Infelizmente não cheguei a conhecer Jorge de Sena. Ele vivia e ensinava nos Estados Unidos - a "academia" pós-25 de Abril fez-lhe o mesmo que a do Estado Novo - e, no 10 de Junho de 1977, na Guarda, só o acompanhei pela televisão. De resto, muito cedo habituei-me a lê-lo e a considerá-lo porventura o intelectual mais completo do século XX português. Quanto a Gaspar Simões, entrevistei-o na sua casa da Calçada das Necessidades, para o Semanário, a pretexto de Pessoa. E ainda nos cruzámos em subidas e descidas da Rua Garrett até à sua morte. Foi dele, em exclusivo, e anos a fio, o mandarinato crítico-literário de jornal. Era um senhor, não sei se sabem o que é que isso quer dizer no meio do lixo geral. Eram ambos, cada um à sua maneira, uns Senhores.