Mostrar mensagens com a etiqueta Vitorino Magalhães Godinho. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Vitorino Magalhães Godinho. Mostrar todas as mensagens

27.4.11

VITORINO MAGALHÃES GODINHO (1918-2011)


Pelo meu amigo do Médio Oriente e afins, fico a saber da morte de Vitorino Magalhães Godinho, aos 92 anos. Disse aqui repetidamente - e digo-o no livrinho ali à direita - que li de Magalhães Godinho uma das melhores sínteses daquilo que somos (e não somos) como nação e portugueses, A Estrutura da Antiga Sociedade Portuguesa. Numa entrevista por ocasião dos seus 85 anos, Magalhães Godinho disse achar «que caímos num caixote do lixo muito triste» porque, segundo ele, «no século XX havia outra grandeza». Agora, «a informática e outros meios de informação, como o telemóvel, acabaram por cortar as relações humanas entre as pessoas.» Repare-se na amargura realista do historiador quando fala, não no corte das relações entre as pessoas, mas da rasura do humano nessas relações. Os seus Ensaios estão a ser repostos, ainda alguns revistos por ele. Se existe cultura portuguesa, ficou ontem mais pobre.

VITORINO MAGALHÃES GODINHO (1918-2011)


Pelo meu amigo do Médio Oriente e afins, fico a saber da morte de Vitorino Magalhães Godinho, aos 92 anos. Disse aqui repetidamente - e digo-o no livrinho ali à direita - que li de Magalhães Godinho uma das melhores sínteses daquilo que somos (e não somos) como nação e portugueses, A Estrutura da Antiga Sociedade Portuguesa. Numa entrevista por ocasião dos seus 85 anos, Magalhães Godinho disse achar «que caímos num caixote do lixo muito triste» porque, segundo ele, «no século XX havia outra grandeza». Agora, «a informática e outros meios de informação, como o telemóvel, acabaram por cortar as relações humanas entre as pessoas.» Repare-se na amargura realista do historiador quando fala, não no corte das relações entre as pessoas, mas da rasura do humano nessas relações. Os seus Ensaios estão a ser repostos, ainda alguns revistos por ele. Se existe cultura portuguesa, ficou ontem mais pobre.

25.8.09

O GRANDE ADOPTADO


Mário Crespo passa a vida a levar o Prof. Adriano Moreira aos seus telejornais. Dá-me ideia que, se o Doutor Salazar fosse vivo, também seria convidado de Crespo. Com a vantagem de termos um original que, bem ou mal, nunca tergiversou. Adriano Moreira é um caso sui generis na vida pública contemporânea. Tudo lhe aconteceu cedo ou tarde de mais. Esteve, muito novo, detido no Aljube o que lhe valeu as graças eternas do dr. Soares. Isso não impediu o Doutor Salazar de o escolher como secretário de Estado e, depois, como ministro. Do Ultramar. Durou pouco na sequência de um périplo ao autre-mer que não agradou ao então presidente do conselho. Podia ter sido o "delfim" até porque, a avaliar por um texto de Vitorino Magalhães Godinho escrito na altura em que Moreira o varreu do seu Instituto da Junqueira- a ele e a outros como Jorge Dias -, possuia todos os "requisitos". O que lhe sobrava em manha, faltava-lhe, segundo o maroto do Godinho, em "ciência". No Instituto (parece que é uma maldição da casa) comportou-se sempre como um supra-Salazar. Assim se manteve até ao "25 de Abril" altura em que, como era de esperar, sofreu uns safanões. Tudo passou, porém. Moreira filiou-se no CDS onde chegou a presidente. Adoptou a democracia e a democracia adoptou-o a ele. É tão consensual e venerado como um monumento nacional. Convence pela retórica sempre luminosa. Aquando do apoucamento das universidades por este governo - em especial por este nulo Gago do superior - não poupou na crítica. É um sobrevivente da nossa e da sua história. O que não é pouco.

O GRANDE ADOPTADO


Mário Crespo passa a vida a levar o Prof. Adriano Moreira aos seus telejornais. Dá-me ideia que, se o Doutor Salazar fosse vivo, também seria convidado de Crespo. Com a vantagem de termos um original que, bem ou mal, nunca tergiversou. Adriano Moreira é um caso sui generis na vida pública contemporânea. Tudo lhe aconteceu cedo ou tarde de mais. Esteve, muito novo, detido no Aljube o que lhe valeu as graças eternas do dr. Soares. Isso não impediu o Doutor Salazar de o escolher como secretário de Estado e, depois, como ministro. Do Ultramar. Durou pouco na sequência de um périplo ao autre-mer que não agradou ao então presidente do conselho. Podia ter sido o "delfim" até porque, a avaliar por um texto de Vitorino Magalhães Godinho escrito na altura em que Moreira o varreu do seu Instituto da Junqueira- a ele e a outros como Jorge Dias -, possuia todos os "requisitos". O que lhe sobrava em manha, faltava-lhe, segundo o maroto do Godinho, em "ciência". No Instituto (parece que é uma maldição da casa) comportou-se sempre como um supra-Salazar. Assim se manteve até ao "25 de Abril" altura em que, como era de esperar, sofreu uns safanões. Tudo passou, porém. Moreira filiou-se no CDS onde chegou a presidente. Adoptou a democracia e a democracia adoptou-o a ele. É tão consensual e venerado como um monumento nacional. Convence pela retórica sempre luminosa. Aquando do apoucamento das universidades por este governo - em especial por este nulo Gago do superior - não poupou na crítica. É um sobrevivente da nossa e da sua história. O que não é pouco.

27.2.09

UMA SOCIEDADE E UM LÍDER CONFRANGEDORES


Noutras ocasiões falei aqui de Vitorino Magalhães Godinho. Pelo Diário de Notícias, através de um trabalho de João Céu e Silva, apercebo-me da edição de um livro de ensaios do historiador, intitulado "Ensaios e Estudos - Uma Maneira de Pensar", Vol. I, da Portugália, pretexto para uma entrevista. No meio de tanto tagarela ignorante - e todos os dias nos são "revelados" novos "talentos" - a palavra certeira de Magalhães Godinho, com 90 anos, é sempre um consolo. Sobre os "nossos inefáveis dirigentes políticos cuja obtusidade é alarmante" e sobre uma "classe política que é mais do que lamentável", Godinho não hesita: «não têm ideias e não debatem (...), assiste-se a qualquer sessão do Parlamento e verifica-se que há afirmações mas nunca as demonstram (...), diz-se que o TGV é fundamental mas ninguém o justifica (...), quando há uma crítica ninguém responde, porque há uma incapacidade de argumentar nos nossos políticos, em todos.» Mas o admirável líder é, para Godinho", «a pessoa que mais [o] confrange porque ainda não o [ouviu] responder a uma pergunta com argumentação.» Até deixou de o escutar, acrescentou (para bem da sua longevidade, seguramente). Sócrates não saberá, então, o que anda a fazer? «Sabe sim, infelizmente (...) Sabe pôr de parte todas as conquistas do mundo civilizado.» E conclui, como muita gente, que «não temos democracia em Portugal, isso é fantasia.» Aliás, o que é que se poderia esperar de um povo e de umas elites («não as temos») que não são capazes «de resolver os problemas pela inteligência»?

UMA SOCIEDADE E UM LÍDER CONFRANGEDORES


Noutras ocasiões falei aqui de Vitorino Magalhães Godinho. Pelo Diário de Notícias, através de um trabalho de João Céu e Silva, apercebo-me da edição de um livro de ensaios do historiador, intitulado "Ensaios e Estudos - Uma Maneira de Pensar", Vol. I, da Portugália, pretexto para uma entrevista. No meio de tanto tagarela ignorante - e todos os dias nos são "revelados" novos "talentos" - a palavra certeira de Magalhães Godinho, com 90 anos, é sempre um consolo. Sobre os "nossos inefáveis dirigentes políticos cuja obtusidade é alarmante" e sobre uma "classe política que é mais do que lamentável", Godinho não hesita: «não têm ideias e não debatem (...), assiste-se a qualquer sessão do Parlamento e verifica-se que há afirmações mas nunca as demonstram (...), diz-se que o TGV é fundamental mas ninguém o justifica (...), quando há uma crítica ninguém responde, porque há uma incapacidade de argumentar nos nossos políticos, em todos.» Mas o admirável líder é, para Godinho", «a pessoa que mais [o] confrange porque ainda não o [ouviu] responder a uma pergunta com argumentação.» Até deixou de o escutar, acrescentou (para bem da sua longevidade, seguramente). Sócrates não saberá, então, o que anda a fazer? «Sabe sim, infelizmente (...) Sabe pôr de parte todas as conquistas do mundo civilizado.» E conclui, como muita gente, que «não temos democracia em Portugal, isso é fantasia.» Aliás, o que é que se poderia esperar de um povo e de umas elites («não as temos») que não são capazes «de resolver os problemas pela inteligência»?

11.5.08

CONTRA OS PROCESSADORES DE DADOS


Vitorino Magalhães Godinho concedeu uma entrevista ao Expresso. Lamento ler nela - em papel porque não tenho acesso à totalidade, na net - não tanto as palavras do historiador mas a "leitura" das palavras de Magalhães Godinho conforme foi feita pelos entrevistadores. Godinho está à beira dos noventa com a mesma lucidez dos trinta ou dos quarenta. É discutível como toda a gente que pensa deve ser. Pena que os mais novos não possam - ou não queiram - usufruir do seu ensino, traduzido, felizmente, em livros de entre os quais se reeditou "A expansão quatrocentista portuguesa" (Dom Quixote). A nossa pobre "classe política", se lesse um livrinho seu intitulado " A Estrutura da Antiga Sociedade Portuguesa" (Arcádia), não seria certamente tão despropositada e vazia. Ninguém, aliás, devia ser "admitido" na política sem saber história. «Não estamos numa sociedade de pensamento, mas apenas de acumulação de dados», disse Godinho ao Expresso. É nisto que estamos, pastoreados por meros processadores de dados. Nada mais.

CONTRA OS PROCESSADORES DE DADOS


Vitorino Magalhães Godinho concedeu uma entrevista ao Expresso. Lamento ler nela - em papel porque não tenho acesso à totalidade, na net - não tanto as palavras do historiador mas a "leitura" das palavras de Magalhães Godinho conforme foi feita pelos entrevistadores. Godinho está à beira dos noventa com a mesma lucidez dos trinta ou dos quarenta. É discutível como toda a gente que pensa deve ser. Pena que os mais novos não possam - ou não queiram - usufruir do seu ensino, traduzido, felizmente, em livros de entre os quais se reeditou "A expansão quatrocentista portuguesa" (Dom Quixote). A nossa pobre "classe política", se lesse um livrinho seu intitulado " A Estrutura da Antiga Sociedade Portuguesa" (Arcádia), não seria certamente tão despropositada e vazia. Ninguém, aliás, devia ser "admitido" na política sem saber história. «Não estamos numa sociedade de pensamento, mas apenas de acumulação de dados», disse Godinho ao Expresso. É nisto que estamos, pastoreados por meros processadores de dados. Nada mais.