REAIS INCLINAÇÕES
A propósito de um post meu relativo a um artigo de António Valdemar sobre as preferências sexuais de Pedro, o da Castro, escreve R.A.L ( não sei se ele quer "sair do armário") no que, presumo, seja o seu T Zero:
O rei vai roto
"E como quer que o elRei muito amasse, mais que se deve aqui de dizer...".
Foi assim, numa frase, que um cronista lançou para a eternidade a fama de homossexual de um rei que viveu um século antes dele. Ora, ainda só vamos na posteridade e o boato já vai aqui:
"O mesmo que casou com D. Constança e se apaixonou por D. Inês de Castro e por um escudeiro que, num acesso de ciúmes, apenas, D. Pedro mandou castrar".
Se fazemos fé e nos regalamos sem reserva na insinuação de Fernão Lopes, então façamos o favor de levar à letra também o que o mesmo diz sobre as razões que animaram D. Pedro para mandar "cortar aqauelles menbros, que os homeens em moor preço tem" ao seu querido escudeiro, as quais se fundam, no lugar de ciúmes, no ímpeto justiceiro do rei, que assim quis castigar o moço por andar a provar a mulher de um corregedor, por quem o rei tinha igual estima, embora puramente institucional.
Assim como Alexandre não deixou de ser grande por gostar de rapazinhos, D. Pedro não precisava de sentimentos efeminados para dormir com vassalos, nem tão-pouco para os estropiar. Pelo menos é o que afirma o dr. Pedro Strecht, que, sabe-se agora, tratou-os aos dois.
Por este caminho, o T-0 rapidamente passará para um T2 ou para um T3...
«Um trem de ferro é uma coisa mecânica, mas atravessa a noite, a madrugada, o dia, atravessou minha vida.» Adélia Prado
10.8.03
Untitled
REAIS INCLINAÇÕES
A propósito de um post meu relativo a um artigo de António Valdemar sobre as preferências sexuais de Pedro, o da Castro, escreve R.A.L ( não sei se ele quer "sair do armário") no que, presumo, seja o seu T Zero:
O rei vai roto
"E como quer que o elRei muito amasse, mais que se deve aqui de dizer...".
Foi assim, numa frase, que um cronista lançou para a eternidade a fama de homossexual de um rei que viveu um século antes dele. Ora, ainda só vamos na posteridade e o boato já vai aqui:
"O mesmo que casou com D. Constança e se apaixonou por D. Inês de Castro e por um escudeiro que, num acesso de ciúmes, apenas, D. Pedro mandou castrar".
Se fazemos fé e nos regalamos sem reserva na insinuação de Fernão Lopes, então façamos o favor de levar à letra também o que o mesmo diz sobre as razões que animaram D. Pedro para mandar "cortar aqauelles menbros, que os homeens em moor preço tem" ao seu querido escudeiro, as quais se fundam, no lugar de ciúmes, no ímpeto justiceiro do rei, que assim quis castigar o moço por andar a provar a mulher de um corregedor, por quem o rei tinha igual estima, embora puramente institucional.
Assim como Alexandre não deixou de ser grande por gostar de rapazinhos, D. Pedro não precisava de sentimentos efeminados para dormir com vassalos, nem tão-pouco para os estropiar. Pelo menos é o que afirma o dr. Pedro Strecht, que, sabe-se agora, tratou-os aos dois.
Por este caminho, o T-0 rapidamente passará para um T2 ou para um T3...
A propósito de um post meu relativo a um artigo de António Valdemar sobre as preferências sexuais de Pedro, o da Castro, escreve R.A.L ( não sei se ele quer "sair do armário") no que, presumo, seja o seu T Zero:
O rei vai roto
"E como quer que o elRei muito amasse, mais que se deve aqui de dizer...".
Foi assim, numa frase, que um cronista lançou para a eternidade a fama de homossexual de um rei que viveu um século antes dele. Ora, ainda só vamos na posteridade e o boato já vai aqui:
"O mesmo que casou com D. Constança e se apaixonou por D. Inês de Castro e por um escudeiro que, num acesso de ciúmes, apenas, D. Pedro mandou castrar".
Se fazemos fé e nos regalamos sem reserva na insinuação de Fernão Lopes, então façamos o favor de levar à letra também o que o mesmo diz sobre as razões que animaram D. Pedro para mandar "cortar aqauelles menbros, que os homeens em moor preço tem" ao seu querido escudeiro, as quais se fundam, no lugar de ciúmes, no ímpeto justiceiro do rei, que assim quis castigar o moço por andar a provar a mulher de um corregedor, por quem o rei tinha igual estima, embora puramente institucional.
Assim como Alexandre não deixou de ser grande por gostar de rapazinhos, D. Pedro não precisava de sentimentos efeminados para dormir com vassalos, nem tão-pouco para os estropiar. Pelo menos é o que afirma o dr. Pedro Strecht, que, sabe-se agora, tratou-os aos dois.
Por este caminho, o T-0 rapidamente passará para um T2 ou para um T3...
9.8.03
80 ANOS
1. de profundis amamus
Ontem
às onze
fumaste
um cigarro
encontrei-te
sentado
ficámos para perder
todos os teus eléctricos
os meus
estavam perdidos
por natureza própria
Andámos
dez quilómetros
a pé
ninguém nos viu passar
excepto
claro
os porteiros
é da natureza das coisas
ser-se visto
pelos porteiros
Olha
como só tu sabes olhar
a rua os costumes
O público
o vinco das tuas calças
está cheio de frio
e há quatro mil pessoas interessadas
nisso
Não faz mal abracem-me
os teus olhos
de extremo a extremo azuis
vai ser assim durante muito tempo
decorrerão muitos séculos antes de nós
mas não te importes
não te importes
muito
nós só temos a ver
com o presente
perfeito
corsários de olhos de gato intransponível
maravilhados maravilhosos únicos
nem pretérito nem futuro tem
o estranho verbo nosso
2. Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto, tão perto, tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura
Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco
3. Estação
Esperar ou vir esperar querer ou vir querer-te
vou perdendo a noção desta subtileza.
Aqui chegado até eu venho ver se me apareço
e o fato com que virei preocupa-me, pois chove miudinho
Muita vez vim esperar-te e não houve chegada
De outras, esperei-me eu e não apareci
embora bem procurado entre os mais que passavam.
Se algum de nós vier hoje é já bastante
como comboio e como subtileza
Que dê o nome e espere. Talvez apareça.
Parabéns à prima...
1. de profundis amamus
Ontem
às onze
fumaste
um cigarro
encontrei-te
sentado
ficámos para perder
todos os teus eléctricos
os meus
estavam perdidos
por natureza própria
Andámos
dez quilómetros
a pé
ninguém nos viu passar
excepto
claro
os porteiros
é da natureza das coisas
ser-se visto
pelos porteiros
Olha
como só tu sabes olhar
a rua os costumes
O público
o vinco das tuas calças
está cheio de frio
e há quatro mil pessoas interessadas
nisso
Não faz mal abracem-me
os teus olhos
de extremo a extremo azuis
vai ser assim durante muito tempo
decorrerão muitos séculos antes de nós
mas não te importes
não te importes
muito
nós só temos a ver
com o presente
perfeito
corsários de olhos de gato intransponível
maravilhados maravilhosos únicos
nem pretérito nem futuro tem
o estranho verbo nosso
2. Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto, tão perto, tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura
Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco
3. Estação
Esperar ou vir esperar querer ou vir querer-te
vou perdendo a noção desta subtileza.
Aqui chegado até eu venho ver se me apareço
e o fato com que virei preocupa-me, pois chove miudinho
Muita vez vim esperar-te e não houve chegada
De outras, esperei-me eu e não apareci
embora bem procurado entre os mais que passavam.
Se algum de nós vier hoje é já bastante
como comboio e como subtileza
Que dê o nome e espere. Talvez apareça.
Parabéns à prima...
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80 ANOS
1. de profundis amamus
Ontem
às onze
fumaste
um cigarro
encontrei-te
sentado
ficámos para perder
todos os teus eléctricos
os meus
estavam perdidos
por natureza própria
Andámos
dez quilómetros
a pé
ninguém nos viu passar
excepto
claro
os porteiros
é da natureza das coisas
ser-se visto
pelos porteiros
Olha
como só tu sabes olhar
a rua os costumes
O público
o vinco das tuas calças
está cheio de frio
e há quatro mil pessoas interessadas
nisso
Não faz mal abracem-me
os teus olhos
de extremo a extremo azuis
vai ser assim durante muito tempo
decorrerão muitos séculos antes de nós
mas não te importes
não te importes
muito
nós só temos a ver
com o presente
perfeito
corsários de olhos de gato intransponível
maravilhados maravilhosos únicos
nem pretérito nem futuro tem
o estranho verbo nosso
2. Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto, tão perto, tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura
Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco
3. Estação
Esperar ou vir esperar querer ou vir querer-te
vou perdendo a noção desta subtileza.
Aqui chegado até eu venho ver se me apareço
e o fato com que virei preocupa-me, pois chove miudinho
Muita vez vim esperar-te e não houve chegada
De outras, esperei-me eu e não apareci
embora bem procurado entre os mais que passavam.
Se algum de nós vier hoje é já bastante
como comboio e como subtileza
Que dê o nome e espere. Talvez apareça.
Parabéns à prima...
1. de profundis amamus
Ontem
às onze
fumaste
um cigarro
encontrei-te
sentado
ficámos para perder
todos os teus eléctricos
os meus
estavam perdidos
por natureza própria
Andámos
dez quilómetros
a pé
ninguém nos viu passar
excepto
claro
os porteiros
é da natureza das coisas
ser-se visto
pelos porteiros
Olha
como só tu sabes olhar
a rua os costumes
O público
o vinco das tuas calças
está cheio de frio
e há quatro mil pessoas interessadas
nisso
Não faz mal abracem-me
os teus olhos
de extremo a extremo azuis
vai ser assim durante muito tempo
decorrerão muitos séculos antes de nós
mas não te importes
não te importes
muito
nós só temos a ver
com o presente
perfeito
corsários de olhos de gato intransponível
maravilhados maravilhosos únicos
nem pretérito nem futuro tem
o estranho verbo nosso
2. Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto, tão perto, tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura
Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco
3. Estação
Esperar ou vir esperar querer ou vir querer-te
vou perdendo a noção desta subtileza.
Aqui chegado até eu venho ver se me apareço
e o fato com que virei preocupa-me, pois chove miudinho
Muita vez vim esperar-te e não houve chegada
De outras, esperei-me eu e não apareci
embora bem procurado entre os mais que passavam.
Se algum de nós vier hoje é já bastante
como comboio e como subtileza
Que dê o nome e espere. Talvez apareça.
Parabéns à prima...
AUTO DA VISITAÇÃO
Enquanto o JPP anda preocupado com o lançamento de foguetes e o Pás está em guerra com o LIDL, continua em férias, quiça judiciais, o nosso pulha. Contudo, o clube verdadeiramente liberal da blogosfera - os que se auto-rotulam de liberais normalmente são uns chatarrões da linha Espada e que se levam demasiado a sério - está robustecido com um anarca, uns maus fígados e um abutre. Bem vindos!
Enquanto o JPP anda preocupado com o lançamento de foguetes e o Pás está em guerra com o LIDL, continua em férias, quiça judiciais, o nosso pulha. Contudo, o clube verdadeiramente liberal da blogosfera - os que se auto-rotulam de liberais normalmente são uns chatarrões da linha Espada e que se levam demasiado a sério - está robustecido com um anarca, uns maus fígados e um abutre. Bem vindos!
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AUTO DA VISITAÇÃO
Enquanto o JPP anda preocupado com o lançamento de foguetes e o Pás está em guerra com o LIDL, continua em férias, quiça judiciais, o nosso pulha. Contudo, o clube verdadeiramente liberal da blogosfera - os que se auto-rotulam de liberais normalmente são uns chatarrões da linha Espada e que se levam demasiado a sério - está robustecido com um anarca, uns maus fígados e um abutre. Bem vindos!
Enquanto o JPP anda preocupado com o lançamento de foguetes e o Pás está em guerra com o LIDL, continua em férias, quiça judiciais, o nosso pulha. Contudo, o clube verdadeiramente liberal da blogosfera - os que se auto-rotulam de liberais normalmente são uns chatarrões da linha Espada e que se levam demasiado a sério - está robustecido com um anarca, uns maus fígados e um abutre. Bem vindos!
A INSUSTENTÁVEL LEVEZA III
A capa do 1º caderno do Expresso vem confirmar o que se suspeitava: o novo e fundido serviço de protecção civil e bombeiros, a que preside a criatura Leal Martins - mais uma a viver na já preocupante estratosfera portuguesa - , ignorou os avisos e os alarmes relativos à canícula prevista. Não admira que queira "adoçar" as imagens que as televisões transmitem permanentemente da angústia das populações e da terrível devastação no terreno. Sendo assim, conclui-se que não estamos a salvo com a nossa protecção civil, nem salvos dela.
A capa do 1º caderno do Expresso vem confirmar o que se suspeitava: o novo e fundido serviço de protecção civil e bombeiros, a que preside a criatura Leal Martins - mais uma a viver na já preocupante estratosfera portuguesa - , ignorou os avisos e os alarmes relativos à canícula prevista. Não admira que queira "adoçar" as imagens que as televisões transmitem permanentemente da angústia das populações e da terrível devastação no terreno. Sendo assim, conclui-se que não estamos a salvo com a nossa protecção civil, nem salvos dela.
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A INSUSTENTÁVEL LEVEZA III
A capa do 1º caderno do Expresso vem confirmar o que se suspeitava: o novo e fundido serviço de protecção civil e bombeiros, a que preside a criatura Leal Martins - mais uma a viver na já preocupante estratosfera portuguesa - , ignorou os avisos e os alarmes relativos à canícula prevista. Não admira que queira "adoçar" as imagens que as televisões transmitem permanentemente da angústia das populações e da terrível devastação no terreno. Sendo assim, conclui-se que não estamos a salvo com a nossa protecção civil, nem salvos dela.
A capa do 1º caderno do Expresso vem confirmar o que se suspeitava: o novo e fundido serviço de protecção civil e bombeiros, a que preside a criatura Leal Martins - mais uma a viver na já preocupante estratosfera portuguesa - , ignorou os avisos e os alarmes relativos à canícula prevista. Não admira que queira "adoçar" as imagens que as televisões transmitem permanentemente da angústia das populações e da terrível devastação no terreno. Sendo assim, conclui-se que não estamos a salvo com a nossa protecção civil, nem salvos dela.
8.8.03
A INSUSTENTÁVEL LEVEZA II
1. No meio da catástrofe, aparece, via tv´s, o presidente do Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil. O senhor garantiu que os fogos que estão ainda por aí, são já os "normais para a época". E acrescentou que fez uma visita a vários locais sinistrados, falou com muitas velhinhas e pediu à comunicação social que não mostrasse imagens dos incêndios no seu esplendor de morte - as palavras são minhas -, mas antes desse imagens de um bombeiro ou outro, de uma mangueira, enfim, uma versão "música do coração" do combate aos fogos. Eu ouvi e espero que seja repetido várias vezes, para que se acredite. Num País a sério, ou mesmo em África, este cavalheiro já estaria na rua. Aqui, não só ainda mexe, como dá conferências de imprensa palonças. Será que a culpa é só dele?
2. Por que é do mesmo País da desatenção burocrática que deixou morrer Ruy Belo, em 1978, e por vir a propósito, são dele estas frases, bem recordado que está no destaque do Público: "No meu país sem olhos e sem boca / O que é preciso é que não doa muito".
1. No meio da catástrofe, aparece, via tv´s, o presidente do Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil. O senhor garantiu que os fogos que estão ainda por aí, são já os "normais para a época". E acrescentou que fez uma visita a vários locais sinistrados, falou com muitas velhinhas e pediu à comunicação social que não mostrasse imagens dos incêndios no seu esplendor de morte - as palavras são minhas -, mas antes desse imagens de um bombeiro ou outro, de uma mangueira, enfim, uma versão "música do coração" do combate aos fogos. Eu ouvi e espero que seja repetido várias vezes, para que se acredite. Num País a sério, ou mesmo em África, este cavalheiro já estaria na rua. Aqui, não só ainda mexe, como dá conferências de imprensa palonças. Será que a culpa é só dele?
2. Por que é do mesmo País da desatenção burocrática que deixou morrer Ruy Belo, em 1978, e por vir a propósito, são dele estas frases, bem recordado que está no destaque do Público: "No meu país sem olhos e sem boca / O que é preciso é que não doa muito".
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A INSUSTENTÁVEL LEVEZA II
1. No meio da catástrofe, aparece, via tv´s, o presidente do Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil. O senhor garantiu que os fogos que estão ainda por aí, são já os "normais para a época". E acrescentou que fez uma visita a vários locais sinistrados, falou com muitas velhinhas e pediu à comunicação social que não mostrasse imagens dos incêndios no seu esplendor de morte - as palavras são minhas -, mas antes desse imagens de um bombeiro ou outro, de uma mangueira, enfim, uma versão "música do coração" do combate aos fogos. Eu ouvi e espero que seja repetido várias vezes, para que se acredite. Num País a sério, ou mesmo em África, este cavalheiro já estaria na rua. Aqui, não só ainda mexe, como dá conferências de imprensa palonças. Será que a culpa é só dele?
2. Por que é do mesmo País da desatenção burocrática que deixou morrer Ruy Belo, em 1978, e por vir a propósito, são dele estas frases, bem recordado que está no destaque do Público: "No meu país sem olhos e sem boca / O que é preciso é que não doa muito".
1. No meio da catástrofe, aparece, via tv´s, o presidente do Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil. O senhor garantiu que os fogos que estão ainda por aí, são já os "normais para a época". E acrescentou que fez uma visita a vários locais sinistrados, falou com muitas velhinhas e pediu à comunicação social que não mostrasse imagens dos incêndios no seu esplendor de morte - as palavras são minhas -, mas antes desse imagens de um bombeiro ou outro, de uma mangueira, enfim, uma versão "música do coração" do combate aos fogos. Eu ouvi e espero que seja repetido várias vezes, para que se acredite. Num País a sério, ou mesmo em África, este cavalheiro já estaria na rua. Aqui, não só ainda mexe, como dá conferências de imprensa palonças. Será que a culpa é só dele?
2. Por que é do mesmo País da desatenção burocrática que deixou morrer Ruy Belo, em 1978, e por vir a propósito, são dele estas frases, bem recordado que está no destaque do Público: "No meu país sem olhos e sem boca / O que é preciso é que não doa muito".
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