Quando estive a trabalhar para a Comissão Europeia na Guatemala e em El Salvador, lembro-me que os telejornais abriam invariavelmente com notícias e imagens de acções policiais. Era compreensível. Países com índices elevados de criminalidade, polícias com fama e proveito de corrupção, resquícios "revolucionários", guerras civis, gente armada, etc. etc., tudo isso justificava a insistência "pedagógica" na evidenciação da intervenção das novas "polícias democráticas" e das magistraturas. Por cá, nada justifica que, dia sim, dia não, os telejornais relatem o desempenho das forças policiais, de fiscalização e de inspecção como se se tratasse de uma extravagância. Fossem um ou quinhentos agentes, limitam-se a cumprir as suas funções. Não há meio de nos livrarmos do estigma latino-americano. Nem pelas boas nem pelas más razões.
«Somos poucos mas vale a pena construir cidades e morrer de pé.» Ruy Cinatti joaogoncalv@gmail.com
16.12.06
DE FACTO
"Chegou a hora de o partido decidir se quer ser oposição ao PS, ao Governo e ao engenheiro Sócrates ou se quer fazer o jogo do PS, do Governo e do engenheiro Sócrates", disse Marques Mendes ao conselho nacional do PSD onde presumivelmente têm assento muitos dos inúteis que deixam o país indiferente às suas permanentes queixinhas. É, de facto, tão simples quanto isso.
O PARTIDO FÁLICO
Também reparei neste tropismo linguístico do ainda presidente do CDS/PP, como o Pedro Correia. A concorrência de tantos "falas-falos" dentro de tão pequena agremiação, ou acaba mal ou em orgia. Do mal, o menos.
COMBUSTÃO LENTA
A abjecta ERC (a da comunicação social) aparentemente está a implodir. É sinal de que, apesar de tudo, ainda alberga algumas formas de vida inteligente. As outras "entidades reguladoras" podiam seguir o exemplo.
DO MEC AO MNE
1. Há pessoas que imaginamos infantis uma vida inteira e que, num lance inesperado, desfazem essa suposição. Pelo contrário, existe uma estirpe que temos por adulta e que, irremediavelmente, subsiste infantil ao crepúsculo. No primeiro caso está o Miguel Esteves Cardoso. Nunca fui um "MECista" convicto como quase toda a geração a que pertenço foi. Nunca li os seus livros mas devo ter lido quase todas as suas crónicas de jornal dos "melhores tempos". A sua formação inglesa apurou-lhe o gosto pelo português - ao arrepio da escrita eternamente maricas de Frederico Lourenço - e MEC revelou-se um dos nossos grandes prosadores contemporâneos (prosador, não escritor, Carla). E irritou-me sempre, um pouco, a sua "oralidade", sobretudo a televisiva, em programas "moderados" pela voz mais insuportável da tv portuguesa, a Júlia Pinheiro. Foi, pois, com uma imensa ternura que li ontem à noite, na cama, a sua entrevista no suplemento 6ª do Diário de Notícias. MEC chegou aos cinquenta adulto e lúcido como nunca e, ao olhar para trás, constrói um auto-retrato agridoce que me impressionou. Aqueles para quem MEC era uma espécie de estátua viva à precocidade sobredotada e à graça inteligente de sapatilhas, poderão ver nesta entrevista o derrube dessa estátua pelo seu autor. Enganam-se. Nunca MEC foi tão azul, tão humano e tão bonito como nesta entrevista, qual ave de Minerva feita andorinha. A vida é fodida.
2. O caso oposto ao MEC é o de Freitas do Amaral. As suas primeiras memórias - "O antigo regime a e revolução" - são confrangedoramente infantis e politicamente nulas. Raramente percebeu - em toda a sua curta vida política, cuja "consciência" só adquiriu aos trinta e um anos, como revelou num famoso debate em 1986 contra Soares, percebeu pouca coisa - o que lhe ia acontecendo. Pelos vistos, e agora com este livrinho de "MNEmemórias", continua sem perceber. Freitas vive num planeta distante e Sócrates enganou-se quando o escolheu por ele ter cabelos brancos. As "revelações" cândidas e adolescentes que perpetra no livro, mostram-nos um político-homem que nunca amadureceu. Só neste país em diminutivo é que esta criança grande pôde ter estado a um passo de ter sido eleito presidente da República. Como diria o seu Mestre, o "Diogo" não foi feito para isto.
2. O caso oposto ao MEC é o de Freitas do Amaral. As suas primeiras memórias - "O antigo regime a e revolução" - são confrangedoramente infantis e politicamente nulas. Raramente percebeu - em toda a sua curta vida política, cuja "consciência" só adquiriu aos trinta e um anos, como revelou num famoso debate em 1986 contra Soares, percebeu pouca coisa - o que lhe ia acontecendo. Pelos vistos, e agora com este livrinho de "MNEmemórias", continua sem perceber. Freitas vive num planeta distante e Sócrates enganou-se quando o escolheu por ele ter cabelos brancos. As "revelações" cândidas e adolescentes que perpetra no livro, mostram-nos um político-homem que nunca amadureceu. Só neste país em diminutivo é que esta criança grande pôde ter estado a um passo de ter sido eleito presidente da República. Como diria o seu Mestre, o "Diogo" não foi feito para isto.
15.12.06
DA HISTÓRIA DOS VENCIDOS
Passou despercebida a homenagem que a Faculdade de Direito de Lisboa prestou ao seu ilustre Professor Marcello Caetano. Por o ter encontrado ontem ao almoço, soube que o José Adelino Maltez se encarregou da conferência. Enquanto ele não colige em letra de forma essa conferência, deve ler-se este belo texto sobre universidades e as elites que não temos. "Os tempos que nos devoram exigem que a ideia de universidade passe a rimar com os homens livres (...) Ontem foi mais um dia de muitos outros onde não descobri o silêncio nem a falta de paraíso, com mais uma prova de doutoramento onde fui um dos arguentes e uma conferência em memória de um dos maiores professores universitários do século XX que, por acaso foi presidente mandador mor da nossa república. Um dos que viveu a angústia do conflito entre a ética da convicção, como deve ser a razão da Universidade, e a ética da responsabilidade, que faz submergir o humanismo no mar maquiavélico da chamada razão de Estado. E Marcello Caetano, é dele que estamos falando, não conseguiu conciliar o lume da dita racionalidade finalística (a Zweckrationalitat de Weber) com o lume da dita profecia (Padre António Vieira), equivalente à weberiana racionalidade valorativa (Wertrationalitat). Ficou-se pela angústia, pela fidelidade a uma certa ideia eterna de universidade e pelo sonho de um certo patriotismo científico. Faz hoje parte da nossa história dos vencidos e por isso continua eterno."
PSD
Paulo: embora não me apeteça falar do PSD, esclareço duas coisas. Conheço o Henrique Freitas há muitos anos. Foi um colega de curso que rumou, a meio, para outro. É amigo e é amável. Também é estruturalmente um "homem de partido" e, lá dentro, um "barrosista" que "passou" por Santana Lopes. Gosta da parafernália partidária. Ultimamente "deu-lhe" para o dr. Menezes, o de Gaia. O inábil dr. Marques Guedes e a CIA deram-lhe um pretexto. Não mais do que isso.
RAZÕES E CORAÇÕES
Como se diz no calão liceal, a Fernanda Câncio "esticou-se". Diria, aliás, que de tão progressista e "progressiva" que quer parecer, está cada vez mais reaccionária. Nesta nervoseira, como é que consegue chegar a Fevereiro bempostinha? O seu artigo no Diário de Notícias constitui um magnífico passo em frente para enterrar o melhor argumentário do lado do "sim" na lama. Mais valia ter estado quietinha com o computador. Eu, que a considero corajosa, altiva e, imagine, consequente na sua inconsequência, fiquei siderado com esta sua miserável prosa. Vamos por partes, embora me apeteça parar já nesta: "grande parte dos animais vivos tem um coração que bate - o que não faz ninguém reconhecê-los como pessoas". Escrever isto a propósito de um embrião vivo, comparando o incomparável - apesar de existirem animais que são bem mais "pessoas" do que muitas pessoas que eu conheço -, para além de demagógico, é intelectualmente desonesto e absolutamente fascisto-feminista, ou seja, obsoleto. Se, como diz a autora, os do "não" "apostam na ignorância", em que é que ela aposta com este disparate? Eu, que defendo a lei actual, não me recuso a falar nos "casos excepcionais" porque eles são de uma clareza cristalina na letra da lei. A mera exclusão da ilicitude não obriga ninguém a interromper a gravidez se algum dos "casos" se verificar. É uma faculdade, não é um direito. Pelo contrário, é um direito aquele que se pretende ver consagrado através da liberalização total do aborto desde que realizado até às dez semanas de gestação, por exclusiva vontade da mulher. Ora, na civilização em que eu vivo e pretendo continuar a viver, nenhum crime passa a direito par delicatesse ou para "justificar" filosoficamente qualquer arquétipo. Jean Genet, nos seus "romances", ergue constantemente o homicida à categoria de herói - e sensual ainda por cima. Todavia, é literatura apenas e em qualquer parte do mundo civilizado um homicida é mesmo um homicida, e não um herói ou uma "vítima". A constante apresentação da mulher como "vítima" - "a rejeição das mulheres" - para justificar o recurso ao aborto como um "direito" praticamente inalienável, em pleno século XXI, é pura demagogia sexista e pura má-fé. Acha a Fernanda que os milhares de mulheres que votam "não" desejam a sua própria "rejeição"? Ou que qualquer eleitor que o faça está pensar em apoucar alguém ou em diminui-lo enquanto cidadão e ser humano? Por amor de Deus. Finalmente, um coração é um coração desde que bata, fora ou dentro de outro corpo. Eu tenho um, a Fernanda tem outro. Não reconheço nenhum tipo de autoridade moral à Fernanda Câncio para determinar que tem "mais coração" do que eu. Ninguém tem o monopólio do coração. Experimente funcionar mais com a razão e menos com a emoção e vai ver que se dá melhor com a vida.
O ÓBVIO
"A acção penal deve ser um exclusivo do Ministério Público (tanto mais que a Constituição já permite ao poder político estabelecer prioridades quanto à acção penal). Ao Parlamento compete exercer a fiscalização política, e não intervir na justiça. Estado de direito quer dizer, também, separação e limitação de poderes."
Vital Moreira in Causa Nossa
Vital Moreira in Causa Nossa
O "BISINESSE" DEMOCRÁTICO
ATÉ À ETERNIDADE
Com grande surpresa da nação, o dr. Silva Lopes - um ilustre economista que nos acompanha desde o "antigamente" apesar de ser muito requisitado pelas esquerdas correctas, Padre Melícias incluído - foi reeleito presidente do Montepio Geral. Em França, "a pátria reconhecida", alberga os seus maiores no Panteão, na Rive Gauche. Nós, mais práticos, tratamos de os embalsamar em vida e de os deixar ficar até à eternidade na habitual meia dúzia de "instituições" que temos. Longa vida a estes beneméritos.
14.12.06
HIERARQUIAS
É claro que nem tudo é perfeito. O sindicato do dr. Cluny veio "exigir" ao poder político solidariedade para com os procuradores "ameaçados" e ficou "satisfeito" com o procedimento da "hierarquia", leia-se, de Pinto Monteiro. Alberto Costa já andava baralhado. Com esta "pressão" paternalista, não fica seguramente melhor. Se não falou até agora, agora é que não deve mesmo falar. Justamente por causa da "hierarquia", neste caso, a democrática.
MARIA JOSÉ
Nem tudo é mau. Excelente escolha, a de Maria José Morgado para "coordenar" a investigação ao funesto "apito dourado". Oxalá não lhe faltem meios, pessoas e apoio como lhe faltaram no passado, na PJ, no combate ao crime "de colarinho branco". Nesta altura do campeonato, o colarinho, de branco, já só tem o nome.
Adenda: Desta vez, Paulo, não estamos de acordo. MJM funciona a sério e com seriedade, independentemente de ser muito ou pouco palavrosa. Desde que lhe dêem, naturalmente, as condições. Numa determinada fase da minha actividade profissional, colaborei de perto com pessoas que trabalharam com MJM. Sabe que sou parco em elogios, ou seja, não faço nenhum "de borla". É evidente que fica sempre no ar a pergunta óbvia para quem acompanha estas coisas: para que serve o DCIAP daqui em diante se, para este ou para aquele caso, Pinto Monteiro optar por esta forma de actuação?
Adenda: Desta vez, Paulo, não estamos de acordo. MJM funciona a sério e com seriedade, independentemente de ser muito ou pouco palavrosa. Desde que lhe dêem, naturalmente, as condições. Numa determinada fase da minha actividade profissional, colaborei de perto com pessoas que trabalharam com MJM. Sabe que sou parco em elogios, ou seja, não faço nenhum "de borla". É evidente que fica sempre no ar a pergunta óbvia para quem acompanha estas coisas: para que serve o DCIAP daqui em diante se, para este ou para aquele caso, Pinto Monteiro optar por esta forma de actuação?
QUASE
Numa noite destas, o Mário Crespo deu-lhe para entrevistar longamente um dos "pais da pátria democrática", o dr. Almeida Santos. O dr. Santos colocou este ano nos escaparates as suas "Quase Memórias", em dois volumes, e esse foi o pretexto para a conversa. Não tenciono lê-las porque suponho que não terão qualquer interesse. Almeida Santos jamais poderia ir ao "fim da memória" - que a defunta Castro me perdoe a recorrência - por inteiro. O "quase" do título é, a esse propósito, eloquente. O presidente do PS é das pessoas que mais sabe da vida política e de outras "vidas" de muitos protagonistas contemporâneos, de África à Metrópole, dos anos cinquenta e tal até hoje. E, convenhamos, sempre é um senhor e não propriamente um "alternadeiro". Consta que apesar da sua imensa fortuna e património, é um homem de enorme generosidade. Quando era presidente do Parlamento passava o tempo ao telefone a tratar de coisas que lhe pediam, desde a porteira aos ministros. Nunca mais me esqueço de, noutra encarnação, um ilustre militante do PS - que presidia a uma instituição pública em Lisboa mas que tinha sido anos a fio presidente de uma câmara municipal e que é verdadeiramente um bom homem, Júlio Henriques - me ter revelado uma "máxima" cara a Almeida Santos. "Para os amigos, tudo. Para os inimigos, nada. Para os outros, cumpra-se a lei". Não sei se isto constitui a epígrafe das "memórias". Todavia o "quase" do título está todo aqui.
13.12.06
O DOCE PAÍS QUE É PORTUGAL
1.Vi na televisão o sr. Madaíl, uma daquelas aberrantes figuras do regime, à porta de um tribunal, muito satisfeito, a falar em caldeiradas de enguias que comia com não sei quem. A criatura ia depôr naquele processo telenovélico chamado "apito dourado" que ameaça "alternar" com outro muito em breve. Em simultâneo lê-se isto.
2. Também ouço o sr. ministro da Justiça a falar numa "unidade nacional" - palavra de honra - para o combate à corrupção. Isto corresponde à passagem de um atestado de menoridade aos órgãos policiais, investigatórios e administrativos que incluem na suas atribuições precisamente o combate à dita. O DCIAP da dra. Cândida Almeida, afinal, para que é que serve? A corrupção é um crime que deve ser perseguido discretamente, sem cachas nos jornais ou nos telejornais, ou declarações retóricas no Parlamento. Tantas "unidades" proclamatórias é meio caminho andado para não se fazer nada.
3. O dr. Teixeira dos Santos, ainda a legislatura vai a meio, já anda a falar em "baixa de impostos". Em simultâneo, um dos maiores devedores singulares de impostos ao Estado é o sr. eng. Carlos Melancia que pastoreou, em Macau, dezenas e dezenas de pessoas que nos andam agora a pastorear
4. Nesta altura, em que lugar andará o senhor da foto no concurso da D. Elisa?
2. Também ouço o sr. ministro da Justiça a falar numa "unidade nacional" - palavra de honra - para o combate à corrupção. Isto corresponde à passagem de um atestado de menoridade aos órgãos policiais, investigatórios e administrativos que incluem na suas atribuições precisamente o combate à dita. O DCIAP da dra. Cândida Almeida, afinal, para que é que serve? A corrupção é um crime que deve ser perseguido discretamente, sem cachas nos jornais ou nos telejornais, ou declarações retóricas no Parlamento. Tantas "unidades" proclamatórias é meio caminho andado para não se fazer nada.
3. O dr. Teixeira dos Santos, ainda a legislatura vai a meio, já anda a falar em "baixa de impostos". Em simultâneo, um dos maiores devedores singulares de impostos ao Estado é o sr. eng. Carlos Melancia que pastoreou, em Macau, dezenas e dezenas de pessoas que nos andam agora a pastorear
4. Nesta altura, em que lugar andará o senhor da foto no concurso da D. Elisa?
UMA ROSA PARA DANIEL
Muita gente, muitos blogues, muitos artigos de jornal e muitos adeptos de "causas" exprimiram-se, e bem, contra a decisão judicial acerca dos "meninos" assassinos de Gisberta, a pessoa atirada a um poço numa obra do Porto por um bando de delinquentes. Gostava de ver agora os mesmos indignarem-se com os apenas 12 anos de cadeia que um tribunal atribuiu a um energúmeno que abusou sexualmente, bateu e sujeitou a maus tratos uma criança sua "enteada" e com a sentença que absolveu a mãezinha. O "padrasto" tinha dezassete anos à altura do crime e a mãezinha era substancialmente mais velha. A criança, com deficiências, acabou por falecer. Esta dupla miserável não impressionou a justiça num processo onde, ainda por cima, havia jurados, concidadãos meus de merda. A mim impressiona-me, mas eu não conto. Confia na justiça portuguesa? Eu, só mesmo na Divina.
INCOMPATIBILIDADES - 2
Pela primeira ou segunda vez, estou de acordo com o dr. Correia de Campos. Ao obrigar os médicos do SNS a escolherem, por incompatíveis, entre essas funções e as que que exercem em instituições privadas, nomeadamente funções de gestão e de direcção, o ministro da Saúde limita-se a dar razão aos "liberais". Isto é, se querem ser "liberais", façam favor, mas fora do SNS. Chuva na eira e sol no nabal é que não.
POSTS DE NATAL- 1
O natal não é: postas de bacalhau com couves, almocinhos, jantarinhos, prendinhas, beijinhos, palmadinhas nas costas e facadinhas depois dele passar. O Natal começa por ser:
"O Advento significa a união entre a memória e a esperança, tão necessária ao ser humano. Desperta em nós a mais íntima e verdadeira memória do coração, a memória de Deus que se fez menino. Esta memória é salvação, esta memória é esperança."
MOMENTO PERÓN
Aqui. Nem sequer me apetece ir ler o "sumo" da questão. O dr. Costa, Alberto, que até parecia que andava benzinho, teve o seu momento "justicialista". Este governo tem pelo menos o mérito de ser muito imaginativo, sobretudo quando disparata.
A PORTA ABERTA
O honorável dr. Pinto Monteiro, procurador-geral da República, apareceu ontem entre uma porta e o carro, no meio da rua, a dizer umas banalidades sobre "O" assunto. Que o MP vai ler, que ele vai ler, que ele vai ouvir e por aí fora. Péssimas recordações. Nem o bastonário da Ordem dos Advogados se poupou ao perfume "Carolina", a griffe de natal do regime. Para a prenda ser completa, só falta agora instituir tribunais especiais para julgar criminosos "especiais". Cuidado com a porta aberta.
12.12.06
MOMENTO EVITA - 2
Este "caso Carolina", junto com o natal, calha que nem ginjas para o governo. Quando acordarem deste sublime torpor latino-americano, os portugueses estarão no ano da graça de 2007, verdadeiramente o ano de todos os perigos. Para eles e para o dito governo. O regime foi capturado por um livro de uma rapariga que nem sequer é escritora e, mais uma vez, pela bola. Cada povo tem a Carolina que merece. Admiram-se de quê?
GOSTOS
Ao contrário dos meus amigos das direitas e das esquerdas correctas, não consigo antipatizar completamente com o sr. Chávez. Ao menos vai a votos e, pelos vistos, os indígenas gostam dele. Embora ele goste de Fidel e lhe leve bolinhos (suceder-lhe-á miticamente), em cinquenta e tal anos de regime, Castro nunca deixou pousar uma singela urna de voto numa mesa. Nós - os do "lado bom da força" -, por exemplo, não gostando de Chávez, gostamos do petróleo dele. Enfim, são gostos.
SOARES E OS AMIGOS
Na cerimónia dos dez anos da Fundação Mário Soares, José Sócrates e o locatário trocaram os mimos habituais. Li num jornal que, perguntado pela circunstância de ter convidado o primeiro-ministro e de não ter convidado o Presidente da República, Soares disse que não fazia sentido ter convidado o segundo uma vez que já lá ia o primeiro ("não se convida PR e 1º ministro para a mesma cerimónia."). E, a tê-lo feito, teria sido o PR e não Sócrates a discursar. Fica para daqui a uns anos, rematou Soares, respondendo à hipótese Cavaco na Fundação. Ou seja, Soares preferiu comemorar "em família", sem intrusos. Só que não acertou na resposta. É que no dia da inauguração da Casa Museu João Soares, em Cortes, a honorável delegação da FMS junto a Leiria, esteve o Estado em peso. Eu também. O Estado, nessa altura, era Sampaio, Almeida Santos e Guterres. Falaram todos. e, embora não tivesse estado em 1996 na Rua de São Bento, tenho ideia que as mesmas personagens abrilhantaram, com a sua augusta presença, a abertura da Fundação. Já é tempo de Soares - que se referiu ao chefe de Estado como o "Presidente Cavaco" - assumir Cavaco sem complexos, logo ele que não tem nenhuns. A Fundação cresceu e, apesar de constituir património de uma carreira política colossal, já é, em certo sentido, do país. Por isso, Dr. Soares, tenha mais cuidado com os "amigos de Peniche" do que com os outros.
LISBOA, MODO DE USAR
Depois do espectáculo lamentável dado por três vereadores, um pseudo-vereador e um presidente da maior autarquia do país - isto sem falar nos respectivos "ajudantes", desde o "vice" até à "equipa-fantasma-dos-eléctricos-rápidos" de Sá Fernandes, passando pela "primeira fila" dos "carmonistas", com a excepção de Amaral Lopes na cultura - tenho a certeza que se o João Soares se recandidatasse amanhã, ganhava. Com todos os seus defeitos, culpas, acções e omissões, vale sozinho pelos dezassete - 17 - actuais vereadores. Está perdoadíssimo até porque, ao contrário destes funcionários politiqueiros, gosta a sério de Lisboa. Eles apenas a usam.
TUDO O QUE FALTA - 4
Carrilho - que praticamente não existe como vereador da CML - decidiu estar na televisão a fingir que era vereador e a exibir-se ao seu melhor nível: melífluo e espectacular. Mais de um ano depois, é mais um que ainda não entendeu por que perdeu estupidamente a eleição.
TUDO O QUE FALTA - 3
A "sociedade civil" esteve representada no debate sobre Lisboa, na RTP, entre outros, pela Teresa Ricou que produziu a revelação da noite. Tinha sido da LUAR nos tempos gloriosos do PREC e quer um partido da "sociedade civil" onde provavelmente tenciona divertir e "apalhaçar" ainda mais essa mirífica "sociedade civil". Em trinta anos, Ricou apenas passou da LUAR para lunar no que, aliás, está muito bem acompanhada pelos fóruns chique-caviar que proliferam por aí "em defesa" de Lisboa. É que estes rapazes dos fóruns, de Lisboa só conhecem a Baixa e ignoram supinamente tudo o resto. Esquecem-se que nem toda a gente tem a fortuna de morar em Alfama, na Mouraria, no Bairro Alto, na Sé ou no Príncipe Real. Não há pachorra.
11.12.06
TUDO O QUE FALTA - 2
Propostas estruturantes, eléctricos e verduras são as soluções do evangelista Sá Fernandes para Lisboa. Percebem agora por que é que aqueles "génios" todos que apareceram ao seu lado quando ele se apresentou como candidato desapareceram subrepticamente, sendo trocados pelo evangelista-mor Louçã?
TUDO O QUE FALTA
O que nasce torto, tarde ou nunca se endireita. Pela ordem natural das coisas - se é que isto existe em política - Manuel Maria Carrilho seria hoje presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Todavia, desde cedo Carrilho fez todos os possíveis para o não ser. Conseguiu-o com inegável brilhantismo. Depois, pela mesma ordem das coisas, Carmona Rodrigues, alguém que nunca existiu nem existe politicamente e que ninguém imaginaria como "número um", ganhou. Finalmente, Maria José Nogueira Pinto, uma "promessa" inicial interessante, fez da pesporrência e da contradição o seu programa. Alguém devia explicar a Zezinha que os cemitérios estão cheios de indispensáveis. Infelizmente Ruben de Carvalho não liga tanto à CML como era suposto que ligasse e Sá Fernandes não passa de um profisssional da litigância. É esta inanidade organizada que manda na maior cidade do país. Com se isso não bastasse, a Câmara está endividada até às catacumbas. Vista da Ponte e do ar, Lisboa é uma cidade atraente, luminosa e equilibrada. Tudo o que falta a quem a governa.
DEIXEM-NO TRABALHAR
Só num país cujos pergaminhos democráticos ainda roçam o "americo-latinismo" é que se assiste ao ridículo beija-mão partidário ao novo PGR. Até Ribeiro e Castro, um líder transumante, decidiu passar pela Rua da Escola Politécnica entre uma ida e volta Bruxelas-Lisboa. Deixem-no trabalhar.
CURSO SUPERIOR
Vinha no carro e no RCP duas senhoras doutoras discutiam o aborto. Uma era de um "movimento" apelidado "movimento pela consciência" - parece que é assim - e a outra de um "movimento" chamado "não, obrigada". A primeira médica, chefe de serviços de ginecologia na Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa, começou por dizer uma coisa fantástica.Queixava-se a sra.dra. que, na universidade, não se iniciava os futuros médicos nos mistérios do aborto e nos problemas que ele implica. Se se partir do princípio que o curso de medicina serve para preparar pessoas para salvar vidas ou, no mínimo, aumentar a respectiva qualidade, de que é que a senhora doutora estava à espera?
POST- MORTEM
Será que para obter um atestado anti-Pinochet é preciso andar na rua a beber champanhe e aos pulos? De caminho convém esclarecer a ignorância que Isabel Allende, a escritora, é sobrinha do presidente deposto em 1973 e não sua filha.
PATRIMÓNIO
A Fundação Mário Soares celebra dez anos de existência. Neste período, como lembrou o próprio, a Fundação cresceu numa direcção inesperada. Cresceu e bem. A absorção de arquivos sobre arquivos essenciais para a compreensão da história política portuguesa contemporânea, os livros, as exposições, os cursos, os debates, as edições tornaram a Fundação num organismo fundamental para a compreensão da cidadania, isto para quem estiver interessado em compreender alguma coisa. É lá que um dia espero depositar a minha modesta biblioteca e um ou outro papel. Hoje de manhã, quando ouvi Mário Soares dizer que a história já tinha "julgado" Pinochet por contraposição à justiça que a ordem natural das coisas não deixou que se realizasse, e que era sempre chocante ver festejar nas ruas a morte de alguém, mesmo de uma criatura como a do recente defunto, certifiquei-me, uma vez mais (como se isso fosse preciso), de estar perante o nosso último grande aristocrata político. Quem é grande acaba sempre por ficar acima das circunstâncias. Parabéns à Fundação e ao seu mentor.
10.12.06
NÃO É FÁCIL DIZER BEM - 10
A visão, ontem na tv, da Tereza Coelho, a "conservadora" de Lobo Antunes na Dom Quixote, metida numa grande superfície entre detergentes e margarinas, a "defender" a sua mais recente aquisição literária, a sra. D. Carolina Salgado que estava a dar autógrafos, seria cómica se não fosse trágica. Que saudades da Tereza que escreveu, a meu pedido, uma pequena e bela prosa para o Semanário que Deus tem (o do Victor Cunha Rego) sobre "A insustentável leveza do ser", acabado então de editar precisamente pela Dom Quixote no tempo em que a editora era viva. Não é mesmo nada fácil.
O CASTIGO DO NATAL
As próximas duas a três semanas são de incenso, ouro e mirra para o governo. Mesmo tesos, cheios de dívidas até aos cabelos e deprimidos, os portugueses não resistem à farsa do natal. Refiro-me aos centros comerciais, às lojas, às ruas, à agitação medíocre onde se finge uma alegria que manifestamente não existe. Lá para seis ou sete de Janeiro, com os "reis" despachados até ao ano seguinte, é a doer. O Eduardo já sentiu o que acabo de escrever. "De tarde, na Fnac Chiado, vira-me obrigado a uma irritante gincana para não pisar as criancinhas que gatinham, pulam e gritam, nem interferir com o ângulo de visão dos progenitores que usam os telemóveis para fotografar os rebentos, esparramados no chão ou a atirar CD’s à cabeça uns dos outros, e toda a gente parece achar natural impor a terceiros a bagunça doméstica (mas não achavam se fosse um miúdo das barracas a urinar nas escadas rolantes). O simples facto de embiocar crianças numa cave com luz artificial, em vez de as levar para lugares ao ar livre, é sintoma de quê? Estava a chover? E daí? A chuva nunca matou ninguém." Pois. Quem é que o mandou sair de casa?
9.12.06
"RECONCEPTUALIZAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO SOCIAL EMANCIPATÓRIA"
Só quem tiver o Público online (assinatura) ou em papel é que pode ter acesso às pérolas que se seguem. Uma senhora psicóloga, de seu nome Andreia Peniche, tem uma tese de mestrado com este extraordinário título: "Superando a perspectiva do corpo como campo de batalha: dimensionar o aborto no campo dos direitos". A referência ao "campo de batalha" a propósito do corpo e da sua "superação" é, desde logo, esmagadora. A Andreia terá lido Laclos alguma vez na vida? Trata-se, diz ela da sua tese, de um "discurso radical mas complexo e transgressor" que assenta na ideia de que "a proibição do aborto [por opção da mulher] não é uma medida avulsa, mas integrada na lógica de dominação patriarcal". E continua, falando da "completa ausência de conhecimento sobre a produção teórica feminista na reconceptualização das mulheres". O que é isto? As mulheres necessitam de se "reconceptualizar" remontando a paradigmas mortos e enterrados há dezenas e dezenas de anos? Que coisa mais retrógada e paternalista. Finalmente, a Andreia não se poupa em relação ao seu género, armada em aprendiz de dirigente feminista das massas exploradas sexualmente pela "dominação patriarcal". "O direito ao aborto exige uma concepção de democracia como agência, isto é, como reivindicação enformada politicamente no sentido da transformação das relações sociais de poder: porque exige que se perspective a sexualidade separada da reprodução e porque reclama a sexualidade como um direito das mulheres; porque exige o reconhecimento das mulheres como porta-vozes das propostas de transformação social emancipatória." Se eu fosse pelo "sim", arranjava uns folhetos com estes magníficos dizeres e ia pelos campos fora explicar aos meus concidadãos o que têm andado a perder: uma "transformação social emancipatória". Com um argumentário deste calibre, mais palavras para quê?
"GOSTO DE COMANDAR"
Não é à míngua de talentos que a pátria não medra. Vejamos a coisa por partes. O PS, com a ajuda dos seus compagnons de route europeus e do sr. Dean, dos EUA, mostrou quão moderno, "reformista" e de "esquerda" está, cheio de promessas e de realidades comprovadas na estafada lida governamental. O dr. Vieira da Silva é comprovadamente um estadista/socialista exemplar por causa do salário mínimo, devendo em breve erguer-se-lhe uma estátua. No PSD, os talentos espreitam a cada esquina o dr. Marques Mendes para, como lhes compete, esticarem a perninha para o homem se espalhar. Depois de Menezes e, à sua maneira, Rui Rio, veio agora esse notável "comandante" que é Morais Sarmento, um homem cheio "de causas e de carisma", ressuscitado dos mortos do "barrosismo", exprimir as suas mágoas e afirmar-se como "parte de uma solução" que ele nem sequer sabe qual é. Em 2008, diz ele, logo se vê. Mendes é que não. A fisiologia governamentalista do PSD não deve nada a pessoas como Morais Sarmento que, quando teve o poder, falhou da forma estrondosa que conhecemos. Devia estar caladinho por alguns e bons anos. Não tem um pingo de ética política para falar. Ele e outros como ele, que entregaram o poder de bandeja ao PS quando embarcaram na aventura "santanista", apesar de Sarmento dizer agora o pior de Santana. Em comum, esta gente possui um estranho fascínio pelo "fazedor reformista" Sócrates que, secreta ou escancaradamente, desejam ver em São Bento por fartos e longos anos. De alguma maneira, têm razão: foram eles que lá o puseram com o seu arrivismo. Depois, também como lhes compete, odeiam-se fraternalmente. Para além de não quererem e de querem sempre o mesmo - o lugar de Mendes -, cada vez que abrem a boca, enterram um bocadinho mais, não o dito Mendes, mas a credibilidade do partido a que pertencem como alternativa séria ao PS. Mendes não lhes deve dar nenhuma importância. No PSD - e já que está na moda - existe uma mulher que podia ajudar Mendes a extirpar a bagunça enquanto é tempo. Chama-se Paula Teixeira da Cruz, não brinca em serviço e tem "gosto em comandar". Entre ela e os devaneios oportunistas de Sarmento, não hesito.
8.12.06
UM COLEGA DE DUAS COLEGAS
A Fernanda Câncio, pelo que dela conheço, não precisa de ser defendida por nenhum orangotango devidamente amestrado ou por um guarda-costas mal treinado. Dito isto, gosto muito de ler o Glória Fácil, coisa que faço e tenciono continuar a fazer todos os dias, assim Deus o queira. Para além disso, encontro ali muita coisa que desconheço sobre mim mesmo. Por exemplo, que "me passei" pode sempre ser uma indirecta ao facto de, pela primeira vez na minha vida, ter recorrido a um psiquiatra e tomar regularmente "Zoloft". Todavia, já estou melhor, obrigadinho. Pode acontecer, aliás, que o meu psiquiatra leia isto e deixe um atestado comprovativo. Quanto aos "problemas de carácter", nunca recorri à fisioterapia por causa da coluna vertebral. Ando normalmente direito, de cara erguida e não fujo ao confronto. Também não uso a língua para lamber as botas de ninguém. São, de facto, problemas de carácter nos dias que correm. Quanto ao meu "azedume", à "clonagem pobre" de VPV e aos factos de eu "não prestar" e de pedir que me "prestem atenção" (?), é uma opinião como tantas. Se nada presta neste país, por que raio é que eu deveria prestar? Ou o meu adjectivador, não é verdade? Será que ele só escreve para se ler a si mesmo na sanita? Vejo, no entanto, que ele se engana e, Deus seja louvado, tem dúvidas. Engana-se quando afirma que ataco o jornal onde escreve com mais duas colegas do Glória Fácil. Escrevem lá pessoas que muito prezo - algumas que conheço provavelmente desde antes do colega das duas colegas ter parado de bolsar a papinha láctea -, outras que conheci entretanto e algumas com quem me correspondo regularmente. Para além disso, o jornal onde o colega mais as duas colegas de blogue escrevem tem a amabilidade de me citar com alguma frequência sem que eu nunca tivesse pedido que o fizesse. Assim sendo, exijo ao colega das duas colegas que me dê exemplos desses meus "ataques" ao jornal onde perpetra. Não me dê a importância que manifestamente não tenho. Finalmente, e quanto ao "ressentimento blogosférico", está falar de si, colega das duas colegas, não é verdade? E só para terminar: de catolicismo só falo com quem tiver lido pelo menos um dos livros de Joseph Ratzinger. Não se discute com a ignorância.
NO CALOR DA NOITE
A sra. D. Carolina Salgado - para quem não sabe, "companheira" do sr. Pinto da Costa durante uma meia dúzia de anos - lançou um livro. Com tantos lançamentos e com tantos "escritores" começo a duvidar da utilidade do meu. Mas adiante. A D. Carolina, despeitada pelo abandono e, seguramente, a sentir a falta do "quentinho" que a vida com o sr. Pinto da Costa lhe proporcionava, vem agora "pôr a boca no trombone", uma metodologia frequente da "dor de corno". Como ainda por cima o sr. Pinto da Costa é quem é, a coisa torna-se mais apetecível. Por consequência, a D. Carolina teve mais tempo de antena do que os socialistas que governam tanta Europa. Só a "santinha" Ségolène conseguiu melhor e apenas em um dia. Não simpatizo nada com este género de ressentimento moralista, da mesma forma que não me agrada a personalidade do visado. Lavar roupa suja em público para ganhar "algum" no livro e impressionar os leitores "do coração", diz tudo da mulher encontrada pelo seu príncipe encantado "no calor da noite". Ao que chegou a D. Quixote, a editora exclusiva do torturado Lobo Antunes. Pior era impossível.
INCOMPATIBILIDADES
Um caso visto pelo Paulo Gorjão. Pergunta ele se não haverá mais no Parlamento. Então e fora do Parlamento? Juro-lhe que, tudo junto, dava matéria para um blogue, cheio de posts.
HOJE OS JORNALISTAS, AMANHÃ NÓS
ERC: "a Entidade Reguladora da Comunicação Social transformou-se na principal ameaça à liberdade de imprensa em Portugal."
Ler no Crítico:"Depois da leitura deste arrazoado desculpabilizador do governo, atacando pessoalmente e de forma gravosa um crítico corajoso e independente que ousou manifestar-se contra uma situação que atinge foros de escândalo, este texto descredibiliza-se a si próprio e a quem o mandou fazer, é um texto persecutório, atentatório da liberdade de expressão e da liberdade de imprensa."
Não me apetece dizer mais nada do que já tinha dito noutra ocasião: hoje os jornalistas, amanhã nós.
Ler no Crítico:"Depois da leitura deste arrazoado desculpabilizador do governo, atacando pessoalmente e de forma gravosa um crítico corajoso e independente que ousou manifestar-se contra uma situação que atinge foros de escândalo, este texto descredibiliza-se a si próprio e a quem o mandou fazer, é um texto persecutório, atentatório da liberdade de expressão e da liberdade de imprensa."
Não me apetece dizer mais nada do que já tinha dito noutra ocasião: hoje os jornalistas, amanhã nós.
RESPEITINHO E CENSURA
Quando estive na direcção do Teatro Nacional de São Carlos, o Jorge Rodrigues, "pivot" do programa "Ritornello" da Antena 2, da RTP/RDP, convidou-me para uma agradável entrevista em torno da música e do Teatro. O "Ritornello" é um bom momento da rádio "clássica", tal como o eram os saudosos programas operáticos de Maria Helena de Freitas, independentemente de o Jorge dar demasiado "vento" aos amigos dele com conversas por vezes demasiado frívolas. Também por lá passam artistas nacionais e internacionais que o Jorge "apanha" cá ou lá fora. Sucede que ele terá entrevistado o secretário de Estado da Cultura, Mário Vieira de Carvalho, e, um pouco a seguir, o director artístico do TNSC, Paolo Pinamonti. É sabido que a posição destes dois sobre o futuro do Teatro não é coincidente e Pinamonti, com inegável coragem, tem-no dito repetida e fundamentadamente. Entretanto o Jorge informou-me que a direcção da Antena 2 - Rui Pêgo e João Almeida - (atenção João, tudo bons rapazes não é verdade?) o chamou há dois dias para o informar que estava proibido de fazer mais entrevistas no "Ritornello", incluindo a artistas nacionais, salvando-se da operação censória apenas as "estrelas internacionais". A "entidade reguladora", que já anda para aí a mostrar o seu zelo pelo respeitinho, não terá nada a dizer disto?
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