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13.6.08

PORREIRO, PÁ



O pretty boy associou a sua magnífica carreira política - não tem outra - ao tratado de Lisboa. O pretty boy, o dr. Barroso e demais dirigentes de uma Europa artificial e burocrática, justificadora de correrias permanentes e frívolas a Bruxelas, acabaram enterrados na sua teimosia arrogante. Bastou o voto de um dos povos europeus para renascer a esperança de uma Europa fundada naquilo que é a sua história e o seu fundamento: o conflito criador contra os consensos das salas cinzentas, a diversidade dos povos contra a unificação desnaturada por cima, o respeito pela liberdade da opinião pública em vez dos clichés do jornalismo oficioso estilo D. Teresa de Sousa e demais correspondentes televisivos lambe-botas. A Irlanda merece um pouco de Píndaro: «dá-lhe, de concidadãos/ e estranhos, o respeito e agrado./Pois ele segue direito/ por caminhos à insolência hostis,/de seus nobres maiores/ o pensar escorreito claramente praticando.» Porreiro, pá.

Nota: Por cá, a coisa esconde-se nas televisões atrás das "grandes vitórias" do Porto e do Benfica junto da UEFA. Com a RTP sempre na frente da mediocridade servil da propaganda. Pobre país eternamente periférico que nem na Europa merece estar.

PORREIRO, PÁ



O pretty boy associou a sua magnífica carreira política - não tem outra - ao tratado de Lisboa. O pretty boy, o dr. Barroso e demais dirigentes de uma Europa artificial e burocrática, justificadora de correrias permanentes e frívolas a Bruxelas, acabaram enterrados na sua teimosia arrogante. Bastou o voto de um dos povos europeus para renascer a esperança de uma Europa fundada naquilo que é a sua história e o seu fundamento: o conflito criador contra os consensos das salas cinzentas, a diversidade dos povos contra a unificação desnaturada por cima, o respeito pela liberdade da opinião pública em vez dos clichés do jornalismo oficioso estilo D. Teresa de Sousa e demais correspondentes televisivos lambe-botas. A Irlanda merece um pouco de Píndaro: «dá-lhe, de concidadãos/ e estranhos, o respeito e agrado./Pois ele segue direito/ por caminhos à insolência hostis,/de seus nobres maiores/ o pensar escorreito claramente praticando.» Porreiro, pá.

Nota: Por cá, a coisa esconde-se nas televisões atrás das "grandes vitórias" do Porto e do Benfica junto da UEFA. Com a RTP sempre na frente da mediocridade servil da propaganda. Pobre país eternamente periférico que nem na Europa merece estar.

20.12.07

UM PROVINCIANO MODERNO

Há dias, confessava, era ele o "provinciano", pobremente compreendido pelas elites e pela esquerda que o execra com a mesma precisão com que ele a detesta. Agora é a "visão provinciana ultrapassada", a daqueles que não aplaudem de pé, como certos basbaques sem biografia, a "presidência" dele e que o criticam por alegadamente descurar a "frente" interna. Por mim, podia lá ficar ad aeternum. Adoptado, como o gémeo porreiro de Bruxelas. Coisas de um "provinciano" pelos vistos "moderno".

UM PROVINCIANO MODERNO

Há dias, confessava, era ele o "provinciano", pobremente compreendido pelas elites e pela esquerda que o execra com a mesma precisão com que ele a detesta. Agora é a "visão provinciana ultrapassada", a daqueles que não aplaudem de pé, como certos basbaques sem biografia, a "presidência" dele e que o criticam por alegadamente descurar a "frente" interna. Por mim, podia lá ficar ad aeternum. Adoptado, como o gémeo porreiro de Bruxelas. Coisas de um "provinciano" pelos vistos "moderno".

15.12.07

"IR À RIBEIRA COMPRAR GRELOS"


«Vi em diferido a assinatura do tal Tratado. Aquele ajuntamento de burocratas não se trata de ralé, mas muito pior, de uma micro burguesia foleira, grosseira, pindérica e analfabeta que discursa banalidades. O último a chegar foi Sarkozy e o que fez ? Saiu do carro, voltou as costas a quem o esperava junto à entrada dos Jerónimos e foi conversar com os jornalistas! Uma ministra dos Negócios Estrangeiros de um dos 27 - não consegui descobrir de quem se tratava - chegou com um vestidinho estampado e aconchegava-se num casaquinho de malha muito apertado, assim a modos de quem vai à Ribeira comprar grelos. Alguns dos chefes de Estado e de governo eram enormes - creio que vindos dos países que irromperam na Europa Central ou no Báltico - encaixavam-se em casacos muito apertados e a mole de carne imensa de cada um deles rebentava-lhes por fora do corpanzil e tinham um ar mesmo pândego; uns mequetrefes que mais pareciam integrar uma procissão de abortos em exibição. Safavam-se alguns, claro: Gordon Brown - que esteve para ser marido da princesa herdeira da Roménia - só veio no final do almoço no Museu dos Coches. O pagode ministerial nem olhou para os coches! Estavam todos muito contentes com uma "mão cheia de nada e a outra de coisa nenhuma"! Uma saloiada à portuguesa! Afinal, à europeia! Está tudo, cada vez mais igual! Onde estão na Europa verdadeiros ministros e grandes senhores como Disraeli, Gladstone, Salisbury, Churchill, Briand, Schuman, Chaban-Delmas, Cavour, Orlando, De Gasperi, Aldo Moro, Cánovas del Castillo, Sagasta e Romanones, esses verdadeiros profissionais da política com biblioteca montada em casa ?»

Miguel Castelo-Branco, in Combustões

"IR À RIBEIRA COMPRAR GRELOS"


«Vi em diferido a assinatura do tal Tratado. Aquele ajuntamento de burocratas não se trata de ralé, mas muito pior, de uma micro burguesia foleira, grosseira, pindérica e analfabeta que discursa banalidades. O último a chegar foi Sarkozy e o que fez ? Saiu do carro, voltou as costas a quem o esperava junto à entrada dos Jerónimos e foi conversar com os jornalistas! Uma ministra dos Negócios Estrangeiros de um dos 27 - não consegui descobrir de quem se tratava - chegou com um vestidinho estampado e aconchegava-se num casaquinho de malha muito apertado, assim a modos de quem vai à Ribeira comprar grelos. Alguns dos chefes de Estado e de governo eram enormes - creio que vindos dos países que irromperam na Europa Central ou no Báltico - encaixavam-se em casacos muito apertados e a mole de carne imensa de cada um deles rebentava-lhes por fora do corpanzil e tinham um ar mesmo pândego; uns mequetrefes que mais pareciam integrar uma procissão de abortos em exibição. Safavam-se alguns, claro: Gordon Brown - que esteve para ser marido da princesa herdeira da Roménia - só veio no final do almoço no Museu dos Coches. O pagode ministerial nem olhou para os coches! Estavam todos muito contentes com uma "mão cheia de nada e a outra de coisa nenhuma"! Uma saloiada à portuguesa! Afinal, à europeia! Está tudo, cada vez mais igual! Onde estão na Europa verdadeiros ministros e grandes senhores como Disraeli, Gladstone, Salisbury, Churchill, Briand, Schuman, Chaban-Delmas, Cavour, Orlando, De Gasperi, Aldo Moro, Cánovas del Castillo, Sagasta e Romanones, esses verdadeiros profissionais da política com biblioteca montada em casa ?»

Miguel Castelo-Branco, in Combustões

13.12.07

POR UM REFERENDO AO TRATADO NO DIA DA SUA ASSINATURA


O momento assinalava a subscrição da "Carta dos Direitos Fundamentais" que integra o "tratado" assinado esta manhã em Lisboa. Na sua língua de pau, o senhor presidente em exercício foi confrontado com o protesto de alguns eurodeputados. Reclamavam o recurso ao referendo como método adequado para ratificar democraticamente o documento dos Jerónimos. Foi vaiado e aplaudido ao mesmo tempo no Parlamento Europeu. Cá fora, Sócrates reagiu "à Sócrates". Falou de "folclore democrático" e acusou os que o apuparam, e que defendiam o referendo, de "anti-europeus". Sócrates é fortemente deficitário de cultura democrática. O ar crispado com que aguentou o protesto vale mais do que mil palavras sobre a matéria. É pena que o Parlamento português, tão bem abastecido de monos reverentes, não seja também mais reactivo. O dormente Jaime Gama, como se viu no debate mensal, adora anestesiar o conflito com retórica processual. E Sócrates aprecia este género de respeitinho paroquial que, por muito que lhe custe, a Europa não lhe tem. Há três anos, em Roma, os líderes europeus também se sentaram à volta da fogueira para assinar o tratado de Roma. Vinha aí a "constituição europeia". Não veio. Dois referendos - e um em especial, o francês - ditaram a sua prematura morte. Apesar da propaganda ("um tratado mais modesto", como eles dizem, mas essencialmente a mesma coisa), convém lembrar que a cerimónia de hoje é quase só espectáculo. Quando sair dos Jerónimos para o eléctrico da Carris, a direcção da UE não tem a certeza de nada. O verdadeiro lance do tratado de Lisboa começa aí, quando passar das canetas douradas dos dirigentes para a cabeça dos povos da Europa. Começa ou acaba.

POR UM REFERENDO AO TRATADO NO DIA DA SUA ASSINATURA


O momento assinalava a subscrição da "Carta dos Direitos Fundamentais" que integra o "tratado" assinado esta manhã em Lisboa. Na sua língua de pau, o senhor presidente em exercício foi confrontado com o protesto de alguns eurodeputados. Reclamavam o recurso ao referendo como método adequado para ratificar democraticamente o documento dos Jerónimos. Foi vaiado e aplaudido ao mesmo tempo no Parlamento Europeu. Cá fora, Sócrates reagiu "à Sócrates". Falou de "folclore democrático" e acusou os que o apuparam, e que defendiam o referendo, de "anti-europeus". Sócrates é fortemente deficitário de cultura democrática. O ar crispado com que aguentou o protesto vale mais do que mil palavras sobre a matéria. É pena que o Parlamento português, tão bem abastecido de monos reverentes, não seja também mais reactivo. O dormente Jaime Gama, como se viu no debate mensal, adora anestesiar o conflito com retórica processual. E Sócrates aprecia este género de respeitinho paroquial que, por muito que lhe custe, a Europa não lhe tem. Há três anos, em Roma, os líderes europeus também se sentaram à volta da fogueira para assinar o tratado de Roma. Vinha aí a "constituição europeia". Não veio. Dois referendos - e um em especial, o francês - ditaram a sua prematura morte. Apesar da propaganda ("um tratado mais modesto", como eles dizem, mas essencialmente a mesma coisa), convém lembrar que a cerimónia de hoje é quase só espectáculo. Quando sair dos Jerónimos para o eléctrico da Carris, a direcção da UE não tem a certeza de nada. O verdadeiro lance do tratado de Lisboa começa aí, quando passar das canetas douradas dos dirigentes para a cabeça dos povos da Europa. Começa ou acaba.

11.12.07

UM TRATADO SEM SOM

Enquanto escrevia o post anterior, a RTP sem som mostrava-me a Sra. D. Campos Ferreira e seus "convidados". Deu para perceber que se falava da mítica Europa e do não menos mítico tratado, o bobo da festa de quinta-feira. O PS e o governo tinham direito à dupla Sousa Pinto, o menino-bem da JS que caiu nas graças de Mário Soares, e João Gomes Cravinho, secretário de Estado. Os outros eram Miguel Portas e Pacheco Pereira. Nesta matéria, identifico-me plenamente com Pacheco Pereira e não costumo ouvir este Portas. Soares chamou "confuso" ao tratado mas deve achar muito bem que seja aprovado longe das vistas das opiniões públicas, ou seja, sem referendo. Para além de confuso, o tratado é como a emissão que passava à minha frente: não tem som.

UM TRATADO SEM SOM

Enquanto escrevia o post anterior, a RTP sem som mostrava-me a Sra. D. Campos Ferreira e seus "convidados". Deu para perceber que se falava da mítica Europa e do não menos mítico tratado, o bobo da festa de quinta-feira. O PS e o governo tinham direito à dupla Sousa Pinto, o menino-bem da JS que caiu nas graças de Mário Soares, e João Gomes Cravinho, secretário de Estado. Os outros eram Miguel Portas e Pacheco Pereira. Nesta matéria, identifico-me plenamente com Pacheco Pereira e não costumo ouvir este Portas. Soares chamou "confuso" ao tratado mas deve achar muito bem que seja aprovado longe das vistas das opiniões públicas, ou seja, sem referendo. Para além de confuso, o tratado é como a emissão que passava à minha frente: não tem som.

10.12.07

«PERHAPS THERE WEREN'T ANY»

«The Portuguese Prime Minister, Jose Socrates, gave an extraordinary closing speech which spoke about bridges being built, steps forward being taken, and visions being pursued. He went off on such an oratorical flight, in fact, that I became mesmerised by the beauty of the Portuguese language and the elegance of his delivery. I was so bewitched that I didn't register any concrete points in the speech at all. Perhaps there weren't any. But it certainly sounded good.»


Jornalista da BBC, enviado a Lisboa, a propósito do discurso final do senhor presidente em exercício, via Hole Horror

«PERHAPS THERE WEREN'T ANY»

«The Portuguese Prime Minister, Jose Socrates, gave an extraordinary closing speech which spoke about bridges being built, steps forward being taken, and visions being pursued. He went off on such an oratorical flight, in fact, that I became mesmerised by the beauty of the Portuguese language and the elegance of his delivery. I was so bewitched that I didn't register any concrete points in the speech at all. Perhaps there weren't any. But it certainly sounded good.»


Jornalista da BBC, enviado a Lisboa, a propósito do discurso final do senhor presidente em exercício, via Hole Horror

O ESPÍRITO



Neste fim-de-semana, Sócrates inventou "o espírito de Lisboa". Foi a propósito do encontro com os beduínos e com os ditadores africanos. Mas pode servir para a actividade circense que se segue, a assinatura do "tratado reformador". Os panegíricos dos "comentadores" oficiais à "cimeira euro-africana" tiveram algo de pornográfico. Até Marcelo se deixou embalar pela demagogia da propaganda. Ver-se-á, daqui até à próxima "cimeira", o "progresso" que este "espírito" levou até aos povos africanos. Sim, porque, em matéria de negócios com as cleptocracias pretas, não temos tanto pudor como a falar de direitos humanos ou de democracia. Mesmo as declarações mais corajosas, como as da chanceler alemã, foram imediatamente contraditadas pelo sr. Mugabe e tudo se perdeu nas brumas retóricas do tal "espírito". Na prática, esta é a última semana da presidência portuguesa a qual, não tenho dúvidas, será amplamente incensada pelos artistas do costume. Na quinta-feira anda-se "à borla" em Lisboa - por causa do "espírito" - e os dirigentes europeus até vão andar de eléctrico para a fotografia. Nós por cá continuaremos a "ir de carrinho", ou seja, não há "espírito", de Lisboa ou santo, que nos salve. Com ou sem "espírito", Sócrates descerá de novo à terra, ao país bisonho que anda a fomentar. Como nós, não vai gostar da realidade, a começar pelo seu governo. Habitue-se como nós nos temos de habituar. Ámen.

O ESPÍRITO



Neste fim-de-semana, Sócrates inventou "o espírito de Lisboa". Foi a propósito do encontro com os beduínos e com os ditadores africanos. Mas pode servir para a actividade circense que se segue, a assinatura do "tratado reformador". Os panegíricos dos "comentadores" oficiais à "cimeira euro-africana" tiveram algo de pornográfico. Até Marcelo se deixou embalar pela demagogia da propaganda. Ver-se-á, daqui até à próxima "cimeira", o "progresso" que este "espírito" levou até aos povos africanos. Sim, porque, em matéria de negócios com as cleptocracias pretas, não temos tanto pudor como a falar de direitos humanos ou de democracia. Mesmo as declarações mais corajosas, como as da chanceler alemã, foram imediatamente contraditadas pelo sr. Mugabe e tudo se perdeu nas brumas retóricas do tal "espírito". Na prática, esta é a última semana da presidência portuguesa a qual, não tenho dúvidas, será amplamente incensada pelos artistas do costume. Na quinta-feira anda-se "à borla" em Lisboa - por causa do "espírito" - e os dirigentes europeus até vão andar de eléctrico para a fotografia. Nós por cá continuaremos a "ir de carrinho", ou seja, não há "espírito", de Lisboa ou santo, que nos salve. Com ou sem "espírito", Sócrates descerá de novo à terra, ao país bisonho que anda a fomentar. Como nós, não vai gostar da realidade, a começar pelo seu governo. Habitue-se como nós nos temos de habituar. Ámen.

8.12.07

TEMPO REAL

Uns quantos portuguesinhos foram manifestar-se para a Expo contra a Inglaterra e a favor de Mugabe, o "libertador". Também há rapaziada pró Líbia, com umas bandeirinhas verdes e uns cachecóis "à Arafat". Estes parvalhões mereciam ser despejados, de um helicóptero, em pleno Darfur, por exemplo, para se "manifestarem" e verem o que é bom. Em tempo real.

TEMPO REAL

Uns quantos portuguesinhos foram manifestar-se para a Expo contra a Inglaterra e a favor de Mugabe, o "libertador". Também há rapaziada pró Líbia, com umas bandeirinhas verdes e uns cachecóis "à Arafat". Estes parvalhões mereciam ser despejados, de um helicóptero, em pleno Darfur, por exemplo, para se "manifestarem" e verem o que é bom. Em tempo real.

IGUAIS?


«Entre iguais»? Qual é a bitola do senhor engenheiro? Até Durão Barroso conseguiu ser um bocadinho menos retórico no seu habitual e branco "bruxelense". Ao equiparar ditadores, entre o primitivo e o sofisticado, a dirigentes europeus, apesar de tudo, livremente escolhidos pelo "povo", Sócrates coloca-se de costas perante a imensa indignidade que é a vida da maioria da população africana. A Europa não está a dialogar com gente de bem. E fica mal a Sócrates este deslumbramento adolescente pelas "cimeiras", pelos "tratados" e pelos "acordos" para uma nota de rodapé na história. Ninguém na Europa lhe agradece o frete - o Portugal ultramarino está morto e enterrado e jaz simbolicamente nas outrora belas baías de Luanda e de Lourenço Marques - e África ignora-o pura e simplesmente. Nada ficará "melhor" depois desta "cimeira", como ele imprudentemente insinuou. Não há nenhuma alma caridosa que lhe explique porquê?

IGUAIS?


«Entre iguais»? Qual é a bitola do senhor engenheiro? Até Durão Barroso conseguiu ser um bocadinho menos retórico no seu habitual e branco "bruxelense". Ao equiparar ditadores, entre o primitivo e o sofisticado, a dirigentes europeus, apesar de tudo, livremente escolhidos pelo "povo", Sócrates coloca-se de costas perante a imensa indignidade que é a vida da maioria da população africana. A Europa não está a dialogar com gente de bem. E fica mal a Sócrates este deslumbramento adolescente pelas "cimeiras", pelos "tratados" e pelos "acordos" para uma nota de rodapé na história. Ninguém na Europa lhe agradece o frete - o Portugal ultramarino está morto e enterrado e jaz simbolicamente nas outrora belas baías de Luanda e de Lourenço Marques - e África ignora-o pura e simplesmente. Nada ficará "melhor" depois desta "cimeira", como ele imprudentemente insinuou. Não há nenhuma alma caridosa que lhe explique porquê?