26.12.10

O ESTRANHO CASO DE D. JOSÉ

D. José Policarpo, o chefe da Igreja Católica em Portugal, esteve particularmente activo nos últimos dias. Ouvi-o na rádio, li-o nos jornais. Salvo o devido respeito, é um politiqueiro. Basta ver a entrevista no Diário de Notícias de domingo. Parece um tudólogo e não um cardeal patriarca. É complacente com Sócrates como nunca foi com o seu "amigo" Cavaco aquando de um não veto circunstancial. Parece que não aprecia a ideia de poder vir a ser substituído pelo Bispo do Porto, D. Manuel Clemente, ou pelo Auxilar de Lisboa, D. Carlos Azevedo, dois dos mais notáveis prelados da Igreja portuguesa. Policarpo representa uma Igreja pusilânime e cortesã que, certamente, escapa ao múnus de Joseph Ratzinger. Não foi por acaso que, aquando da visita dos Bispos lusos ao Vaticano, foram forçados a ouvir muita coisa de que não gostaram. Designadamente que olhavam demasiado para si próprios. Ora D. José Policarpo é, nesta matéria, um epígono exímio. Sente-se confortável no regime e o regime sente-se confortável com ele. A Igreja é deste mundo mas representa outra coisa. Não conviria abusar.

27 comentários:

CCz disse...

Sacerdote que dá conferências num casino não encaixa no meu modelo mental.

Pedro Ferreira disse...

A Igreja não terá decidido isso, mas a imagem destes últimos anos é a de se ter mancomunado com este Governo.

O resto daí é derivado.

Levaram com o aborto, o casamento dos homo e ainda hoje não passam de lavadores de imagem dos socialistas.

Salvo garbosas excepções na provincia, a Igreja de hoje está demasiado arregimentada para não fazer ondas e passar no meio dos pingos da chuva.

Vai acabar toda molhada.

Na Igreja como nos orgãos do Estado, está a chegar o tempo de mudanças profundas ou será a apatia a prevalecer, a indiferença e o afundamento.

Uma Igreja sem espírito de combate na actual situação do País, é uma Igreja demissionária.

Com tais bispos, em 1975 a RRenascença tinha ido à vida.

A relação Estado/Igreja é hoje uma relação marcada pela cedência aos interesses materiais.

A relação Igreja/Povo é marcada pela mera continuidade dos velhos e uma relativa indiferença dos novos.

O futuro não é brilhante com estas criaturas a dirigir.

Um Pagão Orgulhoso disse...

Sacerdotes a mais (dá para interpolar com toda a espécie de parasitas, vendedores de seguros, bancários, gestores, doutores e outros mediadores... isto é, gente que vive de "gerir" mitos e que não produz a ponta de um corno) foi sempre o problema desta terra. Teóricos a mais, que nem teorias inventam (pode haver um acréscimo de produtividade quando se inventa muita treta). Mas não. Limitam-se a copiar as teorias dos outros. Vivem na Preguiça, que é o único pecado capital. Foi pena nunca termos tido uma Reforma, para pôr a padralhada na ordem. Pombal limitou-se a cortar cabeças, sem cortar o pirilau que os cospe cá para fora todos os dias. Não é assim que se domina esta casta de sanguessugas. Não tenho nada contra a religião verdadeira (a fé das pessoas, a crença, a devoção), mas não tolero os seus mediadores--para mim são uns oportunistas que não fazem falta nenhuma. Não passam de "consultores de imobiliário" como se diz agora.

joshua disse...

Nunca pensei vir a deplorar Policarpo como efectivamente deploro e pelas razões todas que elencas.

joshua disse...

Lamento que Policarpo seja um plácido vaidoso cansado de gente, inteiramente cortesão, silente pactuador com o Puro Mal.

Agremiado disse...

É apenas um problema de avental, como se sabe. Ou V. não sabia?

Francisco disse...

Como dizia o meu avô, há que distinguir entre "padres" e "padrecas".

Ulfila da Beira disse...

Tirando os grandes Padres (que foram leitores de um conjunto de textos, filósofos, criadores), os outros são como as bandas nas festas de Verão em Arganil. Estão lá para manter a tradição, mas ninguém daria pela falta deles se simplesmente se pisgassem do mapa e deixassem as florestas em silêncio.

floribundus disse...

a especialidade do pm é
«comer o isco e cagar no anzol»

Nuno Castelo-Branco disse...

Desde que vi o tal famoso bispo do Porto tecer loas ao 31 de janeiro e à "república", fiquei esclarecido. Ainda bem que jamais fiz a 1ª Comunhão. Sinto-me livre.

Lura do Grilo disse...

D. Policarpo foi um homem extremamente conformado, calado e submetido perante a hipócrita campanha do aborto. Os padres das freguesias foram mais enérgicos que ele e por eles percebi que quase falavam contra directivas superiores.
Uma Igreja cobarde não vai longe .. é banal.

Além disso passa um terrível mau exemplo: fuma. E quem não domina estes vícios materiais outras lutas terá dificuldade em vencer.

Anónimo disse...

Debaixo da acácia:. encontram-se muitos irmãos que abraçaram o clero. Regulares e Seculares. O tempo da carbonária e dos mata-frades já passou. Identificam-se com os ideais:. e são geralmente pilares fundamentais da sociedade.Não são propriamente Priores de freguesia.

Anónimo disse...

Já há muito que a cúpula da Igreja Católica Portuguesa não representa os valores da Igreja Católica. A sua cumplicidade em serviço ao poder é de tipo "anglicana" e a sua desagregação será semelhante. No futuro será tudo menos Igreja.


lucklucky

Anónimo disse...

Os Bispos são uma figura do xadrez. O Cardeal Patriarca não. Mas tem muitas"possibilidades" politicas. Quase o mesmo se passa no mundo do footbol, há mesmo um clube de bairro com uma catedral...
A separação do Estado da Igreja, tem nuances que só eles conhecem.

Mani Pulite disse...

UM DOS GRANDES PILARES DO XUXIALIXO SÓCRETINISTA,EMPRESÁRIO DA CONSTRUÇÃO DE BASÍLICAS E DE AVENTAL SEMPRE POSTO PARA TODOS OS COZINHADOS DA XUXA E A LIMPEZA DAS PRATAS DA LOJA.

Passaroco do Mondego disse...

Em cheio. Bravo!

De Facto disse...

"Com base nas suas previsões parece não acreditar que este Governo tenha uma vida longa?
Democraticamente, é normal que tenha. O resto não sei prever.
Mas não o espanta que no próximo ano haja eleições legislativas devido a uma moção de censura do PSD?
E quem é que a vota?
Os partidos da oposição. Ou acha que estão comprometidos com este Governo?
Não sei. Se olharmos para o que se passou em Itália agora! Parecia evidente que Berlusconi caía, e nada. Aconteceu uma coisa que cá não se verificou, os deputados começaram a emigrar de um partido para outro.
Em Portugal aconteceria o mesmo?
Não é costume. Tem havido casos isolados de deputados que ficam como independentes, mas não mudam de partido.
Considera então que não vai haver uma maioria que derrube este Governo?
Não tenho a certeza de nada neste momento. É evidente que uma moção de censura supõe uma maioria para governar e no quadro actual quem é que faz maiorias? Faz maioria o PS com a esquerda toda; faz maioria o PS com qualquer dos partidos à sua direita. Numa moção de censura, o PS fica de fora. Portanto, as maiorias têm de ser ou à direita do PS, onde não há maioria, ou uma aliança dessa maioria à direita do PS com a esquerda, com o Partido Comunista e com o Bloco de Esquerda. É possível que possa acontecer, mas não tenho a certeza.
Acha que o PSD e o CDS não se aliarão para ter uma maioria na Assembleia da República?
Agora não têm! Estamos a falar de uma moção de censura que é votada no equilíbrio de forças do actual Parlamento.
Na sua leitura política, uma moção de censura não passaria porque não haveria nem aliança de direita nem de esquerda?
Não excluo que haja, mas não são fáceis os cenários. Isto também depende muito de se o PSD tem pressa ou não tem pressa de ser poder.
Acha que o PSD quer ser poder?
Acho que não tem pressa.
A Aliança Democrática irá regressar?
Eu tenho a intuição de que não irá regressar. Só se isto se complicar muito ou com a demissão do próprio Governo. Também podemos pôr este cenário, embora o nosso primeiro-ministro... Mas tenho a intuição de que a legislatura vai até ao fim, porque num momento destes uma crise política não é boa. É mais fácil ajudar quem está no poder."


Lê-se isto e não se acredita.

Seria Marcelo? Seria Freitas?

floribundus disse...

ainda não compreendi porque certa beataria (não é o seu caso) nunca aceitou este Cardeal.
tinham candidato rejeitado?
façam 'lóbi' neste momento.

Anónimo disse...

Preferem o ar albo de azevedo, com cabelos de prata tocados pelo divino...um sabidão da U. Catolica.

Anónimo disse...

Oh gonçalbes: "diçe" à boca cheia na sacristia, que quem "troçe" cá o Ratzinger foi o Tolentino...que me "diçes"?

Anónimo disse...

Este Blogue parece o PS....Dr. João Gonçalves diz "mata" e a trupe seguidista diz "esfola"..... ninguém discorda veemente de nada.....somos um pais de "bois mansos".... enfim.....este blogue também é um exemplo da nação...

Dias Santos disse...

Antes das "loas ao 31 de janeiro e à "república"", lembro-me de lhe ouvir que "a Igreja não tem nada a ver com o assunto" do aborto, e lembro-me da execração do padre que disse que matar seres humanos é sempre um crime, tenham eles algumas semanas ou muitos anos.
Para teses como as deste Cardeal, já nos chegava o Carlos Abreu Amorim.

Anónimo disse...

A ligação umbilical que D. Policarpo tem com este governo, não é mais nem menos, a que Cerejeira tinha com o anterior regime.
Há pessoas que não gostam de afrontar o poder instituído, nem que para isso vendam a alma a quem mais paga.
Resta-nos a consolação de termos a arraia miúda do clero a dar exemplos mais de acordo com a doutrina da igreja, ou seja, afrontando o poder político quando realmente se torna necessário, desmascarando os embustes que a classe governante tanto gosta de praticar.
Neste aspecto D. Policarpo não é exemplo para os seus subordinados.
Cps
S.G.

Cáustico disse...

Quem é esse clérigo? Nunca me foi possível ver se usa avental e se pertence à corja do Rato.
Sei, porque o afirmou ainda recentemente, não ser defensor da eleição dos deputados directamente pelo povo. Prefere, ele lá saberá porquê, a manutenção da paridarite que tanto salafrário, tanto vigarista, tanto corrupto, tanto aldrabão sem vergonha, tem colocado na gestão deste país.

Pedro disse...

Uma correcção: ao contrário do que a generalidade das pessoas pensa, o Patriarca de Lisboa não é "o chefe da Igreja Católica em Portugal". Essa relativa figura reside na pessoa do Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, um cargo rotativo.

Mas fundamentalmente, como todos sabem, o Chefe da Igreja Católica "Portuguesa" está em Roma. É Roma quem, por exemplo, nomeia todo os bispos, seja em Portugal seja nas dioceses católicas de outro país qualquer.

Jacinto disse...

"Cortesão".
Eis a definição exacta.

Joaquim disse...

Post certeiro. O exercício palaciano / mediático de D. José Policarpo decorre numa fase em que a Igreja portuguesa em vastos sectores, da base à alta hierarquia (vd. os dois bispos referidos no post), está a conseguir transitar para a prossecução de muitas das mensagens do Papa Bento XVI, nomeadamente, saber ser católico em minoria (em vez do embevecimento com as sondagens abrangentes dos católicos porque não...) e comunicar directamente com a sociedade rejeitando os mediadores políticos (e deixando de fazer de mediadores destes).
Triste a constatação de que a qualidade intelectual e cultural em pouco de útil tenha servido o exercício do múnus de Cardeal PAtricarca.
Devo dizer que neste tema, acompanho integralmente o JG, apesar da incomodidade de ter de constatar que pessoas que aprecio se comportam como idiotas úteis ou hipócritas com programas dissimulados.