30.3.06

PARIDADE MISÓGINA

A lei da paridade vai hoje ser discutida. Este governo, de facto, tem-se revelado a materialização do charme político. Não há nada mais sublime que esta atitude vaporosa de magnificência moral no sentido do engano. Por via de uma lei, pretende-se que a mulher seja integrada na vida política, em massa, para que a igualdade dos sexos suba mais um degrau na escala da conquista e, nesse sentido, calculam-se as mulheres e a sua participação em percentagem. Nada mais laudatório de qualquer capacidade intelectual da criatura feminina. Devem ser interpretações da costela do homem, como Oscar Wilde as fez: My dear boy, no woman is a genious. Women are a decorative sex. They never have anything to say, but they say it charmingly.Women represent the triumph of matter over mind, just as men represent the triumph of mind over morals . Misóginas, e pouco dadas à paridade. Posso sugerir? Criaturas pensantes, chega.

6 comentários:

Anónimo disse...

Depois de lermos este texto de Fernanda Câncio, no Glória Fácil:

"mais uma causa

no outro dia pedi à empregada doméstica que comprasse bróculos. bróculos, aquelas coisas verdes, tipo raminhos, que se vendem em qualquer mercearia, estão a ver?

pois a senhora foi ao corte inglês, onde se vendem algumas coisas que não se vendem em mais lado nenhum (tipo yogurtes e kefir de cabra, que são a minha perdição de pequeno almoço) e fez lá as compras todas, razão pela qual dei com uma embalagenzita de plástico transparente com 300 gr de pézinhos de bróculos que asseverava estarem os ditos lavadinhos e prontos a usar até ao dia seguinte (!) mas não ostentava preço em nenhum sítio.

vai daí fui inspeccionar a conta e ia caindo para trás. aqueles singelos 300 grs de bróculos tinham custado 3 euros. 3 euros cada 300 gr dá cerca de 10 euros o quilo. ou seja, dois contitos de réis por quilo de bróculos.

um quilo de bróculos 'dos bons' ali na mercearia do bairro custa 1 euro e trinta!!!!!!!!!!

sou só eu que acho isto absolutamente revoltante?

fiquei tão passada que me dei ao trabalho de ver que raio de empresa comercializa bróculos ao preço de bife do lombo.

é esta

é que, reparem, nem sequer são bróculos de agricultura biológica; são uns bróculos quaisquer, com a particularidade de estarem lavados (como se os bróculos normais costumassem estar cheios de lama) e cortados aos raminhos (sem aqueles talos mais grossos, portanto, dos quais até gosto, por acaso).

não consigo sequer ter ideia da margem de lucro obtida em cada uma daquelas embalagens -- acho que é melhor nem pensar nisso, sou capaz de rebentar de fúria. mas acho que ainda há, no código penal português, o crime de especulação -- aquele que se aplica a quem exorbita o preço de bens de consumo.

é que se isto não é crime, o que será?"

COMPREENDEMOS! OH SE COMPREENDEMOS... Mas nem todas as mulheres são assim! Nem todas temos como causa a imbecilidade do texto supra! A sério! Hello, abram os olhos! ;)

Anónimo disse...

Em Português, escreve-se iogurte e brócolo. Bem, como se usa maiúscula a seguir a ponto final.
Também me causa fúria os erros ortográficos... uma fúria de quase rebentar... Mesmo quando a minúscula é a modos de um piercing, algo para se ser diferente...

Anónimo disse...

Não faz sentido a discussão em torno da paridade. As mulheres dispensam-na, sobretudo se for por decreto. E o maior desrespeito pela igualdade de género é precisamente esta atitude.

marta r disse...

Como criatura pensante, não percebo como é que uma mulher se sente plenamente integrada na vida política se o seu lugar lhe foi destinado apenas por ser mulher...

Anónimo disse...

Pois claro! Oscar Wilde é a pessoa mais indicada para falar de triunfo do pensamento sobre a moral e também para ser citada a propósito de paridade... mas que grande falta de bom gosto.

Anónimo disse...

Mas será que já terá ocorrido a estas luminárias das leis que as mulheres não estão na politica porque não lhes apetece! Não querem... Têm mais que fazer e em que pensar. Assim como eventualmente podem não estar noutras áreas. Se isso acontece por outra ordem de motivos - descriminação - então que esses casos sejam tratados como casos de policia não, como casos de caridade. Tipo contigente especial para os pobrezinhos....salvo seja!