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1.5.11

DOIS PAPAS

Enquanto católico, não me excitou especialmente a beatificação de João Paulo II. Não sei nem me interessa saber se ele "curou" uma freira, com ou sem a ajuda do soro fisiológico e de duas ou três empresas do ramo farmacêutico. A fé não se confunde com comprimidos e injecções terrenos. O acto serviu apenas para reforçar os católicos na sua fé o que já não é pouco. O Papa JP II teve um papel político e religioso indisputável no século XX e, se merecia ser beatificado, era mais por aí do que por causa da pobre freirinha. Ao lado dos dirigentes políticos mundiais dos anos 80 e primeiros da década de 90, Wojtyla, com uma autoridade outra e própria, disse a toda a gente - e, sobretudo, aos seus contemporâneos do leste da Europa e da URSS - para não terem medo. "Não tenhais medo", abri as portas a Cristo" foram as duas mensagens fundamentais logo no primeiro dia, em 1978. O "ciclo mariano" é uma consequência disto. Doutrinariamente, Wojtyla era muito mais "conservador" que Raztinger. Ao aceder prontamente à sua beatificação, o antigo Prefeito para a Congregação da Fé remeteu o antecessor para o limbo do inefável enquanto Bento XVI trata agora de preservar o núcleo duro do catolicismo perante uma sociedade pouco disposta ao realismo da fé. Sem ilusões acerca do "humano", Ratzinger, pouco atreito a multidões histéricas, prefere explicar pacientemente por que se deve acreditar. João Paulo II participou numa revolução política. Bento XVI prepara, em paz e sossego, uma revolução religiosa. Venha Deus e escolha.

DOIS PAPAS

Enquanto católico, não me excitou especialmente a beatificação de João Paulo II. Não sei nem me interessa saber se ele "curou" uma freira, com ou sem a ajuda do soro fisiológico e de duas ou três empresas do ramo farmacêutico. A fé não se confunde com comprimidos e injecções terrenos. O acto serviu apenas para reforçar os católicos na sua fé o que já não é pouco. O Papa JP II teve um papel político e religioso indisputável no século XX e, se merecia ser beatificado, era mais por aí do que por causa da pobre freirinha. Ao lado dos dirigentes políticos mundiais dos anos 80 e primeiros da década de 90, Wojtyla, com uma autoridade outra e própria, disse a toda a gente - e, sobretudo, aos seus contemporâneos do leste da Europa e da URSS - para não terem medo. "Não tenhais medo", abri as portas a Cristo" foram as duas mensagens fundamentais logo no primeiro dia, em 1978. O "ciclo mariano" é uma consequência disto. Doutrinariamente, Wojtyla era muito mais "conservador" que Raztinger. Ao aceder prontamente à sua beatificação, o antigo Prefeito para a Congregação da Fé remeteu o antecessor para o limbo do inefável enquanto Bento XVI trata agora de preservar o núcleo duro do catolicismo perante uma sociedade pouco disposta ao realismo da fé. Sem ilusões acerca do "humano", Ratzinger, pouco atreito a multidões histéricas, prefere explicar pacientemente por que se deve acreditar. João Paulo II participou numa revolução política. Bento XVI prepara, em paz e sossego, uma revolução religiosa. Venha Deus e escolha.

14.1.11

MILAGRE E SOLIDÃO


Lamento a decisão de Bento XVI em aprovar a beatificação do seu antecessor. Aliás, já lamentava a proliferação de beatos levada a cabo por João Paulo II e a que Ratzinger, aparentemente, pretende continuar a dar curso. Se há coisa que caracterizou o notável pontificado do Papa polaco foi a sua condição profundamente "terrestre". Sem nunca perder de vista - como podia? - a espiritualidade e a fé, João Paulo II foi responsável pela maior fusão daquelas com a "realidade" e da "realidade" (da razão) com a fé. Ajudou, como ninguém, a derrubar uma ideologia malsã e "globalizou" a fé católica através das centenas de viagens apostólicas que realizou. O seu exemplo humano (que também foi político) é suficiente. Parafraseando Santo Agostinho, um homem submisso pela fé, pela esperança e pela caridade possui um forte domínio sobre si, desnecessitando, até, das Escrituras ou da interpretação delas para o exaltar, beatificando-o, pois é na solidão que aquelas três coisas são realmente vividas. João Paulo II é grande enquanto homem. É o maior e o mais raro dos milagres. E é quanto basta.

MILAGRE E SOLIDÃO


Lamento a decisão de Bento XVI em aprovar a beatificação do seu antecessor. Aliás, já lamentava a proliferação de beatos levada a cabo por João Paulo II e a que Ratzinger, aparentemente, pretende continuar a dar curso. Se há coisa que caracterizou o notável pontificado do Papa polaco foi a sua condição profundamente "terrestre". Sem nunca perder de vista - como podia? - a espiritualidade e a fé, João Paulo II foi responsável pela maior fusão daquelas com a "realidade" e da "realidade" (da razão) com a fé. Ajudou, como ninguém, a derrubar uma ideologia malsã e "globalizou" a fé católica através das centenas de viagens apostólicas que realizou. O seu exemplo humano (que também foi político) é suficiente. Parafraseando Santo Agostinho, um homem submisso pela fé, pela esperança e pela caridade possui um forte domínio sobre si, desnecessitando, até, das Escrituras ou da interpretação delas para o exaltar, beatificando-o, pois é na solidão que aquelas três coisas são realmente vividas. João Paulo II é grande enquanto homem. É o maior e o mais raro dos milagres. E é quanto basta.

27.9.09

ESPERANÇA CONTRA TODA A ESPERANÇA



Estive a acompanhar, através da RAI, a missa campal que o Papa Bento XVI rezou perante cerca de cento e cinquenta mil pessoas na República Checa. Enquanto decorria a comunhão, a RAI apresentou um curto documentário sobra a "Igreja do silêncio". É assim que a Igreja Católica é conhecida no leste da Europa onde os seus fiéis, dos prelados aos anónimos, foram perseguidos, detidos e expulsos das suas vidas até à queda do muro de Berlim. É uma Igreja com uma sabedoria muito própria que decorre desta miserável e infeliz circunstância política e mundana, deste sofrimento. Foi, porém, a Igreja que nos ofereceu João Paulo II. Premonitório, vai para mais de trinta anos, quando na Praça de São Pedro saudou o mundo com o seu "não tenhais medo". Ou quando, na Argentina da ditadura, pediu esperança contra toda a esperança.

ESPERANÇA CONTRA TODA A ESPERANÇA



Estive a acompanhar, através da RAI, a missa campal que o Papa Bento XVI rezou perante cerca de cento e cinquenta mil pessoas na República Checa. Enquanto decorria a comunhão, a RAI apresentou um curto documentário sobra a "Igreja do silêncio". É assim que a Igreja Católica é conhecida no leste da Europa onde os seus fiéis, dos prelados aos anónimos, foram perseguidos, detidos e expulsos das suas vidas até à queda do muro de Berlim. É uma Igreja com uma sabedoria muito própria que decorre desta miserável e infeliz circunstância política e mundana, deste sofrimento. Foi, porém, a Igreja que nos ofereceu João Paulo II. Premonitório, vai para mais de trinta anos, quando na Praça de São Pedro saudou o mundo com o seu "não tenhais medo". Ou quando, na Argentina da ditadura, pediu esperança contra toda a esperança.

12.5.09

FÁTIMA, NOSSA SENHORA


"João Paulo II tem tido a coragem de dizer que não há "direito à felicidade", sendo esta a consequência dos nossos comportamentos e não a consequência dos nossos "desejos" e inclinações", escreveu Vitor Cunha Rego em Os Dias de Amanhã. E continuava. "João Paulo II continua a pregar no meio do barulho ensurdecedor do materialismo de tantos chefes de Estado e de Governos e que procuram dar-nos deste mundo a imagem do sucesso e da Disneylândia. João Paulo II é para os leigos e laicos, uma personagem histórica discutível. Mas ninguém ousará negar que traz no rosto as marcas da luta pelas suas ideias de salvação do mundo. O Papa defende, em muitos casos, valores absolutos e dogmas. O tempo dirá se seria essa a sua obrigação". É, na minha modesta opinião. Conhecemos a devoção que Wotjila dedicava a Fátima e ao culto mariano. Os livros da Aura Miguel explicam-no perfeitamente tal como as suas três visitas a Portugal, nesta ocasião, como "peregrino entre peregrinos". Daquela terrível fragilidade humana dos últimos anos sobrou uma força interior que perdura e a que os milhares de peregrinos de Fátima continuam a dar um sentido inexplicável. "Desse lugar foi lançado um sinal severo, que investe contra a falta de reflexão reinante, um apelo à seriedade da vida e da história, uma recordação dos perigos que pairam sobre a humanidade. É o que o próprio Jesus lembra muitíssimas vezes, não temendo dizer: "Se não vos converterdes, perecereis todos" (Lc 13,3). A conversão - e Fátima recorda-o plenamente - é uma exigência perene da vida cristã." A reflexão do então cardeal Ratzinger, e hoje Papa Bento XVI, acerca de Fátima significa que, no meio das "multidões de solitários mergulhados num barulho apregoado de progresso", persiste uma luz que brilha e que vence o mundo.

FÁTIMA, NOSSA SENHORA


"João Paulo II tem tido a coragem de dizer que não há "direito à felicidade", sendo esta a consequência dos nossos comportamentos e não a consequência dos nossos "desejos" e inclinações", escreveu Vitor Cunha Rego em Os Dias de Amanhã. E continuava. "João Paulo II continua a pregar no meio do barulho ensurdecedor do materialismo de tantos chefes de Estado e de Governos e que procuram dar-nos deste mundo a imagem do sucesso e da Disneylândia. João Paulo II é para os leigos e laicos, uma personagem histórica discutível. Mas ninguém ousará negar que traz no rosto as marcas da luta pelas suas ideias de salvação do mundo. O Papa defende, em muitos casos, valores absolutos e dogmas. O tempo dirá se seria essa a sua obrigação". É, na minha modesta opinião. Conhecemos a devoção que Wotjila dedicava a Fátima e ao culto mariano. Os livros da Aura Miguel explicam-no perfeitamente tal como as suas três visitas a Portugal, nesta ocasião, como "peregrino entre peregrinos". Daquela terrível fragilidade humana dos últimos anos sobrou uma força interior que perdura e a que os milhares de peregrinos de Fátima continuam a dar um sentido inexplicável. "Desse lugar foi lançado um sinal severo, que investe contra a falta de reflexão reinante, um apelo à seriedade da vida e da história, uma recordação dos perigos que pairam sobre a humanidade. É o que o próprio Jesus lembra muitíssimas vezes, não temendo dizer: "Se não vos converterdes, perecereis todos" (Lc 13,3). A conversão - e Fátima recorda-o plenamente - é uma exigência perene da vida cristã." A reflexão do então cardeal Ratzinger, e hoje Papa Bento XVI, acerca de Fátima significa que, no meio das "multidões de solitários mergulhados num barulho apregoado de progresso", persiste uma luz que brilha e que vence o mundo.

2.4.08

TRÊS ANOS DEPOIS


Este magnífico Totus Tuus no novíssimo Câmara de Comuns.

TRÊS ANOS DEPOIS


Este magnífico Totus Tuus no novíssimo Câmara de Comuns.