O governo perdoou a São Tomé uma dívida no valor de 35 milhões de dólares (22 milhões de euros). É uma gota? É. Todavia, é uma gota - ia a dizer de sangue português recordando-me de Senghor - que, juntando-se a outras, faz falta. Com Moçambique e a barragem, foi o que se sabe. Sócrates entretanto regressa a Angola para se avistar com a cleptocracia no poder. Carregamos não apenas o nosso fardo como ainda por cima ajudamos a pagar o dos outros. Isto por não termos sabido tratar da história como devia ser. Há trinta e quatro anos que praticamos, com o antigo Ultramar, uma diplomacia "freudiana". Já era tempo de crescermos.
«Um trem de ferro é uma coisa mecânica, mas atravessa a noite, a madrugada, o dia, atravessou minha vida.» Adélia Prado
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16.7.08
DIPLOMACIA "FREUDIANA"
O governo perdoou a São Tomé uma dívida no valor de 35 milhões de dólares (22 milhões de euros). É uma gota? É. Todavia, é uma gota - ia a dizer de sangue português recordando-me de Senghor - que, juntando-se a outras, faz falta. Com Moçambique e a barragem, foi o que se sabe. Sócrates entretanto regressa a Angola para se avistar com a cleptocracia no poder. Carregamos não apenas o nosso fardo como ainda por cima ajudamos a pagar o dos outros. Isto por não termos sabido tratar da história como devia ser. Há trinta e quatro anos que praticamos, com o antigo Ultramar, uma diplomacia "freudiana". Já era tempo de crescermos.
11.8.07
A SORTE DELE
Em 1975, debandámos de Timor em condições que são conhecidas. Em 99, salvo erro, andámos de mãos dadas e vestidos de branco pelas ruas de Lisboa a bradar "ai, Timor...". O dr. Sampaio fartou-se de lá ir gastar resmas de lenços de papel onde secou as honestas lágrimas que verteu pela "causa". O sr. Horta e o sr. Xanana, por causa da má consciência nacional (a nossa, claro), foram amplamente subsidiados pelos impostos portugueses para se chegar ao actual estado da arte. A Fretilin - ex-partido de ambos e agora uma "força" aparentemente tomada de assalto por criminosos e violadores - anda na rua a escavacar o que sobrou dos desastres anteriores. Razão tem Jaime Nogueira Pinto no seu livro sobre Salazar. Sorte a dele não ter assistido à triste agonia do Portugal ultramarino. É uma espécie de agonia permanente que havemos de expiar até à eternidade, desde a remota ilha de Timor até àquela que foi a luminosa baía de Luanda ou Lourenço Marques. Toda esta bandalheira tem a mesma origem. Sorte a do Doutor Salazar que já não estava cá para a ver.
A SORTE DELE
Em 1975, debandámos de Timor em condições que são conhecidas. Em 99, salvo erro, andámos de mãos dadas e vestidos de branco pelas ruas de Lisboa a bradar "ai, Timor...". O dr. Sampaio fartou-se de lá ir gastar resmas de lenços de papel onde secou as honestas lágrimas que verteu pela "causa". O sr. Horta e o sr. Xanana, por causa da má consciência nacional (a nossa, claro), foram amplamente subsidiados pelos impostos portugueses para se chegar ao actual estado da arte. A Fretilin - ex-partido de ambos e agora uma "força" aparentemente tomada de assalto por criminosos e violadores - anda na rua a escavacar o que sobrou dos desastres anteriores. Razão tem Jaime Nogueira Pinto no seu livro sobre Salazar. Sorte a dele não ter assistido à triste agonia do Portugal ultramarino. É uma espécie de agonia permanente que havemos de expiar até à eternidade, desde a remota ilha de Timor até àquela que foi a luminosa baía de Luanda ou Lourenço Marques. Toda esta bandalheira tem a mesma origem. Sorte a do Doutor Salazar que já não estava cá para a ver.
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