Correia de Campos é uma espécie de "ponte de Entre-os-Rios" deste governo. A diferença fundamental - e que pode impedir a tragédia - é que ele ainda está a tempo de fechar para obras ou de remoção total.
«Um trem de ferro é uma coisa mecânica, mas atravessa a noite, a madrugada, o dia, atravessou minha vida.» Adélia Prado
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19.1.08
O DR. CAMPOS
Correia de Campos é uma espécie de "ponte de Entre-os-Rios" deste governo. A diferença fundamental - e que pode impedir a tragédia - é que ele ainda está a tempo de fechar para obras ou de remoção total.
3.1.08
DO LADO DA SOMBRA
O dr. Correia de Campos, a extravagância que continua a gerir a saúde no governo de Sócrates, desdobrou-se ontem em entrevistas. O "mote" foi dado pelo presidente da República e Campos, moído e acossado, veio a público defender-se e defender a sua errática "política" de saúde. A uma rádio chegou a dizer que, não fossem as contingências, seria seguramente um dos melhores ministros da saúde do mundo. Sócrates, esse obscuro animal feroz, permitiu a exposição humilhante do seu ministro como quem diz "agora amanha-te". Faça daqui em diante o que fizer - e, cada vez que faz alguma coisa, há um "levantamento" popular -, Correia de Campos passou para o lado da sombra. Está a mais e assim permanecerá até ao dia em que, benevolentemente, Sócrates decidir removê-lo. Campos demonstrou, afinal, que ainda gosta do que vê no espelho o que prova a necessidade urgente de uma consulta de oftalmologia.
DO LADO DA SOMBRA
O dr. Correia de Campos, a extravagância que continua a gerir a saúde no governo de Sócrates, desdobrou-se ontem em entrevistas. O "mote" foi dado pelo presidente da República e Campos, moído e acossado, veio a público defender-se e defender a sua errática "política" de saúde. A uma rádio chegou a dizer que, não fossem as contingências, seria seguramente um dos melhores ministros da saúde do mundo. Sócrates, esse obscuro animal feroz, permitiu a exposição humilhante do seu ministro como quem diz "agora amanha-te". Faça daqui em diante o que fizer - e, cada vez que faz alguma coisa, há um "levantamento" popular -, Correia de Campos passou para o lado da sombra. Está a mais e assim permanecerá até ao dia em que, benevolentemente, Sócrates decidir removê-lo. Campos demonstrou, afinal, que ainda gosta do que vê no espelho o que prova a necessidade urgente de uma consulta de oftalmologia.
12.2.07
DAQUI PARA DIANTE
Não existem duas leituras. A partir de agora, há legitimidade para alterar a lei e liberalizar o aborto a pedido da mulher, sem qualquer tipo de justificação, até às dez semanas de gestação. Daí para diante, como é óbvio - e convém lembrá-lo agora que se encerra definitivamente este debate – o aborto continua previsto e punido como crime, com as causas exculpativas em vigor. Ponto final quanto a isto. O resultado, no entanto, foi desastroso para a “política”. Em primeiro lugar, para um dos vencedores, o secretário-geral do PS e primeiro-ministro. Empenhou-se quanto pôde neste referendo e, mesmo assim, não conseguiu convencer mais de cinquenta por cento dos eleitores pelo menos a votar. Aliás, todos os líderes da “esquerda” estiveram de alma e coração nesta campanha e, nem por isso, os eleitores se excitaram com isso. Ribeiro e Castro conta pouco e aparentemente ninguém lhe deu muita atenção. Marques Mendes lavou vagamente as mãos e também não ganhou nada com isso. Finalmente, o Presidente da República nem sequer apelou ao voto na véspera. Por causa do aborto, toda a gente se distraiu da actividade do governo socialista, justamente no ano crucial da legislatura. Resta, pois, o futuro. E o futuro passa obrigatoriamente por acompanhar com a maior atenção toda a actividade do governo daqui em diante. Pode, aliás, começar-se pelo “serviço nacional de saúde”. O governo fica com o ónus de, entre outras coisas, dotar este sistema com condições para que a nova lei se possa cumprir com segurança e eficácia. E, por outro lado, o de não viabilizar os negócios chorudos que se avizinham com a liberalização aprovada a qual, certamente, não acabará com os abortos clandestinos. Daqui para diante, não há desculpa para mais nada.
publicado no Diário de Notícias
DAQUI PARA DIANTE
Não existem duas leituras. A partir de agora, há legitimidade para alterar a lei e liberalizar o aborto a pedido da mulher, sem qualquer tipo de justificação, até às dez semanas de gestação. Daí para diante, como é óbvio - e convém lembrá-lo agora que se encerra definitivamente este debate – o aborto continua previsto e punido como crime, com as causas exculpativas em vigor. Ponto final quanto a isto. O resultado, no entanto, foi desastroso para a “política”. Em primeiro lugar, para um dos vencedores, o secretário-geral do PS e primeiro-ministro. Empenhou-se quanto pôde neste referendo e, mesmo assim, não conseguiu convencer mais de cinquenta por cento dos eleitores pelo menos a votar. Aliás, todos os líderes da “esquerda” estiveram de alma e coração nesta campanha e, nem por isso, os eleitores se excitaram com isso. Ribeiro e Castro conta pouco e aparentemente ninguém lhe deu muita atenção. Marques Mendes lavou vagamente as mãos e também não ganhou nada com isso. Finalmente, o Presidente da República nem sequer apelou ao voto na véspera. Por causa do aborto, toda a gente se distraiu da actividade do governo socialista, justamente no ano crucial da legislatura. Resta, pois, o futuro. E o futuro passa obrigatoriamente por acompanhar com a maior atenção toda a actividade do governo daqui em diante. Pode, aliás, começar-se pelo “serviço nacional de saúde”. O governo fica com o ónus de, entre outras coisas, dotar este sistema com condições para que a nova lei se possa cumprir com segurança e eficácia. E, por outro lado, o de não viabilizar os negócios chorudos que se avizinham com a liberalização aprovada a qual, certamente, não acabará com os abortos clandestinos. Daqui para diante, não há desculpa para mais nada.
publicado no Diário de Notícias
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