20.7.07

DOS "À FRENTES" E DOS "ATRASES"


Alertado por sms pelo João, percebi que está - ou esteve - em curso na blogosfera uma polémica tipicamente redonda. Tudo começou por causa de uma ex-deputada e ex-uma data de coisas, de seu nome Patrícia Lança. A dita Patrícia, com a veneranda idade de 82 anos, lançou-se literalmente a alguns temas a que o correcto apelida de fracturantes. Ela escreveu uma coisa, uns e outros responderam com outras tantas e assim por diante. Sexo anal? Com certeza. Desde tempos imemoriais - e, nestas matérias, tanto gregos e latinos como cristãos - que a sodomia, praticada indistintamente entre soi-disant same sexers ou soi-disant heterossexuais, existe. Não é pelo facto de a religião a proibir que ela não anda por aí. Anda. Aliás, conheço umas moças muito badaladas no pobre socialite português que, para se aliviarem do marido do momento, não pretendem outra coisa já que os "à frentes" são pseudo- sagrados, abortos incluídos. É esta também a "teoria" seguida por raparigas das melhores e das piores famílias, antes do casamento. Preservem-se os "à frentes" e seja o que Deus quiser com "os atrases" e com a boquinha. Qualquer meu conhecido em idade adequada pode comprová-lo perfeitamente. Farto-me de citar esta, mas lá vai mais do mesmo. "Não te metas na vida alheia se não quiseres lá ficar", termina assim o "Nome de Guerra" do Almada Negreiros. Eu, nestas coisas dos "à frentes e dos atrases", recomendo sempre Suetónio. Com os seus "Doze Césares", o historiador esclareceu definitivamente a duplicidade na sexualidade humana sem ser preciso esperar pelo idiota relatório Kinsey. Não quer dizer que, ao longo de uma vida inteira, ela se manifeste. Pelos vistos não se manifestou em Patrícia Lança. Tal como não se manifestou nem decerto se manifestará em muito boa gente. Para mim, que sou praticamente um reaccionário, não existe uma "normatividade" sexual, salvo a que decorre da previsão da lei penal. Entre "consenting adults", todos os "à frentes" e todos "os atrases" são sempre bem vindos. E quem nunca apanhou uma camada de "chatos" que atire a primeira pedra.

DISTRACÇÕES

Um amável leitor chama a atenção para o artigo de José Miguel Júdice no Público. Acontece que eu deixei de ler o dr. Júdice há muito tempo tal como muitos outros distintos ornamentos da democracia. Aliás, e pela primeira vez de muitas, deixei de votar. Como aprendi com uma colega de liceu, só ligo a merda quando estou distraído. E raramente me distraio.

19.7.07

DIA 19 DA PRESIDÊNCIA


Grande dia para a presidência. A sra. D. Rice, o sr. da ONU cujo nome não consigo pronunciar e o pepsodent Blair andaram por aí. Tiveram direito a trânsito fechado, a helicóptero e a centenas de polícias. E à RTP oficiosa, babada e regimental. Tudo por causa do Médio-Oriente que este chamado "quarteto" monitoriza com o sucesso flamejante que se surpreende diariamente. Para ajudar o senhor presidente em exercício, o czar Putin zangou-se com o sr. Brown e vice-versa. Já havia uma vaga dificuldade por causa do preto fascista Mugabe e, agora, aparece o sr. Putin com o seu caprichismo chauvinista para perturbar a harmonia presidencial feita de cimeiras disto e daquilo. O mundo volta a estar perigoso, areia em demasia para o camião do senhor presidente. E, "quarteto" por "quarteto", preferirei sempre o de Pedro Bandeira Freire.

NOVOS CÍNICOS

Diógenes de Sinopa é a figura que ilustra momentaneamente este blogue. Vivia dentro de um barril, no meio da rua e rodeado de cães. Tem na mão a famosa lanterna que usava à luz do sol para encontrar, sem sucesso, "um homem". Diógenes deve ser recuperado e tornar-se presença viva. Em certo sentido como Cristo que, afinal, não resolveu o Seu caso e deixou-nos a braços com o horror da cruz. Precisamos, com urgência, de novos cínicos. Cabe-lhes a sublime tarefa de arrancar máscaras, de denunciar os "quentinhos", de esmagar as diversas mitomanias e mitologias, de reduzir a pedaços as hipocrisias geradas e mantidas em e pela sociedade. Resistir, é o lema do novo cínico. Resistir às cristalizações sociais e culturais, às "virtudes" colectivas do correcto instituído pelas esquerdas. Por isso o novo cínico é fatalmente de direita e contra o "labreguismo" dominante. Detesta o conformismo, a ideologia e o supérfluo. Promove a singularidade e a iconoclastia contra a frivolidade pequeno-burguesa, típica de "republicanos". É enérgico. Nietzsche chamar-lhe-ia "super-homem", outros apenas uma alma pura. O homem comum tem - julga ele e foi assim que lhe ensinaram - "esperança". O novo cínico possui a desesperança dos malditos luminosos. Aprende-se muito com os cínicos, os antigos e os por vir.

HOMENS COM IMAGINAÇÃO

No Público de hoje, só uma frase vale a pena. É de Proust. "Deixemos as mulheres bonitas para os homens sem imaginação". O Verão ajuda a perceber melhor o sentido da coisa.

Foto: "Cortesia" do mesmo Público.

PEDROSANTANALOPES.BLOGSPOT.COM


Leio o primeiro post e há qualquer coisa que "não é" PSL. Leio o segundo e já me parece mais PSL. Tudo junto, duvido. Só o próprio poderá garantir. Este blogue é seu, Pedro?

18.7.07

A GRANDE LEI


A legislação estalinista sobre o aborto foi considerada pelo secretário-geral do PS como a opus magnum desta sessão legislativa. É certo que o referendo deu o resultado que deu e é certo que o PR promulgou a lei apesar das advertências. Tudo isso é verdadeiro. Sucede que a legislação, por mais perfeitinha que seja - e esta, na sua regulamentação, é manifestamente um aborto - não "torce" a realidade. E a realidade - os hospitais, os médicos, os enfermeiros - não mudam a sua natureza por causa da lábia deste ou daquela. Pedir aos clínicos objectores de consciência que assinem declarações como estas - "tenho conhecimento da minha obrigação de prestar assistência às mulheres cuja saúde esteja em risco, em situações decorrentes da interrupção da gravidez" e "tenho conhecimento da minha obrigação de encaminhar as grávidas que solicitem a interrupção da gravidez para os serviços competentes, dentro dos prazos legais" - tem qualquer coisa mais adequada a regime totalitário do que a de "esquerda moderna". Depois disto, vêm aquelas senhoras deputadas do BE, com ar de freiras arrependidas, "exigir" que as mulheres madeirenses abortem à viva força e que o respectivo governo regional, à semelhança do de cá, as encoraje. Como me costumam dizer, supostamente para eu me rir, get a life.

WELTGEIST

Como é possível ler com a tranquilidade exigida pela matéria - cirenaicos e cínicos - e ter ao lado um paizinho que, de cinco em cinco minutos, pergunta à menina se ela quer fazer cócó?

LER OS OUTROS...

... talvez fizesse bem à iluminada cabeça da jornalista Teresa de Sousa, a mandatária do regime para a comunicação social dos "assuntos europeus". Uma "especialista". Começava com este post, por exemplo, e depois podia ir tratar dos dentes.

O QUE ESTÁ

"Nenhum candidato [à CML] foi capaz de reagir à degradação. Pelo contrário, vimo-los, sem excepção, despudoradamente submetidos à demagogia mais labrega. A dada altura, pareceu que todos concordavam que cada assessor representa um crime e que, em princípio, quem não é empregado do Estado não é bom cidadão. Não houve ninguém que não tivesse ajudado a abstenção a chegar aos 62,6%. Nada disto é específico da política municipal de Lisboa. E se o parlamento a eleger em 2009 reproduzir alguma coisa parecida com a pulverização e incerteza da vereação lisboeta? Talvez comece então a contagem decrescente para o primeiro governo de iniciativa presidencial desde 1979. Deus guarde o professor Cavaco Silva."

Rui Ramos, in Público

A DIREITA QUE ESTÁ

Às vezes aparecem aqui comentários que me deixam perplexo. Esclareço mais uma vez. Não ambiciono nada deste regime e desta gente, seja qual for o partido em causa. Por vezes dedico mais tempo à chamada direita porque esse é o meu "lado". Não a direita que está, mas a direita por vir. Gostava que fosse possível desenvolver um pensamento institucional neo-salazarista, sem complexos e sem os melros do costume. Quanto a partidos, os que existem, chegam e sobram, embora preferisse uma espécie de "UMP" portuguesa que substituisse toda a direita actualmente visível e sempre em bicos dos pés. Entram e saem, mas são sempre os mesmos a entrar e a sair. A rever-me nalguma coisa, só no PSD-Madeira que, infelizmente, não é transponível para este quadrado de quadrados. É por lá que volto, se voltar, à direita que está.

O ÍMPETO

O sr. Canas que, inexplicavelmente, continua a ser o porta-voz do PS - imagino que um partido com a tal fantástica "adesão popular" do sr. Perestrello tenha melhor para o representar do que o balofo e boquinhas Canas - descansou o país, no fim de uma reunião da seita, quanto ao "ímpeto reformista" do governo. Apesar da presidência europeia, disse Canas, o "ímpeto" mantém-se. E por causa da referida presidência, nada mais nada menos do que doze ministros estiveram "por fora", no Parlamento Europeu, a explicar as respectivas "prioridades". Um deles, Jaime Silva, da agricultura, anunciou em Bruxelas o corte de cerca de dezassete mil hectares de vinha, em abono da "harmonia" da União. O Marquês de Pombal tinha criado a região demarcada do Douro e a respectiva Companhia para internacionalizar a matéria, sobretudo o vinho do Porto. Estes burocratas da modernidade querem acabar com isso em nome das quotas que aprovam para tudo e para nada: para o leite, para as mulheres, para o tamanho das pilas, para o vinho, para o tabaco, etc. etc. Por isso, e ao contrário do que alardeia o sr. Canas a propósito do "ímpeto", não existe reformismo algum em curso. Há umas coisas avulsas, desconexas e em função dos apetites ministeriais, e o que Bruxelas comanda, que é muito. O sr. Silva, que é um subproduto da burocracia europeia, é que sabe. Cortar, cortar e cortar até não haver mais nada a não ser o "progresso" e a "felicidade" transpostos para efeitos domésticos como uma directiva. Isto é que é "ímpeto". Não duvidem.

17.7.07

DOS LIVROS - 4

As sete ou oito últimas linhas deste post "definem" eloquentemente Maria Gabriela Llansol, vá-se lá saber porquê, uma escritora portuguesa muito querida do nosso maoísta de Bruxelas.

APRECIAR PERSONALIDADES

José Medeiros Ferreira tem razão. Sempre apreciei a personalidade de Paula Teixeira da Cruz. Devia ter-se "chegado à frente" e não ter permanecido no quentinho maioritário do cinema Roma. Por isso, por gostar dela, espero que saia.

Adenda: Dito isto, a perspectiva da sra. D. Helena Lopes da Costa à frente da "distrital" de Lisboa do PSD seria de gargalhada se não fosse trágica. Antes o Henrique de Freitas. Sempre é meu amigo e bom rapaz.

FRÁGIL, RUA DA ATALAIA


O Frágil comemora esta noite vinte e cinco anos. Quando ouço a miudagem dizer - com a falsa intimidade de quem não sabe nada nem viveu ainda nada - que vai "ao Bairro", sorrio para dentro. O "Bairro" que eles conhecem, o dos shots, das ganzas e do copinho de plástico na mão no meio da rua, não é exactamente o mesmo Bairro Alto dessa altura. Aliás, quase todos os actuais frequentadores mais assíduos nem sequer eram vivos. O Frágil e, em restaurante, o Pap'açorda, recriaram o Bairro Alto em Lisboa, nos primeiros anos da década de oitenta. Manuel Reis, o José Manuel Miranda e o Fernando "mudaram" aquele lado da noite. Em rigor, criaram uma outra noite que tinha o seu coração na Rua da Atalaia. Saía-se de um para o outro lado e, cada noite, pelo menos nesse verão primeiro, era a primeira. Única. O Frágil tinha sempre à porta homens e mulheres lindíssimos e sofisticados. Anamar começou naquela porta, por exemplo. Lá dentro circulava gente para todos os gostos e todos os gostos eram relativamente saciáveis. Corri para o Frágil quase todo o mês de Agosto desse ano, ao lado do meu amigo Vicente - que se mantém um amigo firme ao fim de um quarto de século -, apenas variando nas companhias. Tinha vinte e um anos e, julgava eu, uma vida genial por vir. Tudo era possível. Nada ou muito pouco, afinal, veio. E tudo se revelou improvável ou, no limite, impossível. Entretanto o Frágil foi definhando até se tornar no estábulo indefinido - logo ele, cujo maior fascínio era justamente essa indefinição - que perdeu as graças dos deuses. Como escrevi noutra ocasião - e já estou em boa idade de não ter de inventar nada - "o ambiente toldou-se e virou lixo, em sentido material e humano. Uma vez, o Miguel Lizarro, em pleno Frágil, olhou em volta e sussurrou-me : "já reparaste, estão todos cheios de vontade de ir para a cama uns com os outros, mas ninguém avança". Alguém acabava sempre por avançar. Agora, nem vontade, nem cama, nem "avanços". Nada. É tudo de plástico como os copos. O Bairro Alto perdeu definitivamente o que tinha de mais belo: a sua noite, a sua autenticidade e o seu esplendor."

RAPAZ COM FUTURO

O sr. Perestrello, o terceiro ou quarto vereador do dr. Costa, acumula com a direcção não sei de quê no aparelho do PS. Já avisou que vai continuar a tomar conta do aparelho para além da fatia que lhe cabe na CML. Para se avaliar o estilo do dito - apenas com trinta e cinco anos mas muito rodado na partidarite aguda - veja-se o comentário a propósito da "manifestação espontânea" do Altis, no domingo. "O PS tem muita adesão popular", afiançou o jovem apparatchik. Tem futuro.

A SENHORA REITORA


Nunca vi nem tenciono ver um único filme de Harry Potter. Da mesma maneira que não tenciono ler livro algum da Sra. Rowling. Todavia não posso deixar de reparar na propaganda do novo filme que aparece frequentemente na televisão. Parece que a "má da fita" é uma senhora reitora qualquer. Pois bem. Manuela Ferreira Leite é a reitora com que algumas almas pueris do PSD sonham. Manuela é o totem do PSD, o oráculo a que se recorre quando os anões começam a esbracejar. Talvez pela dureza do rosto, pela inflexibilidade na acção e pela poupança na palavra, Manuela é o permanente alter ego da liderança de um partido que aprecia chefes e não presidentes. Fiz parte das suas listas, em Lisboa, numa outra encarnação e, confesso, nunca percebi o que é que a unia ao António Preto e vice-versa. E fiz por causa do respeito vagamente autoritário que a sua pessoa inspira. Quando exerceu um cargo nitidamente político - presidente do grupo parlamentar com Marcelo, salvo erro - Manuela não deixou marca, boa ou má memória. Os outros postos - chefe de gabinete de Cavaco ministro, secretária de Estado, ministra (da Educação e das Finanças) -, sendo políticos, eram essencialmente pura intendência. Aliás, Manuela exerceu-os com a perícia de uma auditora e a proficiência de uma contabilista. Nem mais, nem menos do que isso. Ou seja, nada a distingue particularmente para a chefia de um partido a não ser, neste momento, poder concorrer com o autoritarismo dirigido do senhor presidente em exercício. Manuela não representa política alguma. É, antes, uma campeã do "apolítico" na política, como Cavaco, seu mentor. A diferença é que Cavaco tem um lado político profissional que o catapultou ao lugar que ocupa e que Manuela, por mais que se esprema ou a espremam, não tem. Falta-lhe, numa palavra, o talento para a coisa. Mesmo assim, ela vai andar por aí nas próximas semanas, na boca de outros ou motu proprio. Para a telenovela ser completa, só falta Santana Lopes. Mas, a seu tempo, ele aparecerá. Não resiste.

16.7.07

AS ALTERNATIVAS


O dr. Mendes já tem duas "alternativas". Uma, eterna, é o dr. Menezes, autarca de Gaia, uma espécie de "Kompensan" ambulante que se acha sublime e que não compreende por que é que o partido, primeiro, e o país, depois, não o desejam. A segunda, também nortenha, é o dr. Aguiar Branco, mundialmente famoso depois de ter exercido as funções efémeras de ministro da justiça. Estas excelências, repare-se, aspiram a dirigir a direita. Sim, porque enquanto o regime for o que é, quem dirige a direita é o PSD e jamais o CDS-PP. Ora com gente desta, o dr. Mendes persiste, com a maior naturalidade, até 2009. Viu-se agora em Lisboa o que dá brincar com amadores da estirpe do novo militante Negrão. A macrocefalia política de Lisboa praticamente impede que qualquer "homem do norte" mande. Sá Carneiro era do Porto mas há muito que tinha "adoptado" Lisboa. Só existe um homem no norte que podia apoderar-se das hostes "laranja" com a possibilidade de um módico de êxito. Não é do regime, não segue o sistema, é teimoso e tem uma forma algo iconoclasta de tratar a coisa pública. Não é adulado pela opinião que se publica e não teme reverencialmente ninguém. Chama-se Rui Rio e sabe alemão. Tivesse ele pachorra e "treino" e talvez, esse sim, pudesse avançar sem que fosse preciso tirar quinze dias de riso nacional. De resto, e ao contrário do que se pode pensar, Mendes é um osso duro de roer. O meu palpite é que é mesmo ele quem vai levar o andor até 2009.

A UNIÃO DOS CORAÇÕES


Encontro, no programa de Bárbara Guimarães "Palavras Soltas", e alertado por uma amiga comum, o José Manuel dos Santos. Fala de Antero* e de Cesariny. Exibe dois manuscritos, um de Antero - uma carta - e outro de Cesariny, para ele, outra carta que termina com um "abraço-te, triste, o alegre, fulano". Ouço-o referir que Eduardo Lourenço é a antítese do enunciador de lugares-comuns culturais. Fica a sugestão de dois livros de Lourenço, os mais recentes, com Antero e Eça. Tenho uma saudade profunda destas conversas com José Manuel dos Santos que estimo e admiro. Da sua argúcia e inteligência luminosas. da sua generosidade. Não sei se ele aprecia São Tomás de Aquino. Eu tenho dias. Todavia gostava que ele - e outros que se afastaram ou, se calhar, fui eu quem se afastou - meditassem nesta sua frase que está à porta da casa do Restelo do prof. José H. Saraiva: "a concórdia é a união dos corações, não a das opiniões". Tal como Mitterrand, acredito nas forças do espírito e, mesmo sozinho, eu não os abandono. Abraço-te, triste, J.

Foto: Minha, péssima, do local no Campo de São Francisco, em Ponta Delgada, onde Antero acabou com a sua amargura.

DA MEDIOCRIDADE


Viu-se ontem, com o "povo" do Altis. Por que é que o senhor presidente em exercício não o exibe nos fora europeus em que vai passar a vida estes seis meses? Ou só os Júdice e os Salgados da vida videirinha é que são exibíveis? Ou os vereadores eleitos em Lisboa que já se dizem "disponíveis" para o dr. Costa quais "meninas de programa"? A elite merece o povo que a saúda e vice-versa.

LER OS OUTROS

Fora a parte final - estou-me nas tintas para a "esquerda" ou para o que passa por isso na actual plutocracia regimental -, dei por mim a concordar com o ABB. E, claro, com o Dragão, um rapaz mais da minha "criação".

UMA DEMOCRACIA COM CARA DE FODA-SE


Nos intervalos das suas correrias tontas como presidente em exercício, conviria ao secretário-geral do PS - tão emocionado com a "riqueza" da participação eleitoral que só deve ter existido na sua autoritária mona - nos magros cinquenta e oito mil votos que a sua seita arrebatou através do dr. Costa. Costa que, por sua vez, demonstrou pela enésima vez que não possui uma ideia para a cidade (ele vive de conspirar, não vive de pensar) a não ser a tal da "limpeza geral" e mais dois ou três lugares-comuns. E não foi em Cabeceiras de Basto, a terra que estranhamente ocupou o Altis, que ele ganhou. Foi em Lisboa. Dos restantes partidos, nem vale a pena falar. Ontem registou-se uma derrota geral da plutocracia partidária - cega, surda e muda aos valores da abstenção - e a apoteose do "estou-me nas tintas" generalizado. Aos poucos, os portugueses, mais preocupados com as suas coisinhas, com as suas vidas medíocres e com os seus filhos ranhosos e analfabetos, votam a pseudo-cidadania política ao maior desprezo. Os sempre-em-pé já não entusiasmam ninguém. A democracia está cada vez mais com cara de foda-se.

15.7.07

CONTRA O OPTIMISMO


"Tenho o maior desprezo pelo optimismo."

Oscar Wilde, O Retrato de Dorian Gray

PORTELA+1

Costa não chegou a 30% dos votantes que foram 196 mil em 524 mil eleitores potenciais*. Santana Lopes teve mais de 42% em 2001. Costa teve menos votos que Carrilho em 2005*. Ganhou, mas para quem queria a maioria absoluta, ficou-se por uns maravilhosos 58 mil*. O PS e o governo, na capital, em sondagem real, tiveram 58 mil votos. A malta está mesmo farta da corja. E decididamente - pelo menos nós, em Lisboa - não quer a Ota nem passarinhos e cagalhões de cão na Portela.

Fonte: O blasfemo João Miranda

A LUTA CONTINUA


Marques Mendes foi o único dirigente partidário - de cinco com representação parlamentar - que parece ter percebido a abstenção, os votos nulos e os dois "independentes" metidos no meio dos dois partidos do regime, um deles, Carmona, à frente do PSD, e Roseta à frente do PC e do BE. Isto é, o descalabro - por agora, lisboeta - desse mesmo regime e do sistema que o sustenta. Vai, por isso, a votos dentro do PSD. Faz bem. Mas faria melhor - tal como Portas - se percebesse que a Direita precisa de outra coisa e de novos protagonistas. A menos que pretenda que tenhamos de aturar o senhor presidente em exercício e respectivos acólitos por muitos e bons anos. Como diriam outros, a luta continua. Arranje-se rapidamente um Sarkozy.

LIMPEZA GERAL - 2

O dr. Costa insiste na "limpeza geral" da cidade. Porém, a gente olha para a primeira fila dos seus melancólicos apoiantes e tira a conclusão óbvia. É por ali que é preciso dar início à "limpeza geral".

O SUPRA-PORTAS

O sr. Telmo veio tomar as dores do dr. Portas e lamber as respectivas feridas. Depois o dr. Portas, correctamente, engoliu tudo. Nenhum deles percebeu, para já, que o tempo deles passou. Pode ser que volte, mas não é agora. Passou.

CIRCO

O PS trouxe gente de autocarros, gente que vive fora de Lisboa, para fingir a alegria no Hotel Altis. Que palhaçada democrática.

DAQUI PARA DIANTE - 2

O sr. Perestrello, do aparelho do PS, explicou que quer "governar" Lisboa sozinho, com a sua maioriazinha. Isto como se não andassem já de telemóvel na mão. Cambada de papagaios falsos.

DAQUI PARA DIANTE

Dois anos - dois - para dar a volta completa à direita, senão o senhor presidente em exercício, sem mexer uma palha, eterniza-se e só tem o dr. Costa como oposição, a partir de Lisboa, quando a coisa começar a resvalar para o nada, para já oculto e, a seu tempo, evidente.

DOMINGO IDIOTA EM LISBOA - 7

Infelizmente o "Zé" continua, com o habitual pé fora da vereação, mas desta vez com um olhinho trémulo em Costa "noves fora" Júdice, esse novo herói socialista da zona ribeirinha de Lisboa.

DOMINGO IDIOTA EM LISBOA - 6

Pedro Santana Lopes que, contra tudo e contra todos, ganhou a CML em 2001 e, indirectamente, deu o impulso final para a saída nocturna de Guterres, deve falar.

DOMINGO IDIOTA EM LISBOA- 5

Se Negrão ficar em 3º, o PSD também não pode passar por isto como cão por vinha vindimada. Todavia, Mendes não se rende com facilidade.

DOMINGO IDIOTA EM LISBOA- 4

Portas deverá averbar a sua segunda derrota em escassos meses. Madeira e, agora, Lisboa. O seu não-luto vai sair-lhe muito caro. Não aprendeu nada com a paciência chinesa do dr. Barroso que andou com ele às costas. A direita resvala rapidamente para "outra" coisa, graças a Deus.

DOMINGO IDIOTA EM LISBOA -3

Para já , grande derrota das nomenclaturas partidárias. O primeiro a abrir a bocarra, o dr. Júdice, é todo um programa. Fala do PS como se fosse um "histórico". Mais da mesma miséria, mais do mesmo regime, mais dos mesmos papagaios. Costa não teve o que pediu e Carmona deverá servir a sua vingança relativamente fresquinha.

DOMINGO IDIOTA EM LISBOA -2

A SIC Notícias, perto das 19 horas, está a lamber as botifarras do dr. Costa, o irmão do senhor director de informação e putativo presidente da CML eleito num mar de indiferença a que todos deverão reagir com a costumada necedade.

DOMINGO IDIOTA EM LISBOA


Aí por volta da hora do almoço, só pouco mais de 15% de distraídos tinha votado em Lisboa. E o domingo, já por si, convida à idiotia. Votar em qualquer das 12 nulidades insupríveis que se apresentam como candidatos à pastorícia camarária, devia ser punido através de uma postura municipal. Vergonha dupla. Ser candidato e votar em qualquer um deles.

BÁSICO


O sr. Saramago sempre se distinguiu por não ser excessivamente patriota. Nos idos do PREC, quando dirigiu o DN - como, aliás, fica claro no livro da Zita Seabra - era um dos "controleiros" do partido para a "revolução nacional e patriótica" que se preparava, isto é, para a tomada absoluta do poder à boa maneira de 1917. Primeiro Fevereiro, depois Outubro e com o que havia: meios de comunicação social, tropa, "comissões" para tudo e para nada. Saramago controlou e saneou. Agora tem o regime e o sistema a seus pés, tal como o camarada Carvalho da Silva, a avaliar pelas presenças no seu "doutoramento" no ISCTE. Saramago acha que nos vamos fundir com a Espanha, mais tarde ou mais cedo. Não deixa, desta vez, de ter alguma razão. Mais tarde ou mais cedo, vamos pagar a factura da periferia e do primitivismo, apesar da Europa. À medida que esta avança para o seu centro, nós ficamos mais longe e a Espanha mais perto do fundamental. Não há Ota ou TGV que nos safem. Saramago, traduzido por todo o lado, já nem sequer é bem português. Nem sei mesmo se, a partir de dada altura, aquilo que ele escreve é português ou "literatura" portuguesa. Saramago já tem aquela boa idade em que nos começamos a cagar para tudo. Felizmente, e com o estado da arte em que nos colocaram, a coisa começa mais cedo. É já no básico e no secundário. Aliás, já há muitos anos, e em praticamente tudo, que não largamos o básico. Literalmente.

DESOBEDIÊNCIA CIVIL


Existem dois bons motivos para praticar, durante todo o dia, a desobediência civil. Em Lisboa, não votando nas eleições intercalares para a CML ou votar nulo em nulos. No resto, e particularmente no que concerne aos hospitais do SNS pagos pelos impostos dos contribuintes, abortistas e não abortistas, os médicos com consciência que a usem. E usem-na não apenas nos hospitais públicos mas igualmente nos privados. Desde o referendo que está amplamente provado que não existem condições objectivas, em todo o território nacional, para perpetrar abortos. Ou pior do que isso. Os que as possuem, não têm meios para assegurar tratamentos, por exemplo, do foro oncológico, esses, sim, bem mais prioritários do que o recurso ao facilitismo anti-concepcional, ainda por cima sem pagamento de taxas moderadoras. Tal como existia, a lei servia perfeitamente os propósitos terapêuticos da interrupção justificada da gravidez. A partir de hoje, e até às 10 semanas, é como usar um dispositivo intra-uterino ou um preservativo, apenas com mais garantias de sucesso e de rapidez. Preparar o futuro não se faz à conta da incerteza desse mesmo futuro, esmagando o passado e o presente. Se houver por aí um resquício de pensamento e de opinião pública em Lisboa e no país inteiro, então marimbem-se no futuro senhor presidente da Câmara e entreguem-na ao caos e às apalpadelas mútuas que já se preparam na sombra da hipocrisia partidária e "independente". E aproveitem o dia para reflectir sobre o país que a "esquerda moderna" anda a preparar. Um país de velhos infantilizados para velhos modernaços.

14.7.07

MEMÓRIAS DE SARAIVA


Nos seus livrinhos semanais de "memórias", José Hermano Saraiva vai ajustando contas com a petite histoire. Neste 5º exemplar, Saraiva já deixou de ser ministro da Educação - meteórico, audaz, agitado, diferente - e passou a nosso embaixador no Brasil onde o "25" o apanhou. Como se sabe, foi substituido por esse socialista tardio chamado Veiga Simão, na altura uma "jovem" promessa do "marcelismo" cuja passagem por Moçambique acabou por o aproximar desse todo-o-terreno deste regime, o ancião Almeida Santos. Tanto assim que, enquanto Saraiva foi expeditamente demitido das suas funções no Brasil depois da "abrilada", Simão seguiu imediatamente para Nova Iorque como embaixador do novo regime na ONU. Finalmente, Guterres repescou-o para ministro da Defesa de onde saiu, sem honra nem glória, depois de alguém lhe ter "puxado o tapete" com os "espiões" militares. Estava, ao fim de trinta anos, "vingada" a esperteza luso-moçambicana deste físico que tanto se gabava da sua formação anglo-saxónica. Também se recorda neste número a figura - sempre apresentada na opinião que se publica como sinistra e venal - do Almirante Henrique Tenreiro, afinal um menino de coro ao pé dos arrivistas posteriores a actuais dos nossos partidos "democráticos". Mas o período mais curioso é o dedicado a esse herói do anti-salazarismo e "grande português" (por acaso, no programa da D. Elisa foi "defendido" por esse mito jurídico-político do sistema, o dr. Júdice, mandatário de Costa para a Câmara e do governo para o rio Tejo), Aristides de Sousa Mendes. "O salvamento dos 30000 refugiados deu-se ao mesmo tempo que o cônsul de Portugal em Bordéus, em cumplicidade com dois funcionários da PIDE, falsificava algumas centenas de vistos, que vendia por bom preço a emigrantes com dinheiro. Um dos que utilizavam esta via supôs que todos os outros vieram do mesmo modo - e assim nasceu a versão, hoje oficialmente consagrada, de que a operação de salvamento se deve ao cônsul de Bordéus, Aristides de Sousa Mendes. Este, muito afecto ao Estado Novo, nem sequer foi demitido, mas sim colocado na situação de aguardar aposentação. Os seus cúmplices da PIDE foram julgados, condenados e demitidos". Aprende-se muito com os velhinhos.

José Hermano Saraiva, Como íamos dizendo, memórias, confidências e lembranças, Álbum de Memórias, 6ª Década (Anos 70) I Parte: Em Brasília), pág. 17, Edições Sol

13.7.07

O OCASO

Grave é o que se passa com os alunos do secundário. Baixar as expectativas, triturar a exigência, fugir do esforço, ficar pela "meia-educação" ou por nenhuma, facilitar, institucionalizar o "small is beautiful", arredar os livros, promover a televisão, a bola ou o Ipod, conduziram à conclusão óbvia. Os alunos não percebem o que lêem e chumbam maciçamente, seja na matemática, seja noutra coisa qualquer. É esta a sociedade de trampa que estamos a preparar no ano da graça da presidência europeia. É ao crepúsculo que a ave de Minerva levanta voo. Pode ser que, quando esta porcaria bater totalmente no fundo, outra coisa comece.

LIMPEZA GERAL

Com a gravitas de quem já se sente presidente de Lisboa, o dr. Costa anunciou uma "limpeza geral" da cidade a partir de Setembro. Como munícipe e lisboeta, julgo que a "limpeza" deve começar já no domingo não votando ou votando nulo. Qualquer das duas hipóteses é a mais consentânea com as alternativas em presença. Entre o sol e o vazio, há alguém que ainda hesite?

MACACADA


Uma das coisas mais abjectas numa campanha autárquica, sobretudo numa cidade como Lisboa, é ver os candidatos de transportes públicos. Eles, que nem o preço de um bilhete conhecem, que roçam o rabo em carros estofados a couro, alguns mesmos só com motorista, agora é vê-los de barquinho, de Carris, de metro e a pé por bairros e ruas que nunca visitaram na vida. Ainda bem que este massacre termina esta noite. Que pensará o resto do país de tamanha macacada?

A ELITE E O POVO

"Há nações em que as elites parecem não pertencer ao povo de onde saíram; aqui as elites são um aviltamento do povo. Teimo - acusem-me de lunático - que este povo, se foi e fez o que foi, merece melhor sorte que as elites que se lhe impuseram."

in Combustões


Nota: Como isto é um país macrocéfalo, a elite concentra-se essencialmente em Lisboa. A que manda, faz bicha atrás do dr. Costa. Há vinte anos, na campanha de Mário Soares, António Costa era um rapaz das liberdades. Agora, é o o homem dos plutocratas do sistema. Pelos vistos, o "povo" aprecia uma boa trela e dispensa pensamento. Força.

SOL E VIDA NA POLÍTICA

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, pronunciou ontem, em Epinal, um discurso decisivo acerca do futuro das instituições políticas francesas recorrendo à história. Sei perfeitamente que o nosso "regime salamaleque" não "encaixa" uma personalidade como a de Sarkozy. É um discurso de um francês para franceses e para a França. É, como me chamou a atenção um leitor, uma das mais extraordinárias reflexões político-filosóficas dos últimos tempos. É um discurso sobre o Estado, a República e a reforma das instituições. Por cá, num momento em que tanto papagaio surpreende "reformas" onde apenas existe propaganda e circo, e em que se proclama a "excelência" de uma medíocre e dependente "sociedade civil" pseudo-asfixiada pelo Estado (asfixiada, sim, pela sua néscia cupidez e pela sua auto-comiseração), era bom que aparecesse um Sarkozy para começar tudo de novo. Este regime não só nasceu anquilosado como já está velho há demasiado tempo. Precisa de sol e vida.