31.5.05

TRABALHO DE CASA

José Medeiros Ferreira, na sequência do referendo francês e das reacções oficiais portuguesas, explica sucintamente qual é o bom "trabalho de casa" para os próximos tempos.

TRABALHO DE CASA

José Medeiros Ferreira, na sequência do referendo francês e das reacções oficiais portuguesas, explica sucintamente qual é o bom "trabalho de casa" para os próximos tempos.

LER...

... no Nova Frente, A Palavra e a Mentira. E continuar a ler e a contribuir para o Despesa Pública, salvo seja.

LER...

... no Nova Frente, A Palavra e a Mentira. E continuar a ler e a contribuir para o Despesa Pública, salvo seja.

POR QUE...

... é que o Senhor Presidente da República não dá o exemplo do seu "espírito patriótico" poupando uns milhares de euros nas patéticas comemorações do 10 de Junho, que deslocam o "país oficial" todinho para Guimarães?

POR QUE...

... é que o Senhor Presidente da República não dá o exemplo do seu "espírito patriótico" poupando uns milhares de euros nas patéticas comemorações do 10 de Junho, que deslocam o "país oficial" todinho para Guimarães?

A FRENTE DA RECUSA...

... francesa. Para ler no Le Monde.

La France de 2005 présente donc tous les signes d'une angoisse sociale majeure. Car ce n'est pas seulement un rejet des institutions européennes qui s'est exprimé. C'est aussi la peur que font peser sur chacun le chômage et la mondialisation. Et la profonde défiance des électeurs à l'égard de leurs représentants politiques (...) Mais le ralliement majoritaire à un vote protestataire s'accompagne d'un nouveau phénomène, qui est aussi un enjeu pour l'ensemble des partis de gouvernement : la forte défiance des jeunes générations. Comme en 1992, les plus de 65 ans ont voté oui, dimanche. Mais toutes les autres tranches d'âge de la population ont voté non. Le traité a ainsi été rejeté par 59 % des Français ayant entre 18 et 24 ans, mais aussi, dans la même proportion, chez les 25-34 ans. C'est pourtant chez les 35-49 ans que le non atteint son plus haut niveau (65 %). Il y a treize ans, cette génération-là, alors âgée de 22 à 36 ans, avait voté à 52 % pour Maastricht.

Vejam lá se, por cá, conseguem perceber.

A FRENTE DA RECUSA...

... francesa. Para ler no Le Monde.

La France de 2005 présente donc tous les signes d'une angoisse sociale majeure. Car ce n'est pas seulement un rejet des institutions européennes qui s'est exprimé. C'est aussi la peur que font peser sur chacun le chômage et la mondialisation. Et la profonde défiance des électeurs à l'égard de leurs représentants politiques (...) Mais le ralliement majoritaire à un vote protestataire s'accompagne d'un nouveau phénomène, qui est aussi un enjeu pour l'ensemble des partis de gouvernement : la forte défiance des jeunes générations. Comme en 1992, les plus de 65 ans ont voté oui, dimanche. Mais toutes les autres tranches d'âge de la population ont voté non. Le traité a ainsi été rejeté par 59 % des Français ayant entre 18 et 24 ans, mais aussi, dans la même proportion, chez les 25-34 ans. C'est pourtant chez les 35-49 ans que le non atteint son plus haut niveau (65 %). Il y a treize ans, cette génération-là, alors âgée de 22 à 36 ans, avait voté à 52 % pour Maastricht.

Vejam lá se, por cá, conseguem perceber.

SETE PALMOS DE TERRA

O estado geral da pátria - aquele em que já nos encontrávamos e aquele que o governo prepara - só é aceitável para crentes. Como ensina a Igreja e recomenda o ex-cardeal Ratzinger, a verdadeira vida é a eterna. O resto não passa de uma sucessão de episódios e de equívocos sem importância. Acontece que, apesar das suas amplas distracções, Deus não dorme. Não fosse a bovinidade uma característica geral da raça, e quiçá o referendo sobre a Constituição europeia poderia tornar-se em algo parecido com o que aconteceu em França ou com o que acontecerá amanhã na Holanda. O verão, porém, amolece os corações e dá folga à carteira. O empadão "referendo-autárquicas" fará o resto. Os portugueses só deverão perceber lá mais para diante que já estão "sete palmos de terra" abaixo do razoável. De qualquer forma, não existe vida eterna para quem não acredita.

SETE PALMOS DE TERRA

O estado geral da pátria - aquele em que já nos encontrávamos e aquele que o governo prepara - só é aceitável para crentes. Como ensina a Igreja e recomenda o ex-cardeal Ratzinger, a verdadeira vida é a eterna. O resto não passa de uma sucessão de episódios e de equívocos sem importância. Acontece que, apesar das suas amplas distracções, Deus não dorme. Não fosse a bovinidade uma característica geral da raça, e quiçá o referendo sobre a Constituição europeia poderia tornar-se em algo parecido com o que aconteceu em França ou com o que acontecerá amanhã na Holanda. O verão, porém, amolece os corações e dá folga à carteira. O empadão "referendo-autárquicas" fará o resto. Os portugueses só deverão perceber lá mais para diante que já estão "sete palmos de terra" abaixo do razoável. De qualquer forma, não existe vida eterna para quem não acredita.

MELANCOLIA PRESIDENCIAL

Por causa da "concertação social", esse mito inventado, salvo erro, nos tempos do "bloco central", o sr. Presidente da República apelou ao ethos patriótico dos trabalhadores e dos patrões, em particular, e de todos nós, de uma maneira geral. Sampaio, que não se quis meter demasiadamente na primeira versão do "filme" do défice, protagonizada estoicamente por Manuela Ferreira Leite - nessa altura, é bom lembrar, "havia mais vida para além" dele -, decidiu agora acudir aos trabalhos de Sócrates nesta remake colorida do mesmo filme. Tirando Sampaio que, para sua felicidade, vive consoladamente em estado permanente de utopia, suspeito que o apelo ao patriotismo não surta grande efeito. As coisas foram longe demais para que alguém esteja disposto, de ânimo leve, a abdicar da sua vida "videirinha". Sobretudo quando se olha para os últimos três anos e se recorda que, afinal, a montanha nem sequer chegou a parir um rato. Como disse Vasco Pulido Valente, este pathos converteu-se numa "anarquia mansa" na qual verdadeiramente nada nem ninguém é levado excessivamente a sério. Compreendo, por isso, a melancolia presidencial. Ao fim de dois mandatos, Jorge Sampaio não conseguiu entender o país que o elegeu.

MELANCOLIA PRESIDENCIAL

Por causa da "concertação social", esse mito inventado, salvo erro, nos tempos do "bloco central", o sr. Presidente da República apelou ao ethos patriótico dos trabalhadores e dos patrões, em particular, e de todos nós, de uma maneira geral. Sampaio, que não se quis meter demasiadamente na primeira versão do "filme" do défice, protagonizada estoicamente por Manuela Ferreira Leite - nessa altura, é bom lembrar, "havia mais vida para além" dele -, decidiu agora acudir aos trabalhos de Sócrates nesta remake colorida do mesmo filme. Tirando Sampaio que, para sua felicidade, vive consoladamente em estado permanente de utopia, suspeito que o apelo ao patriotismo não surta grande efeito. As coisas foram longe demais para que alguém esteja disposto, de ânimo leve, a abdicar da sua vida "videirinha". Sobretudo quando se olha para os últimos três anos e se recorda que, afinal, a montanha nem sequer chegou a parir um rato. Como disse Vasco Pulido Valente, este pathos converteu-se numa "anarquia mansa" na qual verdadeiramente nada nem ninguém é levado excessivamente a sério. Compreendo, por isso, a melancolia presidencial. Ao fim de dois mandatos, Jorge Sampaio não conseguiu entender o país que o elegeu.

30.5.05

ENTENDER OU ENGANAR?

Alguns adeptos do "sim", quando olham para o lado oposto, vêem por lá "uma federação de medos". Lembram-me um ditame bíblico: "a sabedoria do prudente é entender o seu caminho, a estultícia dos tolos é enganar".

ENTENDER OU ENGANAR?

Alguns adeptos do "sim", quando olham para o lado oposto, vêem por lá "uma federação de medos". Lembram-me um ditame bíblico: "a sabedoria do prudente é entender o seu caminho, a estultícia dos tolos é enganar".

FINANÇAS À PARTE

A reunião extraordinária do Conselho de Ministros, que aprovou o "plano de consolidação das finanças públicas nacionais", não dedicou uma palavra - pelo menos que se saiba - às autarquias ou às regiões autónomas. Será que estas duas entidades são "filhas de um Deus maior", protegidas designadamente pelos signos de Outubro, ou será que não cabem no conceito de "finanças públicas nacionais" ? Parece que, "finanças" à parte, os contribuintes são os mesmos. Ou não são?

FINANÇAS À PARTE

A reunião extraordinária do Conselho de Ministros, que aprovou o "plano de consolidação das finanças públicas nacionais", não dedicou uma palavra - pelo menos que se saiba - às autarquias ou às regiões autónomas. Será que estas duas entidades são "filhas de um Deus maior", protegidas designadamente pelos signos de Outubro, ou será que não cabem no conceito de "finanças públicas nacionais" ? Parece que, "finanças" à parte, os contribuintes são os mesmos. Ou não são?

LER OS OUTROS

... no Random Precision, O Miguel Rolha. Assunto encerrado.

LER OS OUTROS

... no Random Precision, O Miguel Rolha. Assunto encerrado.

QUENTE E FRIO

Muito sinceramente, eu espero que a dra. Ana Gomes apareça rapidamente e várias vezes a defender o "sim" português. O seu glamoroso "optimismo", agora furioso com os franceses, é um bálsamo divertido para suportar o gongorismo de Freitas do Amaral, o arcadismo de Oliveira Martins ou, no limite, o fundamentalismo constitucionalista de Durão Barroso que aparentemente continua a não querer ver o que é evidente. Vale a pena ler o seu texto " a quente" no Causa Nossa. E vale a pena imaginar, daqui a uns meses, o que será um debate "pró-sim" entre, quem sabe, Vitorino, Marcelo e a própria Ana Gomes. Já li e vi muita coisa sobre o "29 de Maio". Talvez o melhor seja o pequeno texto de Luís Salgado Matos no Público, Os Novos Pobres (sem link), seguramente pensado "a frio". O processo de elaboração da "Constituição" europeia é o melhor exemplo do aumento do défice democrático: foi votada numa assembleia de "ancien régime", nomeada - quando a tradição constitucional europeia exige assembleias eleitas -, será ratificada por parlamentos nacionais, na ordem do dia corrente, entre a regulamentação das praias perigosas e a adaptação da rede dos jardins infantis à queda da taxa de natalidade. A elite tem agora que consultar a massa - que hoje segue os seus dirigentes menos do que ontem porque vê o célebre Modelo Social Europeu a desfazer-se sobre as marteladas globalizadoras. É a globalização que acentua aquela cisão entre a elite e a massa. A globalização é o aumento do comércio livre. É um novo passo na infindável revolução burguesa. Se gera novos ricos, faz nascer novos pobres. É a eles que por certo se refere D. José Policarpo quando no sermão do Corpo de Deus salientou as "condições aviltantes e a pobreza envergonhada" existentes em Lisboa. E na Europa, acrescentemos. Esta miséria material é envolta numa miséria moral bem mais terrível. A Europa tem medo. Medo dos imigrantes, do desemprego, do crime, do vizinho, do futuro. Se os sistemas políticos se deixarem deslegitimar pela cisão entre patrícios e plebeus, de um momento para o outro, a crise assumirá uma gravidade insuspeita. Como dizia um amigo, numa "sms" de ontem: seria engraçado ver alguns epígonos do "sim" a trabalhar numa fábrica de volantes de automóveis e a acordar todos os dias com o espectro de o patrão os mandar para a Roménia.

QUENTE E FRIO

Muito sinceramente, eu espero que a dra. Ana Gomes apareça rapidamente e várias vezes a defender o "sim" português. O seu glamoroso "optimismo", agora furioso com os franceses, é um bálsamo divertido para suportar o gongorismo de Freitas do Amaral, o arcadismo de Oliveira Martins ou, no limite, o fundamentalismo constitucionalista de Durão Barroso que aparentemente continua a não querer ver o que é evidente. Vale a pena ler o seu texto " a quente" no Causa Nossa. E vale a pena imaginar, daqui a uns meses, o que será um debate "pró-sim" entre, quem sabe, Vitorino, Marcelo e a própria Ana Gomes. Já li e vi muita coisa sobre o "29 de Maio". Talvez o melhor seja o pequeno texto de Luís Salgado Matos no Público, Os Novos Pobres (sem link), seguramente pensado "a frio". O processo de elaboração da "Constituição" europeia é o melhor exemplo do aumento do défice democrático: foi votada numa assembleia de "ancien régime", nomeada - quando a tradição constitucional europeia exige assembleias eleitas -, será ratificada por parlamentos nacionais, na ordem do dia corrente, entre a regulamentação das praias perigosas e a adaptação da rede dos jardins infantis à queda da taxa de natalidade. A elite tem agora que consultar a massa - que hoje segue os seus dirigentes menos do que ontem porque vê o célebre Modelo Social Europeu a desfazer-se sobre as marteladas globalizadoras. É a globalização que acentua aquela cisão entre a elite e a massa. A globalização é o aumento do comércio livre. É um novo passo na infindável revolução burguesa. Se gera novos ricos, faz nascer novos pobres. É a eles que por certo se refere D. José Policarpo quando no sermão do Corpo de Deus salientou as "condições aviltantes e a pobreza envergonhada" existentes em Lisboa. E na Europa, acrescentemos. Esta miséria material é envolta numa miséria moral bem mais terrível. A Europa tem medo. Medo dos imigrantes, do desemprego, do crime, do vizinho, do futuro. Se os sistemas políticos se deixarem deslegitimar pela cisão entre patrícios e plebeus, de um momento para o outro, a crise assumirá uma gravidade insuspeita. Como dizia um amigo, numa "sms" de ontem: seria engraçado ver alguns epígonos do "sim" a trabalhar numa fábrica de volantes de automóveis e a acordar todos os dias com o espectro de o patrão os mandar para a Roménia.

É VERDADE QUE...



Adenda: Em alguma blogosfera também perpassa um sentimento fúnebre por causa do voto francês. Não vale a pena. A "honra perdida" dos burocratas redime-se, entre nós, em Outubro, num momento verdadeiramente à nossa altura. Vital Moreira, Marcelo, Vitorino, Freitas, Marques Mendes, Ribeiro e Castro, Paulo Portas, Santana Lopes, Jorge Coelho, Medeiros Ferreira, Edite Estrela, Cavaco Silva, Sócrates, Eduardo Lourenço, E. Prado Coelho, Graça Moura e tutti quanti vão partilhar o "debate europeu" - que se espera "profundo" e "esclarecedor" - com a tagarelice dos autarcas e dos candidatos a autarcas os quais, obviamente, estarão interessadissimos nesse "debate". É que a "Europa" não dá nada e o Major Valentim Loureiro, por exemplo, sempre dá ou já deu frigoríficos.

É VERDADE QUE...



Adenda: Em alguma blogosfera também perpassa um sentimento fúnebre por causa do voto francês. Não vale a pena. A "honra perdida" dos burocratas redime-se, entre nós, em Outubro, num momento verdadeiramente à nossa altura. Vital Moreira, Marcelo, Vitorino, Freitas, Marques Mendes, Ribeiro e Castro, Paulo Portas, Santana Lopes, Jorge Coelho, Medeiros Ferreira, Edite Estrela, Cavaco Silva, Sócrates, Eduardo Lourenço, E. Prado Coelho, Graça Moura e tutti quanti vão partilhar o "debate europeu" - que se espera "profundo" e "esclarecedor" - com a tagarelice dos autarcas e dos candidatos a autarcas os quais, obviamente, estarão interessadissimos nesse "debate". É que a "Europa" não dá nada e o Major Valentim Loureiro, por exemplo, sempre dá ou já deu frigoríficos.

29.5.05

LER...

... no Sítio do Não os resultados do referendo em França e os comentários respectivos. Como dizia o Eça, a França arde para iluminar o Mundo!

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... no Sítio do Não os resultados do referendo em França e os comentários respectivos. Como dizia o Eça, a França arde para iluminar o Mundo!

POR CÁ...

... não vai haver o mais vago debate sobre a "Constituição europeia". Não está na mentalidade do mendigo. Enquanto de Bruxelas escorrer um vintém, e tirando meia dúzia de excêntricos, toda a gente, se votar, vota "sim". Não se morde a mão que nos dá o pão.

Vasco Pulido Valente

POR CÁ...

... não vai haver o mais vago debate sobre a "Constituição europeia". Não está na mentalidade do mendigo. Enquanto de Bruxelas escorrer um vintém, e tirando meia dúzia de excêntricos, toda a gente, se votar, vota "sim". Não se morde a mão que nos dá o pão.

Vasco Pulido Valente

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A EUROPA DA BOA CONSCIÊNCIA E A CONSCIÊNCIA DA EUROPA



Sob o signo da chantagem e de verborreias apocalípticas sobre o "futuro da Europa", os franceses pronunciam-se hoje sobre a Constituição Europeia. Sabemos que o que move a maioria do eleitorado gaulês não é tanto esse "futuro" quanto o seu próprio e de meia dúzia de questões caseiras. Acontece que a Europa está em nós - franceses ou portugueses - há demasiado tempo para que não seja encarada como cosa nostra. Ao contrário do que a torpe "pedagogia" do "sim" insinua, aquilo a que eu chamaria "a consciência europeia" não se adquire automaticamente como acontece com a mera transposição jurídica, feita "a frio", das directivas e dos regulamentos burocráticos de Bruxelas. A "consciência europeia" é um dado cultural fundamental que caldeia todos os contributos de uma comunidade de nações, unidas na sua diversidade e, como tal, geradoras de um cosmopolitismo aberto ao mundo. Não é nem jamais poderá ser a concretização de uma ambição medíocre traduzida na uniformização de procedimentos para tudo e mais alguma coisa, desprovida de imaginação política e de uma visão de futuro. A "consciência europeia" - pelo menos aquela que eu defendo - não é seguramente mais feliz pela via da "administrativização" da vida dos indíviduos e das empresas, nem tão-pouco por lhes impingir, a torto e a direito, uma "norma". Esta é que é a verdadeira "Europa branca" de que fala Eduardo Lourenço no Público, num texto jesuiticamente temerário e prudentemente institucional. A "Europa branca", aliás, é excelentemente encarnada por esse modelo de "neutralidade virtuosa" que se chama Durão Barroso. É essa "Europa da boa consciência" - bem diferente da "consciência europeia" de que falei - que é hoje julgada em França, por mais que as questiúnculas domésticas pesem. Lá como cá, a Europa não está do lado de fora. A única diferença é que nós somos mais panhonhas e gostamos muito do "respeitinho", venha ele de onde vier. Tudo somado, a vitória do "não" representará a derrota da "Europa da boa consciência" e a vitória da "consciência da Europa". E isso é que importa.

A EUROPA DA BOA CONSCIÊNCIA E A CONSCIÊNCIA DA EUROPA



Sob o signo da chantagem e de verborreias apocalípticas sobre o "futuro da Europa", os franceses pronunciam-se hoje sobre a Constituição Europeia. Sabemos que o que move a maioria do eleitorado gaulês não é tanto esse "futuro" quanto o seu próprio e de meia dúzia de questões caseiras. Acontece que a Europa está em nós - franceses ou portugueses - há demasiado tempo para que não seja encarada como cosa nostra. Ao contrário do que a torpe "pedagogia" do "sim" insinua, aquilo a que eu chamaria "a consciência europeia" não se adquire automaticamente como acontece com a mera transposição jurídica, feita "a frio", das directivas e dos regulamentos burocráticos de Bruxelas. A "consciência europeia" é um dado cultural fundamental que caldeia todos os contributos de uma comunidade de nações, unidas na sua diversidade e, como tal, geradoras de um cosmopolitismo aberto ao mundo. Não é nem jamais poderá ser a concretização de uma ambição medíocre traduzida na uniformização de procedimentos para tudo e mais alguma coisa, desprovida de imaginação política e de uma visão de futuro. A "consciência europeia" - pelo menos aquela que eu defendo - não é seguramente mais feliz pela via da "administrativização" da vida dos indíviduos e das empresas, nem tão-pouco por lhes impingir, a torto e a direito, uma "norma". Esta é que é a verdadeira "Europa branca" de que fala Eduardo Lourenço no Público, num texto jesuiticamente temerário e prudentemente institucional. A "Europa branca", aliás, é excelentemente encarnada por esse modelo de "neutralidade virtuosa" que se chama Durão Barroso. É essa "Europa da boa consciência" - bem diferente da "consciência europeia" de que falei - que é hoje julgada em França, por mais que as questiúnculas domésticas pesem. Lá como cá, a Europa não está do lado de fora. A única diferença é que nós somos mais panhonhas e gostamos muito do "respeitinho", venha ele de onde vier. Tudo somado, a vitória do "não" representará a derrota da "Europa da boa consciência" e a vitória da "consciência da Europa". E isso é que importa.

EM FRANÇA, HOJE É DIA DE VOTAR...

EM FRANÇA, HOJE É DIA DE VOTAR...

28.5.05

A ANATOMIA DO "MONSTRO"...

... continua a fazer-se no DESPESA PÚBLICA, um blogue aberto pela Grande Loja, na sequência da sugestão de Saldanha Sanches, apontada no post anterior, Os Alvos Certos.

A ANATOMIA DO "MONSTRO"...

... continua a fazer-se no DESPESA PÚBLICA, um blogue aberto pela Grande Loja, na sequência da sugestão de Saldanha Sanches, apontada no post anterior, Os Alvos Certos.

OS ALVOS CERTOS

Sob o título "Os cortes orçamentais- que alvos?", José Luís Saldanha Sanches, no Expresso-Economia, explica que, para controlar a despesa pública, "alvos não faltam: o modo como alguns sectores do Estado gastam o dinheiro dos contribuintes revela, nalguns casos, uma tal imaginação que merecia um prémio". Relembra, a título exemplificativo, "os submarinos do dr. Portas", "as equipas de futebol da Madeira a concorrer na divisão principal à custa de dinheiros públicos" ou "a GNR com milhares de homens fechados em quartéis à espera do golpe de Estado ou da insurreição popular". Saldanha Sanches cita "pequenos exemplos": "há pavilhões gimnodesportivos de terras sem habitantes tão vazios como as cabeças dos adidos culturais de algumas embaixadas portuguesas", "comarcas com juiz, ministério público e funcionários, mas sem processos", o Estado que "gasta milhões com advogados para não perder processo sobre processo", quando "os ministérios continuam a ter auditores e auditorias destinados a defender os interesses do Estado". Na sua opinião, "os apertos financeiros do Estado português deviam pôr tudo isso em causa: mas tal como não há nenhuma racionalidade no crescimento do Estado (vai crescendo ao abrigo de impulsos momentâneos), também não há nenhuma racionalidade no corte das despesas públicas". Cita a Grande Loja a propósito do "colégio" do Instituto de Reinserção Social, onde 31 almas asseguram a "recuperação" de nove(9) jovens delinquentes e faz votos "para que a sua recuperação seja tão completa que acabem por ser canonizados". Foi por causa deste episódio que me lembrei de proceder - com a ajuda dos meus eventuais leitores - à "anatomia do "monstro" no "Portugal dos Pequeninos", correspondendo involuntariamente ao apelo de Saldanha Sanches: "Tudo isto pode continuar ou não. Depende da opinião pública. Um prémio sobre a forma mais imaginativa de gastar o dinheiro dos contribuintes deixaria o júri perante as maiores dificuldades. Mas era bom que o concurso começasse já e que os alvos para os cortes começassem a ser identificados. Ninguém fará um blogue só com este objectivo, para que a enumeração comece e os alvos sejam devidamente identificados?" É - conclui ele - "o único modo de evitar que os cortes nas verbas das quantias destinadas aos cavalos da GNR ou do Instituto de Reinserção Social não sejam percentualmente iguais aos cortes nas verbas destinadas ao serviço de urgência do Hospital de S. João". Continuemos, pois, a descobrir os alvos certos.

OS ALVOS CERTOS

Sob o título "Os cortes orçamentais- que alvos?", José Luís Saldanha Sanches, no Expresso-Economia, explica que, para controlar a despesa pública, "alvos não faltam: o modo como alguns sectores do Estado gastam o dinheiro dos contribuintes revela, nalguns casos, uma tal imaginação que merecia um prémio". Relembra, a título exemplificativo, "os submarinos do dr. Portas", "as equipas de futebol da Madeira a concorrer na divisão principal à custa de dinheiros públicos" ou "a GNR com milhares de homens fechados em quartéis à espera do golpe de Estado ou da insurreição popular". Saldanha Sanches cita "pequenos exemplos": "há pavilhões gimnodesportivos de terras sem habitantes tão vazios como as cabeças dos adidos culturais de algumas embaixadas portuguesas", "comarcas com juiz, ministério público e funcionários, mas sem processos", o Estado que "gasta milhões com advogados para não perder processo sobre processo", quando "os ministérios continuam a ter auditores e auditorias destinados a defender os interesses do Estado". Na sua opinião, "os apertos financeiros do Estado português deviam pôr tudo isso em causa: mas tal como não há nenhuma racionalidade no crescimento do Estado (vai crescendo ao abrigo de impulsos momentâneos), também não há nenhuma racionalidade no corte das despesas públicas". Cita a Grande Loja a propósito do "colégio" do Instituto de Reinserção Social, onde 31 almas asseguram a "recuperação" de nove(9) jovens delinquentes e faz votos "para que a sua recuperação seja tão completa que acabem por ser canonizados". Foi por causa deste episódio que me lembrei de proceder - com a ajuda dos meus eventuais leitores - à "anatomia do "monstro" no "Portugal dos Pequeninos", correspondendo involuntariamente ao apelo de Saldanha Sanches: "Tudo isto pode continuar ou não. Depende da opinião pública. Um prémio sobre a forma mais imaginativa de gastar o dinheiro dos contribuintes deixaria o júri perante as maiores dificuldades. Mas era bom que o concurso começasse já e que os alvos para os cortes começassem a ser identificados. Ninguém fará um blogue só com este objectivo, para que a enumeração comece e os alvos sejam devidamente identificados?" É - conclui ele - "o único modo de evitar que os cortes nas verbas das quantias destinadas aos cavalos da GNR ou do Instituto de Reinserção Social não sejam percentualmente iguais aos cortes nas verbas destinadas ao serviço de urgência do Hospital de S. João". Continuemos, pois, a descobrir os alvos certos.

A BOA RESPOSTA É "NÃO"

É o bom conselho da revista The Economist para os referendos em França e na Holanda. A partir do "Sítio do Não" e do Público. A revista britânica The Economist aconselhou ontem franceses e holandeses (estes votam dia 1 de Junho) a votarem "não" à Constituição europeia, assegurando que uma tal rejeição permitirá "uma pausa para reflectir" e não constituirá de forma alguma uma catástrofe para a União Europeia. "Um "não" será a boa resposta nos referendos francês e holandês (...) e uma boa resposta para a Europa", declara a revista no seu editorial.
"Uma derrota da Constituição não será a catástrofe que os eurófilos parecem temer: a vida vai continuar, mesmo em Bruxelas, e uma União que viveu durante meio século será certamente suficientemente forte para se acomodar a uma desfeita ocasional dos eleitores. Se fizer uma pausa para reflectir, isso poderá mesmo vir a ser rentável", defende a Economist. A revista considera que "as divergências de pontos de vista e os preconceitos nacionais na União Europeia são de tal forma consideráveis que é errado tentar fazer entrar cada vez mais domínios num quadro único." Um tal processo centralizador "tem limites".

A BOA RESPOSTA É "NÃO"

É o bom conselho da revista The Economist para os referendos em França e na Holanda. A partir do "Sítio do Não" e do Público. A revista britânica The Economist aconselhou ontem franceses e holandeses (estes votam dia 1 de Junho) a votarem "não" à Constituição europeia, assegurando que uma tal rejeição permitirá "uma pausa para reflectir" e não constituirá de forma alguma uma catástrofe para a União Europeia. "Um "não" será a boa resposta nos referendos francês e holandês (...) e uma boa resposta para a Europa", declara a revista no seu editorial.
"Uma derrota da Constituição não será a catástrofe que os eurófilos parecem temer: a vida vai continuar, mesmo em Bruxelas, e uma União que viveu durante meio século será certamente suficientemente forte para se acomodar a uma desfeita ocasional dos eleitores. Se fizer uma pausa para reflectir, isso poderá mesmo vir a ser rentável", defende a Economist. A revista considera que "as divergências de pontos de vista e os preconceitos nacionais na União Europeia são de tal forma consideráveis que é errado tentar fazer entrar cada vez mais domínios num quadro único." Um tal processo centralizador "tem limites".

A BEM DA NAÇÃO

1. Está em curso, pelo menos com alguma persistência desde há três anos, uma interessante "ofensiva" contra a "administração pública", contra o "Estado" e, no topo do bolo, contra a "função pública". Parte do país fala destas entidades como se vivesse noutro país e como se, em momento algum, nunca tivesse tocado ou sido tocado por elas. Respeitáveis sibilas, ilustres governantes, maravilhosos jornalistas, lustrosos académicos, todos, todos sem excepção, dia sim, dia não, lançam o seu pedaço de gasolina para a fogueira. Até neste blogue se anda a "dissecar" o célebre "monstro" através de pequenos exemplos de desperdícios e de actos de gestão aparentemente incompreensíveis. Apesar da frivolidade do meu exercício, nunca perdi a noção do que é que estamos a falar quando falamos do Estado. O Estado é aquilo que nós, portugueses, somos e nós somos aquilo que o Estado é.
2. É, aliás, curioso- o termo é propositadamente benevolente - verificar como muitos dos que tanto criticam a "gordura" da administração pública, já por lá andaram a chafurdar ou dela receberam ou recebem ainda a sua fatia. Quando se fala em "função pública", aquilo a que o Estado Novo chamava de "servidores", não se pode perder de vista o que é que lá cabe. Do corpo diplomático ao coveiro municipal, das magistraturas ao escriturário, dos médicos aos "técnicos de limpeza", dos professores aos contínuos, dos conservadores de museus aos técnicos tributários, dos catedráticos aos investigadores, dos motoristas aos corpos policiais, todos "servem" o Estado e por ele são pagos. Trabalham melhor ou pior? Estão bem ou mal distribuídos? São muitos ou são poucos? É mais ou menos equitativa a organização interna e a remuneração respectiva? São geridos correctamente? Para responder a estas questões, existem tutelas políticas, directores-gerais e chefias intermédias. E centena de presidentes de câmaras municipais, nunca se esqueçam deles. Em suma, uma "hierarquia" cuja competência e sentido de responsabilidade deviam ser permanentemente escrutinados. Tenho, no entanto, imensas dúvidas que o sejam.
3. Há, naturalmente, uma quantidade razoável de felizardos que podem acumular o que recebem do "monstro" com as suas actividadezinhas privadas. Dispenso-me de enumerar, basta exemplificar: juristas que exercem advocacia ou consultadoria, economistas que são revisores oficiais ou técnicos de contas, professores que dão aulas em estabelecimentos privados de ensino, escrevem nos jornais (eu também escrevo, mas é "de borla") e "comentam" na televisão, normalmente "contra" o Estado, polícias que são seguranças privados nas horas vagas, médicos e enfermeiros que repartem o seu tempo pelo SNS e pela "privada" e por aí fora. Ou seja, juntando os "funcionários" todos, os respectivos agregados familiares e as suas "ligações" mais ou menos perigosas, constata-se que quase toda a gente já foi "invadida" pelo Estado ou está à espera do o poder "invadir".
4. Veja-se o caso dos chamados grandes grupos económicos e financeiros. Na primeira oportunidade facultada por um governante amigo, também se aproveitam. A "sociedade civil" de onde eles emergem, bem como o glorioso "tecido empresarial português", raramente passam de uma ficção encenada a preceito para esconder a falta de imaginação e a subsídio-dependência. Esta gente passa o tempo na lamúria, em "colóquios" e a escrever cartinhas à "administração pública" a pedir coisas. Num país onde as "estruturas produtivas" são a miséria que se conhece, o Estado é fatalmente omnipresente.
5. Hipocrita e secretamente, todos suspiram para que assim seja e para que assim continue a ser. Por tudo isto, este clima de "guerra civil" que anda a ser alimentado por protagonistas de diversas proveniências, pode vir a ter consequências desastrosas para o equilíbrio democrático da sociedade portuguesa. Muito do eleitorado que vai efectivamente votar, é filho dilecto ou bastardo do Estado. Em menos de quatro anos, esse eleitorado já quis tudo e o seu contrário. É ele, afinal, quem verdadeiramente decide o que é "a bem da Nação".

A BEM DA NAÇÃO

1. Está em curso, pelo menos com alguma persistência desde há três anos, uma interessante "ofensiva" contra a "administração pública", contra o "Estado" e, no topo do bolo, contra a "função pública". Parte do país fala destas entidades como se vivesse noutro país e como se, em momento algum, nunca tivesse tocado ou sido tocado por elas. Respeitáveis sibilas, ilustres governantes, maravilhosos jornalistas, lustrosos académicos, todos, todos sem excepção, dia sim, dia não, lançam o seu pedaço de gasolina para a fogueira. Até neste blogue se anda a "dissecar" o célebre "monstro" através de pequenos exemplos de desperdícios e de actos de gestão aparentemente incompreensíveis. Apesar da frivolidade do meu exercício, nunca perdi a noção do que é que estamos a falar quando falamos do Estado. O Estado é aquilo que nós, portugueses, somos e nós somos aquilo que o Estado é.
2. É, aliás, curioso- o termo é propositadamente benevolente - verificar como muitos dos que tanto criticam a "gordura" da administração pública, já por lá andaram a chafurdar ou dela receberam ou recebem ainda a sua fatia. Quando se fala em "função pública", aquilo a que o Estado Novo chamava de "servidores", não se pode perder de vista o que é que lá cabe. Do corpo diplomático ao coveiro municipal, das magistraturas ao escriturário, dos médicos aos "técnicos de limpeza", dos professores aos contínuos, dos conservadores de museus aos técnicos tributários, dos catedráticos aos investigadores, dos motoristas aos corpos policiais, todos "servem" o Estado e por ele são pagos. Trabalham melhor ou pior? Estão bem ou mal distribuídos? São muitos ou são poucos? É mais ou menos equitativa a organização interna e a remuneração respectiva? São geridos correctamente? Para responder a estas questões, existem tutelas políticas, directores-gerais e chefias intermédias. E centena de presidentes de câmaras municipais, nunca se esqueçam deles. Em suma, uma "hierarquia" cuja competência e sentido de responsabilidade deviam ser permanentemente escrutinados. Tenho, no entanto, imensas dúvidas que o sejam.
3. Há, naturalmente, uma quantidade razoável de felizardos que podem acumular o que recebem do "monstro" com as suas actividadezinhas privadas. Dispenso-me de enumerar, basta exemplificar: juristas que exercem advocacia ou consultadoria, economistas que são revisores oficiais ou técnicos de contas, professores que dão aulas em estabelecimentos privados de ensino, escrevem nos jornais (eu também escrevo, mas é "de borla") e "comentam" na televisão, normalmente "contra" o Estado, polícias que são seguranças privados nas horas vagas, médicos e enfermeiros que repartem o seu tempo pelo SNS e pela "privada" e por aí fora. Ou seja, juntando os "funcionários" todos, os respectivos agregados familiares e as suas "ligações" mais ou menos perigosas, constata-se que quase toda a gente já foi "invadida" pelo Estado ou está à espera do o poder "invadir".
4. Veja-se o caso dos chamados grandes grupos económicos e financeiros. Na primeira oportunidade facultada por um governante amigo, também se aproveitam. A "sociedade civil" de onde eles emergem, bem como o glorioso "tecido empresarial português", raramente passam de uma ficção encenada a preceito para esconder a falta de imaginação e a subsídio-dependência. Esta gente passa o tempo na lamúria, em "colóquios" e a escrever cartinhas à "administração pública" a pedir coisas. Num país onde as "estruturas produtivas" são a miséria que se conhece, o Estado é fatalmente omnipresente.
5. Hipocrita e secretamente, todos suspiram para que assim seja e para que assim continue a ser. Por tudo isto, este clima de "guerra civil" que anda a ser alimentado por protagonistas de diversas proveniências, pode vir a ter consequências desastrosas para o equilíbrio democrático da sociedade portuguesa. Muito do eleitorado que vai efectivamente votar, é filho dilecto ou bastardo do Estado. Em menos de quatro anos, esse eleitorado já quis tudo e o seu contrário. É ele, afinal, quem verdadeiramente decide o que é "a bem da Nação".

27.5.05

ANATOMIA DO "MONSTRO" - 6

De António Alvim, esta "lembrança": Investigue-se os valores pagos em "outsourcing" às empresas de segurança dos centros de saúde e suas extensões, e hospitais. O mesmo para as empresas de limpeza. O mesmo referente às escolas. Na realidade, existem centenas de organismos públicos apetrechados com verdadeiros batalhões de "seguranças". A mais nuns lados, a menos em outros. Estes contratos têm custos elevados (eu sei do que falo porque, em ponto "pequeno", e em nome de um teatro nacional, subscrevi alguns) e seria interessante auditar, na razão custo/benefício, alguns deles.

ANATOMIA DO "MONSTRO" - 6

De António Alvim, esta "lembrança": Investigue-se os valores pagos em "outsourcing" às empresas de segurança dos centros de saúde e suas extensões, e hospitais. O mesmo para as empresas de limpeza. O mesmo referente às escolas. Na realidade, existem centenas de organismos públicos apetrechados com verdadeiros batalhões de "seguranças". A mais nuns lados, a menos em outros. Estes contratos têm custos elevados (eu sei do que falo porque, em ponto "pequeno", e em nome de um teatro nacional, subscrevi alguns) e seria interessante auditar, na razão custo/benefício, alguns deles.

ANATOMIA DO "MONSTRO" - 5

Via Reformista, de António Alvim, e não só: as trapalhadas com a colocação dos professores em que estiveram envolvidos David Justino, Abílio Morgado e Maria do Carmo Seabra, como responsáveis políticos da defunta coligação pela área da Educação, custaram ao erário público cerca de 20 milhões de euros. É, afinal, uma obra.

ANATOMIA DO "MONSTRO" - 5

Via Reformista, de António Alvim, e não só: as trapalhadas com a colocação dos professores em que estiveram envolvidos David Justino, Abílio Morgado e Maria do Carmo Seabra, como responsáveis políticos da defunta coligação pela área da Educação, custaram ao erário público cerca de 20 milhões de euros. É, afinal, uma obra.

APRENDAM!

Questionado por que razão o governo holandês, à semelhança de Jacques Chirac, não faz um apelo ao voto no "sim" no referendo da próxima semana, o primeiro-ministro holandês explicou que os holandeses preferem o debate de ideias às declarações de voto. Aprendam!

APRENDAM!

Questionado por que razão o governo holandês, à semelhança de Jacques Chirac, não faz um apelo ao voto no "sim" no referendo da próxima semana, o primeiro-ministro holandês explicou que os holandeses preferem o debate de ideias às declarações de voto. Aprendam!

DEPOIS DO "NÃO"



A dois dias do referendo em França, importa recensear alguma coisa que possamos aproveitar para o "day after" e, sobretudo, para nós. No Sítio do Não Francês convém ler este "Não da Esperança" de alguém que participou na redacção do tratado constitucional e da Carta dos Direitos Fundamentais e que é presidente da Comissão Económica e Monetária do Parlamento Europeu. É insuspeito: é membro do Partido Socialista Francês. Das razões apresentadas, traduzo (livremente) as que me parecem mais pertinentes para o "nosso" debate.
Os chefes de Estado e de Governo:
- suprimiram do texto final da Constituição a exigência de transparência que a Convenção pretendia impôr aos trabalhos do Conselho;
- não eliminaram a referência à "herança religiosa" e simultaneamente desvalorizaram o papel da Carta dos Direitos Fundamentais;
- retiraram da Constituição os tímidos avanços obtidos na Convenção na luta contra os "paraísos fiscais";
- retiraram os poderes do Parlamento Europeu em matéria de negociação do orçamento;
- consagraram uma Europa estilo "barco ébrio"/"bateau ivre", sem bússola nem farol que a oriente;
- não podem esperar a adesão a um texto que Tony Blair "venderá" aos ingleses sob o lema "isto-não-muda-nada";
- consagraram ligeiras correcções em relação a Nice, porém sem cuidarem de um projecto que faça avançar a Europa.
E conclui: "Depois do "não" francês, os europeístas sinceros, aqueles com os quais queremos ir em frente, deverão despir-se de preconceitos. E poderão fazê-lo a partir da dinâmica que será criada pelo "não" francês e no sentido de se relançar o projecto europeu, por forma a que a Europa possa funcionar sobre uma outra sustentação que não a do Tratado de Nice".

DEPOIS DO "NÃO"



A dois dias do referendo em França, importa recensear alguma coisa que possamos aproveitar para o "day after" e, sobretudo, para nós. No Sítio do Não Francês convém ler este "Não da Esperança" de alguém que participou na redacção do tratado constitucional e da Carta dos Direitos Fundamentais e que é presidente da Comissão Económica e Monetária do Parlamento Europeu. É insuspeito: é membro do Partido Socialista Francês. Das razões apresentadas, traduzo (livremente) as que me parecem mais pertinentes para o "nosso" debate.
Os chefes de Estado e de Governo:
- suprimiram do texto final da Constituição a exigência de transparência que a Convenção pretendia impôr aos trabalhos do Conselho;
- não eliminaram a referência à "herança religiosa" e simultaneamente desvalorizaram o papel da Carta dos Direitos Fundamentais;
- retiraram da Constituição os tímidos avanços obtidos na Convenção na luta contra os "paraísos fiscais";
- retiraram os poderes do Parlamento Europeu em matéria de negociação do orçamento;
- consagraram uma Europa estilo "barco ébrio"/"bateau ivre", sem bússola nem farol que a oriente;
- não podem esperar a adesão a um texto que Tony Blair "venderá" aos ingleses sob o lema "isto-não-muda-nada";
- consagraram ligeiras correcções em relação a Nice, porém sem cuidarem de um projecto que faça avançar a Europa.
E conclui: "Depois do "não" francês, os europeístas sinceros, aqueles com os quais queremos ir em frente, deverão despir-se de preconceitos. E poderão fazê-lo a partir da dinâmica que será criada pelo "não" francês e no sentido de se relançar o projecto europeu, por forma a que a Europa possa funcionar sobre uma outra sustentação que não a do Tratado de Nice".

SIGILOS

Quando se ouviu falar em quebra do "sigilo fiscal", toda a gente acenou gravemente com a cabeça em sinal de concordância. Na SIC, o sr. ministro Campos e Cunha esclareceu que vamos ser salvos a prestações até sensivelmente 2008. E falou da questão do "sigilo fiscal" como uma das formas de combater o défice, particularmente destinada a "envergonhar" e a "embaraçar" o falso declarante perante o seu vizinho.No entanto, o sr. ministro omitiu quais seriam as consequências jurídico-fiscais a retirar da exposição e do opróbio públicos. Pôr o jornal 24 Horas a vender mais exemplares? Excitar a inveja e o ressentimento, duas das mais doces características portuguesas? Consultar pornografia fiscal na internet? Parece-me que foi lançada, certamente com a melhor das intenções, uma peneira para tapar o sol. A partir de 1 de Julho, com a entrada em vigor da nova taxa do IVA, a fuga fiscal vai aumentar. Os dos rendimentos superiores a 60 mil euros anos também farão tudo para declarar diferente. E por aí fora. Talvez o senhor ministro quisesse dizer "sigilo bancário" lá onde escreveu "sigilo fiscal". Só a quebra legitimada do primeiro pode ser de alguma utilidade cidadã. O vouyerismo fiscal assim anunciado não resolve problema nenhum nem envergonha ninguém, muito menos num país onde já quase toda a gente perdeu a vergonha há muito tempo.

SIGILOS

Quando se ouviu falar em quebra do "sigilo fiscal", toda a gente acenou gravemente com a cabeça em sinal de concordância. Na SIC, o sr. ministro Campos e Cunha esclareceu que vamos ser salvos a prestações até sensivelmente 2008. E falou da questão do "sigilo fiscal" como uma das formas de combater o défice, particularmente destinada a "envergonhar" e a "embaraçar" o falso declarante perante o seu vizinho.No entanto, o sr. ministro omitiu quais seriam as consequências jurídico-fiscais a retirar da exposição e do opróbio públicos. Pôr o jornal 24 Horas a vender mais exemplares? Excitar a inveja e o ressentimento, duas das mais doces características portuguesas? Consultar pornografia fiscal na internet? Parece-me que foi lançada, certamente com a melhor das intenções, uma peneira para tapar o sol. A partir de 1 de Julho, com a entrada em vigor da nova taxa do IVA, a fuga fiscal vai aumentar. Os dos rendimentos superiores a 60 mil euros anos também farão tudo para declarar diferente. E por aí fora. Talvez o senhor ministro quisesse dizer "sigilo bancário" lá onde escreveu "sigilo fiscal". Só a quebra legitimada do primeiro pode ser de alguma utilidade cidadã. O vouyerismo fiscal assim anunciado não resolve problema nenhum nem envergonha ninguém, muito menos num país onde já quase toda a gente perdeu a vergonha há muito tempo.

ANATOMIA DO "MONSTRO" - 4

Do leitor Armando Esteves Fonseca, uma "achega" para a anatomia do "monstro". Aproveito para continuar a "desafiar" quem quiser, desde que devidamente identificado, para dar testemunho de algum "tentáculo" - pequeno ou grande - que seja do seu conhecimento. Prometo que, no final, mando tudo para o e-mail dos ministros responsáveis pelo sector em causa. Vamos "ajudar" o governo nas tais "auditorias trimestrais" a todos os ministérios, não vá ele esquecer-se de as fazer.


Abre-se uma "Casa da Cultura", iniciativa de louvar numa cidade de estudantes, com tão poucas salas de leitura e de estudo. Esperar-se-ia um local publico (da responsabilidade da Autarquia) virado para o utente. Desengane-se o utente: o local é agradável, está razoavelmente equipado mas, o utente logo se apercebe que mais importante que servir bem é criar um numero razoável depostos de trabalho, mesmo que inúteis e sem racionalidade. Assim, observa-se 2 ou 3 funcionários na recepção e bengaleiro, outro para fornecer os filmes DVD alugados, 3 ou 4 para atender o cliente (quando houver disponibilidade) relativamente à requisição de livros ou admissão na sala de leitura, 1 ou 2 funcionários para distribuir as pessoas na sala de leitura (tarefa complexa e de grande responsabilidade), mais um para as fotocópias e outro para fornecer os diários da républica requisitados. Sentamo-nos finalmente, espantados com tamanha organização. Mas desengane-se o utente: que uma das funcionárias tem também a tarefa desgastante de todos os dias cerca das 12h 25 minutos e das 18h20 ou 25 minutos (consoante a pressa nesse dia) dizer em voz alta bema udível, em toda a sala de leitura: Vamos fechar! Caramba que ainda nem há 2 horas entráramos e só agora nos estávamos precisamente a concentrar e a render o trabalho. Refira-se que a casa abre às 10 horas e encerra aos sábados às 16horas, aos domingos e feriados. Entretanto parece que noutros países Europeus existem Bibliotecas e salas de estudo abertas desde as 9 horas às 23 horas, sem encerrar para o almoço, e abertas ao fim de semana. Não têm é tantos funcionários!

ANATOMIA DO "MONSTRO" - 4

Do leitor Armando Esteves Fonseca, uma "achega" para a anatomia do "monstro". Aproveito para continuar a "desafiar" quem quiser, desde que devidamente identificado, para dar testemunho de algum "tentáculo" - pequeno ou grande - que seja do seu conhecimento. Prometo que, no final, mando tudo para o e-mail dos ministros responsáveis pelo sector em causa. Vamos "ajudar" o governo nas tais "auditorias trimestrais" a todos os ministérios, não vá ele esquecer-se de as fazer.


Abre-se uma "Casa da Cultura", iniciativa de louvar numa cidade de estudantes, com tão poucas salas de leitura e de estudo. Esperar-se-ia um local publico (da responsabilidade da Autarquia) virado para o utente. Desengane-se o utente: o local é agradável, está razoavelmente equipado mas, o utente logo se apercebe que mais importante que servir bem é criar um numero razoável depostos de trabalho, mesmo que inúteis e sem racionalidade. Assim, observa-se 2 ou 3 funcionários na recepção e bengaleiro, outro para fornecer os filmes DVD alugados, 3 ou 4 para atender o cliente (quando houver disponibilidade) relativamente à requisição de livros ou admissão na sala de leitura, 1 ou 2 funcionários para distribuir as pessoas na sala de leitura (tarefa complexa e de grande responsabilidade), mais um para as fotocópias e outro para fornecer os diários da républica requisitados. Sentamo-nos finalmente, espantados com tamanha organização. Mas desengane-se o utente: que uma das funcionárias tem também a tarefa desgastante de todos os dias cerca das 12h 25 minutos e das 18h20 ou 25 minutos (consoante a pressa nesse dia) dizer em voz alta bema udível, em toda a sala de leitura: Vamos fechar! Caramba que ainda nem há 2 horas entráramos e só agora nos estávamos precisamente a concentrar e a render o trabalho. Refira-se que a casa abre às 10 horas e encerra aos sábados às 16horas, aos domingos e feriados. Entretanto parece que noutros países Europeus existem Bibliotecas e salas de estudo abertas desde as 9 horas às 23 horas, sem encerrar para o almoço, e abertas ao fim de semana. Não têm é tantos funcionários!

ANATOMIA DO "MONSTRO" - 3

Do "colega blogueiro"/leitor António Duarte, este contributo para a anatomia do "monstro":

Metade do Caminho...

Portugal prepara-se para gastar em 2005 :
Juros Bonificados para habitação : 400 milhões de Euros.
Formação Profissional : 900 Milhões de Euros.

Pagamento às SCUTS em 2005 : 400 Milhões de Euros.As taxas de juros hoje, não justificam hoje, a manutenção de um encargo tão elevado para o Estado. Mas mais grave é alguém conseguir explicar como pode o Estado português gastar 900 Milhões de Euros em formação profissional, quando todos os dias, ouvimos, que o nosso problema é a falta de qualificação dos nossos trabalhadores. No que às SCUTS diz respeito, que sentido faz insistir num modelo que daqui para à frente será cada vez mais oneroso.Estão aqui, grosso modo, 1,7 mil milhões de euros. Metade da despesa pública que Campos e Cunha, quer que em 2008, não exista. Basta querer.
Nota : Dados transmitidos por Medina Carreira numa entrevista hoje à SIC Notícias.

ANATOMIA DO "MONSTRO" - 3

Do "colega blogueiro"/leitor António Duarte, este contributo para a anatomia do "monstro":

Metade do Caminho...

Portugal prepara-se para gastar em 2005 :
Juros Bonificados para habitação : 400 milhões de Euros.
Formação Profissional : 900 Milhões de Euros.

Pagamento às SCUTS em 2005 : 400 Milhões de Euros.As taxas de juros hoje, não justificam hoje, a manutenção de um encargo tão elevado para o Estado. Mas mais grave é alguém conseguir explicar como pode o Estado português gastar 900 Milhões de Euros em formação profissional, quando todos os dias, ouvimos, que o nosso problema é a falta de qualificação dos nossos trabalhadores. No que às SCUTS diz respeito, que sentido faz insistir num modelo que daqui para à frente será cada vez mais oneroso.Estão aqui, grosso modo, 1,7 mil milhões de euros. Metade da despesa pública que Campos e Cunha, quer que em 2008, não exista. Basta querer.
Nota : Dados transmitidos por Medina Carreira numa entrevista hoje à SIC Notícias.

26.5.05

O SENHOR QUE SE SEGUE

O nosso amigo Paulo Gorjão fica deliciado cada vez que brota um nome "presidenciável" do Largo do Rato. Manuel Alegre? Um excelente candidato. António Vitorino? Isso nem se fala. Soares II? Por que não? Vitor Constâncio? Outra extraordinária hipótese. Com o devido respeito, não ocorre a Paulo Gorjão que este "jogo da cabra-cega" só é revelador de uma coisa muito simples: o PS não tem a mínima ideia do que fazer com as eleições presidenciais. Eu sei que Vitor Constâncio estima a sua gravidade ao ponto de provavelmente se achar subtilmente presidenciável. Acontece que, a ser assim, o dr. Constâncio já representaria uma quarta escolha, numa falha notória de vontade própria e , por assim dizer, um "amanho". E nós podemos legitimamente perguntar: e por que não uma quinta, uma sexta ou uma dúzia delas? Para além disso, vai ficar associado a esta peripatética do défice, como uma espécie de "prefeito para a congregação da doutrina" do dito. Uma associação - pouco auspiciosa, aliás - que começou com Durão Barroso e Ferreira Leite, e se prolonga com Sócrates e Campos e Cunha. Como escreve a Ana Sá Lopes no Público, "a avaliar pelo caos que atravessa o PS em matéria presidencial, o primeiro que se apresentar corre o "risco" de ser nomeado". Quem será, pois, o "excelente candidato" que se segue?

O SENHOR QUE SE SEGUE

O nosso amigo Paulo Gorjão fica deliciado cada vez que brota um nome "presidenciável" do Largo do Rato. Manuel Alegre? Um excelente candidato. António Vitorino? Isso nem se fala. Soares II? Por que não? Vitor Constâncio? Outra extraordinária hipótese. Com o devido respeito, não ocorre a Paulo Gorjão que este "jogo da cabra-cega" só é revelador de uma coisa muito simples: o PS não tem a mínima ideia do que fazer com as eleições presidenciais. Eu sei que Vitor Constâncio estima a sua gravidade ao ponto de provavelmente se achar subtilmente presidenciável. Acontece que, a ser assim, o dr. Constâncio já representaria uma quarta escolha, numa falha notória de vontade própria e , por assim dizer, um "amanho". E nós podemos legitimamente perguntar: e por que não uma quinta, uma sexta ou uma dúzia delas? Para além disso, vai ficar associado a esta peripatética do défice, como uma espécie de "prefeito para a congregação da doutrina" do dito. Uma associação - pouco auspiciosa, aliás - que começou com Durão Barroso e Ferreira Leite, e se prolonga com Sócrates e Campos e Cunha. Como escreve a Ana Sá Lopes no Público, "a avaliar pelo caos que atravessa o PS em matéria presidencial, o primeiro que se apresentar corre o "risco" de ser nomeado". Quem será, pois, o "excelente candidato" que se segue?

ESQUIZOFRENIA

José Sócrates e o governo iniciaram um caminho aparentemente irreversível para o seu privado Gólgota. No dia do Corpo de Deus, a coincidência não podia ser maior. Com inteira honestidade intelectual, Sócrates confrontou o país com a sua miséria sumptuosa. Como deve ser do conhecimento dele, os miseráveis não suportam ser confrontados com a sua miséria. E, depois, algumas das "medidas", ou só produzem resultados a médio ou a longo prazo (e,aí, o governo seguramente será outro e outras serão as "medidas"), ou produzem resultados imediatos mas diminutos face à dimensão da coisa. Há, no entanto, um resultado imediato que os media, particularmente as sabidas televisões, não se cansarão de provocar. Em poucas horas, o calvário do governo passou inteirinho a ser o calvário de milhões de portugueses, indivíduos e empresas, grandes e pequenas. A "forma" como os noticiários, os artigos e os comentadores - mesmo os mais elogiosos - "puseram a coisa", suscitaram um pequeno pânico junto da opinião pública que, daqui em diante, será imparável. A aceleração vida pública registada nos últimos anos, na qual qualquer político mais desprevenido pode passar, sem saber como, de bestial a besta ou vice-versa, não concede grande margem de manobra ao PS. Ninguém verdadeiramente está disposto a ser incomodado com restrições e maçadas dos género daquelas que o primeiro-ministro explicou. Aliás, a maior parte do eleitorado que deu a maioria absoluta ao PS fê-lo no pressuposto de que não ia ser excessivamente perturbado. Da torrente castradora apresentada, escaparam as autarquias. Não terá sido por acaso. Se não foi, é de lamentar. Contudo, não será por isso que o "bom povo" não deixará de fazer notar a Sócrates, em Outubro, que não aprecia a maçada. O calvário de Sócrates já começou. Junta-se-lhe agora o nosso. Se isto não é pura esquizofrenia colectiva, então não sei o que é.

ESQUIZOFRENIA

José Sócrates e o governo iniciaram um caminho aparentemente irreversível para o seu privado Gólgota. No dia do Corpo de Deus, a coincidência não podia ser maior. Com inteira honestidade intelectual, Sócrates confrontou o país com a sua miséria sumptuosa. Como deve ser do conhecimento dele, os miseráveis não suportam ser confrontados com a sua miséria. E, depois, algumas das "medidas", ou só produzem resultados a médio ou a longo prazo (e,aí, o governo seguramente será outro e outras serão as "medidas"), ou produzem resultados imediatos mas diminutos face à dimensão da coisa. Há, no entanto, um resultado imediato que os media, particularmente as sabidas televisões, não se cansarão de provocar. Em poucas horas, o calvário do governo passou inteirinho a ser o calvário de milhões de portugueses, indivíduos e empresas, grandes e pequenas. A "forma" como os noticiários, os artigos e os comentadores - mesmo os mais elogiosos - "puseram a coisa", suscitaram um pequeno pânico junto da opinião pública que, daqui em diante, será imparável. A aceleração vida pública registada nos últimos anos, na qual qualquer político mais desprevenido pode passar, sem saber como, de bestial a besta ou vice-versa, não concede grande margem de manobra ao PS. Ninguém verdadeiramente está disposto a ser incomodado com restrições e maçadas dos género daquelas que o primeiro-ministro explicou. Aliás, a maior parte do eleitorado que deu a maioria absoluta ao PS fê-lo no pressuposto de que não ia ser excessivamente perturbado. Da torrente castradora apresentada, escaparam as autarquias. Não terá sido por acaso. Se não foi, é de lamentar. Contudo, não será por isso que o "bom povo" não deixará de fazer notar a Sócrates, em Outubro, que não aprecia a maçada. O calvário de Sócrates já começou. Junta-se-lhe agora o nosso. Se isto não é pura esquizofrenia colectiva, então não sei o que é.

CHANTAGEM

Este é o tipo de argumento que dá imediatamente vontade de votar "não". Segundo o "paizinho" institucional da Constituição Europeia, o sr. Valery Giscard D'Estaing, o voto contrário à aprovação do Tratado Constitucional representa um "gesto inamistoso e agressivo para com os nossos parceiros que aceitaram que a presidência da Convenção fosse entregue a um francês", na circunstância, ele próprio.

CHANTAGEM

Este é o tipo de argumento que dá imediatamente vontade de votar "não". Segundo o "paizinho" institucional da Constituição Europeia, o sr. Valery Giscard D'Estaing, o voto contrário à aprovação do Tratado Constitucional representa um "gesto inamistoso e agressivo para com os nossos parceiros que aceitaram que a presidência da Convenção fosse entregue a um francês", na circunstância, ele próprio.

25.5.05

ANATOMIA DO "MONSTRO" - 2

O Estado pagou ou vai pagar 105 mil euros de indemnização a Pedro Burmester, na sequência das trapalhadas com a Casa da Música. Consta que o outro administrador "despedido", Rui Amaral, exigirá mais. Dir-me-ão: "peanuts". Sim, não é essencialmente por aqui. Tal como não é por muito "congelar" os salários de conselhos de administração de empresas públicas ou equiparadas que a coisa melhora. Isto é puro "fogo-de-vista" populista. O problema surge quando se somam estes e outros "peanuts" e se lhes junta, por exemplo, as "macro" da Educação e da Saúde.


Nota: Os putativos leitores deste blogue que possam contribuir para a "anatomia do monstro", façam favor de escrever que eu publico, desde que não seja anónimo. A minha ideia é dar exemplos muito concretos, de preferência pouco conhecidos ou divulgados, da forma como se "alimenta" o "monstro".

ANATOMIA DO "MONSTRO" - 2

O Estado pagou ou vai pagar 105 mil euros de indemnização a Pedro Burmester, na sequência das trapalhadas com a Casa da Música. Consta que o outro administrador "despedido", Rui Amaral, exigirá mais. Dir-me-ão: "peanuts". Sim, não é essencialmente por aqui. Tal como não é por muito "congelar" os salários de conselhos de administração de empresas públicas ou equiparadas que a coisa melhora. Isto é puro "fogo-de-vista" populista. O problema surge quando se somam estes e outros "peanuts" e se lhes junta, por exemplo, as "macro" da Educação e da Saúde.


Nota: Os putativos leitores deste blogue que possam contribuir para a "anatomia do monstro", façam favor de escrever que eu publico, desde que não seja anónimo. A minha ideia é dar exemplos muito concretos, de preferência pouco conhecidos ou divulgados, da forma como se "alimenta" o "monstro".

ANATOMIA DO "MONSTRO"- 1

Até por se tratar de uma situação que conheço razoavelmente bem, não resisto a reproduzir um post sonegado à Grande Loja, lamentando, no entanto, o anonimato do autor. Se já havia qualquer coisa de absurdo nisto há três, quatro anos, constato que não se registaram entretanto alterações significativas. Aí está um bom sítio - tão bom como outro qualquer - para começar o trabalho de "avaliação" anunciado por José Sócrates. Para além do que evidencia este texto, o Instituto de Reinserção Social possui uma pesadissima estrutura de direcção "intermédia", tipo "em cascata", absolutamente injustificada. Não é, naturalmente, "filho único". Por outro lado, e como se constatou no "caso Vanessa", as famosas "equipas de reinserção social", tantas vezes afogadas no jargão mais primitivo da "psicologia social", passam amiúde ao lado do fundamental. O IRS deve ser um dos instrumentos para a prossecução da "política criminal" do governo e não propriamente um local para elaborados "testes psico-sociais" de reduzida valia prática.
Seisvirgulaoitentaetrês

Acompanhei esta manhã a visita do Senhor Ministro da Justiça a um dos centros de reeducação de menores, geridos pelo IRS (...não, é o outro, o Instituto de Reinserção Social).O Centro conta com modelares instalações, nas quais não faltam piscina e picadeiro e estábulo com vários cavalos, para aulas de equitação. Nele trabalham 31 funcionários administrativos, de todas as categorias, desde director e sub-director a tratador de cavalos. Para além destes 31 administrativos, conta ainda com a indispensável colaboração de 9 professores, médico e até um sacerdote, embora estes últimos não trabalhem ali a tempo integral. Ao todo são mais de 50 (cinquenta) funcionários e prestadores de serviços que, diariamente, ali labutam de forma esforçada, em prol da reinserção social de jovens que, por uma razão ou por outra, se desviaram das normas sociais estabelecidas ou, como dirá o sacerdote, que pecaram. Um último pormenor: estão internados neste centro 9 (nove) jovens.

ANATOMIA DO "MONSTRO"- 1

Até por se tratar de uma situação que conheço razoavelmente bem, não resisto a reproduzir um post sonegado à Grande Loja, lamentando, no entanto, o anonimato do autor. Se já havia qualquer coisa de absurdo nisto há três, quatro anos, constato que não se registaram entretanto alterações significativas. Aí está um bom sítio - tão bom como outro qualquer - para começar o trabalho de "avaliação" anunciado por José Sócrates. Para além do que evidencia este texto, o Instituto de Reinserção Social possui uma pesadissima estrutura de direcção "intermédia", tipo "em cascata", absolutamente injustificada. Não é, naturalmente, "filho único". Por outro lado, e como se constatou no "caso Vanessa", as famosas "equipas de reinserção social", tantas vezes afogadas no jargão mais primitivo da "psicologia social", passam amiúde ao lado do fundamental. O IRS deve ser um dos instrumentos para a prossecução da "política criminal" do governo e não propriamente um local para elaborados "testes psico-sociais" de reduzida valia prática.
Seisvirgulaoitentaetrês

Acompanhei esta manhã a visita do Senhor Ministro da Justiça a um dos centros de reeducação de menores, geridos pelo IRS (...não, é o outro, o Instituto de Reinserção Social).O Centro conta com modelares instalações, nas quais não faltam piscina e picadeiro e estábulo com vários cavalos, para aulas de equitação. Nele trabalham 31 funcionários administrativos, de todas as categorias, desde director e sub-director a tratador de cavalos. Para além destes 31 administrativos, conta ainda com a indispensável colaboração de 9 professores, médico e até um sacerdote, embora estes últimos não trabalhem ali a tempo integral. Ao todo são mais de 50 (cinquenta) funcionários e prestadores de serviços que, diariamente, ali labutam de forma esforçada, em prol da reinserção social de jovens que, por uma razão ou por outra, se desviaram das normas sociais estabelecidas ou, como dirá o sacerdote, que pecaram. Um último pormenor: estão internados neste centro 9 (nove) jovens.

A EUROPA DOS CRETINOS

Para ler a partir do "sítio do não português", um texto "irónico" de Michel Onfray no "sítio do não francês" . Experimentem retirar as referências exclusivamente gaulesas no texto e substituam-nas pelas nossas... Entretanto soube-se que o governo francês gastou mais de 130 milhões de euros no envio de exemplares da "constituição europeia" aos seus concidadãos. Sem aparente efeito: as últimas três sondagens registam uma avanço significativo do "não" no referendo de domingo. Por cá, como não há dinheiro nem vontade política de debater o assunto, vamos "misturar" o referendo com as eleições autárquicas, o que representa uma forma manhosa e pouco séria de o enfrentar.


L’Europe des crétins

por Michel ONFRAY


Les gens qui vont voter Non à la constitution européenne sont des crétins, des abrutis, des imbéciles, des incultes. Petit pouvoir d’achat, petit cerveau, petite pensée, petits sentiments. Pas de diplômes, pas de livres chez eux, pas de culture, pas d’intelligence. Ils habitent en campagne, en province. Des paysans, des pécores, des péquenots, des ploucs. Ils n’ont pas le sens de l’Histoire, ne savent pas à quoi ressemble un grand projet politique. Ils ignorent le grand souffle du Progrès. Ils crèvent de peur.
Jadis, ces mêmes débiles ont voté non à Maastricht ignorant que le oui allait apporter le pouvoir d’achat, la fin du chômage, le plein emploi, la croissance, le progrès, la tolérance entre les peuples, la fraternité, la disparition du racisme et de la xénophobie, l’abolition de toutes les contradictions et de toute la négativité de nos civilisations post-modernes, donc capitalistes, version libérale.
L’électeur du Non est populiste, démagogue, extrémiste, mécontent, réactif. C’est le prototype de l’homme du ressentiment. Sa voix se mêle d’ailleurs à tous les fascistes, gauchistes, alter mondialistes et autres partisans vaguement vichystes de la France moisie, cette vieille lune dépassée à l’heure de la mondialisation heureuse. Disons le tout net : un souverainiste est un chien.
En revanche, l’électeur du Oui est génial, lucide, intelligent. Gros carnet de chèque, immense encéphale, gigantesque vision du monde, hypertrophie du sentiment généreux. Diplômé du supérieur, heureux possesseur d’une bibliothèque de Pléiades flambant neufs, doté d’un savoir sans bornes et d’une sagacité inouïe, il est propriétaire en ville, urbain convaincu, parisien si possible. Il a le sens de l’Histoire, d’ailleurs il a installé son fauteuil dans son sens et ne manque aucune des manies de son siècle. Le Progrès, il connaît. La Peur ? Il ignore. Le debordien Sollers, le sartrien BHL [Bernard Henry-Lévy] et le kantien Luc Ferry vous le diront.
Bien sûr le Ouiste a voté oui à Maastricht et constaté que, comme prévu, les salaires s’en sont trouvé augmentés, le chômage diminué et fortifiée l’amitié entre les communautés. Le votant du Oui est démocrate, modéré, heureux, bien dans sa peau, équilibré, analysé de longue date. Sa voix se mêle d’ailleurs à des gens qui, comme lui, exècrent les excès : le démocrate chrétien libéral, le chiraquien de conviction, le socialiste mitterrandien, le patron humaniste, l’écologiste mondain. Dur de ne pas être Ouiste...
Citoyens, réfléchissez avant de commettre l’irréparable !

A EUROPA DOS CRETINOS

Para ler a partir do "sítio do não português", um texto "irónico" de Michel Onfray no "sítio do não francês" . Experimentem retirar as referências exclusivamente gaulesas no texto e substituam-nas pelas nossas... Entretanto soube-se que o governo francês gastou mais de 130 milhões de euros no envio de exemplares da "constituição europeia" aos seus concidadãos. Sem aparente efeito: as últimas três sondagens registam uma avanço significativo do "não" no referendo de domingo. Por cá, como não há dinheiro nem vontade política de debater o assunto, vamos "misturar" o referendo com as eleições autárquicas, o que representa uma forma manhosa e pouco séria de o enfrentar.


L’Europe des crétins

por Michel ONFRAY


Les gens qui vont voter Non à la constitution européenne sont des crétins, des abrutis, des imbéciles, des incultes. Petit pouvoir d’achat, petit cerveau, petite pensée, petits sentiments. Pas de diplômes, pas de livres chez eux, pas de culture, pas d’intelligence. Ils habitent en campagne, en province. Des paysans, des pécores, des péquenots, des ploucs. Ils n’ont pas le sens de l’Histoire, ne savent pas à quoi ressemble un grand projet politique. Ils ignorent le grand souffle du Progrès. Ils crèvent de peur.
Jadis, ces mêmes débiles ont voté non à Maastricht ignorant que le oui allait apporter le pouvoir d’achat, la fin du chômage, le plein emploi, la croissance, le progrès, la tolérance entre les peuples, la fraternité, la disparition du racisme et de la xénophobie, l’abolition de toutes les contradictions et de toute la négativité de nos civilisations post-modernes, donc capitalistes, version libérale.
L’électeur du Non est populiste, démagogue, extrémiste, mécontent, réactif. C’est le prototype de l’homme du ressentiment. Sa voix se mêle d’ailleurs à tous les fascistes, gauchistes, alter mondialistes et autres partisans vaguement vichystes de la France moisie, cette vieille lune dépassée à l’heure de la mondialisation heureuse. Disons le tout net : un souverainiste est un chien.
En revanche, l’électeur du Oui est génial, lucide, intelligent. Gros carnet de chèque, immense encéphale, gigantesque vision du monde, hypertrophie du sentiment généreux. Diplômé du supérieur, heureux possesseur d’une bibliothèque de Pléiades flambant neufs, doté d’un savoir sans bornes et d’une sagacité inouïe, il est propriétaire en ville, urbain convaincu, parisien si possible. Il a le sens de l’Histoire, d’ailleurs il a installé son fauteuil dans son sens et ne manque aucune des manies de son siècle. Le Progrès, il connaît. La Peur ? Il ignore. Le debordien Sollers, le sartrien BHL [Bernard Henry-Lévy] et le kantien Luc Ferry vous le diront.
Bien sûr le Ouiste a voté oui à Maastricht et constaté que, comme prévu, les salaires s’en sont trouvé augmentés, le chômage diminué et fortifiée l’amitié entre les communautés. Le votant du Oui est démocrate, modéré, heureux, bien dans sa peau, équilibré, analysé de longue date. Sa voix se mêle d’ailleurs à des gens qui, comme lui, exècrent les excès : le démocrate chrétien libéral, le chiraquien de conviction, le socialiste mitterrandien, le patron humaniste, l’écologiste mondain. Dur de ne pas être Ouiste...
Citoyens, réfléchissez avant de commettre l’irréparable !

O MESMO?

Não faço ideia sobre o que Sócrates vai falar. Não me interessa. Tenho a experiência, dolorosa, da contabilidade falhada de Manuela Ferreira Leite e do fogo-de-artifício de Bagão Félix. Com uma e com o outro, nem a despesa diminuiu nem a receita cresceu. Exigiram-se contas de merceeiro, "sacrifícios", "contenção" e é o que se vê. Áreas da governação, como a cultura, andaram três anos a fazer figura de corpo presente e assim, pelos vistos, vão continuar. Repito. Não me interessa o "discurso" de Sócrates. Interessa-me sobretudo perceber se, apesar das contas, ele vai governar. Se a tal "vida para além do défice" tem espaço para respirar ou se a imaginação política deu definitivamente lugar ao "homem da Regisconta" em versão "democrática". Este blogue, na sua modesta iconoclastia, espelha quase dois anos de frustração. Não queria passar os próximos dois a dizer substancialmente o mesmo.

O MESMO?

Não faço ideia sobre o que Sócrates vai falar. Não me interessa. Tenho a experiência, dolorosa, da contabilidade falhada de Manuela Ferreira Leite e do fogo-de-artifício de Bagão Félix. Com uma e com o outro, nem a despesa diminuiu nem a receita cresceu. Exigiram-se contas de merceeiro, "sacrifícios", "contenção" e é o que se vê. Áreas da governação, como a cultura, andaram três anos a fazer figura de corpo presente e assim, pelos vistos, vão continuar. Repito. Não me interessa o "discurso" de Sócrates. Interessa-me sobretudo perceber se, apesar das contas, ele vai governar. Se a tal "vida para além do défice" tem espaço para respirar ou se a imaginação política deu definitivamente lugar ao "homem da Regisconta" em versão "democrática". Este blogue, na sua modesta iconoclastia, espelha quase dois anos de frustração. Não queria passar os próximos dois a dizer substancialmente o mesmo.

SÓ FALTA ELE

Não temos dinheiro para "mandar cantar um cego", mas em compensação temos o Benfica, o dr. José Barroso e agora o eng. º António Guterres, convocado para Alto Comissário da ONU para os Refugiados. Os protagonistas das duas mais extraordinárias fugas às responsabilidades políticas domésticas foram bem recompensados lá fora. Espero que desta vez nos poupem à tagarelice da "honra" e do "orgulho" nacionais com que a estupidez jubilatória brindou a chegada de Barroso à Comissão Europeia. O que é que o mundo reservará para Pedro Santana Lopes? Só falta ele para a nossa glória ser absoluta.

SÓ FALTA ELE

Não temos dinheiro para "mandar cantar um cego", mas em compensação temos o Benfica, o dr. José Barroso e agora o eng. º António Guterres, convocado para Alto Comissário da ONU para os Refugiados. Os protagonistas das duas mais extraordinárias fugas às responsabilidades políticas domésticas foram bem recompensados lá fora. Espero que desta vez nos poupem à tagarelice da "honra" e do "orgulho" nacionais com que a estupidez jubilatória brindou a chegada de Barroso à Comissão Europeia. O que é que o mundo reservará para Pedro Santana Lopes? Só falta ele para a nossa glória ser absoluta.

24.5.05

SEM COMENTÁRIOS

No seu Bicho Carpinteiro, Medeiros Ferreira cita com oportunidade o Velho Ditador, "sem comentários":

"Em 1928 era assim:

Mas não tenhamos ilusões: as reduções de serviços e despesas importam restrições na vida privada, sofrimentos, portanto. Teremos de sofrer em vencimentos diminuídos, em aumento de impostos, em carestia de vida... é a ascensão dolorosa de um calvário. Repito: é a ascensão dolorosa de um calvário. No cimo podem morrer os homens, mas redimem-se as pátrias.(Salazar
)"

SEM COMENTÁRIOS

No seu Bicho Carpinteiro, Medeiros Ferreira cita com oportunidade o Velho Ditador, "sem comentários":

"Em 1928 era assim:

Mas não tenhamos ilusões: as reduções de serviços e despesas importam restrições na vida privada, sofrimentos, portanto. Teremos de sofrer em vencimentos diminuídos, em aumento de impostos, em carestia de vida... é a ascensão dolorosa de um calvário. Repito: é a ascensão dolorosa de um calvário. No cimo podem morrer os homens, mas redimem-se as pátrias.(Salazar
)"

NÃO EXISTEM SOLUÇÕES TÉCNICAS PARA PROBLEMAS POLÍTICOS

Para ler no Blasfémias.

NÃO EXISTEM SOLUÇÕES TÉCNICAS PARA PROBLEMAS POLÍTICOS

Para ler no Blasfémias.

EM FRANÇA...

... Nada de novo em relação a todas as sondagens mais recentes dos restantes institutos: depois da recuperação do "Sim" na 1ª metade de Maio, o "Não" volta a ganhar ascendência. Para ler no Margens de Erro, de Pedro Magalhães.

EM FRANÇA...

... Nada de novo em relação a todas as sondagens mais recentes dos restantes institutos: depois da recuperação do "Sim" na 1ª metade de Maio, o "Não" volta a ganhar ascendência. Para ler no Margens de Erro, de Pedro Magalhães.

A FÁBULA

Um a um, todos os responsáveis políticos pela pasta das Finanças nos últimos anos vêm aparecendo nas televisões a perorar sobre o défice e a melhor maneira de o extirpar. Pôem um ar grave e, imagine-se, não coram de vergonha. Continuam a levar-se a sério e querem que nós, naturalmente, os levemos a sério. Reparem que, seja qual for o "quadrante" partidário, são sempre os mesmos. Em fábula, isto equivale a pedir a uma meia dúzia de gatos pardos que tome conta de um bando de pardais verdadeiramente "apardalados". No fim, não sobra pena nem asa.



Adenda: Nem tudo foi mau. Eduardo Catroga - praticamente todo -, o ECORDEP (Estrutura de Coordenação da Reforma da Despesa Pública) de Pina Moura, algo que o "bonzinho" Guterres ignorou, e a "lei de estabilidade orçamental" de Manuela Ferreira Leite constituem progressos interrompidos pelas intermitências políticas. Francamente má, apesar de se tratar de uma excelente pessoa, foi a passagem de Guilherme Oliveira Martins pela Praça do Comércio. O Centro Nacional de Cultura assenta-lhe melhor. Por pudor, devia pura e simplesmente abster-se de "comentar" estas matérias.

A FÁBULA

Um a um, todos os responsáveis políticos pela pasta das Finanças nos últimos anos vêm aparecendo nas televisões a perorar sobre o défice e a melhor maneira de o extirpar. Pôem um ar grave e, imagine-se, não coram de vergonha. Continuam a levar-se a sério e querem que nós, naturalmente, os levemos a sério. Reparem que, seja qual for o "quadrante" partidário, são sempre os mesmos. Em fábula, isto equivale a pedir a uma meia dúzia de gatos pardos que tome conta de um bando de pardais verdadeiramente "apardalados". No fim, não sobra pena nem asa.



Adenda: Nem tudo foi mau. Eduardo Catroga - praticamente todo -, o ECORDEP (Estrutura de Coordenação da Reforma da Despesa Pública) de Pina Moura, algo que o "bonzinho" Guterres ignorou, e a "lei de estabilidade orçamental" de Manuela Ferreira Leite constituem progressos interrompidos pelas intermitências políticas. Francamente má, apesar de se tratar de uma excelente pessoa, foi a passagem de Guilherme Oliveira Martins pela Praça do Comércio. O Centro Nacional de Cultura assenta-lhe melhor. Por pudor, devia pura e simplesmente abster-se de "comentar" estas matérias.

23.5.05

OUTRO?

Num local remoto do país, uns criminosos quaisquer fogem no carro da "autoridade" policial. As claques labregas do futebol vandalizam transportes públicos e agridem-se umas às outras nas ruas. Os partidos, os "parceiros sociais" e o governo estatelam-se aos pés de um défice crónico e aparentemente incontrolável. A economia não medra. Estamos a uns dias do dia 28 de Maio. Será preciso outro?

OUTRO?

Num local remoto do país, uns criminosos quaisquer fogem no carro da "autoridade" policial. As claques labregas do futebol vandalizam transportes públicos e agridem-se umas às outras nas ruas. Os partidos, os "parceiros sociais" e o governo estatelam-se aos pés de um défice crónico e aparentemente incontrolável. A economia não medra. Estamos a uns dias do dia 28 de Maio. Será preciso outro?

VIAGEM AO FIM DA NOITE

A partir de hoje, as carpideiras têm motivos de sobra para as habituais ladaínhas. Vitor Constâncio já rezou a sua missa encomendada de sétimo dia e Sócrates prepara-se para oficiar em conformidade. É, aliás, este o momento certo para se apresentar ao país com o seu ar charmoso de agente funerário. Não lhe faltam motivos. A economia - aquilo que verdadeiramente interessa - continua deprimida e, ou não cresce, ou avança anã. O governo, depois de uns fogachos e encerrado o capítulo futebolístico, vai certamente tentar enfrentar a realidade. Não estou, porém, certo que a realidade queira ser enfrentada. Nem aqui, nem na Europa de que tanto se fala. O que está a acontecer na Alemanha, o que pode acontecer em França depois de domingo, por exemplo, indicia muito maus tempos. A nossa endémica periferia será das primeiras a pagar a factura. E paga a dobrar. Paga por razões internas e paga pela circunstância de as duas maiores economias da União se encontrarem politicamente fragilizadas. Isto é demasiado sério para ser tratado aos berros, com demagogia ou com exercícios idiotas de recriminações recíprocas. Também não vale a pena "dramatizar". O que o país menos precisa é de "actores dramáticos" e de "reprises" medíocres. Provavelmente vão ser os mesmos a pagar a dita factura, com mais ou menos "preocupações sociais", com mais ou menos "coesão". A sorte da gente que nos governa - os de hoje, os de ontem e os de amanhã - é que, descontando meia dúzia de lunáticos, anda tudo bovinamente resignado. Esta anestesia democrática, no entanto, é perigosa. O "regime", onde quase todos os "actores principais e secundários" já passaram pelo "palco", está a caminho de uma viagem ao fim da noite na qual poderá não conhecer o caminho de regresso.

VIAGEM AO FIM DA NOITE

A partir de hoje, as carpideiras têm motivos de sobra para as habituais ladaínhas. Vitor Constâncio já rezou a sua missa encomendada de sétimo dia e Sócrates prepara-se para oficiar em conformidade. É, aliás, este o momento certo para se apresentar ao país com o seu ar charmoso de agente funerário. Não lhe faltam motivos. A economia - aquilo que verdadeiramente interessa - continua deprimida e, ou não cresce, ou avança anã. O governo, depois de uns fogachos e encerrado o capítulo futebolístico, vai certamente tentar enfrentar a realidade. Não estou, porém, certo que a realidade queira ser enfrentada. Nem aqui, nem na Europa de que tanto se fala. O que está a acontecer na Alemanha, o que pode acontecer em França depois de domingo, por exemplo, indicia muito maus tempos. A nossa endémica periferia será das primeiras a pagar a factura. E paga a dobrar. Paga por razões internas e paga pela circunstância de as duas maiores economias da União se encontrarem politicamente fragilizadas. Isto é demasiado sério para ser tratado aos berros, com demagogia ou com exercícios idiotas de recriminações recíprocas. Também não vale a pena "dramatizar". O que o país menos precisa é de "actores dramáticos" e de "reprises" medíocres. Provavelmente vão ser os mesmos a pagar a dita factura, com mais ou menos "preocupações sociais", com mais ou menos "coesão". A sorte da gente que nos governa - os de hoje, os de ontem e os de amanhã - é que, descontando meia dúzia de lunáticos, anda tudo bovinamente resignado. Esta anestesia democrática, no entanto, é perigosa. O "regime", onde quase todos os "actores principais e secundários" já passaram pelo "palco", está a caminho de uma viagem ao fim da noite na qual poderá não conhecer o caminho de regresso.