2.5.08

A ESQUERDA, A DIREITA E SÓCRATES

«Numa época de vacas magras - muito mais magras do que ele esperava - [Sócrates] precisa de recuperar o voto da esquerda, sem perder o voto da direita. Ora, para recuperar o voto da esquerda não basta a retórica do costume e as pequenas concessões que ultimamente vem fazendo (um recuo geral está por natureza excluído). E, para não perder o presuntivo voto da direita, precisa que no PSD a presente balbúrdia não acabe. Mas se em 2009 o PSD se conseguir apresentar com o mínimo de decoro e um "chefe" que o país leve a sério, o seu fiel eleitorado talvez não o abandone à sua sorte. Se, por acaso, isso acontecer, Sócrates cairá pelo buraco, que ele abriu, entre a hostilidade da esquerda e a natural preferência da direita pela própria "família".»

Vasco Pulido Valente, in Público

A ESQUERDA, A DIREITA E SÓCRATES

«Numa época de vacas magras - muito mais magras do que ele esperava - [Sócrates] precisa de recuperar o voto da esquerda, sem perder o voto da direita. Ora, para recuperar o voto da esquerda não basta a retórica do costume e as pequenas concessões que ultimamente vem fazendo (um recuo geral está por natureza excluído). E, para não perder o presuntivo voto da direita, precisa que no PSD a presente balbúrdia não acabe. Mas se em 2009 o PSD se conseguir apresentar com o mínimo de decoro e um "chefe" que o país leve a sério, o seu fiel eleitorado talvez não o abandone à sua sorte. Se, por acaso, isso acontecer, Sócrates cairá pelo buraco, que ele abriu, entre a hostilidade da esquerda e a natural preferência da direita pela própria "família".»

Vasco Pulido Valente, in Público

1.5.08

REGRESSO


Santana Lopes, com Judite de Sousa, prometeu luta e da boa. Esteve francamente melhor do que quando apareceu, há oito dias, rodeado de jornais e de auto-comiseração. Foi implacável para aqueles que, na hora de votar, valem tanto como o John Doe da mais remota secção do PSD de Trás-os-Montes. Apontou Marcelo - e bem - como o melhor "teria sido" que não quis ser. Recordou a Rui Rio a participação na "aventura" de 2005 quando ele era "seu" vice-presidente. E estabeleceu que a opção é apenas entre ele e Ferreira Leite, a mandatária dos "notáveis". Não se cuidem, não.

REGRESSO


Santana Lopes, com Judite de Sousa, prometeu luta e da boa. Esteve francamente melhor do que quando apareceu, há oito dias, rodeado de jornais e de auto-comiseração. Foi implacável para aqueles que, na hora de votar, valem tanto como o John Doe da mais remota secção do PSD de Trás-os-Montes. Apontou Marcelo - e bem - como o melhor "teria sido" que não quis ser. Recordou a Rui Rio a participação na "aventura" de 2005 quando ele era "seu" vice-presidente. E estabeleceu que a opção é apenas entre ele e Ferreira Leite, a mandatária dos "notáveis". Não se cuidem, não.

UM PESADELO CANSADO


«Vou cotejando a crónica dos noticiários e apercebo-me do estado a que chegou o país das "novas oportunidades", do "empreendedorismo", "dos jovens empresários", "das novas empresas" e da "excelência". Um pesadelo cansado, com vincos de exasperação na comissura dos lábios, com funcionários cansados e vigiados, denúncias e processos disciplinares, polícias maltrapilhos e juízes resignados e impotentes entretendo-se em macaquear a habitualidade da justiça e da segurança em que já ninguém acredita. Assim também já esteve Portugal há muito, muito tempo. Sabemos como terminou a aventura da incompetência desses tempos. As "democracias latinas" são as maiores amigas dos ditadores.»

Miguel Castelo-Branco, in Combustões

UM PESADELO CANSADO


«Vou cotejando a crónica dos noticiários e apercebo-me do estado a que chegou o país das "novas oportunidades", do "empreendedorismo", "dos jovens empresários", "das novas empresas" e da "excelência". Um pesadelo cansado, com vincos de exasperação na comissura dos lábios, com funcionários cansados e vigiados, denúncias e processos disciplinares, polícias maltrapilhos e juízes resignados e impotentes entretendo-se em macaquear a habitualidade da justiça e da segurança em que já ninguém acredita. Assim também já esteve Portugal há muito, muito tempo. Sabemos como terminou a aventura da incompetência desses tempos. As "democracias latinas" são as maiores amigas dos ditadores.»

Miguel Castelo-Branco, in Combustões

DISTINÇÕES - 2

Pedro Passos Coelho, diz Paulo Gorjão, é um adepto da "matriz reformista e liberal", aquela que o candidato deve "salientar" como "rumo e alternativa". Com esta "língua de pau" de fazer inveja ao militante mais tarimbado nos lugares-comuns da retórica partidária, o Paulo tenta desvalorizar - a reboque do candidato que afirmou não ser nem de esquerda nem de direita - a clássica distinção. Passos Coelho questiona se não é mais importante contrapor a liberdade individual e a segurança colectiva como se fosse possível "sobreviver" sem as duas. Não entro numa discussão que não me interessa nada. Apenas lhes recordo Alain que dizia que quem nega a diferença entre esquerda e direita, é de direita. E não é mau, para começo de conversa, sabermos o que somos sem ter vergonha disso.

DISTINÇÕES - 2

Pedro Passos Coelho, diz Paulo Gorjão, é um adepto da "matriz reformista e liberal", aquela que o candidato deve "salientar" como "rumo e alternativa". Com esta "língua de pau" de fazer inveja ao militante mais tarimbado nos lugares-comuns da retórica partidária, o Paulo tenta desvalorizar - a reboque do candidato que afirmou não ser nem de esquerda nem de direita - a clássica distinção. Passos Coelho questiona se não é mais importante contrapor a liberdade individual e a segurança colectiva como se fosse possível "sobreviver" sem as duas. Não entro numa discussão que não me interessa nada. Apenas lhes recordo Alain que dizia que quem nega a diferença entre esquerda e direita, é de direita. E não é mau, para começo de conversa, sabermos o que somos sem ter vergonha disso.

DISTINÇÕES


Já no Porto, a dra. Ferreira Leite, ao responder a uma pergunta de um "militante de base", disse que "não sabia" em que é que se distinguia de Sócrates, embora tivesse a certeza de que "nunca enganaria ninguém". Aliás, o dito Sócrates já deve seguramente ter mandado transcrever as intervenções da dra. Leite na Rádio Renascença. Porque grande parte delas - as que correspondem ao "nunca enganaria ninguém" - revela sobretudo o que não distingue a candidata do primeiro-ministro em coisas como a política orçamental, o défice ou os impostos. Ora em 2009 tudo estará pior, particularmente a economia, ou seja, o "bolso". Conviria, pois, à dra. Ferreira Leite meditar no que a espera, se ganhar. Ou, dito de outra forma, no que a distingue.

DISTINÇÕES


Já no Porto, a dra. Ferreira Leite, ao responder a uma pergunta de um "militante de base", disse que "não sabia" em que é que se distinguia de Sócrates, embora tivesse a certeza de que "nunca enganaria ninguém". Aliás, o dito Sócrates já deve seguramente ter mandado transcrever as intervenções da dra. Leite na Rádio Renascença. Porque grande parte delas - as que correspondem ao "nunca enganaria ninguém" - revela sobretudo o que não distingue a candidata do primeiro-ministro em coisas como a política orçamental, o défice ou os impostos. Ora em 2009 tudo estará pior, particularmente a economia, ou seja, o "bolso". Conviria, pois, à dra. Ferreira Leite meditar no que a espera, se ganhar. Ou, dito de outra forma, no que a distingue.