23.2.09

A NOITE DO MUNDO


Pensei que a PSP já estivesse "civilizada". Em Braga, três agentes "levantaram" o "competente auto" e apreenderam numa feira de livros de saldo alguns exemplares de um livro sobre pintura que ostentava na capa o famoso Courbet, A Origem do Mundo, cujo original está no d'Orsay de Paris. A desculpa para tão relevante quanto bronca operação policial foi escorreita: os livros continham imagens pornográficas expostas publicamente. No IGESPAR, dirigido por uma eminência socialista, saiu uma "circular interna" que proíbe os técnicos superiores de todas as divisões do Instituto, sob pena de acção disciplinar, de emitir pareceres "desconformes" com a posição "oficial" do dito Instituto e que, mesmo quando não concordem com ela, a "defendam" com "empenho" perante terceiros. Convém recordar que o IGESPAR, nos últimos tempos, tem tido mais preocupações com o betão do que com a preservação do património arquitectónico nacional propriamente dito. Estes dois episódios, não estando naturalmente ligados, evidenciam que esta gente, tal como a ignorância, é não só atrevida como perigosa.

A NOITE DO MUNDO


Pensei que a PSP já estivesse "civilizada". Em Braga, três agentes "levantaram" o "competente auto" e apreenderam numa feira de livros de saldo alguns exemplares de um livro sobre pintura que ostentava na capa o famoso Courbet, A Origem do Mundo, cujo original está no d'Orsay de Paris. A desculpa para tão relevante quanto bronca operação policial foi escorreita: os livros continham imagens pornográficas expostas publicamente. No IGESPAR, dirigido por uma eminência socialista, saiu uma "circular interna" que proíbe os técnicos superiores de todas as divisões do Instituto, sob pena de acção disciplinar, de emitir pareceres "desconformes" com a posição "oficial" do dito Instituto e que, mesmo quando não concordem com ela, a "defendam" com "empenho" perante terceiros. Convém recordar que o IGESPAR, nos últimos tempos, tem tido mais preocupações com o betão do que com a preservação do património arquitectónico nacional propriamente dito. Estes dois episódios, não estando naturalmente ligados, evidenciam que esta gente, tal como a ignorância, é não só atrevida como perigosa.

THE WEST COAST

Luís Amado, o nosso MNE e pessoa sensata, foi a Bruxelas e protestou por uma alegada falta de "coordenação" dentro da UE e por causa de uns "sinais" quaisquer que têm sido detectados (por ele) nos últimos meses e que, ainda segundo Amado, não contribuem para o reforço da "coesão" europeia. Traduzido em português, isto quer dizer que o governo - naturalmente na pessoa do seu chefe - não gostou de não ter sido convidado para uma cimeira dos "seis" maiores da UE. Também não deve ter apreciado a posição da presidência checa (na pessoa do Chefe de Estado, Václav Klaus, que zurziu metodica e vigorosamente, diante do Parlamento Europeu, o embotamento da UE) contra a burocratização institucional da Europa tal como a "cristalizaram" no Tratado de Lisboa. De que é que Amado estava à espera? Que o considerassem "grande" e decisivo para o futuro da Europa e, sobretudo, para o combate à crise? Se o seu chefe ficou incomodado, por que é que troca a cimeira do próximo fim de semana pelo seu congresso albanês? Depois admiram-se de nos tratarem (de sermos) periféricos e irrelevantes.

THE WEST COAST

Luís Amado, o nosso MNE e pessoa sensata, foi a Bruxelas e protestou por uma alegada falta de "coordenação" dentro da UE e por causa de uns "sinais" quaisquer que têm sido detectados (por ele) nos últimos meses e que, ainda segundo Amado, não contribuem para o reforço da "coesão" europeia. Traduzido em português, isto quer dizer que o governo - naturalmente na pessoa do seu chefe - não gostou de não ter sido convidado para uma cimeira dos "seis" maiores da UE. Também não deve ter apreciado a posição da presidência checa (na pessoa do Chefe de Estado, Václav Klaus, que zurziu metodica e vigorosamente, diante do Parlamento Europeu, o embotamento da UE) contra a burocratização institucional da Europa tal como a "cristalizaram" no Tratado de Lisboa. De que é que Amado estava à espera? Que o considerassem "grande" e decisivo para o futuro da Europa e, sobretudo, para o combate à crise? Se o seu chefe ficou incomodado, por que é que troca a cimeira do próximo fim de semana pelo seu congresso albanês? Depois admiram-se de nos tratarem (de sermos) periféricos e irrelevantes.

NÃO PRETENDER AGRADAR


«Nós não temos que concordar, nem ser muito amiguinhos, com aqueles que acham normal a situação de injustiça, desigualdade e de corrupção que se vive em Portugal. Acho muito mais interessante blogues, com que eu não concordo, mas que sustentam radicalmente, e sem paninhos quentes, as suas ideias, do que essa blogosfera mole e tépida que quer agradar tudo e a todos. Por muito que custe a determinados cultores da vida social, a radicalidade da forma é também uma expressão de um conteúdo. Com textos compridos e curtos, com imagens e com frases, nós não pretendemos agradar. Queremos mesmo chatear: façam o favor de ir à merda.»

Nuno Ramos de Almeida, 5 Dias

NÃO PRETENDER AGRADAR


«Nós não temos que concordar, nem ser muito amiguinhos, com aqueles que acham normal a situação de injustiça, desigualdade e de corrupção que se vive em Portugal. Acho muito mais interessante blogues, com que eu não concordo, mas que sustentam radicalmente, e sem paninhos quentes, as suas ideias, do que essa blogosfera mole e tépida que quer agradar tudo e a todos. Por muito que custe a determinados cultores da vida social, a radicalidade da forma é também uma expressão de um conteúdo. Com textos compridos e curtos, com imagens e com frases, nós não pretendemos agradar. Queremos mesmo chatear: façam o favor de ir à merda.»

Nuno Ramos de Almeida, 5 Dias

O PAÍS E AS TRIVIALIDADES POPULISTAS

Francisco Saarsfield Cabral escreve no Público:

«O primeiro-ministro prefere a propaganda. Quase todos os dias aparece na televisão a anunciar uma iniciativa, uma medida, uma obra (às vezes em cerimónias mediáticas pagas pelas empresas construtoras). E não distingue coisas realmente úteis que o Governo tem feito de trivialidades populistas. É significativo que, no congresso da Associação Portuguesa de Empresas Familiares, um empresário da estatura e do perfil ético de Alexandre Soares dos Santos (Jerónimo Martins) tenha dito que a crise é agravada pela "demagogia intolerável do primeiro-ministro". Se somarmos o cansaço da repetição dos argumentos ("nós actuamos, os investimentos públicos são a resposta à crise", etc.) à perda de credibilidade decorrente do anterior excesso de optimismo, é duvidoso que a campanha propagandística do Governo seja eficaz. Julgo, até, que ela começa a tornar-se contraproducente.»

No país - uma coisa totalmente diversa da propaganda das tendas e das "trivialidades populistas" para consumo dos fanáticos dependentes e dos embrutecidos por um ano eleitoral em perspectiva - o desemprego cresceu em Janeiro cerca de 45% em relação a Dezembro último e cerca de 23% face a Janeiro de 2008, num total de mais de setenta mil desempregados inscritos nos organismos adequados só no primeiro mês do ano. É este país que vai ficar fora da "nave" de Espinho onde decorrerá o congresso do PS. Mas é dentro da "nave" que estarão os extra-terrestres babosos e o seu incontestado "conducator".

O PAÍS E AS TRIVIALIDADES POPULISTAS

Francisco Saarsfield Cabral escreve no Público:

«O primeiro-ministro prefere a propaganda. Quase todos os dias aparece na televisão a anunciar uma iniciativa, uma medida, uma obra (às vezes em cerimónias mediáticas pagas pelas empresas construtoras). E não distingue coisas realmente úteis que o Governo tem feito de trivialidades populistas. É significativo que, no congresso da Associação Portuguesa de Empresas Familiares, um empresário da estatura e do perfil ético de Alexandre Soares dos Santos (Jerónimo Martins) tenha dito que a crise é agravada pela "demagogia intolerável do primeiro-ministro". Se somarmos o cansaço da repetição dos argumentos ("nós actuamos, os investimentos públicos são a resposta à crise", etc.) à perda de credibilidade decorrente do anterior excesso de optimismo, é duvidoso que a campanha propagandística do Governo seja eficaz. Julgo, até, que ela começa a tornar-se contraproducente.»

No país - uma coisa totalmente diversa da propaganda das tendas e das "trivialidades populistas" para consumo dos fanáticos dependentes e dos embrutecidos por um ano eleitoral em perspectiva - o desemprego cresceu em Janeiro cerca de 45% em relação a Dezembro último e cerca de 23% face a Janeiro de 2008, num total de mais de setenta mil desempregados inscritos nos organismos adequados só no primeiro mês do ano. É este país que vai ficar fora da "nave" de Espinho onde decorrerá o congresso do PS. Mas é dentro da "nave" que estarão os extra-terrestres babosos e o seu incontestado "conducator".

LUGAR AQUI


Recebi um comentário neste post e não tenho razões para duvidar da sua autoria. Por isso, e com a devida vénia e consideração, transcrevo-o na íntegra. As pessoas que respeito (poucas, autênticas e que não escondem os seus medos, inseguranças ou reverências sob a capa cobarde do anonimato) têm sempre lugar aqui.

«Só agora passei por aqui, e não pude deixar passar em branco a quantidade de idiotice, sim, e ressabiamento manifestados dessa forma tão gloriosa que é o...anonimato!!! Isso sim,é coragem! Acham essas criaturas que fazer jornalismo, actualmente, em Portugal,não cedendo a pressões, contando os factos como são, investigando, dando noticias que abalam o "Poder", que por sua vez utiliza os seus "canais" na própria" comunicação social para denegrir e difamar a informação que fazemos... acham essas criaturas sem nome, que tudo isto é fácil? Acham que o boicote sistemático por parte do Governo ao Jornal Nacional de 6ª não é uma desvantagem muito grande em relação às outras estações? Estar dois anos e meio posta de lado por razões "ocultas", sem saber se algum dia haverá regresso...convenhamos,também não é fácil. É certo que voltei, sim. Camafeu assustador, admito, para aqueles que não encaram a verdade, mas,mesmo assim,mesmo para esses (há sempre a esperança que mudem) a dar a cara, como sempre dei, por aquilo em que acredito. Pela liberdade de expressão, por um jornalismo livre, independente de qualquer tipo de Poder. Vivo do meu ordenado e não mais,e como todos os portugueses que ainda têm a sorte de terem trabalho com o mínimo de segurança, tenho um contrato. Não percebo a cretinice de me compararem aos dois homens mais ricos de Portugal. No caso de Belmiro até acho simpático, já que é dos únicos empresários que não anda a lamber as botas a Sócrates e ao Governo e diz o que pensa. Vá lá,criaturas, encham o peito, respirem fundo e, ao menos, quando queiram falar de alguém ...não se escondam como ratos...dêem o vosso nome. Depois, quem sabe, até podem ganhar coragem de criticar o chefe, sei lá...»

Manuela Moura Guedes

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Recebi um comentário neste post e não tenho razões para duvidar da sua autoria. Por isso, e com a devida vénia e consideração, transcrevo-o na íntegra. As pessoas que respeito (poucas, autênticas e que não escondem os seus medos, inseguranças ou reverências sob a capa cobarde do anonimato) têm sempre lugar aqui.

«Só agora passei por aqui, e não pude deixar passar em branco a quantidade de idiotice, sim, e ressabiamento manifestados dessa forma tão gloriosa que é o...anonimato!!! Isso sim,é coragem! Acham essas criaturas que fazer jornalismo, actualmente, em Portugal,não cedendo a pressões, contando os factos como são, investigando, dando noticias que abalam o "Poder", que por sua vez utiliza os seus "canais" na própria" comunicação social para denegrir e difamar a informação que fazemos... acham essas criaturas sem nome, que tudo isto é fácil? Acham que o boicote sistemático por parte do Governo ao Jornal Nacional de 6ª não é uma desvantagem muito grande em relação às outras estações? Estar dois anos e meio posta de lado por razões "ocultas", sem saber se algum dia haverá regresso...convenhamos,também não é fácil. É certo que voltei, sim. Camafeu assustador, admito, para aqueles que não encaram a verdade, mas,mesmo assim,mesmo para esses (há sempre a esperança que mudem) a dar a cara, como sempre dei, por aquilo em que acredito. Pela liberdade de expressão, por um jornalismo livre, independente de qualquer tipo de Poder. Vivo do meu ordenado e não mais,e como todos os portugueses que ainda têm a sorte de terem trabalho com o mínimo de segurança, tenho um contrato. Não percebo a cretinice de me compararem aos dois homens mais ricos de Portugal. No caso de Belmiro até acho simpático, já que é dos únicos empresários que não anda a lamber as botas a Sócrates e ao Governo e diz o que pensa. Vá lá,criaturas, encham o peito, respirem fundo e, ao menos, quando queiram falar de alguém ...não se escondam como ratos...dêem o vosso nome. Depois, quem sabe, até podem ganhar coragem de criticar o chefe, sei lá...»

Manuela Moura Guedes