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18.5.13

Um patriarca para a doxa


 


A escolha de D. Manuel Clemente, actual bispo do Porto, para cardeal patriarca de Lisboa e, por consequência, futuro "número um" da igreja portuguesa, não surpreende. Policarpo há muito que devia ter saído e os derradeiros anos do seu exercício não se recomendam. Bento XVI pediu-lhe que ficasse para além do limite de idade e ele ficou. A escolha do Papa Francisco acaba por ser previsível. D. Manuel Clemente "mundanizou-se" e fala um dialecto chão apesar de escrever muito e, em geral, bem. Está mais sintonizado com o imenso lugar-comum em que se tornou a vivência espiritual nos nossos dias - nem o Prémio Pessoa do Expresso lhe escapou - e corresponde ao que o Papa esperará dos seus cardeais e vice-versa. Autografa livros como Francisco autografa braços engessados o que é sempre um upgrade. Havia uma alternativa chamada D. Carlos Azevedo mas bastou um dichote repelente e oportuno posto a circular no momento certo (e logo desaparecido com a mesma celeridade) para o afastar do patriarcado de Lisboa. Nesse episódio miserável, a hierarquia da igreja portuguesa, bispo do Porto incluído, comportou-se de acordo com o cânone fácil da pusilanimidade. Mas estes aspectos "terrenos" da coisa interessam-me pouco e em nada alteram a minha relação com a fé. O meu lastro, nesta matéria, é o de Paulo VI, João Paulo II e, acima de tudo, de Bento XVI. Fico confortável.

21.2.13

Não há coincidências






Os Bórgias domésticos, "civis" e "religiosos", investem agora contra D. Carlos Azevedo precisamente no momento em que se discute a sucessão do Papa - e onde o Cardeal Ravasi, com quem o bispo português trabalha directamente no Vaticano, surge como um possível sucessor de Raztinger - e de Policarpo cá na paróquia. Entretanto gente da Igreja doméstica presta-se ao papel de divulgadores de "rumores" e de conversas de porteiras o que, em certa medida, a define. Não há coincidências.




Adendas (deixadas no Facebook):




O bispo Torgal é uma catástrofe ambulante que me penaliza intelectualmente enquanto católico. A raiar a falta de vergonha.




A Constança Cunha e Sá, na tvi24 - a sicn não se pode ver por causa do pelotão de "intelectuais" que deve desfilar por causa da bola -, analisou adequadamente o comportamento mesquinho da Igreja portuguesa face a um dos seus bispos mais eminentes. Depois admirem-se que a religião seja cada vez mais vivida privadamente. Para hipócritas, temos que chegue na nossa "vida material".



12.11.11

TEM DIAS

José Medeiros Ferreira intitula a sua crónica de hoje no Correio da Manhã com um satisfeito «a Igreja não se abstém». A Igreja é a portuguesa e os "heróis" circunstanciais de Medeiros são D. José Policarpo - por causa dos feriados, matéria acerca da qual o prelado terá "ensinado" algo ao Governo - e a Conferência Episcopal Portuguesa por causa da sua mais recente, e passo a citar, «substantiva crítica ao neoliberalismo». Ao contrário de Medeiros, sou católico "não progressista" e desconfio de qualquer político de qualquer obediência com "excesso de zelo". Dos laicos nem se fala. É uma boa desculpa para praticamente tudo. Tal como não deixa de ser curioso Medeiros louvar a pretensa não abstenção da Igreja o que, traduzido para português dos dias que correm, quer dizer que a Igreja não se abstém de atacar, mesmo em nome da beatitude, o Governo. Como não sou adepto de pensamentos únicos, julgo que a Igreja portuguesa tem o direito aos seus momentos de proselitismo mesmo que Ratzinger o não recomende. Todavia, gostava de a ter visto assim, não abstencionista, nos idos do apogeu do socratismo absolutista. Mas aí todo o cuidado era pouco por muito grande que fosse a fé. A Igreja portuguesa tem dias.

TEM DIAS

José Medeiros Ferreira intitula a sua crónica de hoje no Correio da Manhã com um satisfeito «a Igreja não se abstém». A Igreja é a portuguesa e os "heróis" circunstanciais de Medeiros são D. José Policarpo - por causa dos feriados, matéria acerca da qual o prelado terá "ensinado" algo ao Governo - e a Conferência Episcopal Portuguesa por causa da sua mais recente, e passo a citar, «substantiva crítica ao neoliberalismo». Ao contrário de Medeiros, sou católico "não progressista" e desconfio de qualquer político de qualquer obediência com "excesso de zelo". Dos laicos nem se fala. É uma boa desculpa para praticamente tudo. Tal como não deixa de ser curioso Medeiros louvar a pretensa não abstenção da Igreja o que, traduzido para português dos dias que correm, quer dizer que a Igreja não se abstém de atacar, mesmo em nome da beatitude, o Governo. Como não sou adepto de pensamentos únicos, julgo que a Igreja portuguesa tem o direito aos seus momentos de proselitismo mesmo que Ratzinger o não recomende. Todavia, gostava de a ter visto assim, não abstencionista, nos idos do apogeu do socratismo absolutista. Mas aí todo o cuidado era pouco por muito grande que fosse a fé. A Igreja portuguesa tem dias.

19.8.11

COISA POUCO CATÓLICA

«Cerca de dez mil jovens portugueses ouviram ontem a catequese do Cardeal-patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, na Arena de Madrid, mas nem todos puderam participar, porque a entrada custava dez euros. Foi o caso de um grupo de cerca de 50 jovens desfavorecidos residentes em zonas de Lisboa como Cova da Moura, Outurela, Carnaxide, Bairro da Boavista e Póvoa de Santa Iria, que optaram por voltar para trás. O sacerdote que os acompanha, que preferiu manter o anonimato, disse ao CM que "estes jovens são de famílias pobres e levam o dinheiro contado. Dez euros fazem-lhes muita diferença". A entrada na Arena de Madrid estava garantida aos que tinham comprado o kit, que custou 30 euros. Quanto aos que não o possuíam, tinham de pagar a entrada. A organização explica que esse custo tem que ver com o aluguer da Arena, que terá rondado os 25 mil euros. Jovens e sacerdotes de outras dioceses classificaram a situação como uma "vergonha".»

in Correio da Manhã

COISA POUCO CATÓLICA

«Cerca de dez mil jovens portugueses ouviram ontem a catequese do Cardeal-patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, na Arena de Madrid, mas nem todos puderam participar, porque a entrada custava dez euros. Foi o caso de um grupo de cerca de 50 jovens desfavorecidos residentes em zonas de Lisboa como Cova da Moura, Outurela, Carnaxide, Bairro da Boavista e Póvoa de Santa Iria, que optaram por voltar para trás. O sacerdote que os acompanha, que preferiu manter o anonimato, disse ao CM que "estes jovens são de famílias pobres e levam o dinheiro contado. Dez euros fazem-lhes muita diferença". A entrada na Arena de Madrid estava garantida aos que tinham comprado o kit, que custou 30 euros. Quanto aos que não o possuíam, tinham de pagar a entrada. A organização explica que esse custo tem que ver com o aluguer da Arena, que terá rondado os 25 mil euros. Jovens e sacerdotes de outras dioceses classificaram a situação como uma "vergonha".»

in Correio da Manhã