8.7.09

CRIME E CASTIGO

Ao contrário da grande apóstola nacional-fracturante que, para além disso, acredita piamente que não há rapazes maus - é o que dá viver a vidinha blindada entre duas ou três ruas principais de Lisboa agarrada a "figos de ouro" -, noutra encarnação trabalhei no MAI. E fiz alguns processos de averiguações acerca de tiros saídos de armas de agentes da autoridade. Andei entre esquadras, postos da GNR e aqueles bairros ditos sociais que a Fernanda "estuda". Falei com agentes e com "rapazes". Bons e maus. Passaram anos sobre isso. Dez, doze. Nem a Fernanda aprendeu nada entretanto, nem a sociedade portuguesa (muito por causa de "teóricos" como ela ou o "seu" improvável académico Rui Pereira que "está" ministro) assimilou, por manifesto complexo "cultural", a necessidade do exercício adequado e oportuno da acção policial. No "julgamento", tão correcto como ligeiro, à semelhança dos taxistas (estes costumam ser mais "incorrectos"), que é feito da polícia (porque ao termo polícia se associam invariavelmente tragédias de proporções bíblicas) por apóstolos como a Fernanda é que chegámos a este estado da arte. Desde agentes mortos à queima-roupa, a tiros errados das polícias (daqueles processos saíram punições quando as punições se justificavam, como a Fernanda, a jornalista, bem sabe, tal como outros foram arquivados) ou aos bonés policiais atirados, em revolta, para o meio da rua, tudo é resultado da mesma coisa. De trinta e cinco anos de políticas ditas "sociais" erradas, do imenso equívoco do "multiculturalismo" e de uma comunicação social amortecedora da verdadeira gramática do crime e do castigo. A democracia é este "pacote" de horrores em que toda a gente (até os seus agentes) temem a autoridade responsável. E não há nada pior para toda a gente do que o medo do próprio medo. Sobram sempre vítimas e carrascos de ambos os lados e, normalmente, ambos errados. As derivas intelectuais de pessoas como a Fernanda - ou as contrárias, as apenas securitárias porque sim e porque dá votos - só são possíveis porque a ignorância é atrevida. Tal como a canalha será sempre a canalha.

16 comentários:

Anónimo disse...

Gostaria, já agora, de saber de que Fernanda é que fala. De resto estou de acordo consigo. A Democracia está eivada de equívocos que levam a equivocos maiores. E o pior equivoco é confundir a moral.

ana farinha disse...

Na minha rua um polícia de trânsito esperava um camião e mantinha-se de sentinela. Aproximei-me e conversei. Tinha 29 anos, casado, dois filhos e três enfartes em cima. Fora para a PSP como Polícia motoqueiro, mas era obrigado a usar viatura caso o chefe mandasse. Se acaso batesse com o carro o arranjo era por sua conta e, em caso de perseguição a alta velocidade se tal fosse demonstrado, a sua carta era caçada pela própria policia. Palavras para quê? Continuamos alegremente a caminhar para o abismo da desumanização profissional e social.
Ana Farinha

Anónimo disse...

Não valia a pena, o Tomas já tinha replicado, e bem...

Levy disse...

Concordo com o que escreveu. Mas pior ainda que a F. é a Joana Amaral Dias, que na defesa dos bandidos ainda é mais autoritária e arrogante. Estou a espera para ver se vai praticar aquilo que defendeu há dias na SIC: colocar este pessoal dos assaltos a viver no prédio dela.
Infelizmente a maioria das pessoas não tem consciência pelo que passam os polícias. É das piores profissões que pode haver.

Anónimo disse...

Um amigo meu, agente da PSP, tem um colega de 24 anos (na PSP) que numa saída à noite foi surpreendido por um grupo dos denominados "excluídos sociais". Um deles reconheceu o agente pois tinha sido alvo de detenção por parte dele dias antes. Não será dificil imaginar o resultado. Uma temporada no hospital seguido da desistencia da PSP. E tudo isto por 900 euros mensais e..."uma homenagem por zelar pela nossa segurança"?!?!

Fado Alexandrino disse...

Fui ler.
A generalização estúpida que a Câncio faz sobre os taxistas implica que nem sequer se leia tudo até ao fim.
Até a sobranceria tem limites.
Era bom que todos boicotassem a sua entrada nos ditos cujos.

Anónimo disse...

Num bar em frente do meu prédio vende-se droga e esses consumidores vêm fumá-la para a rua. Bebem cerveja, fazem o barulho que querem às horas que querem. Partem garrafas e transformam a rua no equivalente aos seus próprios cérebros, uma esterqueira.
Quando se telefona à polícia eles vêm e a coisa sossega um pouco, mas depois volta tudo à "normalidade" instaurada pela escumalha.
Toda a gente da rua, refém desse horrível bar, pensa:
- se a polícia pudesse amansar esta escumalha a cacetete provavelmente teriam outro respeito pela restante humanidade.
Infelizmente a realidade não é feita de idealizações, quem não foi educado em criança terá, forçosamente, de o ser em adulto.
A polícia deve ter maior liberdade de acção.
Já chega de serem sempre os bons a perder.

Joao Domingues disse...

Já chega sim senhor!
Já chega há muito tempo, e há muito tempo que muita gente diz que já chega, mas toda a gente continua sem fazer nada para que pare.
É assim o meu Portugal dos pequeninos!
eternamente à espera do Som Sebastião que virá do nevoeiro!

joshua disse...

A Fernanda parece ter ganho direito a uma escrita culturalmente 'estivadora' na hora da manif. O pressuposto de que o sangue derramado não pode ser politicamente instrumentalizado é óbvio, mas o facto de ser isto dito pela f., tendenciosa em toda a matéria politicamente movente, não soa nem a convicto nem a convincente.

Mero pretexto para vexatória bordoada. O Tomás [essa espécie de deus blogueano] também, depois da conjugação artificial da 'sua' imigrante brasileira jeitosa da limpeza com a emigrante pianista Pires, põe-se a jeito.

Daniela Major disse...

Não compreendo o comentário de F.C. Tomás Vasques diz que se "por sorte, os policias se tivessem antecipado e, em legítima defesa, disparado sobre os assaltantes, o «pessoal do costume» estaria, em coro, a brandir despautérios contra «a violência policial sobre gente pobre, de um bairro pobre»".

Só isto. Não percebo de onde é que F.C inferiu que "dizer que a polícia, na dúvida, deve ser sempre a primeira a disparar? que a violência policial injustificada é legitimada pela existência de criminosos?"

De qualquer maneira, parece-me evidente que como se viu nos comentários, f. e outros do género que defendem posições semelhantes desconhecem completamente certas realidades. Quando eu tinha 9 anos e fui para a escola básica um amigo meu foi assalto à minha frente por uns marginais que "estudavam" na minha escola. Já fui assaltada duas vezes, por sorte não me roubaram nada excepto moedas porque eu não tinha mais nada.

Tive 2 colegas meus que foram esfaqueados numa discoteca à noite. Um rapaz que eu conhecia foi baleado num parque de estacionamento num centro comercial e o assassino ainda não foi apanhado. E eu não vivo propriamente num "ghetto". A criminalidade tem vindo a aumentar. E em vez de se tomar medidas para melhorar as condições de trabalho nas polícias, em vez de fazer alguma coisa em relação ás penas e ás liberdades condicionais, continuamos a achar que não podemos fazer mal aos criminosos e quando um polícia em legítima defesa se defende cai-lhe tudo em cima. Mas o que é isto? Que país e que justiça é esta, que protege os criminosos em vez das forças políciais?

Anónimo disse...

O problema é que esta gentinha como a "Srª" "Drª" Fernanda, têm tido a sorte da vida e nunca sentiram o cano de uma arma encostada á cabeça, ou bastava só esta apontada a elas.
Podem ter a certeza que as opiniões mudavam radicalmente.
Ass:Luís Morais

Lura do Grilo disse...

"de uma comunicação social amortecedora da verdadeira gramática do crime e do castigo" : chapelada, resume tudo parabéns.

Anónimo disse...

“A vergonha da PSP”

Vergonha e indignidade: no artigo sobre as condições de alojamento dos agentes da PSP (Público, 15Mar04); no apresentado do telejornal das 20 horas (TVI). Um símbolo do deixa andar nacional, da ignorância dos dirigentes políticos do país, do alheamento dos dirigentes militares nacionais, da falta de exigência dos agentes por melhores condições de vida, aparentemente tudo bem, não fossem uma vez mais os OCS. Depois, queremos uma polícia motivada, operativa e eficaz. As condições de vida miseráveis dos nossos guardas, sem qualquer justificação, terão por acaso o que merecem?
Na área da grande Lisboa, perto de uma dezena de grandes quartéis do exército por demais sub-ocupados desde há mais de dez anos, tantos quantos os que dura o ridículo serviço militar obrigatório de 4 meses de duração, em vias de terminar. Por ignorância de políticos e falta de vontade dos dirigentes superiores da tutela, um atentado à dignidade dos agentes da nossa segurança, transformados numa espécie de miseráveis da sociedade moderna. Porque de entre uma dezena de aquartelamentos ás moscas, bastava pegar em um ou dois deles para rapidamente, sem custos e de modo eficaz, dar outras e muito boas condições de vida a um milhar e policias – quartos e camaratas, refeitórios, salas de convívio, zonas desportivas, tudo pronto.
Pelos vistos, se não fossem os OCS, estava tudo bem, tal qual no reino da Dinamarca. Em verdade, tais infra-estruturas em breve estarão desocupadas (com o fim do SMO) e nessa altura em processo de degradação rápida pela sua não utilização. Que interessa? Ou talvez interesse. Ao senhor ministro da respectiva tutela p. ex, necessitado de cumprir uma promessa eleitoral para com largos milhares de ex-combatentes mesmo que não necessitados de qualquer reforço de pensões (entre os quais me incluo), ainda que à custa da venda de património militar ao desbarato, dando assim destino a um fabuloso património público/nacional (das FA) pelas piores razões.
Entretanto, aparentemente assegurado o bom desempenho político dos nossos dirigentes com o cumprimento das suas promessas, mesmo que demagógicas, a tutela dos polícias pode desesperar com a falta de recursos e os agentes da nossa insegurança podem esperar. À espera de Godot.
Encostados ao fundo da escala social, logo acima das franjas de marginais da cama de cartão e das seringas que vegetam nas nossas cidades, os seus e nossos guardas mais próximos, em coabitação democrática. Após dois anos de acção de um governo reformista – doze anos para reformar as prisões, novas instalações para as polícias quando (?), as Forças Armadas a bater no fundo, o ensino como se vê – as reformas de fundo parecem destinadas à habitual forma portuguesa de administração: uma vez estudadas e no papel, arquivadas. Indignidade e insegurança assegurados.
XXXXXXXXXXXXXXX
Lisboa, 16Mar04

Aqui fica uma proposta (missiva) que me chegou por mail. Segundo o seu autor (devidamente identificado) foi remetida a pelo menos um jornal de tiragem nacional.
Não publico o nome do mesmo, por não saber se o posso fazer, já que o mail não trazia qualquer indicação a esse facto.
Posted by: Ze / 10:14 AM
"Zé da Polícia"
JB

Anónimo disse...

Como a Senhora em questão parece ser inteligente a defesa das suas teorias só pode resultar de de algum caso mal resolvido na sua vida. Devia portanto ir ao médico porque isso passa.

observador disse...

Caro João,

Não seja nem económico nem ingrato, esquecendo-se do notável contibuto que S deu para esta situação, com os seus safanões, ausência de Justiça, e paz podre.

Já agora, e concordando que o lirismo da tal Joana e não só chega a ser confrangedor, gostaria de saber a sua opinião sobre o tal Ferraz, que, pelos visto, acha que pagar e viver com o salário mínimo e hórários de trabalho das 7H00 ás 19H00, são a melhor maneira de educar os mais novos e promover a boa cidadania e integração social.

joão santos disse...

Quando esses palermas esquerdóides, tão tolerantes com a marginalidade, forem assaltados, agredidos ou violados, talvez o discurso deles mude! Esta nossa democracia converteu o criminoso numa vítima da sociedade e não esta numa vítima daquele!