29.1.05

A ANGÚSTIA DA INFLUÊNCIA

Ler "O Dilema" no Causa Nossa. Vital Moreira, partindo da semi-angústia partidária de Pacheco Pereira (que não é homem para "estados de alma"), elabora uma interessante ponderação acerca dos militantes do PSD. Como é que um militante do PSD que não acompanha a deriva "santanista" deve proceder nas eleições de 20 de Fevereiro? Só posso falar por mim e num contexto completamente diverso. Em 1985, eu ainda estava longe de ser o empedernido "cavaquista" em que me tornei. Apoiava Mário Soares para Belém e desconfiava adolescentemente da figura austera recém chegada ao partido. Assisti a uma única acção de campanha, na Alameda das Universidades, e foi a custo que aceitei colocar um auto-colante de Cavaco. No dia das eleições, encaminhei-me para a escola onde voto sem saber o que ia fazer. Em não sei quantos actos eleitorais em que já participei, foi essa a única vez em que só no momento da "cruzinha" me decidi. E decidi-me pelo PSD. Se ainda fosse militante do partido, teria seguramente hoje menos "angústias" do que nesse ano remoto. Santana Lopes não representa uma interrogação. É, infelizmente, uma má certeza. Nisso, os brasileiros da sua campanha acertaram no último outdoor. "Este, sim, sabe quem é", diz o cartaz, referindo-se a Lopes, num registo "pimba" de "por amor a Portugal"! É exactamente por saberem "quem ele é" que muitos militantes e eleitores do PSD "não respondem" nas sondagens, engrossando as fileiras dos "indecisos" e dos potenciais "abstencionistas". Mas não dizem que votam diferente. O único líder com perfil social-democrata que concorre às eleições de Fevereiro, José Sócrates, deve meditar nisto. A maioria absoluta, tão incerta quanto precária, vai decidir-se apenas nesse caminho solitário para as assembleias de voto sob a "angústia da influência".

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