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6.4.10

A CULPA É DO MEXIA?


Não aprecio muito conversas de mercearia. Acontece que as notícias em torno das remunerações de António Mexia, que preside ao emporio EDP, incomodam. Pelo menos incomodam-me a mim. A EDP supostamente presta um serviço público para além de outras coisas a que mais recentemente se dedicou. E esse serviço público depende do carregar em interruptores, ligar fichas e aparelhos de todo o género e feitio a essas fichas, em suma, é público porque não se pode passar sem a electricidade. Público também é porque é "oferecido" em regime monopolista por essa EDP e porque se parte do princípio que ninguém, de repente, decide "desligar-se" e regressar tranquilamente à noite do mundo. Pelo contrário - e essa é a fortuna espiritual de Mexia e derivados - toda a gente adora estar ligado a qualquer coisa a todo o tempo e desde a mais tenra e estúpida idade. Mexia preside, pois, a isto que é a EDP e isto entende que presidir-lhe vale muito dinheiro. Um país não cresce nivelando-se por baixo mas muito menos cresce - quando nele tanta falta faz que cresça - repetindo actos financeiramente pornográficos de que, por acaso agora Mexia e amanhã outro Mexia qualquer, meia dúzia de pessoas ditas "geniais" são beneficiárias. Na GALP é a mesma coisa e dos bancos nem vale a pena falar a não ser para uma simples perguntinha. Teria sido necessário um PEC visceralmente destruidor da classe média se não fosse o dinheiro que o Estado (dinheiro dos contribuintes) enterrou na falsa salvação de coisas como o BPN e o BPP ou que continua a enterrar na RTP? O "sistema", que é o regime, segura-se porque tem na base um povo manso, tendencialmente cornudo e sexualmente passivo mesmo quando julga que está por cima, que tudo aceita desde que lhe dêem bola fresca todos os dias. A culpa é do Mexia?

A CULPA É DO MEXIA?


Não aprecio muito conversas de mercearia. Acontece que as notícias em torno das remunerações de António Mexia, que preside ao emporio EDP, incomodam. Pelo menos incomodam-me a mim. A EDP supostamente presta um serviço público para além de outras coisas a que mais recentemente se dedicou. E esse serviço público depende do carregar em interruptores, ligar fichas e aparelhos de todo o género e feitio a essas fichas, em suma, é público porque não se pode passar sem a electricidade. Público também é porque é "oferecido" em regime monopolista por essa EDP e porque se parte do princípio que ninguém, de repente, decide "desligar-se" e regressar tranquilamente à noite do mundo. Pelo contrário - e essa é a fortuna espiritual de Mexia e derivados - toda a gente adora estar ligado a qualquer coisa a todo o tempo e desde a mais tenra e estúpida idade. Mexia preside, pois, a isto que é a EDP e isto entende que presidir-lhe vale muito dinheiro. Um país não cresce nivelando-se por baixo mas muito menos cresce - quando nele tanta falta faz que cresça - repetindo actos financeiramente pornográficos de que, por acaso agora Mexia e amanhã outro Mexia qualquer, meia dúzia de pessoas ditas "geniais" são beneficiárias. Na GALP é a mesma coisa e dos bancos nem vale a pena falar a não ser para uma simples perguntinha. Teria sido necessário um PEC visceralmente destruidor da classe média se não fosse o dinheiro que o Estado (dinheiro dos contribuintes) enterrou na falsa salvação de coisas como o BPN e o BPP ou que continua a enterrar na RTP? O "sistema", que é o regime, segura-se porque tem na base um povo manso, tendencialmente cornudo e sexualmente passivo mesmo quando julga que está por cima, que tudo aceita desde que lhe dêem bola fresca todos os dias. A culpa é do Mexia?

20.3.10

A LUZ SEGUNDO MEXIA

Na capa do "i", António Mexia, um dos sobas das empresas do regime, tem a lata de afirmar que Portugal caminha para uma "mediocridade lenta" como se ele fosse de Marte. Não deve estar a referir-se aos lucros dessas empresas, de certeza. Sobretudo da dele.

A LUZ SEGUNDO MEXIA

Na capa do "i", António Mexia, um dos sobas das empresas do regime, tem a lata de afirmar que Portugal caminha para uma "mediocridade lenta" como se ele fosse de Marte. Não deve estar a referir-se aos lucros dessas empresas, de certeza. Sobretudo da dele.

30.5.09

DOS SETE AOS SETENTA E SETE

Por falar em regime, o dr. Silva Lopes - uma eminência eterna da economia nacional que prefigura o que vai acontecer a Constâncio quando for finalmente removido do BP a bem da nação - mal saiu do Montepio Geral , foi nomeado administrador da EDP Renováveis, uma empresa do luzidio Grupo EDP que, pelos vistos, acolhe - tal como a GALP ou a CGD - os servidores do regime entre os 7 e os 77 anos. Tudo gente que "faz bem a Portugal", naturalmente.

DOS SETE AOS SETENTA E SETE

Por falar em regime, o dr. Silva Lopes - uma eminência eterna da economia nacional que prefigura o que vai acontecer a Constâncio quando for finalmente removido do BP a bem da nação - mal saiu do Montepio Geral , foi nomeado administrador da EDP Renováveis, uma empresa do luzidio Grupo EDP que, pelos vistos, acolhe - tal como a GALP ou a CGD - os servidores do regime entre os 7 e os 77 anos. Tudo gente que "faz bem a Portugal", naturalmente.

28.5.09

NOSSA SENHORA ELECTRICIDADE DE PORTUGAL


«O anúncio, sem o querer, desvenda o sentido da campanha da EDP: é mais imagem do que paisagem, mais barragem do que a alardeada protecção de espécies em extinção. Como referia o blogue Estrago da Nação, para nos vender barragens, os publicitários tiveram de alugar serviços de animais amestrados (lobos, aves de rapina), de filmar em ribeiros e quedas de água que deixariam de existir se ali houvesse barragens. E maquilharam a rapariga para ela parecer natural, recorreram à mangueirada para simular chuva; e a rapariga bebe água da ribeira, o que nunca faria numa barragem. A publicidade, como o cinema, é uma fábrica de sonhos: o objectivo é que não se veja a fábrica, mas o “making of” mostra-a enquanto o anúncio fornece o sonho. Se Freud voltasse, diria que o sonho dos publicitários revela a realidade: no anúncio, a natureza selvagem acaba encapsulada num outro filme, projectado do rio sobre a parede de betão. A natureza selvagem não existe, ou deixa de existir: transfere-se de ribeiros intocáveis para simulacros numa parede de betão. As barragens têm tremendos efeitos ecológicos, destroem, por exemplo, o ambiente das aves de rapina que se mostram no anúncio. Tal como são precisos lobos amestrados para fazer o anúncio, também a real e verdadeira natureza dos últimos santuários é nele aprisionada em imagens que vemos fugazmente projectadas em betão, à noite, para nos descansar as consciências. Enquanto a EDP destrói natureza selvagem construindo barragens e substituindo-a por uma natureza humanizada, nós olhamos para o boneco —na parede de betão, ou no ecrã do televisor, ou no jornal ou no outdoor urbano.»

Eduardo Cintra Torres, Jornal de Negócios

NOSSA SENHORA ELECTRICIDADE DE PORTUGAL


«O anúncio, sem o querer, desvenda o sentido da campanha da EDP: é mais imagem do que paisagem, mais barragem do que a alardeada protecção de espécies em extinção. Como referia o blogue Estrago da Nação, para nos vender barragens, os publicitários tiveram de alugar serviços de animais amestrados (lobos, aves de rapina), de filmar em ribeiros e quedas de água que deixariam de existir se ali houvesse barragens. E maquilharam a rapariga para ela parecer natural, recorreram à mangueirada para simular chuva; e a rapariga bebe água da ribeira, o que nunca faria numa barragem. A publicidade, como o cinema, é uma fábrica de sonhos: o objectivo é que não se veja a fábrica, mas o “making of” mostra-a enquanto o anúncio fornece o sonho. Se Freud voltasse, diria que o sonho dos publicitários revela a realidade: no anúncio, a natureza selvagem acaba encapsulada num outro filme, projectado do rio sobre a parede de betão. A natureza selvagem não existe, ou deixa de existir: transfere-se de ribeiros intocáveis para simulacros numa parede de betão. As barragens têm tremendos efeitos ecológicos, destroem, por exemplo, o ambiente das aves de rapina que se mostram no anúncio. Tal como são precisos lobos amestrados para fazer o anúncio, também a real e verdadeira natureza dos últimos santuários é nele aprisionada em imagens que vemos fugazmente projectadas em betão, à noite, para nos descansar as consciências. Enquanto a EDP destrói natureza selvagem construindo barragens e substituindo-a por uma natureza humanizada, nós olhamos para o boneco —na parede de betão, ou no ecrã do televisor, ou no jornal ou no outdoor urbano.»

Eduardo Cintra Torres, Jornal de Negócios

25.5.09

A BEM DA CULTURA


A EDP, essa mágica empresa do regime - tão mágica como a GALP, por exemplo -, tem uma Fundação. E para sustentar a Fundação, a empresa-mãe queria registar como custo um donativo de 22,3 milhões de euros, transferido em 2005, para a dita "a título de dotação inicial." O Estado - e bem - recusou esta habilidade fiscal porque, sendo a Fundação indissociável da empresa, o tal "custo" não é nenhum custo, mas antes uma despesa de investimento. Escuda-se a fundação no entretanto revogado do Estatuto de Mecenato que previa que os «donativos atribuídos para a dotação inicial de fundações de iniciativa exclusivamente privada que prossigam fins de natureza predominantemente social ou cultural» fossem considerados como custos como se o "mecenas" não fosse a mesma EDP. Parece que continuou a fazer o mesmo com os "donativos" subsequentes. Da EDP para a Fundação EDP, note-se. Como provavelmente perderá a acção que intentou contra o Estado, já veio a chantagem habitual. Haverá uma «penalização na sua actividade mecenática (...) muitas das vezes em parceria com o Estado, como acontece com o Ministério da Cultura, Ministério da Educação e outros» e «se o desfecho da acção em tribunal for negativo para a empresa, "o impacte financeiro reflectir-se-ia certamente numa menor capacidade por parte da EDP em manter o nível actual dos apoios financeiros à fundação para que esta leve a cabo o vasto programa mecenático que tem vindo a desenvolver junto da sociedade civil e de entidades, tais como a Companhia Nacional de Bailado, a Orquestra Metropolitana de Lisboa, Teatro Luís de Camões, dos quais é mecenas exclusivo, e ainda do Teatro S. Carlos, Casa da Música, Fundação Serralves, entre muitas outras.» Com os lucros que a EDP apresenta, é mesmo só fazer as contas e preencher adequadamente a Modelo 22. Ficam todos a ganhar. E a bem da cultura.

A BEM DA CULTURA


A EDP, essa mágica empresa do regime - tão mágica como a GALP, por exemplo -, tem uma Fundação. E para sustentar a Fundação, a empresa-mãe queria registar como custo um donativo de 22,3 milhões de euros, transferido em 2005, para a dita "a título de dotação inicial." O Estado - e bem - recusou esta habilidade fiscal porque, sendo a Fundação indissociável da empresa, o tal "custo" não é nenhum custo, mas antes uma despesa de investimento. Escuda-se a fundação no entretanto revogado do Estatuto de Mecenato que previa que os «donativos atribuídos para a dotação inicial de fundações de iniciativa exclusivamente privada que prossigam fins de natureza predominantemente social ou cultural» fossem considerados como custos como se o "mecenas" não fosse a mesma EDP. Parece que continuou a fazer o mesmo com os "donativos" subsequentes. Da EDP para a Fundação EDP, note-se. Como provavelmente perderá a acção que intentou contra o Estado, já veio a chantagem habitual. Haverá uma «penalização na sua actividade mecenática (...) muitas das vezes em parceria com o Estado, como acontece com o Ministério da Cultura, Ministério da Educação e outros» e «se o desfecho da acção em tribunal for negativo para a empresa, "o impacte financeiro reflectir-se-ia certamente numa menor capacidade por parte da EDP em manter o nível actual dos apoios financeiros à fundação para que esta leve a cabo o vasto programa mecenático que tem vindo a desenvolver junto da sociedade civil e de entidades, tais como a Companhia Nacional de Bailado, a Orquestra Metropolitana de Lisboa, Teatro Luís de Camões, dos quais é mecenas exclusivo, e ainda do Teatro S. Carlos, Casa da Música, Fundação Serralves, entre muitas outras.» Com os lucros que a EDP apresenta, é mesmo só fazer as contas e preencher adequadamente a Modelo 22. Ficam todos a ganhar. E a bem da cultura.