19.1.06

O SENTIDO DO VOTO - 1


O Paulo Gorjão faz a sua declaração de voto. Não concordo com todos os pressupostos dessa opção - a "teoria dos cestos", nomeadamente, ou a mera consideração das hipóteses Soares e Alegre - todavia, como é patente pelo que aqui se tem escrito, subscrevo-a. Ao fim de muitos anos a votar na "direita" - leia-se, no PSD - decidi, por causa da debandada de Barroso e do episódio Santana, votar em Sócrates. Digo-o assim, porque mais do que votar no Partido Socialista, foi a personagem racional, fria e determinada de José Sócrates quem mais fez pela minha contribuição para a maioria absoluta do PS em Fevereiro último. Apreciei a forma como conquistou, diante do país, a liderança do partido contra dois candidatos medíocres. Aliás, a triste figura que Alegre anda por aí a fazer, cheio de empáfia e pendurado em sondagens, tem também subjacente a tentativa de desforra tardia contra um secretário-geral social-democrata que jamais conseguiu engolir. Já Soares é um caso mais sério. Sócrates, mantendo a "grace under pressure", não podia deixar de aparecer. Soares colou-se-lhe no verão como uma lapa justamente para tentar desfazer o lance "moderado" e vagamente autoritário - no sentido clássico e nobre de demonstração da autoridade do Estado depois do desvario "santanista"- que conduz o primeiro-ministro. As outras "esquerdas", nesta eleição, encarregaram-se do resto. Por mais voltas que se dê, Soares e Sócrates constituem um binómio inverosímil. Não defendo essa superficialidade oportunista de dizer que Sócrates se dará melhor com Cavaco. Porém, sei perfeitamente - sabe e pressente o país - que não se daria melhor com Soares. E isso é que importa. Parte da maioria absoluta de Sócrates, a conquistada ao "centro" e à "direita", é sensivelmente a mesma que empurra agora Cavaco Silva para a maioria do próximo domingo. Ao contrário de Cavaco, que anuncia que a sua vitória não será a derrota de ninguém, eu entendo que será importante nomear os derrotados. Porque os vai haver. E muitos.

2 comentários:

Anónimo disse...

Sócrates e Cavaco estão muito mais próximos ideologicamente do que à primeira vista se julga. E este governo tem provado isso mesmo. Por isso penso que a coabitação será pacifica, pelo menos neste primeiro mandato.

Don disse...

Se Cavaco for eleito os portugueses no seu conjunto saem derrotados. Cavaco significa um retrocesso.
Qualquer um dos restantes candidatos representa um mal menor para o país quando comparado com o professor.