27.6.04

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SUNDAY BLOODY SUNDAY

1. Como tenho repetidamente escrito neste blogue, com o à-vontade de quem apoiou as criaturas noutras ocasiões, a eventual ascensão da dupla populista Santana/Portas à liderança da "coligação" e do governo da Nação, é um caso sério. Seria como que uma desforra póstuma da derrota de 13 de Junho, para Portas, uma consagração de secretaria, para Santana, e uma sumária irresponsabilidade para o País.
2. Ao contrário do que se "especula", não se deve esperar nenhuma turbulência extraordinária no Conselho Nacional do PSD. Com mais ou menos ruído, os "conselheiros" apoiarão tranquilamente o sucessor de Barroso. Eu conheço-os. O tempo é dos "marcos antónios" do PSD. Quem é que se atreveria a pôr agora em causa o "poder" e as milhares de sinecuras entretanto distribuídas?
3. Se Pedro Santana Lopes sair da Câmara Municipal de Lisboa e for substituído por Pedro Pinto ou Helena Lopes da Costa, deve ser afixado um édito a decretar quinze dias de riso municipal antes do luto.
4. Como de costume, o Senhor Presidente da República teve, acerca do assunto, um tardio acesso de indignação. É tardio porque Sampaio deixou avançar a "sucessão Ming" sem um murmúrio e sem (aparentemente) a contrariar na intimidade institucional do seu gabinete. As notícias não caíram nas televisões e nos jornais por acaso. A sua margem de manobra é, agora, claramente limitada.
5. Também não se deve esperar grande coisa de Marcelo Rebelo de Sousa, alguém que poderia, com eventual sucesso, recandidatar-se à liderança do Partido num congresso que devia ser imediatamente realizado. As palavrinhas que trocou há dias com Barroso, no sossego de São Bento, devem ter amortecido as críticas anunciadas. E a hipótese de Belém é sempre comercializável.
6. Como muitos portugueses, recebi uma "sms" a apelar à participação numa manifestação contra Santana Lopes primeiro-ministro. Na minha modesta opinião, não se combate o populismo com mais populismo. Façam de Santana uma "vítima" e depois queixem-se.

PS: Em vez de perder tempo com manifestações, vale mais a pena continuar a ler o JPP/Abrupto e os excelentes posts de hoje do Opiniondesmaker, do Almocreve e do Causa Nossa.

Nem sequer é o meu caso, porém...

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<strong>SUNDAY BLOODY SUNDAY</strong><br /><br /><strong>1.</strong> Como tenho repetidamente escrito neste <em>blogue</em>, com o à-vontade de quem apoiou as criaturas noutras ocasiões, a eventual ascensão da dupla populista Santana/Portas à liderança da "coligação" e do governo da Nação, é um caso sério. Seria como que uma desforra póstuma da derrota de 13 de Junho, para Portas, uma consagração de secretaria, para Santana, e uma sumária irresponsabilidade para o País. <br /><strong>2.</strong> Ao contrário do que se "especula", não se deve esperar nenhuma turbulência extraordinária no Conselho Nacional do PSD. Com mais ou menos ruído, os "conselheiros" apoiarão tranquilamente o sucessor de Barroso. Eu conheço-os. O tempo é dos "marcos antónios" do PSD. Quem é que se atreveria a pôr agora em causa o "poder" e as milhares de sinecuras entretanto distribuídas? <br /><strong>3.</strong> Se Pedro Santana Lopes sair da Câmara Municipal de Lisboa e for substituído por Pedro Pinto ou Helena Lopes da Costa, deve ser afixado um édito a decretar quinze dias de riso municipal antes do luto.<br /><strong>4.</strong> Como de costume, o Senhor Presidente da República teve, acerca do assunto, um tardio acesso de indignação. É tardio porque Sampaio deixou avançar a "sucessão Ming" sem um murmúrio e sem (aparentemente) a contrariar na intimidade institucional do seu gabinete. As notícias não caíram nas televisões e nos jornais por acaso. A sua margem de manobra é, agora, claramente limitada. <br /><strong>5.</strong> Também não se deve esperar grande coisa de Marcelo Rebelo de Sousa, alguém que poderia, com eventual sucesso, recandidatar-se à liderança do Partido num congresso que devia ser imediatamente realizado. As palavrinhas que trocou há dias com Barroso, no sossego de São Bento, devem ter amortecido as críticas anunciadas. E a hipótese de Belém é sempre comercializável.<br /><strong>6. </strong> Como muitos portugueses, recebi uma "sms" a apelar à participação numa manifestação contra Santana Lopes primeiro-ministro. Na minha modesta opinião, não se combate o populismo com mais populismo. Façam de Santana uma "vítima" e depois queixem-se.<br /><br /><em>PS</em>: Em vez de perder tempo com manifestações, vale mais a pena continuar a ler o <a href="http://abrupto.blogspot.com">JPP/Abrupto</a> e os excelentes <em>posts</em> de hoje do <a href="http://opiniondesmaker.blogspot.com/">Opiniondesmaker</a>, do <a href="http://almocrevedaspetas.blogspot.com">Almocreve</a> e do <a href="http://causa-nossa.blogspot.com">Causa Nossa</a>.<br /><br /><strong>Nem sequer é o meu caso, porém...</strong><br /><br /><img src="http://homepage.mac.com/ruitavares/.Pictures/aux/ouvidos.jpg" border="0"<br /><br /> Está no <a href="http://barnabe.weblog.com.pt">Barnabé</a>...<br /><br /><br /><strong>Bom senso laranja...</strong><br /><br /><img src="http://opiniao.sapo.pt/gfx/3868.gif" border="0"<br /><br /><br /><em>Marques Mendes critica violentamente todo o processo de sucessão de Durão Barroso. O ministro dos Assuntos Parlamentares, em declarações à TVI, defende a realização de um Congresso que legitime o futuro líder do PSD. Caso contrário, diz Marques Mendes, Pedro Santana Lopes não vai passar de um líder e de um primeiro-ministro escolhido na secretaria, com legitimidade política reduzida. É a contestação a subir de tom e a surgir do próprio Governo. <br /><br />Ainda em declarações à TVI, Marques Mendes argumenta que «qualquer Congresso marcado depois de Pedro Santana Lopes ser nomeado primeiro-ministro é um falso Congresso, ou seja, é apenas uma cerimónia protocolar de consagração que não tem peso político». <br /><br />Marques Mendes vai ainda mais longe e considera que Santana Lopes «é um líder sem legitimidade política real» o que põe em causa o funcionamento do novo Governo. Segundo as suas palavras, a solução encontrada «não cria condições para existir autoridade e eficácia no novo Governo». <br /><br />Marques Mendes é o primeiro membro da equipa de Durão Barroso a pronunciar-se sobre a sucessão do primeiro-ministro. E, segundo Marques Mendes, não cabe a Durão Barroso nomear um sucessor. O próximo primeiro-ministro deve ser escolhido pelo partido. Marques Mendes justifica: «até porque o último Congresso limitou-se a renovar a legitimidade de Durão Barroso».</em> <br /> <br /> (in <a href="http://www.tvi.iol.pt">TVI</a>)<br /><br />

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