8.11.08

OS ANOS PERDIDOS


Ao princípio até apreciei a ministra da Educação. Com o tempo, percebi que se foi tornando em mais uma domesticadora de "estatísticas", de "indicadores" e de lugares-comuns. O António Barreto explicou perfeitamente a trapaça dos resultados da matemática. Agora há a questão da avaliação dos professores que trouxe, de novo, milhares para a rua. Quando era puto, queria ser professor. Hoje não teria assim tanta certeza. À bruteza mentecapta dos meninos é preciso juntar a infinita burocracia inventada à pressa pelo ministério para "catalogar" os professores. "Avaliai-vos uns aos outros como eu vos mando avaliar" é, mais ou menos, o "mote" em vigor para toda a função pública e, no caso, para os professores já de si pouco dados a que lhes mexam. A "ideia" é boa. O método é execrável e politicamente abstruso. Vai valer tudo. Lurdes Rodrigues faz parte de uma panóplia de políticos que procedem das extremas folclóricas dos idos do PREC. Esta gente parece empenhada em se "redimir" desses pecadilhos da pior maneira. Basta ouvi-la em directo no canal "1" da propaganda oficial. A ministra até pode acabar a legislatura mas não deve ficar se o PS ganhar. Entrou leoa e sai sendeira. Ela - e o que é bem mais grave do que a pessoa dela - a "educação" a que presidiu durante estes anos uma vez mais perdidos.

15 comentários:

Anónimo disse...

Se viu a ministra no canal um também viu os professores. Que lhe pareceu aqueles educadores? O SR. Jeronimo Sousa também é professor? Para além dos adjectivos ouviu alguma proposta alternativa á do ministerio?

de.puta.madre disse...

O que dizer?
Digo eu, que não mando nada. Mas atravessada pelo enebriante sonho Obama (permitam-me) o visionismo doméstico:
Exame Nacional à Carreira Docente (que já vai com 15 de atraso!.´É doloroso ver, saber, sentir que Licenciados pelas universidades Públicas são Cilindrados nas colocações ( ao ganha-pão, logo ficam em estado de fome!) por "Licenciados" pelo Instituto Piagety etc's( Vão comparar currículos, p. ex., de Matemática Y de Estudos Portugueses; mete dó).
Com Exame Nacional de Acesso à Carreira Docente (como em Espanha!) ficariam só os Melhores Classificados ( independente da Média de curso!).
...........................
O Ensino de facto vai mal, mas começa também pela "Dignidade" com qual se acede à Carreira.
Tudo o resto é consequência de quem agora desempenha esse papel.
Confesso só meia-solidariedade com a Classe de professores.

Unknown disse...

Esta ministra poderia protagonizar o ensaio sobre a cegueira quando reduziu uma estrondosa manifestação de, estima-se, 120 000 professores (a policia não forneceu os dados, ao contrário do habitual) a uma manipulação dos sindicatos, como se houvesse alguém com poder suficiente para mobilizar esta mole de gente de uma forma completamente silenciosa e sem aviso. O governo e comentadores de serviço como o maninho Ricardo Costa foram apanhados de surpresa e escapou-se-lhes o principal. As motivações dos professores são genuínas e orgânicas e estão mesmo para lá de todos os desaforos que a ministra os tem submetidos na praça pública. A gota que fez transbordar o copo foi o ignóbil processo de avaliação, o ponto de acumulação da enxurrada burocrática que a ministra decidiu deixar cair sobre os profs para os amarrar definitivamente.

Só mesmo por cegueira e alienação da realidade é que a Ministra pode dar a entrevista de hoje , claro está, à SICN, que lhe deu palco em horário nobre. Terá a esperança que Socrates a continue a segurar. Foi outro bom momento de serviço público do 2º canal do governo, que para mostrar que é plural, convidou JM Fernandes e Helena Matos, os quais por seu lado aproveitaram a aberta na cortina de bloqueio, e não pouparam a ministra.

joshua disse...

Foi, enfim, um longo caminho para finalmente constatares quoque tu, caríssimo João, o que, ao primeiro relance, desde logo se percebia: estava ali um pequeno Estaline em fêmeo a ajustar contas a eito com a classe. E muito oco em lugar de cérebro.

Em Portugal assim de sonante ajustaram-se contas basicamente com João Vale e Azevedo...






... E com os professores. Lindo.
A crise Portuguesa é a da grande imoralidade que vara os agentes políticos, a da sua grande covardia para a moralização e a correcção de eles mesmos.

Anónimo disse...

João Gonçalves, você costuma ser isento e lúcido, não se deixe agora levar por sindicatos PCP, por uma oposição medíocre, que se cola a tudo o que mexe,por professores que não deviam, pura e simplesmente, ser professores, tal é a sua incompetência, mediocridade e preguiça.

jcsmadureira disse...

A minha opinião sobre o significado político da manifestação de ontem pode ser lida em http://saboresdosaber.blogspot.com/

Anónimo disse...

Os Srºs Doutores que estão nas nossas escolas, "adoram" os seus alunos e fazem tudo por eles. São uns coitadinhos...trabalham muito...no primeiro ano de carreira, que é quando preparam as aulas! Depois é sempre igual...não têm ninguem a controlar a vida..compravam oculos de sol como se fosse para ver, vão ás melhores clinicas privadas à pala, e os filhos dos pais que sustentam isto, são muitas das vezes mal acompanhados e ignorados! Conheci professores que reprovavam por reprovar, e estavam-se nas tintas pelo mau desempenho do aluno. Se isto é bons professores, vou ali e ja venho.

PS: Desculpem, pode haver algumas coisas que o estado não tem razão, mas eu não defendo a classe que trabalhava 3 horas por dia(e se tanto).

Carlos Medina Ribeiro disse...

(...) Quem a viu, ontem, nas televisões [à ministra da Educação] , a chispar ódio, a vomitar ressentimento e a destilar rancor por todos os poros, percebeu sem dificuldade que há nela algo de salazarento, como que um cheiro a bafio antidemocrático que nos faz recuar várias décadas, até ao tempo da outra senhora, em que prevalecia a ditadura do «quero, posso e mando». (...)

Extracto da crónica «Bafio antidemocrático», de Alfredo Barroso, publicada hoje no seu blogue [aqui]

Unknown disse...

Por de trás da máscara da determinação reformista, é pois de um tiranete de que de trata. Mas a cartilha é ditada todinha pelo Primeiro Vendedor Eng. Sócrates, que com o seu amor à educação, ao Magalhães e às novas oportunidades, aprendeu (mais que lhe ensinaram) com os seus novos amigos de Angola, da Venezuela, da Russia, da Argélia ou da Venezuela como se amassa uma verdadeira democracia musculada.

Os Professores, que se cuidem, que a Ministra "das relações laborais", Dra.Lurdinhas não está para brincadeiras. E o querido líder também não, principalmente quando põe aquele ar mal disposto de que vai bater em toda a gente. Brrrr, que medo.

Anónimo disse...

É tão fácil deixar comentários nos quais se ataca, sob anonimato, o professor. É tão fácil acusar sem provas, mas apenas pelo que se ouve dizer. É tão fácil injuriar impunemente os professores. É tão fácil desprezar o trabalho dos professores com os vossos filhos. É tão fácil ser ovelha obediente em rebanho obediente e acrítico. Deixo aqui expressa a minha indignação pela injustiça que é feita ao trabalho diário dos professores (diário, sim, incluindo domingos como o de hoje, em que desde as 13h 30m corrijo testes),a minha indignação pela forma cobarde com que essas palavras injustas e infundadas são proferidas alegre e tolamente pelos "anónimos" que frequentam os blogues.
Aida Lemos
Professora

Buriti disse...

Os comentários dos anónimos são um mimo. Comentários ditados por visões "prêt-à-porter" servem para definir uma coisa apenas - estupidez.

Infelizmente, Portugal tornou-se num curral onde as criaturas gostam de comer alimentos já mastigados e, se possível, com todo o percurso digestivo já feito.

Que lhes faça bom proveito.

Anónimo disse...

Eu não percebo sinceramente. O lobo das 6:01 tem toda a razão. Nos países civilizados os professores são regra geral uma classe respeitada, independentemente dos sindicatos (e digo isto porque há sempre aqueles que associam os professores aos sindicatos). Aqui não. Até achamos normal que os miúdos batam nos professores e que os paizinhos façam o mesmo!
Não há paciência para estes iluminados.

de.puta.madre disse...

"João Gonçalves, você costuma ser isento e lúcido, não se deixe agora levar por sindicatos PCP, por uma oposição medíocre, que se cola a tudo o que mexe,por professores que não deviam, pura e simplesmente, ser professores, tal é a sua incompetência, mediocridade e preguiça."
Anónimo das 7. 09
Assim é!!! Dai que a única avaliação deveria começar à "PORTA": Exame Nacional de Acesso à Carreira Docente!
( Vou buscar um comentário que postei noutro sítio ... já volto!)

de.puta.madre disse...

Valupi… Geralmente curto muito a tua onda… li o texto na diagonal ( Soooooorrrrrrrrry) não captei se era tautologia do discurso cânone de jornalista chapa-4 ou se davas largo lastro à ironia esta última favorcerteia cá pró meu lado com se eu fosse decapitador de cérebros y ai que medo, dizes tu bem dito! …
Vamos lá ao que Interessa: sem ironia o teu discurso é bué conforme à Burrice da ME, dos Profs, dos sindicatos, da Sociedade Civil apalermada que nos calhou na rifa, do Zé Manel que está a andar de comboio descarrilado à muito tempo, dos opinadores a granel y do Miguel Sousa Tavares o Grande atascador de lama da classe ( dele y dos profs).
Ou seja, a haver avaliação de Professores que ela comece antes da carreira começar, ou não é? Pois. As pedagógicas??? Sim parece que quem tomou as rédeas a esta coisa se esqueceu que a realidade sobre a qual está a operar não é a Realidade até 1990! Até ai este sistema de avaliação que a ME propõem seria muito adequado y ajustado.
Face à actual realidade tudo isto não só é sinistro, bizarro como o é ridículo. ( Refiro-me por exemplo ao facto de – para se ser prof – na FLetras da UL, para além dos anos da Licenciatura faz parte do Curriculum mais dois anos no Ramo de formação Profissional da respectiva área. Sem qualquer GARANTIA de um dia se vir a leccionar! ( maravilhoso!!!!). Não é difícil concluir que não é a via que o ME propõe que se adequa a realidade de 2008.
Ou seja: EXAME NACIONAL DE ACESSO À CARREIRA DOCENTE ( tal qual como em ESPANHA, sim esse país vizinho!)
Essa sim! Faz sentido. Y faz sentido duplamente. Limpar o joio que anda a exercer a função de Docente apenas porque comprou um curso naquelas universidades y Institutos que surgiram na Década de 90 do Séc. Passado. Sim. Essas Universidades Cogumelo y Alucinadas.
EXAME NACIONAL DE ACESSO À CARREIRA DOCENTE mtv dois coelhos de uma só vez. Isso é que era! claro que prof. de Instituto/ universidade cogumelo-alucinada não vai gostar, ou não é? Mas tudo seria mais justo Y melhor!

...............
y depois
Valupi
Era um Bom Começo. Y era Justo.
( Sabes que com o Piaget tens muitos Profs que foram alunos que levaram mais de 3 anos para concluir o 12º, p. exemplo. Mas saem com média de 17/18/ 19 dessa Instituição. … Eu conheço uns casos da minha vila… é de arrepiar!)
Uma coisa que está Erradíssima é exactamente isso: retirar Autoridade ao Prof. Autoridade no sentido de Autorizado A. Com o Exame Nacional de Acesso à Carreira Docente ( como em Espanha, que quem sai das universidades chega a levar 2 anos a prepará-lo com Estudo, e disciplina de Estudo - fazendo simultaneamente esse nobre exercício da Autonomia - y não é garantido que consiga corresponder às exigências que são devidamente aferidas por tal Exame. É isso que Falta em Portugal. Esse espírito, esse empenho, essa barreira de saber que é exigida a qualquer professor para se propor a Ensinar a outro Humano em formação). Vamos quase com 20 anos de Erro. Porque será? Houve necessidade de Facilitar as ditas Universidades/Institutos Cogumelos, p. ex.. Isso teve repercussões: na facilidade dos seus clientes se encaixarem num mercado de trabalho que não tem noção de um patamar mínimo de qualidade y que, por isso, faz fé num número ( médias) y na vida real se depara com aberrações que cada vez mais vão deixando transparecer a sua Monstruosidade. Quer ir cortando os braços ao monstro ( avaliação contínua!) isso é um Ultraje para quem é competente y uma maçada para quem não tem muito a noção do papel da Escola ( é assim uma coisa para a gente ir fazendo, refiro-me aos inúmeros personagem do início do texto). Vale.
Paulo. Calma Homem! Há muitos gajos que se encaixam perfeitamente no texto do Valupi ( infelizmente).

Celso R. disse...

Há dois anos atrás que tirava um 18 a matemática era muito bom. Hoje é porque pegou nos livros...

Sem contar com a reforma que entrou em vigor em 2004 no ensino secundário que tirou opções e tornou o percurso escolar mais pobre, pelo menos nalgumas áreas.