9.4.11

OS "VULTOS" E O FUTURO


Alguns "vultos" da nação - um deles, o que vem à cabeça da coisa, Adriano Moreira, já é "vulto" desde os tempos do Doutor Salazar - sugerem, pela enésima vez, um "compromisso nacional". Porque algumas pessoas que estimo profundamente também assinam o pastelão, vou tentar ser moderado em resposta directa ao apelo do "compromisso". Em primeiro lugar, muitas destas pessoas são o rosto deste regime, fora ou dentro dos partidos do mesmo. Algumas foram especialmente coniventes, ora pela palavra, ora pelo pesado silêncio, com a sobrevivência política de Sócrates depois de se tornar óbvio, até para deficientes profundos, que o homem é um problema ambulante e perigoso. Depois, o apelo dos "vultos" corresponde a um chorrilho de lugares-comuns (que qualquer defunto presidente da ex- Câmara Corporativa subscreveria) destinado, não a incentivar o conflito (que é o único adequado à fisiologia democrática) e a ruptura institucional (como fez o Manifesto Reformador de 1979), mas a exibir um falso status quo de meninos bem comportados perante os prestamistas que vêm tomar conta disto por uns tempos. E, sobretudo, para assegurar que o status quo que nos conduziu até aqui (com as suas figurinhas de operata dentro e fora dos partidos, dos negócios e das capelas) persista depois do eventual alívio. Os "vultos", na sua gravitas patética, não entendem que é também de muitos deles que o país está farto. Da sua prosápia estéril, da sua complacência, das suas exaltações e indignações estudadas ao milímetro, do seu oportunismo mediático, do seu embotamento nulo. O grosso dos "vultos" revela a comissão de honra dos 37 anos deste regime e parte da do anterior. É, sem dúvida, um belíssimo despontar do futuro.

Adenda: Mais curto, incisivo e realista do que este penoso "apelo" publicado no Expresso, é o artigo semanal de Medeiros Ferreira (que daria um excelente candidato presidencial reformador porque, desde cedo, defende a evolução do regime e nunca se comprometeu excessivamente com ele) no CM. «A grande questão para o futuro não é tanto o jogo do empurra para saber quem teve culpa desta queda internacional do Estado, mas como conseguir gerir e ultrapassar esta situação lamentável para a qual fomos conduzidos nesta primeira década do século XXI. Convém acautelar as melhores condições negociais com a troika que aí vem: Comissão, BCE, FMI. A promessa de Budapeste – que ironia! – cifrada em 80 mil milhões de euros não nos deve fazer esquecer que sem uma conferência financeira internacional a epidemia bancária prosseguirá. E que tudo pode acabar mal.»

13 comentários:

Carlos Dias Nunes disse...

Esperemos que passe o suposto triunfo dos porcos, a que estamos a assistir este fim-de-semana.
O cevado-mór arengou ontem à noite à massa ignara. Esta, de focinho na pia das bolotas, juntou as patinhas da frente, na ilusão de que tudo vai continuar como de há mais de seis anos a esta parte.
Talvez se enganem, quer o dito cevado quer a suínica assembleia. É cá uma fé.

Luis disse...

Fiquei triste ao saber que o General Eanes tambem assinou a coisa. Sem pretender dar-lhe conselhos, porque, alem de outras coisas, e mais velho e sensato do que eu, e minha opiniao que se deveria manter bem longe de tal corja.

Anónimo disse...

Pela lei natural da vida muitos já não estarão cá quando atingirmos o fundo. Ou seja têm todo o interesse em manter a farsa o mais tempo que puderem.
É a continuação do comportamento de uma boa parte deles até aqui.

lucklucky

Anónimo disse...

"esta situação lamentável para a qual fomos conduzidos"

Hilariante. "fomos conduzidos", então não há responsabilidade alguma de quem fez as escolhas.Foi uma entidade desconhecida.

Depois fala de uma patética conferência e finge que os bancos é que são o problema quando o Estado, Governo, a Classe Política , de que ele faz parte, mais a Ideologia que defende levaram Portugal à Ruína.


lucklucky

floribundus disse...

o ps já vai na 3ª tutela internacional
por ser incapa de gerir o rectângulo

30% de 'mamiferos'
estão a afiar a dentuça
para digerir os milhões

Mani Pulite disse...

O PASTELÃO COZINHADO NA FUNDAÇÃO DO CHEF MÁRIO DEVE SER BEM DIGERIDO E EVACUADO VIA LARGO DO RATO E CANEIRO DE ALCÂNTARA EM DIRECÇÃO DA ETAR DO CASAL VENTOSO ANTES DE SER LANÇADO AO TEJO SEM RISCOS DE POLUIÇÃO GRAVE E NOCIVA PARA A FAUNA E FLORA FLUVIAL E SAÚDE PÚBLICA DAS POPULAÇÕES CIRCUNDANTES.

Pensamento em revoluçao... disse...

Enough is enough...
Mas parace que os politicos mediocres de hoje e outrora não percebem as mensagens. Deve ser porque o tacho é mesmo bom.
Acho que o compromisso nacional deveria ser nosso, do povo que está cansado de os ouvir.
Sou contra qualquer tipo de violência, mas adoraria mandar estes tipos para o campo do Tarrafal... Se calhar o senhor Adriano Moreira não se importaria uma vez que adora a história!!!

Anónimo disse...

O Adriano Moreira não tem, já, cento e tal anos? Ou, então, andava de fraldas quando foi ministro do Salazar...

E o bochechudo? Quase 90!

E os outros? Chega de caruncho.

O dito cujo ranhoso ten que ser corrido: desígnio nacional. É como catar o piolho principal! Ou extrair a carraça mais agarrada, correr com o dito cujo é o caminho!

PC

Anónimo disse...

E achei piada à preocupação em referir que a crise económica e financeira se iniciou em 2007, com origem nos EUA, etc, etc, como se andarmos em Portugal desde muito antes disso a gastar acima do que podemos e a aumentar desmesuradamente a esfera do Estado e a metermo-nos em loucuras de PPP às dezenas (e por aí fora)não tenha sido a principal causa da nossa desgraça...

Francisco Maria Menezes disse...

Carlos Dias Nunes,

Vc é um grande porco.

joshua disse...

Coniventes com o statu quo socratista, muitos dos abaixo assinados valem uma bosta e deveriam remeter-se à pastosa substância de onde emergem.

Carlos Dias Nunes disse...

Pois, ó Menezes, mas Vc é que mora na pocilga.
De um lado se põe o ramo...

António Pires disse...

A leitura do "Compromisso" suscitou-me algumas reflexões:
a) A economia alemã está a crescer; o Brasil está em crise? a China está em crise? a Índia está em crise?
Dizer que "A crise financeira e económica mundial que se iniciou em 2007... gerou em 2009 a maior recessão global dos últimos 80 anos", esquecendo a crise dos anos 30 do século passado que foi uma das causas da segunda guerra mundial, parece destinado a branquear o desempenho de quem esteve a governar nos últimos seis anos.
b) Pretende-se um "consenso" sobre "a governabilidade, o controlo da dívida externa, a criação de emprego, a melhor distribuição da riqueza, as orientações fundamentais do investimento público, a configuração e sustentabilidade do Estado Social e a organização dos sistemas de Justiça, Educação e Saúde". Como é possível pretender um consenso nestas matérias? Só falta acrescentar "Tudo pela Nação, nada contra a Nação".
c) O "consenso" que vier a existir será os partidos declararem que estão de acordo com as condições do FEEF/FMI para que haja um empréstimo. E é se querem.