros Noronha e Monteiro depois de alguém acima dele ter murmurado qualquer coisa como "respeitar a separação de poderes". Para quê, pois, dr. Martins, voltar a misturá-los?

A IDEIA DE EÇA


A questão nuclear de "Os Maias" não era aquilo ter acontecido. Era saber-se publicamente que aquilo aconteceu. Mesmo bronco, o regime segue a ideia de Eça.

PARABÉNS À PRIMA

Isto é um artigo de uma jornalista, ainda por cima editora de política da TVI, da mesma TVI que anda para aí nas bocas do mundo por motivos alheios à sua vontade? Da TVI onde tantos foram complacentes com a caladura imposta por cima a Manuela Moura Guedes e com o desmantelamento da sua equipa de investigação do Jornal das 6as? Com todos os seus defeitos - e são imensos e insuportáveis - prefiro os "Mário Crespos" que, segundo a jornalista, não existiriam sem Sócrates. Todavia, há gente que, com Sócrates ou sem Sócrates, será sempre "Luís Delgados" e "Bettencourts Resendes". Pensava, ingenuamente pelos vistos, que já estávamos razoavelmente servidos deles e das suas tolas cruzadas contra o PSD (esta semana é Rangel como podia ser Manuela ou, até, Passos Coelho como se fossem eles que mandassem) e a favor do regime. Mas, afinal, há sempre um Delgado ou um Bettencourt à espera de poder ser mais Delgado e Bettencourt que os originais. Parabéns à prima.

Adenda: De Carlos Enes, da dita equipa, este excelente trabalho sobre a irresponsabilidade política dos tais que «por pior que seja[m] (...), não existe qualquer alternativa.»

(Assine e divulgue)

8.2.10

CONSOLAÇÕES



Beethoven, Concerto nº 1 para piano e orquestra, 3º and. Arturo Benedetti Michelangeli, piano. Carlo Maria Giulini. Vienna Symphony Orchestra. 1979.


(Enquanto vê e ouve, assine e divulgue)

PORTUGAL "É" O PS?

No cant socialista, denunciar publicamente e na sede adequada - um parlamento europeu, não norte-coreano - práticas atentatórias de direitos de que a Europa é defensora histórica, é "denegrir Portugal". Quem anda há tantos anos a "denegrir Portugal" cá dentro, que "moral" tem para sequer murmurar? Ou, em algumas cabeças vagas e totalitárias, Portugal "é" o PS?

TEM

O Paulo Rangel é pequenino mas tem. Este só tem o hífen.

«ORA DADA A ESCASSEZ»



«Ora dada a escassez de homens de génio, os que, sob qualquer pretexto — quase invariavelmente estúpido — que seja, procedem de modo que afectem, ou possam afectar, o prestígio interno ou externo da sua pátria, ou são tipos inferiores e animais do homem, arrastados — pois a sua personalidade, que é nula, espontaneamente nos pode conduzir a isso — por pseudo-ideias ou pseudo-ideais que tenham um apelo directo à sua animalidade; ou são degenerados mentais (loucos e semiloucos) ou morais (criminosos ou quase).»

Fernando Pessoa, Ultimatum e Páginas de Sociologia Política. (Recolha de textos de Maria Isabel Rocheta e Maria Paula Morão. Introdução e organização de Joel Serrão.) Lisboa: Ática, 1980


Assine e divulgue.

CONTRA A ESTRADA PARA LADO NENHUM



Para obviar a esta estrada para lado nenhum que é o sentido único em vigor, assine aqui.

Clip: David Byrne, Road to nowhere. Itália, 2009.

«ENCARGO REFORÇADO DE JUSTIFICAÇÃO»

Também fará parte de alguma "campanha negra" de "infâmias" e "calúnias"?

PARA ALÉM DO SOL E DA MORTE*

Ana Sá Lopes dá ideia de ter começado a sair das trevas em que andava mergulhada. Chapeau.

*é um título de Sloterdijk (O Sol e a Morte) - há duas coisas que o homem não consegue encarar de frente, precisamente o sol e a morte.

O "ENCANITADO" DE SERVIÇO

O que "encanita" - que coisa sublime - é V. adorar persistir em fazer a figura que anda a fazer na blogosfera, mais "feroz" que o seu "animal" de estimação, assim auto nomeado ainda antes de o vermos em exercício efectivo da "ferocidade". Como é que V. pode "ler" um poema se nem sequer consegue ler uma notícia sem ir logo a correr perpetrar uma deflexão ranhosa ou varrer o lixo para debaixo do tapete?

7.2.10

«PER ME GIUNTO»



Este clip do Don Carlo, de Verdi, é uma homenagem à coragem, à amizade, à fidelidade e à fraternidade. É provável que não se entenda bem nos dias de hoje. Nenhuma delas. Piero Cappuccilli, José Carreras. Herbert von Karajan. Festival de Salzburgo. 1986.

O NOME DELAS


O melhor de tudo é chamar certas pessoas pelo nome delas, a saber, inexistências neuronais. I believe it's their technical name.

O CONTEXTO

Ninguém nega nada. O problema é a "descontextualização" das conversas entre a nomenclatura, dizem. Se é assim, "descontextualizadas", imagine-se no contexto.

DA CREDULIDADE

Faço uma ligação para este post de Filipe Nunes Vicente para não ter o exclusivo de ligações através dos blogues da bajulação untuosa, sistemática e estúpida do regime. Mas a circunstância de ter tais ligações tipicamente revela alguma ingenuidade por parte do seu autor. Com este regime - leia-se, com Sócrates - não há distinção entre a manipulação dos media pelo poder e o cerceamento da liberdade de expressão. Ou, melhor, nunca se levou tão longe a paranóia controleira e o ataque deliberado e profissionalizado à liberdade de expressão. E com uma diferença importante. Sócrates, porque é um produto dela, teve geralmente boa imprensa. Cavaco raramente, quer como chefe do governo, quer como PR. Também não gosto de muitos jornalistas, bloggers e comentadores, mas jamais me passaria pela cabeça, fosse algures poder, mandá-los calar por interpostas negociatas ou com a complacência pastosa de outros poderes. Prefiro o conflito à paz dos cemitérios. No "fascismo", toda a gente sabia com o que é que podia contar e com o que é que não podia contar. Você, FNV, pode dizer, sem hesitações, com o que é que pode contar ou deixar de contar com esta gente dissimulada e inequivocamente perigosa?

ENTRADAS À PALA


Grande parte da cultura disponibilizada pelos organismos públicos é gratuita. Nos museus, nos palácios, nos teatros, no bailado, são mais os que entram sem pagar bilhete do que os que pagam, "noticia" o jornal Público.


Eu, uma vez, perguntei, com ironia discreta, a uma pessoa do métier se achava que as salas cheias queriam dizer alguma coisa. Responderam-me que sim, aquilo era mesmo lucro e interesse das pessoas pela cultura, um óptimo trabalho de divulgação e não, não eram mesmo amigos dos amigos dos amigos. Lá agora, que disparate! Calei-me, está bom de ver, e sorri. Pela minha parte, só sei que nunca paguei para ir ao São Carlos porque chegaram-me sempre convites, que já entrei uma data de vezes sem pagar em museus, que tenho, basta querer, livros de borla ou com mega-descontos que, ao teatro, também já fui umas vezes a custo zero e que tive uma assinatura de "amigo da Companhia Nacional de Bailado" absolutamente gratuita. De resto, não adianta fazer das pessoas parvas. Há muito boa gente a trabalhar na Cultura que precisa de viver mas há muitas outras a trabalhar fora e que, pura e simplesmente, não estão para pagar um produto que, em Portugal, é caríssimo e nem sempre bom. Na Europa, vai-se à ópera por €5 e sem os provincianos jogos sociais portugueses e vêem-se coisas óptimas. E também não adianta andar a dizer que, de repente, existiu uma sensibilização para a Cultura quando nada disso equivale à existência de mais e melhores meios de produção. Pelo contrário, Portugal só teve Ministério da Cultura em 1996 que, dada irrelevância para que está virado agora, deve estar quase a acabar e, entretanto, vai tendo cada vez menos dinheiro. Não perceber que a Cultura é um factor de dinamização económica através da criação de emprego num País é não perceber nada. Como é que uma ministra que nem sequer consegue resolver concursos básicos de subsidiação consegue resolver o que quer que seja? Ao menos tenha a coragem para acabar com eles de vez. Quanto mais borlas forem dadas, e não adianta querer que elas não sejam aceites porque há pouca gente que, não tendo o bilhete pago, continua a ir ver ou visitar qualquer coisa, mais salas esgotadas existem sem que isso corresponda a dinheiro e menos possibilidade há de receber pessoas dispostas a pagar. Além disso, querer-se que um pai de família dê dinheiro para ir a um museu ou ao teatro (ver alguma coisa de jeito e não a "Conversa da Treta" ou o La Féria) em vez de ir à bola, é um processo que só é possível de acreditar com muita propaganda. Não está nos genes de um latino.

RETRATO DE UM FASCISTA


«Nem o Jornal de Sexta, nem o PÚBLICO tinham o poder de pôr em risco o Governo ou sequer de afectar significativamente o prestígio e o estatuto de Sócrates. Se alguém tinha esse poder era o próprio José Sócrates, para não falar no grupo obscuro e anónimo, que, segundo se depreende dos documentos que o Sol revelou, o serviu zelosamente no terreno. Não vale a pena insistir na ilegalidade e, sobretudo, na profunda imoralidade da operação, se por acaso existiu como a descreveram. Em qualquer sítio para lá de Badajoz, nenhum político sobreviveria um instante a essa grosseira tentativa de suprimir com dinheiro público o livre exame e a livre crítica, que a Constituição e os costumes claramente garantem. Mas não deixa de surpreender (e merecer comentário) que um primeiro-ministro de um partido que se gaba das suas tradições democráticas, declare por sua iniciativa, e sem razão suficiente, guerra aberta à generalidade dos media, que não o aprovam, defendem e bajulam. Não há precedentes na história deste regime de um ódio tão obsessivo à discordância, por pequena que seja, ou a qualquer oposição activa, de princípio ou de facto. O autoritarismo natural de Sócrates não basta para explicar essa aberração na essência inteiramente inexplicável. Tanto mais que ela o prejudica e dá dele a imagem de um homem inseguro e fraco. Pior ainda: de um homem desequilibrado e perigoso. A única hipótese plausível é a de que o primeiro-ministro vive doentiamente no mundo imaginário da propaganda. Ou melhor, de que, para ele, a propaganda substituiu a vida: Sócrates já não partilha ou nunca partilhou connosco, cidadãos comuns, a mesma percepção de Portugal. Do "Simplex" que nada simplifica ao estranho melodrama sobre as finanças da Madeira que nada pesam, aumenta dia a dia a distância entre o que país vê e compreende e o que o primeiro-ministro afirma enfaticamente que é. Está perto o ponto em que só haverá uma solução: ou desaparece ele ou desaparecemos nós.»

Vasco Pulido Valente, Público

«NÃO TENHAS MEDO»


«O homem vê a aparência mas o Senhor vê o coração», disse há pouco o Papa. «Certo dia, Jesus estava à beira do lago de Genesaré e a multidão comprimia-se a seu redor para ouvir a Palavra de Deus. Ele viu dois barcos à beira do lago; os pescadores tinham descido e lavavam as redes. Subiu num dos barcos, o de Simão, e pediu que se afastasse um pouco da terra. Sentado, desde o barco, ensinava as multidões. Quando acabou de falar, disse a Simão: «Avança mais para o fundo, e ali lançai vossas redes para a pesca». Simão respondeu:«Mestre, trabalhamos a noite inteira e nada pescamos. Mas, pela tua palavra, lançarei as redes». Assim fizeram, e apanharam tamanha quantidade de peixes que as redes se rompiam. Fizeram sinal aos companheiros do outro barco para que viessem ajudá-los. Eles vieram e encheram os dois barcos a ponto de quase afundarem. Vendo isso, Simão Pedro caiu de joelhos diante de Jesus, dizendo: «Afasta-te de mim, Senhor, porque sou um pecador!». Ele e todos os que estavam com ele ficaram espantados com a quantidade de peixes que tinham pescado. O mesmo ocorreu a Tiago e João, filhos de Zebedeu e sócios de Simão. Jesus disse a Simão: «Não tenhas medo! De agora em diante serás pescador de homens!» (Lc 5,1-11)

6.2.10

OS TESTAS DE FERRO

Assis frequenta, de facto, um labirinto que não é o dele. Para quê?

É O QUE HÁ


A VACA

Cavaco quer "serenidade" no país. Também quero que ele seja reeleito. Todavia, há um limite para tudo. Até para a serenidade.

O REGRESSO DO QUADRADO - 2

Manuel Alegre confirmou de viva voz que é um mero ex-campeão nacional em liberdades públicas e um crédulo que acredita na "justiça". Isto não vá dar-se o caso do secretário-geral do PS se esquecer dele.

O BURACO


A propósito das notícias dos últimos dias que revelam de que estofo é feito o "estadista" que ocupa o cargo de chefe do governo de Portugal, a pessoa em causa falou em "jornalismo de buraco de fechadura". Como se fosse uma trivialidade o teor daquelas notícias ou a pessoa em causa um pobre cidadão anónimo e um coitadinho. Um ingrato, este "estadista". Então não foi o jornalismo, até o de "buraco de fechadura", que se encarregou de o promover anos a fio? Esta mania de fazer dos outros parvos um dia terá de acabar. Já enjoa.

Adenda: «Para além de degradar a sua função de forma inimaginável, Sócrates sairá pela porta baixa da perseguição e do ressentimento.» Já lá está.

O REGRESSO DO QUADRADO

Por falar em "kim-il-sunguismo", será que Sócrates vai presidir à "comissão de honra" da candidatura presidencial de Alegre, antigo campeão nacional em liberdades públicas e candidato do Bloco?

O DECLÍNIO DO "KIM-IL-SUNGUISMO" BLOGOSFÉRICO


O que se está a passar neste blogue é bem elucidativo do que o "kimilsunguismo" ainda reinante nas hostes da "esquerda moderna" pode fazer à cabeça das pessoas que têm uma coisa parecida a ornamentar-lhe os ombros. Carlos Santos - santa ingenuidade - imaginou que o regime protagonizado por Sócrates e acólitos era a salvação da pátria. No Simplex - um blogue inventado pelo regime e por uns quantos idiotas úteis devidamente recrutados para fazer de "banquinha de cabeceira" - Santos foi mais papista que o papa. Como não é desprovido, começou a perceber com quem é que se tinha metido. E tem vindo a descrever a epifania. À medida que ele vai narrando a coisa, os fiéis do "kimismo" vão desertanto com tiradas grandiloquentes estilo "não foi para isto que vim para aqui escrever" ou "o que tu queres sei eu". A blogosfera afecta ao regime - e feita, no limite, por ele através de colectivos anónimos e por meia dúzia de bonzos com nome mas sem vergonha na cara - dará um belo case study para livro. Oxalá um investigador qualquer o queira escrever,

"LIBERDADE DE IMPRENSA" E PS

Bettencourt chega tarde. Parece mais coisa de oportunista do que de jornalista. Poucos, nos últimos anos, têm avalizado publicamente tanto lixo político tóxico como ele. Não merece a menor consideração.

ESCOLHAS E APOIOS


Os senhores conselheiros Noronha do Nascimento e Pinto Monteiro, um presidente do STJ, e o outro PGR, são escolhidos de forma diferente. O primeiro é eleito pelos pares. O segundo é nomeado conjuntamente pelo governo e pelo PR. Se num caso os pares entenderam por bem preterir o conselheiro Santos Cabral (um excelente director da PJ varrido logo, e cautelarmente, em 2005 pelo regime) pelo actual titular, já quanto a Pinto Monteiro nada obriga Cavaco a manter o apoio político a tal improvável figura. É que, pelos vistos, o do PR não lhe é necessário. Basta-lhe o do governo.

5.2.10

SEPARADOS PELA NASCENÇA


Lacão.
Laocoonte.

OUTRO LADO


Podia ser o outro lado da t-shirt do post anterior. É, pelo menos, uma pessoa decente.

O QUE É QUE MUDOU?



Mais tarde ou mais cedo as "escutas" começariam a ser divulgadas. O que foi "revelado" pelo jornal Sol não mostra um poder diferente daquele que conhecemos. Quando muito limita-se a demonstrar que o poder pode subir, com facilidade, à cabeça de qualquer um. E se esse alguém tem pouco mundo, sobe mais depressa. Depois é fácil associar a esse poder - sobretudo se for absoluto - meia dúzia de profissionais da acção comunicacional, um batalhão de eunucos deslumbrados e oportunistas e duas ou três "instituições" entretidas com o que é lateral. Nada disto é, porém, original. Digamos que agora apenas atingiu um patamar especial em que é levado muito à letra um mito urbano famoso: quem se mete com...., leva. Mesmo assim, é preciso mais, muito mais, para pedir politicamente cabeças a rolar. A sociedade portuguesa é complacente e hipócrita. Os últimos freteiros podem, de repente, ser os primeiros justiceiros. A "classe jornalística" há muito que deixou de ter qualquer legitimidade para se indignar em excesso. Nesse aspecto, está praticamente a par com o poder. Não é o caso, por exemplo, de Manuela Moura Guedes ou de José Manuel Fernandes. Em Agosto de 2001, aquando do episódio da "fundação para a prevenção e segurança", Vasco Pulido Valente escreveu um artigo no DN intitulado "os donos". Eram sensivelmente os mesmos de hoje. O que é que mudou?

NOJO

Vindo de alguém que se "publica" há anos e anos, isto é um nojo. Mas como se lê num verso de Nemésio, «tende piedade dos Críticos.»

CIRCO CHEN

Armado na "casa da democracia". Quem é que, no seu perfeito juízo, pode respeitar aquilo?

O REGIME E A VIVENDA


A memória é curtíssima, mas, de facto, com Santana teríamos pequenos mandarins como esta senhora (e o que a acolita) a arrancar cabelos e a sugerir Ruandas. Assim, é apenas a "esquerda moderna" a trabalhar e uma vivenda em Óbidos para distrair.

4.2.10

A COISA

Aprove-se a coisa. Depois, vete-se a coisa. É que já não se pode ouvir falar da coisa.

OUVINDO COMENTADORES

Digam lá que não tinham saudades "dela". Sobretudo o comentador Costa, o da CML, o "sucessor" desejado.