5.2.08

FANTASMAS


Mário Soares escreve, às terças, no Diário de Notícias. Esta semana discorre sobre as eleições americanas, as espanholas e o Avante que o mimoseou com prosa estalinista requentada por causa da CGTP. Giras, giras, são as outras observações. Soares votaria em Obama «não por ser negro, embora isso conte como sinal de mudança, inimaginável há poucos anos, mas por ser um político aberto, progressista, lúcido, coerente e disposto a mudar profundamente tanto a política interna como a externa dos Estados Unidos.» Curiosamente - e apesar do argumento racista recorrente a contrario ("não por ser negro") - já que os restantes são lugares-comuns que servem para Obama ou para outro qualquer Obama europeu de plasticina que caia no goto volúvel do dr. Soares, o fanatismo jacobino do sr. Zapatero não incomoda nada o antigo pai da pátria. Segundo Soares, «em Espanha há liberdade religiosa» e a igreja católica deve estar caladinha e obedecer «às leis do Estado Democrático, legitimamente aprovadas e homologadas.» O dr. Soares, como em tempos lembrou Pulido Valente, "possui a cabeça de um governador civil do Sr. Dr. Afonso Costa" e "depois de Jaurès não aprendeu nada, nem esqueceu nada. Na realidade, "há quase um século que não lhe entra uma ideia na cabeça, como coisa distinta das trivialidades piedosas para uso oratório, que ele adapta à variável inclinação dos tempos." Foi o que fez neste artigo a propósito do candidato "morangos com açúcar" Obama e com o modernaço Zapatero que ele imagina serem exemplos vivos de "abertura", "progresso", "lucidez" e "coerência". Sem querer, não andou muito longe da "coerência" do escriba do Avante. Em certo sentido, é a mesma "luta". Só mudam os fantasmas.

13 comentários:

Anónimo disse...

Por hoje, desculpem lá o homem. É dia de Carnaval, o único em que todas as máscaras, figuras e figurões são aceitáveis.

Anónimo disse...

Eu diria que as palavras de Pulido Valente sobre o que entra ou não entra na cabeça de Soares lhe são aplicáveis também a ele, Pulido Valente que há décadas que diz sempre a mesma coisa (com arte e com piada, reconheço).

E diria mais: gostaria que em Portugal houvesse dez cabeças vazias como a de Soares.

Concordando ou não com ele.

Não basta citar Pulido Valente para se ter razão e parece-me que o João Gonçalves é capaz de melhor do que isso.

Pode por exemplo, em vez de dizer que Obama é de plástico, dizer porque é que é de plástico e o que é que, concretamente, o distingue de Clinton, que João Gonçalves apoia.

(acrescento que, pela minha parte, vejo tanto plástico em Obama como em Clinton, só que o desta tem rugas.)

VANGUARDISTA disse...

Finalmente, começa a revelar-se o verdadeiro " zero à esquerda" que é, política, cívica e ideologicamente o Dr. Mário Soares.
O verdadeiro rei dos "zeros à esquerda" que se encheram de "zeros à direita".

Carlos Medina Ribeiro disse...

Em tempos, assisti a uma cena parecida, num autocarro:

Depois de esperar, em vão, que outros mais novos o fizessem, um senhor de idade madura deu o lugar a uma preta grávida.

Até aí, tudo bem; o problema é que ele achou que se devia justificar perante os outros passageiros, e comentou, em voz alta:

«Que diabo! Lá porque é preta... é uma pessoa como nós!»
.

Nuno Castelo-Branco disse...

Pois, apesar das eternas manifestações de amizade e palmadinhas nas costas de João Carlos, o dr. Soares era bem capaz de lhe espetar uma adaga no baixo ventre, assim que lhe cheirasse a carniça. Ja leram o que diz Freire Antunes, acerca do desempenho do ex-secretário geral do PS durante a transição em Espanha? Além da dúbia acção em Portugal - CIA dixit -, tudo tentou para destronar o monarca vizinho. Podem ser más línguas, talvez. Quanto ao deslumbramento com "el oro vecino" (porque é do que se trata, até o Saramago nisso deve pensar), vamos a ver no que dá. É que os mais recentes indicadores económicos não são muito positivos no que toca à evolução do país vizinho. Vamos lá a ver depois, quantos patetas quererão a tal União Ibérica, sonho de antanho dos "patriotas" do defunto p.r.p. É que o chupismo sabe bem onde deve enfiar o bico.
* Desejo sinceramente o melhor aos espanhóis, até porque disso estamos dependentes.

Nuno Castelo-Branco disse...

Pois, apesar das eternas manifestações de amizade e palmadinhas nas costas de João Carlos, o dr. Soares era bem capaz de lhe espetar uma adaga no baixo ventre, assim que lhe cheirasse a carniça. Ja leram o que diz Freire Antunes, acerca do desempenho do ex-secretário geral do PS durante a transição em Espanha? Além da dúbia acção em Portugal - CIA dixit -, tudo tentou para destronar o monarca vizinho. Podem ser más línguas, talvez. Quanto ao deslumbramento com "el oro vecino" (porque é do que se trata, até o Saramago nisso deve pensar), vamos a ver no que dá. É que os mais recentes indicadores económicos não são muito positivos no que toca à evolução do país vizinho. Vamos lá a ver depois, quantos patetas quererão a tal União Ibérica, sonho de antanho dos "patriotas" do defunto p.r.p. É que o chupismo sabe bem onde deve enfiar o bico.
* Desejo sinceramente o melhor aos espanhóis, até porque disso estamos dependentes.

Anónimo disse...

E o que terá na cabeça quem apoia ou apoiou quem "possui a cabeça de um governador civil do Sr. Dr. Afonso Costa" e a quem, alem disso, "há quase um século que não lhe entra uma ideia na cabeça" ??? ...

Nuno Castelo-Branco disse...

Pois, aproveitam-se certas individualidades - como se dizia no "antigamente" - do semi-analfabetismo das gentes, para virem falar da nuvem dourada do Afonso Costa. É que sabemos o que significa isso: pancada com toda a força, mexicanização da vida político-partidária, nepotismo desenfreado, etc. Enfim, coisas desconhecidas...

Anónimo disse...

Entre ser cheché e ser pateta, a diferença é nenhuma.
No caso, não havia necessidade... Mas, quando um canastrão se recusa a abandonar o palco, é este o "espectáculo" que inevitavelmente acaba por acontecer.

Anónimo disse...

A economia espanhola vai pro caralho.....

Anónimo disse...

Este sub-produto da vacuidade francófona promoveu-se,inapelàvelmente,ao papel de Lili Caneças na "política"portuguesa.

Anónimo disse...

o pai e um amigo que não era despadrado cortaram a azinheira dos milagres

Nuno Castelo-Branco disse...

Giro, giro, era tentar obter uma certa homilia orada por um padre João Soares, num juramento de bandeira do Exército Real. É que se diz por aí que o discurso discorria sobre a "consubstanciação do corpo da pátria no corpo do rei". Há coisas fantásticas, não há?