3.5.08

OS MESMOS


Morais Sarmento, figura "incontornável" do PSD, foi ao programa Diga Lá Excelência explicar o seu apoio a Ferreira Leite. Recordou que foi dos primeiros a secundar a fuga de Barroso para Bruxelas e, naturalmente, recusou-se a aceitar esse "gesto patriótico" como o "acto fundador" da presente trapalhada. Apesar de não morrer de amores por Santana Lopes, "aceitou" ficar no governo por "serviço". Mais tarde, presume-se que tomado pelo mesmo espírito, berrou o que pôde por Santana, primeiro num congresso surrealista em Barcelos e, depois, na campanha eleitoral. Antes, como é óbvio, havia sancionado o seu nome como o sucessor natural de Barroso, no partido e em São Bento, embora, disse, nunca tivesse grandes dúvidas de que não ia longe. Só Ferreira Leite e o seu "pensamento", segundo Sarmento, dão agora garantias para uma candidatura de "rigor" a primeiro-ministro. Ele também não - deduzi - porque é um "emotivo" (sic) como Menezes o qual, justamente por isso, não servia. Por este andar, a parte mais interessante - e humanamente mais repugnante - desta "campanha alegre" consistirá na "demarcação" que novos e velhos "notáveis" irão fazer em relação a Santana Lopes. Em 2004, "empurraram-no" com método para a frente apenas para se manterem à tona. Em 2008, são eles que exibem a dra. Manuela, a nova"ungida", pelas secções. Os mesmos.

OS MESMOS


Morais Sarmento, figura "incontornável" do PSD, foi ao programa Diga Lá Excelência explicar o seu apoio a Ferreira Leite. Recordou que foi dos primeiros a secundar a fuga de Barroso para Bruxelas e, naturalmente, recusou-se a aceitar esse "gesto patriótico" como o "acto fundador" da presente trapalhada. Apesar de não morrer de amores por Santana Lopes, "aceitou" ficar no governo por "serviço". Mais tarde, presume-se que tomado pelo mesmo espírito, berrou o que pôde por Santana, primeiro num congresso surrealista em Barcelos e, depois, na campanha eleitoral. Antes, como é óbvio, havia sancionado o seu nome como o sucessor natural de Barroso, no partido e em São Bento, embora, disse, nunca tivesse grandes dúvidas de que não ia longe. Só Ferreira Leite e o seu "pensamento", segundo Sarmento, dão agora garantias para uma candidatura de "rigor" a primeiro-ministro. Ele também não - deduzi - porque é um "emotivo" (sic) como Menezes o qual, justamente por isso, não servia. Por este andar, a parte mais interessante - e humanamente mais repugnante - desta "campanha alegre" consistirá na "demarcação" que novos e velhos "notáveis" irão fazer em relação a Santana Lopes. Em 2004, "empurraram-no" com método para a frente apenas para se manterem à tona. Em 2008, são eles que exibem a dra. Manuela, a nova"ungida", pelas secções. Os mesmos.

A MENTIRA DA VERDADE


O Público, em papel, revela um estudo do Instituto de Ciências Sociais acerca da sexualidade dos portugueses. Tal estudo faz, aliás, "manchete": setenta por cento dos ouvidos consideram "erradas" as relações homossexuais. Enquanto que, por exemplo, em França oitenta por cento dos jovens franceses inquiridos num estudo semelhante não topam nada de "errado" nas ditas relações, por cá os nossos "jovens" - em percentagens superiores a cinquenta por cento - vêem na coisa motivos para séria desaprovação. Depois, dos inquiridos, apenas menos de um por cento "assume" ser adepto da modalidade e nem dois por cento se afirmam "bissexuais". A socióloga responsável pelo estudo conclui que "Portugal ainda é um país homofóbico" e que existe, entre nós, uma "masculinidade homofóbica" - seja lá o que isto for - já que parece haver uma ténue, mas maior, "tolerância" em relação às lésbicas do que aos "samesexers" homens e aos "cornos" heterossexuais. Como diria o Dr. House, everybody lies. E, tipicamente em relação à sexualidade, toda a gente mente com mais dentes. Na antiguidade clássica, em Roma ou na Grécia, ninguém se lembraria de considerar "errada" a relação entre um homem - podia até dar-se o caso de ser o imperador - e um jovem efebo ou entre o "mestre" e o seu pupilo. Seria seguramente uma infâmia perguntar a César se desdenhava relacionar-se com jovens do mesmo sexo ou a Calpurnia se não apreciava ou deixava de apreciar os seios de uma "adjunta". Entre pessoas civilizadas, havia coisas que pura e simplesmente não se discutiam. A obra de Gibbon, por exemplo, conta bem como era. Nada disto, porém, retira à opção "samesexer" o seu carácter minoritário. Por consequência, não tenho a mesma certeza da socióloga quanto a classificar-nos como uma sociedade homofóbica. É da chamada "natureza das coisas" que assim seja e não vem mal ao mundo por ser assim. Ninguém - mesmo muitos dos mentirosos que responderam ao inquérito - deixa de fazer o que lhe der na gana por "afirmar" isto ou aquilo ou por a religião "mandar" não fazer isto ou aquilo. Gore Vidal escreveu que "a maior parte das pessoas é uma mistura de impulsos, quando não de práticas, e aquilo que cada um faz com um parceiro voluntário não tem a menor relevância social ou cósmica." A sexualidade não se exibe nem se "declara". Isso deve ficar para os "machos latinos" e para a "maricagem" associativa.

A MENTIRA DA VERDADE


O Público, em papel, revela um estudo do Instituto de Ciências Sociais acerca da sexualidade dos portugueses. Tal estudo faz, aliás, "manchete": setenta por cento dos ouvidos consideram "erradas" as relações homossexuais. Enquanto que, por exemplo, em França oitenta por cento dos jovens franceses inquiridos num estudo semelhante não topam nada de "errado" nas ditas relações, por cá os nossos "jovens" - em percentagens superiores a cinquenta por cento - vêem na coisa motivos para séria desaprovação. Depois, dos inquiridos, apenas menos de um por cento "assume" ser adepto da modalidade e nem dois por cento se afirmam "bissexuais". A socióloga responsável pelo estudo conclui que "Portugal ainda é um país homofóbico" e que existe, entre nós, uma "masculinidade homofóbica" - seja lá o que isto for - já que parece haver uma ténue, mas maior, "tolerância" em relação às lésbicas do que aos "samesexers" homens e aos "cornos" heterossexuais. Como diria o Dr. House, everybody lies. E, tipicamente em relação à sexualidade, toda a gente mente com mais dentes. Na antiguidade clássica, em Roma ou na Grécia, ninguém se lembraria de considerar "errada" a relação entre um homem - podia até dar-se o caso de ser o imperador - e um jovem efebo ou entre o "mestre" e o seu pupilo. Seria seguramente uma infâmia perguntar a César se desdenhava relacionar-se com jovens do mesmo sexo ou a Calpurnia se não apreciava ou deixava de apreciar os seios de uma "adjunta". Entre pessoas civilizadas, havia coisas que pura e simplesmente não se discutiam. A obra de Gibbon, por exemplo, conta bem como era. Nada disto, porém, retira à opção "samesexer" o seu carácter minoritário. Por consequência, não tenho a mesma certeza da socióloga quanto a classificar-nos como uma sociedade homofóbica. É da chamada "natureza das coisas" que assim seja e não vem mal ao mundo por ser assim. Ninguém - mesmo muitos dos mentirosos que responderam ao inquérito - deixa de fazer o que lhe der na gana por "afirmar" isto ou aquilo ou por a religião "mandar" não fazer isto ou aquilo. Gore Vidal escreveu que "a maior parte das pessoas é uma mistura de impulsos, quando não de práticas, e aquilo que cada um faz com um parceiro voluntário não tem a menor relevância social ou cósmica." A sexualidade não se exibe nem se "declara". Isso deve ficar para os "machos latinos" e para a "maricagem" associativa.

DEIXAR ENTRAR A REALIDADE

O relator do parecer até é "próximo" do partido do senhor engenheiro. É bom - para isso é que servem - que sejam os amigos a introduzir um módico de bom senso e de realidade nas cabeças deslumbradas pela propaganda. Não é, porém, seguro que elas deixem entrar a realidade.

DEIXAR ENTRAR A REALIDADE

O relator do parecer até é "próximo" do partido do senhor engenheiro. É bom - para isso é que servem - que sejam os amigos a introduzir um módico de bom senso e de realidade nas cabeças deslumbradas pela propaganda. Não é, porém, seguro que elas deixem entrar a realidade.

2.5.08

PASSAR O RUBICÃO


Os louvaminheiros do secretário-geral do PS e primeiro-ministro vão poder babar-se durante uns dias. A sondagem do sr. Rui Oliveira e Costa para a "galáxia" informativa do dr. Balsemão coloca o PS perto da maioria absoluta e o senhor engenheiro "popular". Quando foi feita, já Menezes tinha anunciado a retirada o que não impede que também esteja mais "popular" apesar da descida de umas décimas do PSD. A esquerda "sobe" e o PP também - décimas - e a dra. Leite é brindada com 29% de "intenções" contra 26% de Lopes e, salvo erro, 15% de Passos Coelho. Não foram os "militantes" que ditaram isto. Foi o "universo" da sondagem, bem entendido. Mais importante que estas contas de circunstância para consumo paroquial, parece-me a derrota brutal do "Labour" em Inglaterra e no País de Gales, vinte pontos abaixo dos Conservadores do sr. Cameron. Ou a vitória de Gianni Alemanno (na foto), em Roma, contra o presidente ex-comunista e "novo" democrata Veltroni que Berlusconi havia, há dias, derrotado nas "gerais". Ou ainda a eleição de Fini para presidente da Câmara de Deputados. Nenhuma destas notícias merece grande destaque por cá. A primeira, porque representa o fim do "blairismo", esse fenomenal embuste que inspirou a "esquerda moderna" um pouco por todo o lado. As outras, porque se trata de dois "fascistas", de acordo com o "cânone". Se lessem mais Vico e menos idiotas, talvez percebessem por que é que, de vez em quando, se pode passar o Rubicão.

PASSAR O RUBICÃO


Os louvaminheiros do secretário-geral do PS e primeiro-ministro vão poder babar-se durante uns dias. A sondagem do sr. Rui Oliveira e Costa para a "galáxia" informativa do dr. Balsemão coloca o PS perto da maioria absoluta e o senhor engenheiro "popular". Quando foi feita, já Menezes tinha anunciado a retirada o que não impede que também esteja mais "popular" apesar da descida de umas décimas do PSD. A esquerda "sobe" e o PP também - décimas - e a dra. Leite é brindada com 29% de "intenções" contra 26% de Lopes e, salvo erro, 15% de Passos Coelho. Não foram os "militantes" que ditaram isto. Foi o "universo" da sondagem, bem entendido. Mais importante que estas contas de circunstância para consumo paroquial, parece-me a derrota brutal do "Labour" em Inglaterra e no País de Gales, vinte pontos abaixo dos Conservadores do sr. Cameron. Ou a vitória de Gianni Alemanno (na foto), em Roma, contra o presidente ex-comunista e "novo" democrata Veltroni que Berlusconi havia, há dias, derrotado nas "gerais". Ou ainda a eleição de Fini para presidente da Câmara de Deputados. Nenhuma destas notícias merece grande destaque por cá. A primeira, porque representa o fim do "blairismo", esse fenomenal embuste que inspirou a "esquerda moderna" um pouco por todo o lado. As outras, porque se trata de dois "fascistas", de acordo com o "cânone". Se lessem mais Vico e menos idiotas, talvez percebessem por que é que, de vez em quando, se pode passar o Rubicão.

SER NÃO SOCRÁTICO

«Manuela Ferreira Leite representa demasiado o passado. É a recuperação da escola cavaquista da austeridade e da recusa da política numa época que nada tem a ver com os governos de Cavaco Silva. A sua experiência governativa também está longe da perfeição: tentou sanear o défice público sem o ter conseguido, nem mesmo recorrendo à prática imensamente discutível das receitas extraordinárias. É uma continuação, não uma mudança. E é uma réplica, no estilo, nas políticas, nos valores, dos predicados de José Socrates que atiraram o PSD para os 30% das intenções de voto. Não basta ser não socialista e esperar que o mundo se prostre a nós. É preciso ser não socrático.»

Pedro Lomba, in Diário de Notícias

SER NÃO SOCRÁTICO

«Manuela Ferreira Leite representa demasiado o passado. É a recuperação da escola cavaquista da austeridade e da recusa da política numa época que nada tem a ver com os governos de Cavaco Silva. A sua experiência governativa também está longe da perfeição: tentou sanear o défice público sem o ter conseguido, nem mesmo recorrendo à prática imensamente discutível das receitas extraordinárias. É uma continuação, não uma mudança. E é uma réplica, no estilo, nas políticas, nos valores, dos predicados de José Socrates que atiraram o PSD para os 30% das intenções de voto. Não basta ser não socialista e esperar que o mundo se prostre a nós. É preciso ser não socrático.»

Pedro Lomba, in Diário de Notícias