
Não sei nem me interessa saber em que consiste o "prémio Pessoa". Portugal, aliás, é farto em prémios por tudo e por nada. Muita gente tornou-se "escritor" em virtude de um prémio qualquer porque, antes disso, ninguém tinha percebido que estava ali um escritor. D. Manuel Clemente é um homem novo dentro da igreja portuguesa. Tal como D. Carlos Azeredo, aliás. Qualquer deles faria muito bem - quem sabe se não faria melhor - o papel agora assumido por D. José Policarpo. Como católico, só me posso alegrar com a atribuição de um prémio laico - e mesmo o assomo jacobinóide do dr. Soares ("independentemente de ser bispo" como se bispo fosse uma capitio diminutio) vale o que vale - ao bispo do Porto. O conceito de humanista caiu em desuso e parece que a "técnica" - com os maravilhosos resultados que se vêem - tomou conta de tudo. O "pensamento que calcula" (a expressão é de Heidegger) triunfa por aí mas, felizmente, ainda há ilhotas. D. Manuel Clemente simboliza uma dessas ilhotas. Não lhe estão a fazer favor algum.
