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13.5.10

A EVITAR


O novíssimo "bloco central" protagonizado pelo admirável líder e pelo neófito Passos, reles aprendiz de feiticeiro (o Prof. Nogueira Leite nem precisa esperar por Passos - pode ir, de novo, para ajudante de ministros socialistas, algo que lhe assenta tão bem como lenços na lapela do casaco), também se reflecte em coisas como esta e esta. Parafraseando outros "delgados" tempos, Sócrates está candidato a primeiro-ministro coca-cola e Passos a qualquer coisa mas em light. Ambos cheios de corantes e conservantes, naturalmente. A evitar.

Adenda: Quando estas gloriosas e patrióticas "medidas" forem ao parlamento, vamos ver até onde desce a curvatura da espinha dos deputados do PSD. E Passos, se ainda tem cara, devia aparecer para se explicar. Ninguém votou no PSD em Setembro para ouvir conferências de imprensa de Sócrates cujos guiões são escritos a meias com o PSD.

A EVITAR


O novíssimo "bloco central" protagonizado pelo admirável líder e pelo neófito Passos, reles aprendiz de feiticeiro (o Prof. Nogueira Leite nem precisa esperar por Passos - pode ir, de novo, para ajudante de ministros socialistas, algo que lhe assenta tão bem como lenços na lapela do casaco), também se reflecte em coisas como esta e esta. Parafraseando outros "delgados" tempos, Sócrates está candidato a primeiro-ministro coca-cola e Passos a qualquer coisa mas em light. Ambos cheios de corantes e conservantes, naturalmente. A evitar.

Adenda: Quando estas gloriosas e patrióticas "medidas" forem ao parlamento, vamos ver até onde desce a curvatura da espinha dos deputados do PSD. E Passos, se ainda tem cara, devia aparecer para se explicar. Ninguém votou no PSD em Setembro para ouvir conferências de imprensa de Sócrates cujos guiões são escritos a meias com o PSD.

27.8.09

SEGUIR EM FRENTE

Deus Pinheiro foi ministro da educação do "bloco central" de Mário Soares nos idos de oitenta. É natural que defenda outro, agora liderado pelo PSD. Com o devido respeito - e mesmo partindo do pressuposto que o PS se livra do "bando de Sócrates" - não é solução. Sabe-se que, enquanto o regime for o que é, esse "bloco" subsistirá em muitos lados. No sector empresarial público, em empresas privadas, nos "clubes" ditos de reflexão, nas casas destes e daqueles, no Estado. É um vício do regime que impede clareza na nossa vida pública. Na sua proverbial ingenuidade, Deus Pinheiro imagina - é só mais um - que tal "solução" salva o país. Não salva. O menos mau que pode sair das eleições de 27 de Setembro é um governo minoritário de Ferreira Leite que confronte o Parlamento com as suas responsabilidades. Depois de quatro anos de AR maioritária e politicamente nula, sempre é um recomeço. Depois há Cavaco. Para que se devolva um módico de sanidade a isto tudo, uma vez terminado o primeiro e único mandato funesto do pretty boy, Cavaco não deve recear intervir. E por intervir não quero dizer governar ou dar orientações políticas que esta Constituição do impasse não lhe permite. A experiência do Chefe de Estado, aliada à prudência da sua personalidade, vão ser fundamentais nos próximos meses. Deus Pinheiro veio do passado para falar em passado. Direito dele. Todavia o que mais precisamos, depois deste interregno pouco sério, é seguir em frente.


Adenda: Tenho muito defeitos e, infelizmente para os tempos e para as gentes que correm, uma boa memória. Deus Pinheiro sucedeu, no IX governo do dr. Soares (83-85), a Seabra (o especialista em Barthes) como ministro da educação. Ora vejam lá.

SEGUIR EM FRENTE

Deus Pinheiro foi ministro da educação do "bloco central" de Mário Soares nos idos de oitenta. É natural que defenda outro, agora liderado pelo PSD. Com o devido respeito - e mesmo partindo do pressuposto que o PS se livra do "bando de Sócrates" - não é solução. Sabe-se que, enquanto o regime for o que é, esse "bloco" subsistirá em muitos lados. No sector empresarial público, em empresas privadas, nos "clubes" ditos de reflexão, nas casas destes e daqueles, no Estado. É um vício do regime que impede clareza na nossa vida pública. Na sua proverbial ingenuidade, Deus Pinheiro imagina - é só mais um - que tal "solução" salva o país. Não salva. O menos mau que pode sair das eleições de 27 de Setembro é um governo minoritário de Ferreira Leite que confronte o Parlamento com as suas responsabilidades. Depois de quatro anos de AR maioritária e politicamente nula, sempre é um recomeço. Depois há Cavaco. Para que se devolva um módico de sanidade a isto tudo, uma vez terminado o primeiro e único mandato funesto do pretty boy, Cavaco não deve recear intervir. E por intervir não quero dizer governar ou dar orientações políticas que esta Constituição do impasse não lhe permite. A experiência do Chefe de Estado, aliada à prudência da sua personalidade, vão ser fundamentais nos próximos meses. Deus Pinheiro veio do passado para falar em passado. Direito dele. Todavia o que mais precisamos, depois deste interregno pouco sério, é seguir em frente.


Adenda: Tenho muito defeitos e, infelizmente para os tempos e para as gentes que correm, uma boa memória. Deus Pinheiro sucedeu, no IX governo do dr. Soares (83-85), a Seabra (o especialista em Barthes) como ministro da educação. Ora vejam lá.

8.5.09

A FIGUEIRA REVISITADA

A tagarelice em torno do "bloco central" - uma falsa questão que, levantada agora, tende a esbater a natureza conflitual que caracteriza a democracia a sério, sempre feita de rupturas, de clareza e de distinções - só vai acabar no dia em que o Prof. Cavaco Silva explicar que o facto de defender a estabilidade governativa e a conjugação de esforços partidários contra a crise, não está propriamente a advogar uma coligação partidária específica e, muito menos, uma coligação entre dois partidos que tendem a substituir-se um ao outro na governação e não a unir-se. A frase é longa de propósito.

Adenda: No Expresso da Meia-Noite, a preclara Teresa de Sousa afirmou que o Presidente Eanes, em 1983, não era adepto da "democracia civilista" no mesmo sentido em que o era o seu herói Soares. Teresa de Sousa é um bom exemplo (em mau, naturalmente) do que é a língua de pau do "bloco central". Esquece-se que, sem Eanes, ela nunca teria escrito as trivialidades que aprecia escrever sobre a Europa e a democracia. E que, sem Eanes, se calhar o seu herói jamais teria sido Chefe de Estado. Teresa de Sousa é uma espécie de Júlio Dinis do jornalismo "consensual". Escreve de leve e pensa de leve.

A FIGUEIRA REVISITADA

A tagarelice em torno do "bloco central" - uma falsa questão que, levantada agora, tende a esbater a natureza conflitual que caracteriza a democracia a sério, sempre feita de rupturas, de clareza e de distinções - só vai acabar no dia em que o Prof. Cavaco Silva explicar que o facto de defender a estabilidade governativa e a conjugação de esforços partidários contra a crise, não está propriamente a advogar uma coligação partidária específica e, muito menos, uma coligação entre dois partidos que tendem a substituir-se um ao outro na governação e não a unir-se. A frase é longa de propósito.

Adenda: No Expresso da Meia-Noite, a preclara Teresa de Sousa afirmou que o Presidente Eanes, em 1983, não era adepto da "democracia civilista" no mesmo sentido em que o era o seu herói Soares. Teresa de Sousa é um bom exemplo (em mau, naturalmente) do que é a língua de pau do "bloco central". Esquece-se que, sem Eanes, ela nunca teria escrito as trivialidades que aprecia escrever sobre a Europa e a democracia. E que, sem Eanes, se calhar o seu herói jamais teria sido Chefe de Estado. Teresa de Sousa é uma espécie de Júlio Dinis do jornalismo "consensual". Escreve de leve e pensa de leve.

31.8.08

REPRISE

Juro que este post não se destina a agradar aos "camaradas" algarvios. Nem o José Apolinário, que conheci no MASP-1, nem o Gonçalo Couceiro, director regional do ministério da Cultura, precisam de "agrados". Sucede que, por uma vez, não estou de acordo com Vasco Pulido Valente. VPV critica, no Público de hoje, a directa dependência da figura do secretário-geral da segurança interna da figura do primeiro-ministro, por um lado, e o "controlo" que aquela figura vai exercer sobre todas as polícias, por outro. Também é chamado à colação o "chip" que os automóveis terão de exibir como "prova" de que as liberdades já não são o que eram. Nisto tem razão, embora, como lembra no artigo, todo o "ocidente" dito democrático tenha, depois de Setembro de 2001, preferido viver a liberdade em segurança quando não mesmo sacrificar alguma liberdade em prol da segurança. Por cá é tudo infinitamente mais leve e, sobretudo, repetitivo e inconsequente. Sócrates não inventou a roda. Mário Soares, pai da pátria e insuspeito na matéria, quando presidia ao "bloco central" de 83-85, criou o "serviço de informações da República", o "SIRP" - com dois "ramos", um civil e um militar - na sua (ele era então 1º ministro) dependência. Manifestou-se a indignação habitual, agravada pela proximidade do "25 de Abril". Apenas dez anos separavam a data gloriosa desta ignomínia. Soares, o PS e o PSD foram na altura amplamente zurzidos na praça pública e nos jornais por causa deste inopinado "regresso ao fascismo". Todavia, o "fascismo" não regressou. O "sistema", como uma ou outra nuance, serviu até agora sem grandes protestos. E serviu mais cinco chefes de governo, entre os quais dois socialistas e Cavaco. Mais. O mesmo Soares que sustentou politicamente o "sistema" foi eleito presidente da República - e com votos da mesma gente que exigira a sua cabeça em nome do putativo "regresso ao fascismo" que ele promovera através do "SIRP" - cerca de ano e meio depois do episódio. VPV admira-se com o silêncio de um Mário Soares aparentemente feliz com um Sócrates que "não erra". Queria que ele dissesse o quê?

REPRISE

Juro que este post não se destina a agradar aos "camaradas" algarvios. Nem o José Apolinário, que conheci no MASP-1, nem o Gonçalo Couceiro, director regional do ministério da Cultura, precisam de "agrados". Sucede que, por uma vez, não estou de acordo com Vasco Pulido Valente. VPV critica, no Público de hoje, a directa dependência da figura do secretário-geral da segurança interna da figura do primeiro-ministro, por um lado, e o "controlo" que aquela figura vai exercer sobre todas as polícias, por outro. Também é chamado à colação o "chip" que os automóveis terão de exibir como "prova" de que as liberdades já não são o que eram. Nisto tem razão, embora, como lembra no artigo, todo o "ocidente" dito democrático tenha, depois de Setembro de 2001, preferido viver a liberdade em segurança quando não mesmo sacrificar alguma liberdade em prol da segurança. Por cá é tudo infinitamente mais leve e, sobretudo, repetitivo e inconsequente. Sócrates não inventou a roda. Mário Soares, pai da pátria e insuspeito na matéria, quando presidia ao "bloco central" de 83-85, criou o "serviço de informações da República", o "SIRP" - com dois "ramos", um civil e um militar - na sua (ele era então 1º ministro) dependência. Manifestou-se a indignação habitual, agravada pela proximidade do "25 de Abril". Apenas dez anos separavam a data gloriosa desta ignomínia. Soares, o PS e o PSD foram na altura amplamente zurzidos na praça pública e nos jornais por causa deste inopinado "regresso ao fascismo". Todavia, o "fascismo" não regressou. O "sistema", como uma ou outra nuance, serviu até agora sem grandes protestos. E serviu mais cinco chefes de governo, entre os quais dois socialistas e Cavaco. Mais. O mesmo Soares que sustentou politicamente o "sistema" foi eleito presidente da República - e com votos da mesma gente que exigira a sua cabeça em nome do putativo "regresso ao fascismo" que ele promovera através do "SIRP" - cerca de ano e meio depois do episódio. VPV admira-se com o silêncio de um Mário Soares aparentemente feliz com um Sócrates que "não erra". Queria que ele dissesse o quê?

10.4.07

O PRAZER DE LER


Na TVI, Miguel Sousa Tavares largou uma interessante ponderação. O procurador-geral da República, quando a D. Carolina escreveu aquele livro sobre a flatulência do sr. Pinto da Costa, disse publicamente que o mandou ler e até nomeou uma equipa para tirar as devidas ilações das memórias azuis da senhora. Agora, o mesmo PGR acha que o tema UnI/diplomas é irrelevante para os mesmos efeitos. O "pacto" sobre a justiça frutifica.

O PRAZER DE LER


Na TVI, Miguel Sousa Tavares largou uma interessante ponderação. O procurador-geral da República, quando a D. Carolina escreveu aquele livro sobre a flatulência do sr. Pinto da Costa, disse publicamente que o mandou ler e até nomeou uma equipa para tirar as devidas ilações das memórias azuis da senhora. Agora, o mesmo PGR acha que o tema UnI/diplomas é irrelevante para os mesmos efeitos. O "pacto" sobre a justiça frutifica.

9.2.07

OS SALAZARINHOS

E, já agora, também não aceito lições de "modernidade" vs. "conservadorismo" vindas do secretário-geral do PS a propósito de quem vota "sim" ou "não" no referendo. Quem pratica o autoritarismo mais sofisticado e "democrático" do mundo e que, como notou oportunamente o António Barreto, é o ser político mais artificial que o regime gerou, não me ensina coisa alguma nem me manda pensar. Se não fosse o voto de muitos "conservadores" cuja inteligência insulta, o senhor engenheiro estaria agora a negociar com este e aquele para aprovar as suas "medidas" ditas "reformistas" e "modernas", coisa que só faria bem à sua cabeça autoritária. O Fernando Dacosta é que tem razão. Não há meio de nos livrarmos dos "salazarinhos".

Adenda da noite: Muito justamente, o Pedro Correia lembra que a negra lei que este PS tão duramente atacou durante a campanha - a alteração de 1984 em vigor - partiu do...PS. Todavia, nesse tempo o PS estava vivo, não é verdade, Pedro?

OS SALAZARINHOS

E, já agora, também não aceito lições de "modernidade" vs. "conservadorismo" vindas do secretário-geral do PS a propósito de quem vota "sim" ou "não" no referendo. Quem pratica o autoritarismo mais sofisticado e "democrático" do mundo e que, como notou oportunamente o António Barreto, é o ser político mais artificial que o regime gerou, não me ensina coisa alguma nem me manda pensar. Se não fosse o voto de muitos "conservadores" cuja inteligência insulta, o senhor engenheiro estaria agora a negociar com este e aquele para aprovar as suas "medidas" ditas "reformistas" e "modernas", coisa que só faria bem à sua cabeça autoritária. O Fernando Dacosta é que tem razão. Não há meio de nos livrarmos dos "salazarinhos".

Adenda da noite: Muito justamente, o Pedro Correia lembra que a negra lei que este PS tão duramente atacou durante a campanha - a alteração de 1984 em vigor - partiu do...PS. Todavia, nesse tempo o PS estava vivo, não é verdade, Pedro?