Não faço parte de nenhuma seita ou mandarinato. Muito menos "escrevo". Consequentemente não chafurdo na feira de vaidades do "meio". No entanto, leio. O Francisco José Viegas, com muita generosidade, achou que eu podia dar duas ou três razões - na revista Ler à qual regressou como director - para o leitor se aventurar n' As Benevolentes, de Jonathan Littell. Todavia, I am not my own subject. O que vale mesmo a pena são as novecentas páginas de Littell e a Ler, em geral, cujo número de Maio "saiu" hoje.
«Somos poucos mas vale a pena construir cidades e morrer de pé.» Ruy Cinatti joaogoncalv@gmail.com
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23.4.08
1.1.08
NÃO É A CULTURA, ESTÚPIDO
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29.12.07
VIVER DOS RESTOS - 2
Graças ao Fado Alexandrino, a entrevista de Jonathan Littell à Ípsilon do Público pode ser lida na íntegra num comentário a este post.
«Ser uma pessoa decente torna-se difícil. No Ocidente acreditávamos ter encontrado um equilíbrio, mas para o resto da humanidade a vida é um pesadelo.
E não existe solução? Não vê solução?
Todos vamos morrer, O que é que quer que esperemos?
Não há um pouco de espaço para a beleza?
Sim, claro. A beleza está por todo o lado.
Menos no seu livro.
Há muitíssima beleza no meu livro.
Talvez arrasada por tudo o que a rodeia.
Há muita, um pôr do sol bonito é-o, aconteça o que acontecer.
Talvez sejam os olhos de quem observa que podem sujar tudo, até o belo. Resistimos a ver o mundo através desses olhos.
Talvez. A beleza existe apesar dos seres humanos. Se todos desaparecêssemos deste mundo, não acabaríamos com ela. »
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28.12.07
VIVER DOS RESTOS
Quase no fim de um ano sem interesse algum, recomendo a leitura da entrevista de Jonathan Littell no suplemento Ípsilon do Público (sem link, se alguém o tiver...). "Esses valores em que vivemos, do consumismo, do ganhar dinheiro, não são nada. A nossa sociedade desliza pela memória que lhe resta de ter feito parte dos bons. Vive dos restos."
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26.12.07
OF WOMEN AND THEIR ELEGANCE
O DN revela-nos o fascinante "peso" das mulheres licenciadas na sociedade portuguesa. Basta, aliás, andar de universidade em universidade para entender isto. Marcello Caetano, quando começaram a aparecer algumas - poucas - senhoras no curso de direito, ao Campo dos Mártires da Pátria, perguntava-lhes se não estariam no curso errado. Pelos vistos não estavam. Como não estiveram e não estão, daí em diante, em todos os outros. Aprecio este "progresso" porque interessa-me sempre mais o que as pessoas têm na cabeça do que aquilo que têm entre as pernas. E, sobretudo, incomoda-me o uso do "entre-pernas" para benefício do que falta lá em cima, uma vez mais independentemente do que lá esteja. Acabou definitivamente o mito da loira. Em As Benevolentes encontrei um trecho que explica muito bem a relação homem-mulher. Fica aqui para os consumidores, sobretudo para aqueles que têm a mania que são espertos. «Os homens acreditam com toda a honestidade que as mulheres são vulneráveis, e que é preciso aproveitarem-se dessa vulnerabilidade ou protegerem-na, ao passo que as mulheres se riem, com tolerância e amor ou então com desprezo, da vulnerabilidade infantil e infinita dos homens, da sua fragilidade, dessa friabilidade tão próxima da perda permanente de controle, essa derrocada perpetuamente ameaçadora, essa vacuidade encarnada numa carne tão forte. É bem por isso, sem a mais pequena dúvida, que as mulheres tão raramente matam. Sofrem muito mais, mas terão sempre a última palavra.»
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20.12.07
AS FÚRIAS
Como uma récita de ópera, uma sinfonia ou um concerto para violino e orquestra, um livro, nos seus primeiros acordes - as primeiras palavras - permite-nos perceber se o que se segue é grandioso. Não sou dado a ilusões, muito menos literárias. "As fúrias" de Jonathan Littell, tratadas e traduzidas como "As Benevolentes" (designação das Eumenides, as Erínias ou as Fúrias na tragédia de Ésquilo), é a grande tradução do ano (de Miguel Serras Pereira, na Dom Quixote). Oitocentas e noventa e três páginas, para ler, sem uma interrupção, nos horríveis quatro dias seguidinhos de natal que se avizinham. «Apesar dos meus vezos, e foram numerosos, continuei a ser dos que pensam que as únicas coisas indispensáveis à vida humana são o ar, o comer, o beber e a excreção, e a busca da verdade. O resto é facultativo (...). Se suspendermos o trabalho, as actividades banais, a agitação de todos os dias, para nos entregarmos seriamente a um pensamento, as coisas passam a ser completamente outras. Depressa as coisas começam a vir à tona, em vagas densas e negras. À noite, os sonhos desarticulam-se, desdobram-se, proliferam, e ao despertar deixam uma fina camada acre e húmida na cabeça, que leva muito tempo a dissolver-se. Nada de mal entendidos: não é de culpabilidade, de remorsos que aqui se trata. Isso existe também, sem dúvida, não quero negá-lo, mas penso que as coisas são muito mais complexas. Até mesmo um homem que não fez a guerra, que não teve de matar, sofrerá aquilo de que estou a falar. Regressam as pequenas maldades, a cobardia, a falsidade, os gestos mesquinhos que afligem todo e qualquer homem. Não é de admirar por isso que os homens tenham inventado o trabalho, o álcool, as conversas fiadas estéreis. Não é de admirar que a televisão tenha tanto sucesso. »
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