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31.7.13

Um Rio que passou


 


Confesso que, se por um lado me agrada o lado "germânico" desassombrado de Rui Rio, por outro não apreciei vê-lo na entrevista com Vítor Gonçalves. Rio repetiu o que já se sabia e que não o tornou maior por isso: que não gosta de Menezes, que Menezes fez mais mal a Gaia do que o PS ao país (um abraço verbal ao seu homólogo de Lisboa) e que Menezes, por consequência, não serve para seu sucessor. A sua soberba regionalista foi ao ponto de considerar que não há ninguém à altura dele para lhe suceder. E o que disse sobre a actual ministra das finanças, depois das suas responsabilidades na gestão do Metro do Porto, também não o credita por aí além. Rio perdeu o comboio da liderança do PSD por dois motivos pouco glorificantes. Desde logo porque é muito complicado, num país politicamente macrocéfalo, um dirigente regional ou local "crescer" para a nação. O execrado Menezes experimentou isso na pele e João Jardim não é propriamente um sucesso continental. Ao balofo César dos Açores, se um dia tentar Lisboa, acontecer-lhe-á a mesmíssima coisa a menos que mão amiga o enfie directamente num futuro governo socialista. Depois Rio foi o eleito de um pequeníssimo círculo de "elites" do PSD, na casa de Ferreira Leite ao Restelo, para concorrer ao lugar deixado melancolicamente vago por Menezes na Lapa. Disse que sim mas quando chegou ao Porto telefonou a comunicar que, afinal, não podia. E avançou Ferreira Leite. Ou seja, Rio será sempre um could have been do PSD à semelhança de outros mais novos que não entendem que não é a melhorar a redacção das directivas comunitárias sobre alfaces ou preservativos que se vai lá. Nem o seu irrepreensível cavaquismo o salva porque o mentor está pacatamente resguardado nos bolsos dos casacos da actual liderança dos partidos da coligação. Temos pena mas Rio, quando passar a pasta, passou.

18.4.13

Para além do deve e haver


 


Li nos rodapés que, por ditas restrições financeiras, por um lado, e alegadamente por falta de entendimento com a Câmara do Porto, pelo lado da APEL, a chamada Invicta não terá este ano feira do livro. O mandato de Rui Rio ficou marcado por uma relação ambígua com a cultura, seja lá  "cultura" o que for. Não desejo louvar-me em feiras do livro por causa dela ou, mesmo, por causa dos livros. A ideia de "feira do livro" mudou radicalmente nos últimos anos sobretudo devido à concentração editorial em duas ou três enormes galáxias produtoras de objectos muitas vezes "parecidos" com livros tal como os conhecíamos e fomos ensinados a gostar deles. Todavia, e apesar da decadência, as pessoas que apreciam o ambiente dos livros habituaram-se a subir e a descer os corredores das ditas feiras ou, no caso do Porto, a andar à roda dentro do Palácio de Cristal (agora pavilhão qualquer coisa, suponho). Rui Rio exibe um currículo político que não merecia ser rasurado pela imperícia na forma como sempre tratou questões destas: como se elas não existissem e só a mercearia interessasse. Talvez o bibliófilo Pacheco Pereira, seu amigo, um dia lhe explique que há mais mundo para além do deve e haver.

9.3.08

O ÓBVIO E O OBTUSO

Acção e menos moralismo que disso o regime tem de sobra. Do que é que o meu amigo está à espera para fazer o óbvio contra o obtuso?

O ÓBVIO E O OBTUSO

Acção e menos moralismo que disso o regime tem de sobra. Do que é que o meu amigo está à espera para fazer o óbvio contra o obtuso?

3.11.07

RUI RIO E AUGUSTO M. SEABRA

Simpatizo politicamente com Rui Rio. Aprecio o seu germanismo, a forma pragmática como lida com as coisas. Deu-me gozo as derrotas que infligiu ao PS do Porto, uma seita corporativa da pior espécie. E a maneira como obrigou à normalização das relações entre a política e o futebol. Dito isto, fiquei satisfeito com a absolvição do Augusto M. Seabra pelo Tribunal da Relação do Porto depois do autarca portuense o ter processado por ter sido apelidado de "energúmeno" num artigo sobre o trambolho da Casa da Música. Os advogados da Câmara - e Rio - reagiram mal e pretendem recorrer com um argumentário idiota baseado na figura quase sagrada e institucional do presidente da Câmara. Pretender que existem vacas sagradas só porque são eleitas é um mau sistema. Nem as vacas são sagradas - não existe tal - nem a circunstância da eleição representa bondade de per si. O regime - do topo às juntas de freguesia - está prenhe de gente irrelevante, medíocre e esquecível que não o deixa de ser tal por ter sido eleita. Não é o caso de Rui Rio o que lhe confere maiores responsabilidades em não espremer esta teta seca. A liberdade de expressão, a crítica e a acrimónia fazem parte do pacote democrático. Da mesma maneira que saudei as vitórias de Rio - e muitas mais, nacionais ou outras, lhe desejo - também me regozijo com o acórdão da Relação do Porto, uma boa peça para esfregar na cara daqueles que, fazendo parte da "elite" do regime, se imaginam mais iguais do que os outros.

RUI RIO E AUGUSTO M. SEABRA

Simpatizo politicamente com Rui Rio. Aprecio o seu germanismo, a forma pragmática como lida com as coisas. Deu-me gozo as derrotas que infligiu ao PS do Porto, uma seita corporativa da pior espécie. E a maneira como obrigou à normalização das relações entre a política e o futebol. Dito isto, fiquei satisfeito com a absolvição do Augusto M. Seabra pelo Tribunal da Relação do Porto depois do autarca portuense o ter processado por ter sido apelidado de "energúmeno" num artigo sobre o trambolho da Casa da Música. Os advogados da Câmara - e Rio - reagiram mal e pretendem recorrer com um argumentário idiota baseado na figura quase sagrada e institucional do presidente da Câmara. Pretender que existem vacas sagradas só porque são eleitas é um mau sistema. Nem as vacas são sagradas - não existe tal - nem a circunstância da eleição representa bondade de per si. O regime - do topo às juntas de freguesia - está prenhe de gente irrelevante, medíocre e esquecível que não o deixa de ser tal por ter sido eleita. Não é o caso de Rui Rio o que lhe confere maiores responsabilidades em não espremer esta teta seca. A liberdade de expressão, a crítica e a acrimónia fazem parte do pacote democrático. Da mesma maneira que saudei as vitórias de Rio - e muitas mais, nacionais ou outras, lhe desejo - também me regozijo com o acórdão da Relação do Porto, uma boa peça para esfregar na cara daqueles que, fazendo parte da "elite" do regime, se imaginam mais iguais do que os outros.