Não faço parte de nenhuma seita ou mandarinato. Muito menos "escrevo". Consequentemente não chafurdo na feira de vaidades do "meio". No entanto, leio. O Francisco José Viegas, com muita generosidade, achou que eu podia dar duas ou três razões - na revista Ler à qual regressou como director - para o leitor se aventurar n' As Benevolentes, de Jonathan Littell. Todavia, I am not my own subject. O que vale mesmo a pena são as novecentas páginas de Littell e a Ler, em geral, cujo número de Maio "saiu" hoje.
«Um trem de ferro é uma coisa mecânica, mas atravessa a noite, a madrugada, o dia, atravessou minha vida.» Adélia Prado
Mostrar mensagens com a etiqueta As Benevolentes. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta As Benevolentes. Mostrar todas as mensagens
23.4.08
LER LITTELL
Não faço parte de nenhuma seita ou mandarinato. Muito menos "escrevo". Consequentemente não chafurdo na feira de vaidades do "meio". No entanto, leio. O Francisco José Viegas, com muita generosidade, achou que eu podia dar duas ou três razões - na revista Ler à qual regressou como director - para o leitor se aventurar n' As Benevolentes, de Jonathan Littell. Todavia, I am not my own subject. O que vale mesmo a pena são as novecentas páginas de Littell e a Ler, em geral, cujo número de Maio "saiu" hoje.
Etiquetas:
As Benevolentes,
Jonathan Littell,
Revista Ler
1.1.08
NÃO É A CULTURA, ESTÚPIDO
Etiquetas:
As Benevolentes,
Cultura,
Jonathan Littell,
sociedade
NÃO É A CULTURA, ESTÚPIDO
Etiquetas:
As Benevolentes,
Cultura,
Jonathan Littell,
sociedade
29.12.07
VIVER DOS RESTOS - 2
Graças ao Fado Alexandrino, a entrevista de Jonathan Littell à Ípsilon do Público pode ser lida na íntegra num comentário a este post.
«Ser uma pessoa decente torna-se difícil. No Ocidente acreditávamos ter encontrado um equilíbrio, mas para o resto da humanidade a vida é um pesadelo.
E não existe solução? Não vê solução?
Todos vamos morrer, O que é que quer que esperemos?
Não há um pouco de espaço para a beleza?
Sim, claro. A beleza está por todo o lado.
Menos no seu livro.
Há muitíssima beleza no meu livro.
Talvez arrasada por tudo o que a rodeia.
Há muita, um pôr do sol bonito é-o, aconteça o que acontecer.
Talvez sejam os olhos de quem observa que podem sujar tudo, até o belo. Resistimos a ver o mundo através desses olhos.
Talvez. A beleza existe apesar dos seres humanos. Se todos desaparecêssemos deste mundo, não acabaríamos com ela. »
Etiquetas:
As Benevolentes,
Jonathan Littell
VIVER DOS RESTOS - 2
Graças ao Fado Alexandrino, a entrevista de Jonathan Littell à Ípsilon do Público pode ser lida na íntegra num comentário a este post.
«Ser uma pessoa decente torna-se difícil. No Ocidente acreditávamos ter encontrado um equilíbrio, mas para o resto da humanidade a vida é um pesadelo.
E não existe solução? Não vê solução?
Todos vamos morrer, O que é que quer que esperemos?
Não há um pouco de espaço para a beleza?
Sim, claro. A beleza está por todo o lado.
Menos no seu livro.
Há muitíssima beleza no meu livro.
Talvez arrasada por tudo o que a rodeia.
Há muita, um pôr do sol bonito é-o, aconteça o que acontecer.
Talvez sejam os olhos de quem observa que podem sujar tudo, até o belo. Resistimos a ver o mundo através desses olhos.
Talvez. A beleza existe apesar dos seres humanos. Se todos desaparecêssemos deste mundo, não acabaríamos com ela. »
Etiquetas:
As Benevolentes,
Jonathan Littell
28.12.07
VIVER DOS RESTOS
Quase no fim de um ano sem interesse algum, recomendo a leitura da entrevista de Jonathan Littell no suplemento Ípsilon do Público (sem link, se alguém o tiver...). "Esses valores em que vivemos, do consumismo, do ganhar dinheiro, não são nada. A nossa sociedade desliza pela memória que lhe resta de ter feito parte dos bons. Vive dos restos."
Etiquetas:
As Benevolentes,
Jonathan Littell,
sociedade
VIVER DOS RESTOS
Quase no fim de um ano sem interesse algum, recomendo a leitura da entrevista de Jonathan Littell no suplemento Ípsilon do Público (sem link, se alguém o tiver...). "Esses valores em que vivemos, do consumismo, do ganhar dinheiro, não são nada. A nossa sociedade desliza pela memória que lhe resta de ter feito parte dos bons. Vive dos restos."
Etiquetas:
As Benevolentes,
Jonathan Littell,
sociedade
26.12.07
OF WOMEN AND THEIR ELEGANCE
O DN revela-nos o fascinante "peso" das mulheres licenciadas na sociedade portuguesa. Basta, aliás, andar de universidade em universidade para entender isto. Marcello Caetano, quando começaram a aparecer algumas - poucas - senhoras no curso de direito, ao Campo dos Mártires da Pátria, perguntava-lhes se não estariam no curso errado. Pelos vistos não estavam. Como não estiveram e não estão, daí em diante, em todos os outros. Aprecio este "progresso" porque interessa-me sempre mais o que as pessoas têm na cabeça do que aquilo que têm entre as pernas. E, sobretudo, incomoda-me o uso do "entre-pernas" para benefício do que falta lá em cima, uma vez mais independentemente do que lá esteja. Acabou definitivamente o mito da loira. Em As Benevolentes encontrei um trecho que explica muito bem a relação homem-mulher. Fica aqui para os consumidores, sobretudo para aqueles que têm a mania que são espertos. «Os homens acreditam com toda a honestidade que as mulheres são vulneráveis, e que é preciso aproveitarem-se dessa vulnerabilidade ou protegerem-na, ao passo que as mulheres se riem, com tolerância e amor ou então com desprezo, da vulnerabilidade infantil e infinita dos homens, da sua fragilidade, dessa friabilidade tão próxima da perda permanente de controle, essa derrocada perpetuamente ameaçadora, essa vacuidade encarnada numa carne tão forte. É bem por isso, sem a mais pequena dúvida, que as mulheres tão raramente matam. Sofrem muito mais, mas terão sempre a última palavra.»
Etiquetas:
As Benevolentes,
Jonathan Littell,
sociedade
OF WOMEN AND THEIR ELEGANCE
O DN revela-nos o fascinante "peso" das mulheres licenciadas na sociedade portuguesa. Basta, aliás, andar de universidade em universidade para entender isto. Marcello Caetano, quando começaram a aparecer algumas - poucas - senhoras no curso de direito, ao Campo dos Mártires da Pátria, perguntava-lhes se não estariam no curso errado. Pelos vistos não estavam. Como não estiveram e não estão, daí em diante, em todos os outros. Aprecio este "progresso" porque interessa-me sempre mais o que as pessoas têm na cabeça do que aquilo que têm entre as pernas. E, sobretudo, incomoda-me o uso do "entre-pernas" para benefício do que falta lá em cima, uma vez mais independentemente do que lá esteja. Acabou definitivamente o mito da loira. Em As Benevolentes encontrei um trecho que explica muito bem a relação homem-mulher. Fica aqui para os consumidores, sobretudo para aqueles que têm a mania que são espertos. «Os homens acreditam com toda a honestidade que as mulheres são vulneráveis, e que é preciso aproveitarem-se dessa vulnerabilidade ou protegerem-na, ao passo que as mulheres se riem, com tolerância e amor ou então com desprezo, da vulnerabilidade infantil e infinita dos homens, da sua fragilidade, dessa friabilidade tão próxima da perda permanente de controle, essa derrocada perpetuamente ameaçadora, essa vacuidade encarnada numa carne tão forte. É bem por isso, sem a mais pequena dúvida, que as mulheres tão raramente matam. Sofrem muito mais, mas terão sempre a última palavra.»
Etiquetas:
As Benevolentes,
Jonathan Littell,
sociedade
20.12.07
AS FÚRIAS
Como uma récita de ópera, uma sinfonia ou um concerto para violino e orquestra, um livro, nos seus primeiros acordes - as primeiras palavras - permite-nos perceber se o que se segue é grandioso. Não sou dado a ilusões, muito menos literárias. "As fúrias" de Jonathan Littell, tratadas e traduzidas como "As Benevolentes" (designação das Eumenides, as Erínias ou as Fúrias na tragédia de Ésquilo), é a grande tradução do ano (de Miguel Serras Pereira, na Dom Quixote). Oitocentas e noventa e três páginas, para ler, sem uma interrupção, nos horríveis quatro dias seguidinhos de natal que se avizinham. «Apesar dos meus vezos, e foram numerosos, continuei a ser dos que pensam que as únicas coisas indispensáveis à vida humana são o ar, o comer, o beber e a excreção, e a busca da verdade. O resto é facultativo (...). Se suspendermos o trabalho, as actividades banais, a agitação de todos os dias, para nos entregarmos seriamente a um pensamento, as coisas passam a ser completamente outras. Depressa as coisas começam a vir à tona, em vagas densas e negras. À noite, os sonhos desarticulam-se, desdobram-se, proliferam, e ao despertar deixam uma fina camada acre e húmida na cabeça, que leva muito tempo a dissolver-se. Nada de mal entendidos: não é de culpabilidade, de remorsos que aqui se trata. Isso existe também, sem dúvida, não quero negá-lo, mas penso que as coisas são muito mais complexas. Até mesmo um homem que não fez a guerra, que não teve de matar, sofrerá aquilo de que estou a falar. Regressam as pequenas maldades, a cobardia, a falsidade, os gestos mesquinhos que afligem todo e qualquer homem. Não é de admirar por isso que os homens tenham inventado o trabalho, o álcool, as conversas fiadas estéreis. Não é de admirar que a televisão tenha tanto sucesso. »
Etiquetas:
As Benevolentes,
Jonathan Littell,
livros
AS FÚRIAS
Como uma récita de ópera, uma sinfonia ou um concerto para violino e orquestra, um livro, nos seus primeiros acordes - as primeiras palavras - permite-nos perceber se o que se segue é grandioso. Não sou dado a ilusões, muito menos literárias. "As fúrias" de Jonathan Littell, tratadas e traduzidas como "As Benevolentes" (designação das Eumenides, as Erínias ou as Fúrias na tragédia de Ésquilo), é a grande tradução do ano (de Miguel Serras Pereira, na Dom Quixote). Oitocentas e noventa e três páginas, para ler, sem uma interrupção, nos horríveis quatro dias seguidinhos de natal que se avizinham. «Apesar dos meus vezos, e foram numerosos, continuei a ser dos que pensam que as únicas coisas indispensáveis à vida humana são o ar, o comer, o beber e a excreção, e a busca da verdade. O resto é facultativo (...). Se suspendermos o trabalho, as actividades banais, a agitação de todos os dias, para nos entregarmos seriamente a um pensamento, as coisas passam a ser completamente outras. Depressa as coisas começam a vir à tona, em vagas densas e negras. À noite, os sonhos desarticulam-se, desdobram-se, proliferam, e ao despertar deixam uma fina camada acre e húmida na cabeça, que leva muito tempo a dissolver-se. Nada de mal entendidos: não é de culpabilidade, de remorsos que aqui se trata. Isso existe também, sem dúvida, não quero negá-lo, mas penso que as coisas são muito mais complexas. Até mesmo um homem que não fez a guerra, que não teve de matar, sofrerá aquilo de que estou a falar. Regressam as pequenas maldades, a cobardia, a falsidade, os gestos mesquinhos que afligem todo e qualquer homem. Não é de admirar por isso que os homens tenham inventado o trabalho, o álcool, as conversas fiadas estéreis. Não é de admirar que a televisão tenha tanto sucesso. »
Etiquetas:
As Benevolentes,
Jonathan Littell,
livros
Subscrever:
Mensagens (Atom)