30.4.11

O CÉU QUE NOS PROTEGE

Algures durante a próxima semana, a troika apresenta o próximo governo de Portugal. Não as pessoas, evidentemente, mas o programa que essas pessoas - a escolher pelo "povo" a 5 de Junho - terão de aplicar. Por isso, coisas como "novas fronteiras", "estados gerais" ou "mais sociedade" só valem para os respectivos participantes falarem uns com os outros e para meia dúzia de "independentes" se "posicionarem" no futuro (deles) próximo. Tudo o que os partidos disserem fora do contexto elaborado pelo FMI, pelo BCE e pelo FEEF da Comissão Europeia equivale ao peso de farturas em feiras. Infelizmente a comunicação social, sempre chineleira e irresponsável, irá explorar até à vigésima quinta casa os fait divers, os ditos dos lellos de serviço, o make up, a frase mais ou menos "assassina" como se os tempos nacionais fossem de casamento real. Sucede que não são. Portugal teve de se baixar por causa de um alucinado com nome e por causa da sua endémica periferia material e instintual, responsabilidade de todos. Por isso, e como escreve Rui Ramos no Expresso, o tempo é de confrontos e não de consensos estilo pão de ló. Infelizmente os resultados de 5 de Junho serão de tal forma politicamente medíocres que as "pessoas mais influentes de Portugal", desde a fadista Marisa ao PR, reclamarão imediatamente um farto pastelão que possa servir morna a receita da troika. A sobredita comunicação social, com os seus comentadorzinhos igualmente previsíveis, mornos e horizontais, encarrega-se do resto, "puxando" e "enterrando" conforme o telefonema dos últimos cinco minutos. A "receita" externa conjuntural, por mais longa que seja, não muda uma "estrutura" nem uma mentalidade com séculos de inépcia burgessa como lastro. Não era granizo que nos devia cair em cima. Era o céu.

10 comentários:

Anónimo disse...

Sendo provável que após o 5 de jun tenhamos um governo tão fraco como o actual, mesmo que, por cada vez mais improvável hipótese, de escassa maioria PSD - CDS, merecemos tudo e mais alguma coisa (de mau).

CMO disse...

"Portugal teve de se baixar por causa de um alucinado com nome".

É por este detalhe que até 5 de Junho vale a pena perceber os mecanismos que dão eficácia à estratégia do Falso.

Até 5 de Junho não é possível mudar nada de relevante no que há de sociológicamente estrutural no país por nós próprios. O FMI / UE impor-nos-ão uma ordem de verniz a que obedeceremos sem honra. Sob essa camada um certo país aguardará a hora do seu regresso.

Até 5 de Junho é possível afastar o Falso.

http://supraciliar.blogspot.com/

Gonçalo Correia disse...

Esqueletos a saírem dos armários

Era uma vez a Sra. Contabilidade Criativa vivendo num mundo da pura fantasia. Nem Lewis Carroll conseguiria ombrear com tal estado fantasioso… De qualquer maneira, não se brinca assim com os números! Nem com a vida dos portugueses, pelo menos, dos “não socráticos”. O que dirão os senhores do FMI? Reparem, por muito que alguns pensem o seu contrário, eles estão cá para ajudarem-nos. E para darem-nos bons exemplos de trabalho, abnegado e incansável, nestes longos dias do fim de semana pascal… O Gigante, por sua vez, não os pode ver, nem ao longe! Pudera…

Nos últimos anos, vivemos enredados por propaganda feita de números manhosos, sob diversos pontos de vista. Primeiro, são números tramados porque reflectem as políticas farfalhadas que, mais cedo do que tarde, tínhamos de saber (embora alguns prefiram a fantasia de programas eleitorais cor de rosa). A porcaria debaixo do tapete é tanta que não cabe lá mais um pedaço de cotão, por mais ínfimo que seja. Depois, são números “azeiteiros”, ou seja, são como o azeite: a verdade vem sempre ao de cima… Uma verdade que andou maquilhada por carradas de tralha tecnológica. Foram tantos os choques que, agora, quem levará um grande choque é o Zé Povinho. Por fim, estes números traduzem as medidas físicas do Gigante, qual besta que parasita grande parte do povo português! Quem com ferro fere, com ferro será ferido…

A “troika”, termo de origem russa, encontra-se a trabalhar como mais ninguém neste rectângulo soube e sabe fazer. Se alguns pensavam que esses senhores vinham desfrutar de uns dias de férias, enganaram-se redondamente! No período pascal, se dúvidas ainda pudessem haver, dissiparam-se… Eles têm percorrido o terreno pantanoso das contas portuguesas para, assim, enfrentarem o Gigante. Nós, de forma cobarde, não tivemos coragem para fazê-lo sozinhos. Antes pelo contrário, fomos alimentando a gula dessa besta com milhares de milhões de euros emprestados para: PPP’s, auto-estradas para todo o lado, TGV’s e outras coisas ditas “modernas”. Aceitámos com miserável passividade a plutocracia reinante, cúmplice da gula do Gigante. Muitos ficaram, e continuam, deslumbrados com o espectáculo triste e só cretino. Agora, vamos ter de pagar a factura com os inevitáveis juros. C’est la vie!

João Távora disse...

Muito bem!

joshua disse...

O Céu vela por nós apesar de nós. As provas da nossa história e o êxodo massivo dos nossos melhores jovens talvez nos aperfeiçoem a cidadania e a exigência.

Efectivamente, se o voto fosse visto com todo o peso punitivo que tem num país civilizado, haveria um módico de respeito. Aqui, até o voto pode ser um mortífero gesto provinciano em quem reluzir mais.

Do Médio-Oriente e afins disse...

Fiz um link para o meu blogue com a imagem do livro

Anónimo disse...

Foi necessario travar os Bolcheviques, e apareceram os anti-bolcheviques. Foi necessario travar os comunistas, e apareceram os anticomunistas. Foi necessario travar os Fascistas e surgiram os anti-fascistas. Hoje é necessario travar o socialismo, mas nao se encontram antisocialistas à altura.

Cáustico disse...

O hábito de aldrabar é tal, do grande canalha e dos seus canalhinhas amestrados,que, mesmo com os homens do FMI a vasculharem as constas, não resistiram à tentação de no seu programa citarem números que não correspondem à verdade.
Surpreende-me a actuação da oposição perante o palavreado nojento, próprio de humanos imbecis,com que pretendem atirar para a oposição a culpa das asneiras que fizeram e do estado caótico em que p+useram o país.
Não há na oposição quem seja capaz de mostrar ao povo a verdadeira situação do país no início e no fim dos mandatos de Guterres e do grande canalha, mais conhecido por Sócrates?

Anónimo disse...

O Catroga está em alta! Não o calem nem venham com a conversa do consenso. Consenso só há um - que o ranhoso dito cujo vá para a rua - e mais nenhum!

PC

Anónimo disse...

@11.49: Existem tres governos socialistas na europa actualmente: Portugal, Grecia e Espanha. A pressão europeia anti socialismo é notoria pelo que se esta a verificar, notoria e cruel. Para acabar com a pressão Europeia há que eleger um governo NÂO socialista, e para que isso aconteça será necessario passar esta mensagem.