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20.12.09

INEVITÁVEL COMO MORRER


Ao fim de sessenta e cinco anos, fechou finalmente (este "finalmente" é escrito sem sombra de ironia e com uma enorme tristeza) a Buchholz. Na realidade, a Buchholz já estava fechada há muito tempo e a derradeira devassa - livros a um ou dois euros - só acentuou esse fim melancólico e inglório. Entrei lá pela última vez a semana passada. A Buchholz devolvia-nos, apesar da duradoura antipatia das senhoras encarregadas daquilo anos a fio, o prazer de frequentar uma livraria que é um termo que se tem vindo a perder para os amontoados comerciais onde livros ombreiam com tudo e com nada. Por isso, não vale a pena acrescentar algo ao dito noutra ocasião. «Livrarias como a Buchholz fazem parte daqueles raros lugares de silêncio onde podemos sentir intimamente a euforia que representa o amor pelos livros e pela leitura. Fomos nós, os leitores, que as "traímos" quando as trocámos pela "facilidade" dos "grandes espaços". Talvez tudo isto seja inevitável como morrer que é o que, afinal, um livro nos "ensina".»

INEVITÁVEL COMO MORRER


Ao fim de sessenta e cinco anos, fechou finalmente (este "finalmente" é escrito sem sombra de ironia e com uma enorme tristeza) a Buchholz. Na realidade, a Buchholz já estava fechada há muito tempo e a derradeira devassa - livros a um ou dois euros - só acentuou esse fim melancólico e inglório. Entrei lá pela última vez a semana passada. A Buchholz devolvia-nos, apesar da duradoura antipatia das senhoras encarregadas daquilo anos a fio, o prazer de frequentar uma livraria que é um termo que se tem vindo a perder para os amontoados comerciais onde livros ombreiam com tudo e com nada. Por isso, não vale a pena acrescentar algo ao dito noutra ocasião. «Livrarias como a Buchholz fazem parte daqueles raros lugares de silêncio onde podemos sentir intimamente a euforia que representa o amor pelos livros e pela leitura. Fomos nós, os leitores, que as "traímos" quando as trocámos pela "facilidade" dos "grandes espaços". Talvez tudo isto seja inevitável como morrer que é o que, afinal, um livro nos "ensina".»