No Tomar Partido, do Jorge Ferreira, ler "Em causa própria", o essencial sobre as "ameaças" grevistas dos juízes. Foi também por ele que eu soube da referência do Público ao desaparecimento de Antunes Varela, feita pela Ana Sá Lopes. Parece que a ASL, que até escreve umas coisas engraçadas, como no último domingo, mencionou que "o facto foi assinalado por vários blogues de direita e de extrema-direita". A propensão para catalogar os outros, a partir dos nossos próprios preconceitos, é uma vaidade incontornável e velha como a história. Eu, por exemplo, sei perfeitamente que a ASL é de "esquerda", mas que, nem por isso, a circunstância lhe rouba a lucidez. O que tem escrito sobre Mário Soares ou Cavaco Silva só o comprova. Na parte que me toca, procuro apenas que este blogue esteja bem com a sua consciência e não com a consciência da "direita", da "esquerda" e, muito menos, das "extremas". Ou seja, com a minha. Rasurar as coisas ou os homens, par delicatesse ou por causa do "politicamente correcto", não desfaz a sua complexidade. E eu não ficaria bem com a minha consciência se não escrevesse, ainda que pouco, sobre Antunes Varela.
«Um trem de ferro é uma coisa mecânica, mas atravessa a noite, a madrugada, o dia, atravessou minha vida.» Adélia Prado
30.9.05
LER OS OUTROS
No Tomar Partido, do Jorge Ferreira, ler "Em causa própria", o essencial sobre as "ameaças" grevistas dos juízes. Foi também por ele que eu soube da referência do Público ao desaparecimento de Antunes Varela, feita pela Ana Sá Lopes. Parece que a ASL, que até escreve umas coisas engraçadas, como no último domingo, mencionou que "o facto foi assinalado por vários blogues de direita e de extrema-direita". A propensão para catalogar os outros, a partir dos nossos próprios preconceitos, é uma vaidade incontornável e velha como a história. Eu, por exemplo, sei perfeitamente que a ASL é de "esquerda", mas que, nem por isso, a circunstância lhe rouba a lucidez. O que tem escrito sobre Mário Soares ou Cavaco Silva só o comprova. Na parte que me toca, procuro apenas que este blogue esteja bem com a sua consciência e não com a consciência da "direita", da "esquerda" e, muito menos, das "extremas". Ou seja, com a minha. Rasurar as coisas ou os homens, par delicatesse ou por causa do "politicamente correcto", não desfaz a sua complexidade. E eu não ficaria bem com a minha consciência se não escrevesse, ainda que pouco, sobre Antunes Varela.
"DEUS NÃO DORME"
Na sua alegria soarista tardia e "visionária", Medeiros Ferreira congratula-se por Mário Mesquita, um dos poucos avisados "gurus" da nossa comunicação social, ter aceite fazer parte da comissão política da recandidatura de Soares. Por outro lado, e por causa das "sondagens", assegura-nos que a "direita" - sempre esta malvada - "teme" Soares. Mário Mesquita era, nos fins dos anos 70, altura em era "feio" criticar o primeiro-ministro Mário Soares, o director do Diário de Notícias. Depois de um célebre editorial intitulado "Deus não dorme", foi prudentemente removido da função, a bem da paz espiritual do então secretário-geral do PS. Nessa altura "cresciam" o "eanismo", de um lado, e Sá Carneiro, do outro, e a boa-estrela de Soares empalidecia para só voltar a luzir em 1983, com o "bloco central". Mesquita, como M. Ferreira, lá teve a sua "fase eanista" e, agora, a bem da pacificação do socialismo democrático e da "esquerda em geral", voltaram ao confortável e maternal regaço de M. Soares. Nada de particulamente novo, nem excitante, por consequência, neste exercício. Quanto à questão de "quem teme quem", eu compreendo o pathos de M. Ferreira ao tentar recuperar a "teoria da barricada". Se descontarmos todos os disparates e todas as aritméticas produzidos por causa das "sondagens", a evidência manda que se diga, uma vez mais, que é muito séria a hipótese de Cavaco Silva poder ser eleito à primeira volta, independentemente do "bando dos quatro" ou dos "seis". Verdadeiramente, este é que é o "temor" nas eleições presidenciais e, muito particularmente, da candidatura dita "unionista" de Mário Soares. Do "outro lado" - que, pelos vistos, é o "lado" que, afinal, mais une -, fique Medeiros Ferreira descansado que ninguém teme ninguém. E, no momento aprazado, discutiremos o que interessa e que nos distingue, a política. O resto, como sabemos, é espuma e pessoas que pedalam as respectivas bicicletas. De facto, Deus não dorme.
"DEUS NÃO DORME"
Na sua alegria soarista tardia e "visionária", Medeiros Ferreira congratula-se por Mário Mesquita, um dos poucos avisados "gurus" da nossa comunicação social, ter aceite fazer parte da comissão política da recandidatura de Soares. Por outro lado, e por causa das "sondagens", assegura-nos que a "direita" - sempre esta malvada - "teme" Soares. Mário Mesquita era, nos fins dos anos 70, altura em era "feio" criticar o primeiro-ministro Mário Soares, o director do Diário de Notícias. Depois de um célebre editorial intitulado "Deus não dorme", foi prudentemente removido da função, a bem da paz espiritual do então secretário-geral do PS. Nessa altura "cresciam" o "eanismo", de um lado, e Sá Carneiro, do outro, e a boa-estrela de Soares empalidecia para só voltar a luzir em 1983, com o "bloco central". Mesquita, como M. Ferreira, lá teve a sua "fase eanista" e, agora, a bem da pacificação do socialismo democrático e da "esquerda em geral", voltaram ao confortável e maternal regaço de M. Soares. Nada de particulamente novo, nem excitante, por consequência, neste exercício. Quanto à questão de "quem teme quem", eu compreendo o pathos de M. Ferreira ao tentar recuperar a "teoria da barricada". Se descontarmos todos os disparates e todas as aritméticas produzidos por causa das "sondagens", a evidência manda que se diga, uma vez mais, que é muito séria a hipótese de Cavaco Silva poder ser eleito à primeira volta, independentemente do "bando dos quatro" ou dos "seis". Verdadeiramente, este é que é o "temor" nas eleições presidenciais e, muito particularmente, da candidatura dita "unionista" de Mário Soares. Do "outro lado" - que, pelos vistos, é o "lado" que, afinal, mais une -, fique Medeiros Ferreira descansado que ninguém teme ninguém. E, no momento aprazado, discutiremos o que interessa e que nos distingue, a política. O resto, como sabemos, é espuma e pessoas que pedalam as respectivas bicicletas. De facto, Deus não dorme.
LISBOA CABISBAIXA - 3
Estive, a convite da respectiva candidatura, num "jantar/comício" de Manuel Maria Carrilho. A coisa teve "direito" a Sócrates que exortou a camaradagem a "concentrar" os votos no marido de Bárbara Guimarães, a "entidade" em que parece ter-se transformado o Carrilho dos últimos dias. Aquela, aliás, foi alvo dos encómios mais despropositados por parte do líder da concelhia, Miguel Coelho, enquanto o candidato "quer" toda a gente na rua até ao dia 9 para garantir a tal "concentração". A música de fundo alternava entre a "África Minha", "Gladiator" (um exclusivo de Sócrates), uma música utilizada num documentário da SIC sobre Salazar e o "hino" do Euro 2004, o da "força". Distribuiram-se bandeirinhas por todas as mesas e uns cartões cor-de-rosa a dizer "mudar Lisboa", agitados oportunamente cada vez que o apresentador mandava. Calhou-me ao lado um militante que me esclareceu definitivamente. O simpático senhor, eleitor em Cascais, passou a noite a elogiar (imagine-se...) esses "modelos" autárquicos do PS que foram José Luis Judas (um notável "construtor civil") e a dra. Fátima Felgueiras (que, quando "falar", vai ser "absolvida"). Prefere Soares a Alegre e, até por ser "reformado", aprova o "esticanço" da idade da reforma defendido pelo governo. Entre doses maciças de pão com manteiga para aguentar os discursos prévios à janta e as "maravilhas" de Judas e de Felgueiras vistas a partir da Parede, percebi que o PS não está nada seguro de poder recuperar Lisboa. E eu, uma vez mais, não fiquei certo de que efectivamente o mereça.
LISBOA CABISBAIXA - 3
Estive, a convite da respectiva candidatura, num "jantar/comício" de Manuel Maria Carrilho. A coisa teve "direito" a Sócrates que exortou a camaradagem a "concentrar" os votos no marido de Bárbara Guimarães, a "entidade" em que parece ter-se transformado o Carrilho dos últimos dias. Aquela, aliás, foi alvo dos encómios mais despropositados por parte do líder da concelhia, Miguel Coelho, enquanto o candidato "quer" toda a gente na rua até ao dia 9 para garantir a tal "concentração". A música de fundo alternava entre a "África Minha", "Gladiator" (um exclusivo de Sócrates), uma música utilizada num documentário da SIC sobre Salazar e o "hino" do Euro 2004, o da "força". Distribuiram-se bandeirinhas por todas as mesas e uns cartões cor-de-rosa a dizer "mudar Lisboa", agitados oportunamente cada vez que o apresentador mandava. Calhou-me ao lado um militante que me esclareceu definitivamente. O simpático senhor, eleitor em Cascais, passou a noite a elogiar (imagine-se...) esses "modelos" autárquicos do PS que foram José Luis Judas (um notável "construtor civil") e a dra. Fátima Felgueiras (que, quando "falar", vai ser "absolvida"). Prefere Soares a Alegre e, até por ser "reformado", aprova o "esticanço" da idade da reforma defendido pelo governo. Entre doses maciças de pão com manteiga para aguentar os discursos prévios à janta e as "maravilhas" de Judas e de Felgueiras vistas a partir da Parede, percebi que o PS não está nada seguro de poder recuperar Lisboa. E eu, uma vez mais, não fiquei certo de que efectivamente o mereça.
29.9.05
LER...
...no Abrupto, "Uma forma nova de assalto ao bom senso". E, a propósito do folclore de ontem em Beja, no Terras do Nunca, "Agricultores".
LER...
...no Abrupto, "Uma forma nova de assalto ao bom senso". E, a propósito do folclore de ontem em Beja, no Terras do Nunca, "Agricultores".
MAS CHATEIA
O Diário de Notícias traz mais uma sondagem presidencial, daquelas que o dr. Soares já prometeu zurzir aplicadamente. E, como diria o Paulo Gorjão, faz o seu "spin" caseiro com ela, sugerindo que, numa eventual segunda volta, Alegre "faz" melhor do que Soares. Estas coisas valem o que valem, mas revelam três posssibilidades. A primeira, e para o país mais desejável - perdoe-se-me a franqueza - é a circunstância de não ser necessária uma segunda volta, para perpétuo incómodo do candidato que supostamente vinha "unir os portugueses". A segunda, é que todos os "estudos" mostram que, pelo contrário, só há um candidato que "une" realmente os portugueses, justamente aquele que todos os outros querem denodadamente derrotar. E não se diga que são só perigosos reaccionários de "direita" ou pessimistas antropológicos como eu que estão por detrás disto. Não são. Acontece que os portugueses já intuiram as "habilidades" que foram e que estão a ser preparadas nesta matéria, sempre com o mesmo patético propósito de "virar" a "esquerda" contra uma "não esquerda" que manifestamente se constituirá em torno da candidatura de Cavaco Silva. Finalmente, o "estudo" revela que a dicotomia Soares/Alegre é uma mera questão doméstica, tipo "a minha candidatura socialista é maior do que a tua candidatura socialista", sem qualquer relevância "nacional" e, muito menos, "presidencial". Mas lá que chateia, chateia, como diria Vitor Ramalho.
MAS CHATEIA
O Diário de Notícias traz mais uma sondagem presidencial, daquelas que o dr. Soares já prometeu zurzir aplicadamente. E, como diria o Paulo Gorjão, faz o seu "spin" caseiro com ela, sugerindo que, numa eventual segunda volta, Alegre "faz" melhor do que Soares. Estas coisas valem o que valem, mas revelam três posssibilidades. A primeira, e para o país mais desejável - perdoe-se-me a franqueza - é a circunstância de não ser necessária uma segunda volta, para perpétuo incómodo do candidato que supostamente vinha "unir os portugueses". A segunda, é que todos os "estudos" mostram que, pelo contrário, só há um candidato que "une" realmente os portugueses, justamente aquele que todos os outros querem denodadamente derrotar. E não se diga que são só perigosos reaccionários de "direita" ou pessimistas antropológicos como eu que estão por detrás disto. Não são. Acontece que os portugueses já intuiram as "habilidades" que foram e que estão a ser preparadas nesta matéria, sempre com o mesmo patético propósito de "virar" a "esquerda" contra uma "não esquerda" que manifestamente se constituirá em torno da candidatura de Cavaco Silva. Finalmente, o "estudo" revela que a dicotomia Soares/Alegre é uma mera questão doméstica, tipo "a minha candidatura socialista é maior do que a tua candidatura socialista", sem qualquer relevância "nacional" e, muito menos, "presidencial". Mas lá que chateia, chateia, como diria Vitor Ramalho.
PRESSÕES
"O primeiro-ministro José Sócrates está a pressionar o ministro da Economia, Manuel Pinho, a apresentar soluções que resolvam o impasse criado relativamente a um sector fundamental para a economia portuguesa. José Sócrates receia ser penalizado politicamente pelo atraso do processo, tendo em conta que estão em causa as opções estratégicas da EDP e da Galp." Será que, finalmente, o primeiro-ministro já percebeu que não vai a lado nenhum com Manuel Pinho na Economia e, muito menos, na "inovação"? E, também, não se dará o caso de o "ex-cardeal" Pina Moura andar a telefonar demasiadas vezes ao primeiro-ministro, "preocupado" com a sua "via espanhola"?
PRESSÕES
"O primeiro-ministro José Sócrates está a pressionar o ministro da Economia, Manuel Pinho, a apresentar soluções que resolvam o impasse criado relativamente a um sector fundamental para a economia portuguesa. José Sócrates receia ser penalizado politicamente pelo atraso do processo, tendo em conta que estão em causa as opções estratégicas da EDP e da Galp." Será que, finalmente, o primeiro-ministro já percebeu que não vai a lado nenhum com Manuel Pinho na Economia e, muito menos, na "inovação"? E, também, não se dará o caso de o "ex-cardeal" Pina Moura andar a telefonar demasiadas vezes ao primeiro-ministro, "preocupado" com a sua "via espanhola"?
28.9.05
LISBOA CABISBAIXA - 2
Esta senhora, claramente "não desesperada", protagoniza a candidatura mais interessante e, até agora, mais surpreendentemente "profissional", à presidência da Câmara Municipal de Lisboa.LISBOA CABISBAIXA - 2
Esta senhora, claramente "não desesperada", protagoniza a candidatura mais interessante e, até agora, mais surpreendentemente "profissional", à presidência da Câmara Municipal de Lisboa.TEORIAS COMUNICACIONAIS
"Artur Portela renunciou ao cargo que ocupava na Alta Autoridade para a Comunicação Social (AACS), na sequência daquilo que diz ser «uma pressão» do ministro dos Assuntos Parlamentares Augusto Santos Silva. Em causa, estão alegados «conselhos» do ministro para a calendarização das decisões sobre as licenças da SIC e da TVI." A AACS não vale um chavo e, quando desaparecer, ninguém terá saudades dela. Pior do que isso, porém, é substitui-la por outra coisa idêntica, para manter a mesma "ânsia" purificadora. O nepotismo "democrático" que circunda as relações entre o poder e a comunicação social, é revelado quase sempre através de pequenos sinais e não necessariamente por "grandes negócios". Mansamente, como convém, Santos Silva vai levando a água ao moínho do governo e, por tabela, do PS. E não me digam que o Portela também é da "direita"!
TEORIAS COMUNICACIONAIS
"Artur Portela renunciou ao cargo que ocupava na Alta Autoridade para a Comunicação Social (AACS), na sequência daquilo que diz ser «uma pressão» do ministro dos Assuntos Parlamentares Augusto Santos Silva. Em causa, estão alegados «conselhos» do ministro para a calendarização das decisões sobre as licenças da SIC e da TVI." A AACS não vale um chavo e, quando desaparecer, ninguém terá saudades dela. Pior do que isso, porém, é substitui-la por outra coisa idêntica, para manter a mesma "ânsia" purificadora. O nepotismo "democrático" que circunda as relações entre o poder e a comunicação social, é revelado quase sempre através de pequenos sinais e não necessariamente por "grandes negócios". Mansamente, como convém, Santos Silva vai levando a água ao moínho do governo e, por tabela, do PS. E não me digam que o Portela também é da "direita"!
JOÃO DE MATOS ANTUNES VARELA
Soube, via Blasfémias, do desaparecimento de João de Matos Antunes Varela. Antunes Varela não deve dizer muito às actuais gerações, salvo àqueles que o confundem com calhamaços que têm de "empinar" nas faculdades de Direito. Eu fui seu aluno na Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa, no decurso do meu atribulado curso de Direito. Ensinou-me Processo Civil, às oito da manhã, com uma alegria e uma clareza de espírito notáveis. Nessa altura já não era propriamente um jovem, mas era ainda, e seguramente, um grande pedagogo. Sabia- coisa rara entre os professores de Direito - como dar uma aula. Os anos de exílio no Brasil apuraram o seu refinado humor e a sua curiosa bonomia. Era, como não podia deixar de ser, um homem das "direitas", porém perfeitamente atento ao "decurso do tempo". Foi ministro da Justiça de Salazar, precisamente no momento em que entrou em vigor o Código Civil. Eu não sou grande jurista nem cultivo "o direito". Se alguma atenção lhe prestei, a Antunes Varela, entre outros, o devo. Por isso aqui fica a homenagem.
JOÃO DE MATOS ANTUNES VARELA
Soube, via Blasfémias, do desaparecimento de João de Matos Antunes Varela. Antunes Varela não deve dizer muito às actuais gerações, salvo àqueles que o confundem com calhamaços que têm de "empinar" nas faculdades de Direito. Eu fui seu aluno na Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa, no decurso do meu atribulado curso de Direito. Ensinou-me Processo Civil, às oito da manhã, com uma alegria e uma clareza de espírito notáveis. Nessa altura já não era propriamente um jovem, mas era ainda, e seguramente, um grande pedagogo. Sabia- coisa rara entre os professores de Direito - como dar uma aula. Os anos de exílio no Brasil apuraram o seu refinado humor e a sua curiosa bonomia. Era, como não podia deixar de ser, um homem das "direitas", porém perfeitamente atento ao "decurso do tempo". Foi ministro da Justiça de Salazar, precisamente no momento em que entrou em vigor o Código Civil. Eu não sou grande jurista nem cultivo "o direito". Se alguma atenção lhe prestei, a Antunes Varela, entre outros, o devo. Por isso aqui fica a homenagem.
EXCELENTE QUESTÃO...
...esta, do Paulo Gorjão. E excelente post, este, do José Adelino Maltez, "Levantai, hoje, de novo, o esplendor de Portugal!". "(...) Quando se concebe que o aparelho de Estado seja uma simples federação de ministérios e se continua a manter, na doutoral constituição, a possibilidade de o número e designação dos ministérios depender do decreto presidencial de nomeação de cada ministro, estamos a gozar com o bom senso e atirar para a rua carrada de dinheiros dos contribuintes. Quando mantemos a ilusão de dizer que há secretariados de reforma ou modernização administrativa, salientando que com a próxima, ou presente, comissão de sábios, com o respectivo relatório, é que vai ser desta, estamos a esquecer-nos que o modelo já vem de 1958 e foi desencadeado pelo ministro da presidência Marcello Caetano. Isto é, estamos a brincar ao estadão, à mania das grandezas típica deste Portugal dos Pequeninos, recorrendo a especialistas em árvores e folhas de árvore e a não recorrermos aos especialistas no todo, na floresta, aos necessários especialistas em assuntos gerais que sabem a verdadeira situação do actual conceito de público que não é o contrário de privado.(...)"
EXCELENTE QUESTÃO...
...esta, do Paulo Gorjão. E excelente post, este, do José Adelino Maltez, "Levantai, hoje, de novo, o esplendor de Portugal!". "(...) Quando se concebe que o aparelho de Estado seja uma simples federação de ministérios e se continua a manter, na doutoral constituição, a possibilidade de o número e designação dos ministérios depender do decreto presidencial de nomeação de cada ministro, estamos a gozar com o bom senso e atirar para a rua carrada de dinheiros dos contribuintes. Quando mantemos a ilusão de dizer que há secretariados de reforma ou modernização administrativa, salientando que com a próxima, ou presente, comissão de sábios, com o respectivo relatório, é que vai ser desta, estamos a esquecer-nos que o modelo já vem de 1958 e foi desencadeado pelo ministro da presidência Marcello Caetano. Isto é, estamos a brincar ao estadão, à mania das grandezas típica deste Portugal dos Pequeninos, recorrendo a especialistas em árvores e folhas de árvore e a não recorrermos aos especialistas no todo, na floresta, aos necessários especialistas em assuntos gerais que sabem a verdadeira situação do actual conceito de público que não é o contrário de privado.(...)"
AZUIS
No dia em que todos os jornais, até os mais "sérios", estão pirosamente "de azul", este post do Filipe Nunes Vicente não podia ser mais certeiro:
O ÍNCUBO DE PINTO DA COSTA: Decerto espantado com as sondagens que foram sendo feitas durante o mandato de Rui Rio, Pinto da Costa decidiu estar caladinho durante a pré-campanha. Tudo indica que continue calado. Por extranatural que pareça, de cada vez que o FCP bate em Rio, este ganha votos. Pinto da Costa deve ter saudades dos xitos de Adriano Pinto: tudo era então bem mais simples.
O ÍNCUBO DE PINTO DA COSTA: Decerto espantado com as sondagens que foram sendo feitas durante o mandato de Rui Rio, Pinto da Costa decidiu estar caladinho durante a pré-campanha. Tudo indica que continue calado. Por extranatural que pareça, de cada vez que o FCP bate em Rio, este ganha votos. Pinto da Costa deve ter saudades dos xitos de Adriano Pinto: tudo era então bem mais simples.
AZUIS
No dia em que todos os jornais, até os mais "sérios", estão pirosamente "de azul", este post do Filipe Nunes Vicente não podia ser mais certeiro:
O ÍNCUBO DE PINTO DA COSTA: Decerto espantado com as sondagens que foram sendo feitas durante o mandato de Rui Rio, Pinto da Costa decidiu estar caladinho durante a pré-campanha. Tudo indica que continue calado. Por extranatural que pareça, de cada vez que o FCP bate em Rio, este ganha votos. Pinto da Costa deve ter saudades dos xitos de Adriano Pinto: tudo era então bem mais simples.
O ÍNCUBO DE PINTO DA COSTA: Decerto espantado com as sondagens que foram sendo feitas durante o mandato de Rui Rio, Pinto da Costa decidiu estar caladinho durante a pré-campanha. Tudo indica que continue calado. Por extranatural que pareça, de cada vez que o FCP bate em Rio, este ganha votos. Pinto da Costa deve ter saudades dos xitos de Adriano Pinto: tudo era então bem mais simples.
NÃO EXISTEM
"De facto, um governo que irrite tantas corporações e outros pequenos poderes não pode estar só a fazer coisas más." Está certo. O pior é quando Mário Lino ou Manuel Pinho se lembram de aparecer. Nenhum deles parece saber o que fazem ou dizem os respectivos "ajudantes" secretários de Estado. E nenhum dos dois nos consegue dar uma mísera garantia de que sabe o que anda efectivamente a fazer. Ainda não existem justificações palpáveis e consistentes para a OTA ou para o TGV, e já se acena com "micro-aeroportos" em Lisboa. No fundo, estes "estudos" são como os respectivos ministros. Não existem.
NÃO EXISTEM
"De facto, um governo que irrite tantas corporações e outros pequenos poderes não pode estar só a fazer coisas más." Está certo. O pior é quando Mário Lino ou Manuel Pinho se lembram de aparecer. Nenhum deles parece saber o que fazem ou dizem os respectivos "ajudantes" secretários de Estado. E nenhum dos dois nos consegue dar uma mísera garantia de que sabe o que anda efectivamente a fazer. Ainda não existem justificações palpáveis e consistentes para a OTA ou para o TGV, e já se acena com "micro-aeroportos" em Lisboa. No fundo, estes "estudos" são como os respectivos ministros. Não existem.
GORE VIDAL
"Sou tão insociável quanto é possível ser-se" ou "não existe um único problema humano que não pudesse ser resolvido se as pessoas seguissem os meus conselhos". Não, as frases não são minhas. Pertencem a Gore Vidal, uma omnipresença neste blogue, e vêm numa entrevista dada recentemente ao Guardian. Vidal, à beira dos oitenta anos, regressa definitivamente aos Estados Unidos, a Hollywood. Deixa para trás a villa de Ravelo, perto de Nápoles, onde viveu trinta e dois anos, e onde recebeu todo o género de "celebridades". A morte do seu companheiro Howard Austen e as dificuldades de locomoção, não permitem a Vidal permanecer mais tempo em Itália. Depois de cinquenta e cinco anos de vida em comum com Austen, o desaparecimento deste provocou-lhe uma anorexia que durou sensivelmente um ano. Como é que saiu disso, perguntaram-lhe. "Comi qualquer coisa". Apesar do seu "anti-romantismo", a verdade é que Vidal acabou por partilhar a vida inteira com outro homem. "É verdade. Mas sem sexo. Ninguém acredita, nem ninguém consegue entender. O sexo destruiu mais relações do que qualquer outra coisa. A ideia de exclusividade". Segundo a entrevistadora, a idade não modificou excessivamente Gore Vidal. O seu estilo está mais "desagradavelmente claro" do que nunca e a sua visão do mundo permanece inalterada. "Nunca tive uma opinião excessivamente elevada do mundo. O mundo não fez nada para mudar." GORE VIDAL
"Sou tão insociável quanto é possível ser-se" ou "não existe um único problema humano que não pudesse ser resolvido se as pessoas seguissem os meus conselhos". Não, as frases não são minhas. Pertencem a Gore Vidal, uma omnipresença neste blogue, e vêm numa entrevista dada recentemente ao Guardian. Vidal, à beira dos oitenta anos, regressa definitivamente aos Estados Unidos, a Hollywood. Deixa para trás a villa de Ravelo, perto de Nápoles, onde viveu trinta e dois anos, e onde recebeu todo o género de "celebridades". A morte do seu companheiro Howard Austen e as dificuldades de locomoção, não permitem a Vidal permanecer mais tempo em Itália. Depois de cinquenta e cinco anos de vida em comum com Austen, o desaparecimento deste provocou-lhe uma anorexia que durou sensivelmente um ano. Como é que saiu disso, perguntaram-lhe. "Comi qualquer coisa". Apesar do seu "anti-romantismo", a verdade é que Vidal acabou por partilhar a vida inteira com outro homem. "É verdade. Mas sem sexo. Ninguém acredita, nem ninguém consegue entender. O sexo destruiu mais relações do que qualquer outra coisa. A ideia de exclusividade". Segundo a entrevistadora, a idade não modificou excessivamente Gore Vidal. O seu estilo está mais "desagradavelmente claro" do que nunca e a sua visão do mundo permanece inalterada. "Nunca tive uma opinião excessivamente elevada do mundo. O mundo não fez nada para mudar." A RAPIDINHA
O PS e o BE aprovam hoje, no Parlamento, um dispositivo legal que permite a realização "rapidinha" de um referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez. A "urgência" faz "entalar" a coisa entre as autárquicas e as presidenciais, sem grandes discussões. Parece que este país miserável não tem nada de mais relevante para fazer. Não encontro outra maneira de dizer isto, e nem sequer está em causa a minha posição pessoal sobre a matéria. Jorge Sampaio deve recusar, pura e simplesmente, como o fez já este ano, este referendo amanhado à pressa para alívio exclusivo das boas consciências.
A RAPIDINHA
O PS e o BE aprovam hoje, no Parlamento, um dispositivo legal que permite a realização "rapidinha" de um referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez. A "urgência" faz "entalar" a coisa entre as autárquicas e as presidenciais, sem grandes discussões. Parece que este país miserável não tem nada de mais relevante para fazer. Não encontro outra maneira de dizer isto, e nem sequer está em causa a minha posição pessoal sobre a matéria. Jorge Sampaio deve recusar, pura e simplesmente, como o fez já este ano, este referendo amanhado à pressa para alívio exclusivo das boas consciências.
27.9.05
LISBOA CABISBAIXA
Não era hoje que se ia ficar a conhecer o "programa" de Manuel Maria Carrilho para a cidade de Lisboa, o tal que pertence à "única candidatura credível", "o Programa eleitoral mais discutido,mais debatido, mais participado"? Onde é que ele está, afinal? São apenas estes pobres parágrafos bem intencionados?
LISBOA CABISBAIXA
Não era hoje que se ia ficar a conhecer o "programa" de Manuel Maria Carrilho para a cidade de Lisboa, o tal que pertence à "única candidatura credível", "o Programa eleitoral mais discutido,mais debatido, mais participado"? Onde é que ele está, afinal? São apenas estes pobres parágrafos bem intencionados?
EXÉRCITOS E GENERAIS
José Medeiros Ferreira é, definitivamente, um crente. "Acredita" que é com Mário Soares, "este" Mário Soares, o "novo", que o "regime" se salva e regenera. E, agora, no dia em que começa a campanha autárquica, dominada por um "tom" vagamente latino-americano, também "acredita" no "exército civil da democracia" que diz ser constituído pelos candidatos a autarcas. "Um regime político democrático com tanta gente envolvida [mais de 40000] pode sempre regenerar-se", afiança o meu amigo socialista-reformador. Eu não duvido, por um segundo, que, no meio destes milhares, estão honrados e probos cidadãos dispostos a servir a junta ou a câmara de uma maneira desinteressada e como verdadeiro "serviço público". Acontece que a história regista estes trinta anos de poder autárquico como uma hidra de duas cabeças. De um lado a realização de feitos sublimes em prol das populações e da qualidade de vida local. Do outro, a mais negra e aplicada destruição dos resquícios de dignidade e de memória locais, substituídos por entulho, rotundas e desenfreada construção civil, numa espécie de litania mortal dedicada à eternização "democrática" dos autores materiais das façanhas. A circunstância de este "exército" desmentir "as teses da anemia da participação democrática no nosso país", não me consola particularmente. Porque na "frente" desse "exército" estão "generais" cujas credenciais políticas e éticas, bem como o mero decurso do tempo, os deviam obrigar a nem sequer sair à rua. Tudo é resto é pouco mais do que ornamento "democrático" e "maria-vai-com-as-outras". E eu sei do que falo porque já dei para esse peditório. A democracia precisa de outros "exércitos" e, sobretudo, de outros "generais". Assim, como estamos, não vamos a lado nenhum e muito menos nos "regeneramos".
EXÉRCITOS E GENERAIS
José Medeiros Ferreira é, definitivamente, um crente. "Acredita" que é com Mário Soares, "este" Mário Soares, o "novo", que o "regime" se salva e regenera. E, agora, no dia em que começa a campanha autárquica, dominada por um "tom" vagamente latino-americano, também "acredita" no "exército civil da democracia" que diz ser constituído pelos candidatos a autarcas. "Um regime político democrático com tanta gente envolvida [mais de 40000] pode sempre regenerar-se", afiança o meu amigo socialista-reformador. Eu não duvido, por um segundo, que, no meio destes milhares, estão honrados e probos cidadãos dispostos a servir a junta ou a câmara de uma maneira desinteressada e como verdadeiro "serviço público". Acontece que a história regista estes trinta anos de poder autárquico como uma hidra de duas cabeças. De um lado a realização de feitos sublimes em prol das populações e da qualidade de vida local. Do outro, a mais negra e aplicada destruição dos resquícios de dignidade e de memória locais, substituídos por entulho, rotundas e desenfreada construção civil, numa espécie de litania mortal dedicada à eternização "democrática" dos autores materiais das façanhas. A circunstância de este "exército" desmentir "as teses da anemia da participação democrática no nosso país", não me consola particularmente. Porque na "frente" desse "exército" estão "generais" cujas credenciais políticas e éticas, bem como o mero decurso do tempo, os deviam obrigar a nem sequer sair à rua. Tudo é resto é pouco mais do que ornamento "democrático" e "maria-vai-com-as-outras". E eu sei do que falo porque já dei para esse peditório. A democracia precisa de outros "exércitos" e, sobretudo, de outros "generais". Assim, como estamos, não vamos a lado nenhum e muito menos nos "regeneramos".
UMA SAUDAÇÃO
... especial ao Jumento pela distinção "semanal". Trata-se de um blogue amigo, tão excitadamente "anti-cavaquista" como nós somos exactamente o contrário, o que demonstra que existe mais "cidadania" na blogosfera do que na terra.
UMA SAUDAÇÃO
... especial ao Jumento pela distinção "semanal". Trata-se de um blogue amigo, tão excitadamente "anti-cavaquista" como nós somos exactamente o contrário, o que demonstra que existe mais "cidadania" na blogosfera do que na terra.
SEIS PERSONAGENS À PROCURA DE AUTOR
Retive, da visita ao Brasil do dr. Mário Soares, o excelente estado da sua próstata, uma feliz notícia. No dia do samba, antes do regresso a Lisboa, Soares foi confrontado pelas televisões com o avanço do "amigo" Alegre. Não é nada com ele, qualquer pessoa maior de 33 anos (são 35, mas não faz mal) pode candidatar-se e, lembrou, o que interessa é "ver" os apoios que cada um tem. Na "dele", de Soares, não há "federação" do PS que não tenha já derramado o seu amor platónico pela sua excelsa pessoa. Tudo somado, e na sua soberana cabeça, Alegre, afinal, não existe. Eu não sei se existe ou não existe e pouco me interessa. Nem sei mesmo se chegará a reunir as famosas "condições técnicas" para se apresentar. Existe, porém, "politicamente" e até mais ver. Ao contrário do discurso de Viseu, só estragado pelos incompreensíveis parágrafos finais, o lance de Águeda só serviu mesmo para aborrecer o viajante. Tão aborrecido ficou que não quis ouvir mais perguntas sobre a "amizade" com Alegre e prometeu, a seu tempo, solenes bordoadas nas sondagens que o desqualificam permanentemente, fazendo lembrar Santana Lopes há uns meses atrás, antes da sumária humilhação de Fevereiro último. Pelos vistos, anda toda a gente a fazer contas de somar e de subtrair por causa de Manuel Alegre. Salvo o devido e habitual respeito, penso que não vale a pena perder muito tempo com isso. Alegre "somou-se" ao "frentismo" esquizofrénico da chamada "esquerda", cujo único objectivo, nas eleições presidenciais, é derrotar Cavaco Silva. À força de todos quererem "somar", acabam por tirar qualquer coisa uns aos outros. Não é preciso ser matemático nem bruxo para recolher tamanha evidência. Soares lidera esta mónada doentia que poderá estatelar-se, sem mais, numa única "volta" eleitoral. "Dramatizar" o discurso com a velha retórica "esquerda/direita", vale hoje tanto como a promiscuidade entre o Bloco de Esquerda e o candidato do PS, exibida às escâncaras pelo Prof. Rosas e pela dra. Amaral Dias. Louçã serve apenas de patrulheiro e de "avisador" por causa de Jerónimo de Sousa. E Jerónimo de Sousa, aliás, faz o mesmo com Louçã. Todos juntos - de Soares a Alegre, passando pela distinta Carmelinda Pereira, pelo causídico Garcia Pereira e pelos dois citados - querem sempre a mesma e única coisa, que me abstenho de repetir, por nada ter a ver com um verdadeiro "desígnio" presidencial. Contudo, é nesse "querer" aparentemente conjunto que se "dividem". Nessa matéria, o candidato que o eng.º Sócrates acha que quer "unir Portugal" é o que mais divertidamente divide. Não haverá mais ninguém para falar por ele que os drs. José Lello e Vitor Ramalho, entremeados com uns murmúrios do dr. Alfredo Barroso? Para tamanho candidato, é coisa pouca. Em suma, não me apoquenta esta "diversidade" reinadia à "esquerda". Lembram-me a peça de Pirandello. Não passam de "seis personagens à procura de autor".
Adenda: Ler, a propósito, no Margens de Erro, este post de Pedro Magalhães. Vi Rui Oliveira e Costa, da "Eurosondagem", a dar umas "explicações" matemáticas na televisão por causa da emergência de Manuel Alegre. Curiosamente também o tinha visto no Hotel Altis, felicissimo, no dia em que Soares se recandidatou.
SEIS PERSONAGENS À PROCURA DE AUTOR
Retive, da visita ao Brasil do dr. Mário Soares, o excelente estado da sua próstata, uma feliz notícia. No dia do samba, antes do regresso a Lisboa, Soares foi confrontado pelas televisões com o avanço do "amigo" Alegre. Não é nada com ele, qualquer pessoa maior de 33 anos (são 35, mas não faz mal) pode candidatar-se e, lembrou, o que interessa é "ver" os apoios que cada um tem. Na "dele", de Soares, não há "federação" do PS que não tenha já derramado o seu amor platónico pela sua excelsa pessoa. Tudo somado, e na sua soberana cabeça, Alegre, afinal, não existe. Eu não sei se existe ou não existe e pouco me interessa. Nem sei mesmo se chegará a reunir as famosas "condições técnicas" para se apresentar. Existe, porém, "politicamente" e até mais ver. Ao contrário do discurso de Viseu, só estragado pelos incompreensíveis parágrafos finais, o lance de Águeda só serviu mesmo para aborrecer o viajante. Tão aborrecido ficou que não quis ouvir mais perguntas sobre a "amizade" com Alegre e prometeu, a seu tempo, solenes bordoadas nas sondagens que o desqualificam permanentemente, fazendo lembrar Santana Lopes há uns meses atrás, antes da sumária humilhação de Fevereiro último. Pelos vistos, anda toda a gente a fazer contas de somar e de subtrair por causa de Manuel Alegre. Salvo o devido e habitual respeito, penso que não vale a pena perder muito tempo com isso. Alegre "somou-se" ao "frentismo" esquizofrénico da chamada "esquerda", cujo único objectivo, nas eleições presidenciais, é derrotar Cavaco Silva. À força de todos quererem "somar", acabam por tirar qualquer coisa uns aos outros. Não é preciso ser matemático nem bruxo para recolher tamanha evidência. Soares lidera esta mónada doentia que poderá estatelar-se, sem mais, numa única "volta" eleitoral. "Dramatizar" o discurso com a velha retórica "esquerda/direita", vale hoje tanto como a promiscuidade entre o Bloco de Esquerda e o candidato do PS, exibida às escâncaras pelo Prof. Rosas e pela dra. Amaral Dias. Louçã serve apenas de patrulheiro e de "avisador" por causa de Jerónimo de Sousa. E Jerónimo de Sousa, aliás, faz o mesmo com Louçã. Todos juntos - de Soares a Alegre, passando pela distinta Carmelinda Pereira, pelo causídico Garcia Pereira e pelos dois citados - querem sempre a mesma e única coisa, que me abstenho de repetir, por nada ter a ver com um verdadeiro "desígnio" presidencial. Contudo, é nesse "querer" aparentemente conjunto que se "dividem". Nessa matéria, o candidato que o eng.º Sócrates acha que quer "unir Portugal" é o que mais divertidamente divide. Não haverá mais ninguém para falar por ele que os drs. José Lello e Vitor Ramalho, entremeados com uns murmúrios do dr. Alfredo Barroso? Para tamanho candidato, é coisa pouca. Em suma, não me apoquenta esta "diversidade" reinadia à "esquerda". Lembram-me a peça de Pirandello. Não passam de "seis personagens à procura de autor".
Adenda: Ler, a propósito, no Margens de Erro, este post de Pedro Magalhães. Vi Rui Oliveira e Costa, da "Eurosondagem", a dar umas "explicações" matemáticas na televisão por causa da emergência de Manuel Alegre. Curiosamente também o tinha visto no Hotel Altis, felicissimo, no dia em que Soares se recandidatou.
21.9.05
O REGRESSO
Para "enobrecer" um pouco mais as já tão desacreditadas eleições autárquicas, regressou à pátria a D. Fátima Felgueiras, presume-se, sob a exultação comovida das suas gentes. Ela, ao contrário do que se possa pensar, não destoa da "paisagem" geral. É um símbolo de um certo país com que tantos palonços se congratulam. Muitos são, aliás, candidatos. E alguns deles, porventura, serão eleitos. O país merece-os.
O REGRESSO
Para "enobrecer" um pouco mais as já tão desacreditadas eleições autárquicas, regressou à pátria a D. Fátima Felgueiras, presume-se, sob a exultação comovida das suas gentes. Ela, ao contrário do que se possa pensar, não destoa da "paisagem" geral. É um símbolo de um certo país com que tantos palonços se congratulam. Muitos são, aliás, candidatos. E alguns deles, porventura, serão eleitos. O país merece-os.
LER...
... esta entrevista com Rogério Alves, o bastonário da "Ordem dos Advogados". "Critico este Governo pela forma autista como prossegue com as medidas e pela forma como, ouvindo, não ouve."
LER...
... esta entrevista com Rogério Alves, o bastonário da "Ordem dos Advogados". "Critico este Governo pela forma autista como prossegue com as medidas e pela forma como, ouvindo, não ouve."
O MUNDO QUE NÓS PERDEMOS
Continua a "novela" entre o governo e os militares, agora com um capítulo encerrado pela promulgação dos diplomas em causa (aumento da idade de reforma e serviços de saúde) pelo PR. A chamada à colação das mulheres dos "associativos" acrescenta à situação um tom vagamente patético. A ideia de andar pelas ruas de Lisboa "a caminhar com amigos" e, depois, a de se promover "um encontro" no Mercado da Ribeira para a rapaziada "no activo", é sensivelmente mais do mesmo. Ou seja, da mesma impotência perante a "realidade". Não tendo nada a ver com este assunto, lembrei-me de um livro, já antigo, de Peter Leslett, sobre os efeitos da industrialização da sociedade inglesa na transição para o século XX, "O mundo que nós perdemos". Entre nós não se cultiva a ideia de "mudança" e teme-se mexer seja no que for. Tirando o betão, algumas "estruturas" e o impulso europeu, traduzido na feliz entrada na "moeda única" logo de início, a "cabeça portuguesa" é avessa à mudança e à transfiguração. Há momentos na nossa vida pessoal e colectiva em que precisamos de "morrer" para podermos continuar com algum sentido e com um módico de dignidade. Instituições como as forças armadas ou a magistratura "vivem" do hábito, da rotina e, acham elas, de "valores". Não percebem que estamos num tempo em que nada, a começar nos "valores", é sólido ou promete estabilidade. Por isso, custa - e esse é o termo adequado, custa - perdermos o nosso mundo e, no limite, a nossa razão de ser. Na sua quixotesca aventura contra o "poder", sendo parte "armada" dele, os militares perguntar-se-ão muitas vezes como chegaram até aqui, trinta anos "depois". Compreendo perfeitamente. No entanto, em cada passo dado nas ruas, perde-se um pouco da "gravitas" que se associa à condição militar. Esse "pathos" é, também, uma consequência de a autoridade democrática do Estado andar, ela própria, pelas "ruas da amargura". Verdadeiramente os militares não vão, com esta legislação, "perder" muito mais do que já tinham perdido. São, como as suas mulheres inocentemente não se cansaram de repetir nas televisões, questões (legítimas) de pura intendência. Até posso entender o "lado humano" da coisa, porém, custa-me a aceitar, como cidadão habituado a respeitar as forças armadas, este inútil "braço-de-ferro". O mundo, imperfeito e cínico, mudou. Nós, ao não sabermos ou ao não querermos acompanhá-lo, perdemo-nos dele e ele de nós. Valerá a pena?
O MUNDO QUE NÓS PERDEMOS
Continua a "novela" entre o governo e os militares, agora com um capítulo encerrado pela promulgação dos diplomas em causa (aumento da idade de reforma e serviços de saúde) pelo PR. A chamada à colação das mulheres dos "associativos" acrescenta à situação um tom vagamente patético. A ideia de andar pelas ruas de Lisboa "a caminhar com amigos" e, depois, a de se promover "um encontro" no Mercado da Ribeira para a rapaziada "no activo", é sensivelmente mais do mesmo. Ou seja, da mesma impotência perante a "realidade". Não tendo nada a ver com este assunto, lembrei-me de um livro, já antigo, de Peter Leslett, sobre os efeitos da industrialização da sociedade inglesa na transição para o século XX, "O mundo que nós perdemos". Entre nós não se cultiva a ideia de "mudança" e teme-se mexer seja no que for. Tirando o betão, algumas "estruturas" e o impulso europeu, traduzido na feliz entrada na "moeda única" logo de início, a "cabeça portuguesa" é avessa à mudança e à transfiguração. Há momentos na nossa vida pessoal e colectiva em que precisamos de "morrer" para podermos continuar com algum sentido e com um módico de dignidade. Instituições como as forças armadas ou a magistratura "vivem" do hábito, da rotina e, acham elas, de "valores". Não percebem que estamos num tempo em que nada, a começar nos "valores", é sólido ou promete estabilidade. Por isso, custa - e esse é o termo adequado, custa - perdermos o nosso mundo e, no limite, a nossa razão de ser. Na sua quixotesca aventura contra o "poder", sendo parte "armada" dele, os militares perguntar-se-ão muitas vezes como chegaram até aqui, trinta anos "depois". Compreendo perfeitamente. No entanto, em cada passo dado nas ruas, perde-se um pouco da "gravitas" que se associa à condição militar. Esse "pathos" é, também, uma consequência de a autoridade democrática do Estado andar, ela própria, pelas "ruas da amargura". Verdadeiramente os militares não vão, com esta legislação, "perder" muito mais do que já tinham perdido. São, como as suas mulheres inocentemente não se cansaram de repetir nas televisões, questões (legítimas) de pura intendência. Até posso entender o "lado humano" da coisa, porém, custa-me a aceitar, como cidadão habituado a respeitar as forças armadas, este inútil "braço-de-ferro". O mundo, imperfeito e cínico, mudou. Nós, ao não sabermos ou ao não querermos acompanhá-lo, perdemo-nos dele e ele de nós. Valerá a pena?
20.9.05
O SEM SENTIDO DAS COISAS...
... está nesta "notícia" dissecada pelo Paulo Gorjão e que é um perfeito disparate, de alto a baixo.
O SEM SENTIDO DAS COISAS...
... está nesta "notícia" dissecada pelo Paulo Gorjão e que é um perfeito disparate, de alto a baixo.
LER...
...através do José Adelino Maltez, dois grandes poemas de Jorge de Sena, sobre "Portugal", este glorioso "país de sacanas".
LER...
...através do José Adelino Maltez, dois grandes poemas de Jorge de Sena, sobre "Portugal", este glorioso "país de sacanas".
LER OS OUTROS
Octávio Ribeiro, "Cavaco e o ruído". E, sobre a Alemanha, o que está muito bem dito aqui.
LER OS OUTROS
Octávio Ribeiro, "Cavaco e o ruído". E, sobre a Alemanha, o que está muito bem dito aqui.
"INDICADORES DE CONFIANÇA"
Leio que a "confiança dos empresários" sofreu a maior queda desde 2003 e que "os dados referentes à conjuntura económica revelam uma apatia no tecido empresarial e uma queda continuada da actividade económica." Parece que "os empresários acentuam a indefinição política e a falta de estratégia do país e referem que nem nas questões mais técnicas há consenso na classe política." E que "os homens fortes das empresas sublinham a necessidade de estabilidade e afirmam que não podem estar à espera das condições óptimas para reagir", já que, "aos problemas estruturais da economia os empresários querem responder com investimento." Aparentemente não saímos disto. Tivemos Guterres com a sua inepta (quase) maioria e a sua insustentável leveza. Depois veio Barroso, sem o "choque fiscal", mas com a promessa diária de uma "retoma" que ainda hoje não chegou. Santana Lopes não conta. E Sócrates, pelos vistos, não convence. Ninguém consegue "enxertar" confiança na raça. O dr. Pinho, que também tem a seu cargo "a inovação", é o desastre ambulante que se conhece. Mário Lino, das "obras públicas e transportes", deve estar metido no gabinete a desenhar aviões e comboios. Partimos para as autárquicas com 70 candidatos arguidos em processos judiciais, segundo a "estimativa" de um deles. E temos - porque temos e é uma "prioridade nacional"- que fazer um referendo "a correr" sobre o aborto, a crédito da desacreditada "palavra" política. Com estes magníficos "indicadores de confiança", não vamos mesmo a lado nenhum. Será, uma vez mais, que pior é sempre possível?
"INDICADORES DE CONFIANÇA"
Leio que a "confiança dos empresários" sofreu a maior queda desde 2003 e que "os dados referentes à conjuntura económica revelam uma apatia no tecido empresarial e uma queda continuada da actividade económica." Parece que "os empresários acentuam a indefinição política e a falta de estratégia do país e referem que nem nas questões mais técnicas há consenso na classe política." E que "os homens fortes das empresas sublinham a necessidade de estabilidade e afirmam que não podem estar à espera das condições óptimas para reagir", já que, "aos problemas estruturais da economia os empresários querem responder com investimento." Aparentemente não saímos disto. Tivemos Guterres com a sua inepta (quase) maioria e a sua insustentável leveza. Depois veio Barroso, sem o "choque fiscal", mas com a promessa diária de uma "retoma" que ainda hoje não chegou. Santana Lopes não conta. E Sócrates, pelos vistos, não convence. Ninguém consegue "enxertar" confiança na raça. O dr. Pinho, que também tem a seu cargo "a inovação", é o desastre ambulante que se conhece. Mário Lino, das "obras públicas e transportes", deve estar metido no gabinete a desenhar aviões e comboios. Partimos para as autárquicas com 70 candidatos arguidos em processos judiciais, segundo a "estimativa" de um deles. E temos - porque temos e é uma "prioridade nacional"- que fazer um referendo "a correr" sobre o aborto, a crédito da desacreditada "palavra" política. Com estes magníficos "indicadores de confiança", não vamos mesmo a lado nenhum. Será, uma vez mais, que pior é sempre possível?
19.9.05
DEPOIS...
... deste
e deste
, Pacheco Pereira anuncia que encerrou "o terceiro volume da biografia de Álvaro Cunhal para os anos da prisão (1949 a 1960). Sairá em Novembro na Temas e Debates e em Janeiro no Círculo de Leitores." Uma boa notícia bibliográfica.
e deste
, Pacheco Pereira anuncia que encerrou "o terceiro volume da biografia de Álvaro Cunhal para os anos da prisão (1949 a 1960). Sairá em Novembro na Temas e Debates e em Janeiro no Círculo de Leitores." Uma boa notícia bibliográfica.DEPOIS...
... deste
e deste
, Pacheco Pereira anuncia que encerrou "o terceiro volume da biografia de Álvaro Cunhal para os anos da prisão (1949 a 1960). Sairá em Novembro na Temas e Debates e em Janeiro no Círculo de Leitores." Uma boa notícia bibliográfica.
e deste
, Pacheco Pereira anuncia que encerrou "o terceiro volume da biografia de Álvaro Cunhal para os anos da prisão (1949 a 1960). Sairá em Novembro na Temas e Debates e em Janeiro no Círculo de Leitores." Uma boa notícia bibliográfica.SAMPAIO E GUILHERME
Correu por estes dias grave indignação pela escolha de Guilherme Oliveira Martins, ex-ministro de Guterres e vice-presidente da bancada parlamentar do PS, para juíz-presidente do Tribunal de Contas. Já disse o que pensava disto. Martins não passa de um amável cortesão que representa muitíssimo bem o "regime", com a "vantagem" de emergir dos seus interstícios. De uma forma geral, não incomoda (ou só incomoda apenas por vir de onde vem), o que o torna ideal para a função. O gongorismo do Tribunal de Contas adapta-se, como uma luva, ao "perfil" de Guillherme e Guilherme fica bem sentado no cadeirão substancialmente inócuo do seu presidente. Sampaio, no entanto, prestaria um bom serviço à nação se recusasse esta nomeação. Por duas razões. A primeira, porque assim dispensaria G. O. Martins de um parágrafo menos feliz no seu currículo. A segunda, porque emprestava, com esse gesto, alguma credibilidade à meritória função de controlo do Tribunal. Sim, apesar de tudo, "aquilo" sempre é um Tribunal, qualquer coisa que tem a ver com a tão prostituída palavra "independência". Era conveniente, pois, no "estado a que isto chegou", não desprestigiar ainda mais o "regime" com coisas perfeitamente evitáveis. Guilherme não o merece e o país, distraído na sua bovina mansidão, também não.
SAMPAIO E GUILHERME
Correu por estes dias grave indignação pela escolha de Guilherme Oliveira Martins, ex-ministro de Guterres e vice-presidente da bancada parlamentar do PS, para juíz-presidente do Tribunal de Contas. Já disse o que pensava disto. Martins não passa de um amável cortesão que representa muitíssimo bem o "regime", com a "vantagem" de emergir dos seus interstícios. De uma forma geral, não incomoda (ou só incomoda apenas por vir de onde vem), o que o torna ideal para a função. O gongorismo do Tribunal de Contas adapta-se, como uma luva, ao "perfil" de Guillherme e Guilherme fica bem sentado no cadeirão substancialmente inócuo do seu presidente. Sampaio, no entanto, prestaria um bom serviço à nação se recusasse esta nomeação. Por duas razões. A primeira, porque assim dispensaria G. O. Martins de um parágrafo menos feliz no seu currículo. A segunda, porque emprestava, com esse gesto, alguma credibilidade à meritória função de controlo do Tribunal. Sim, apesar de tudo, "aquilo" sempre é um Tribunal, qualquer coisa que tem a ver com a tão prostituída palavra "independência". Era conveniente, pois, no "estado a que isto chegou", não desprestigiar ainda mais o "regime" com coisas perfeitamente evitáveis. Guilherme não o merece e o país, distraído na sua bovina mansidão, também não.
18.9.05
"DAR-SE AO RESPEITO"
"Sócrates, invocando a legitimidade eleitoral, afiança que as reformas avançarão independentemente dos protestos. Mas, é claro, tendo conquistado os votos à custa da ocultação da verdade, é natural que o seu governo não se consiga dar ao respeito nem apresentar-se ao público revestido da autoridade necessária para impor aos portugueses os sacrifícios indispensáveis à recuperação do país".
Maria de Fátima Bonifácio, Público de 18.9.05
"DAR-SE AO RESPEITO"
"Sócrates, invocando a legitimidade eleitoral, afiança que as reformas avançarão independentemente dos protestos. Mas, é claro, tendo conquistado os votos à custa da ocultação da verdade, é natural que o seu governo não se consiga dar ao respeito nem apresentar-se ao público revestido da autoridade necessária para impor aos portugueses os sacrifícios indispensáveis à recuperação do país".
Maria de Fátima Bonifácio, Público de 18.9.05
"COMO SE CHEGOU AQUI?"
"Primeiro, pelo desprestígio geral do regime. Houve Guterres, Barroso, Santana e agora Sócrates, que arrasaram qualquer espécie de respeito pelo poder com o seu diletantismo e a sua irresponsabilidade. Todos mentiram. Todos permitiram e promoveram a corrupção dos partidos. Dois fugiram. Um acabou abjectamente escorraçado. E Sócrates sobrevive por inércia, desprezado e nulo. Além disso, que já não é pouco, não há dinheiro. Pior ainda: o dinheiro que hoje falta, não falta no bolso, sempre vazio, do bom povo português, falta no bolso da classe média inchada e artificial que se criou em 30 anos de ilusões e, nomeadamente, no bolso do capitão e do juiz, do inspector e do funcionário, do polícia e do GNR. Como se irá convencer hoje esta gente, a autoridade, que vive em grande parte do seu estatuto social, que deve de repente empobrecer e perder privilégios num mundo em que se prospera pelo compadrio, pela influência e pela fraude e o caos político se tornou manifesto?"
Vasco Pulido Valente, Público de 18.9.05
"COMO SE CHEGOU AQUI?"
"Primeiro, pelo desprestígio geral do regime. Houve Guterres, Barroso, Santana e agora Sócrates, que arrasaram qualquer espécie de respeito pelo poder com o seu diletantismo e a sua irresponsabilidade. Todos mentiram. Todos permitiram e promoveram a corrupção dos partidos. Dois fugiram. Um acabou abjectamente escorraçado. E Sócrates sobrevive por inércia, desprezado e nulo. Além disso, que já não é pouco, não há dinheiro. Pior ainda: o dinheiro que hoje falta, não falta no bolso, sempre vazio, do bom povo português, falta no bolso da classe média inchada e artificial que se criou em 30 anos de ilusões e, nomeadamente, no bolso do capitão e do juiz, do inspector e do funcionário, do polícia e do GNR. Como se irá convencer hoje esta gente, a autoridade, que vive em grande parte do seu estatuto social, que deve de repente empobrecer e perder privilégios num mundo em que se prospera pelo compadrio, pela influência e pela fraude e o caos político se tornou manifesto?"
Vasco Pulido Valente, Público de 18.9.05
DESESPERADA, A VIDA?
"Yes, life is a journey. One that is much better traveled with a companion by our side. Of course, that companion can be just about anyone. A neighbor on the other side of the street... Or the man on the other side of the bed. The companion can be a mother with good intentions... Or a child who's up to no good. Still, despite our best intentions, some of us will lose our companions along the way. And then the journey becomes unbearable. You see, human beings are designed for many things, but loneliness isn't one of them." DESESPERADA, A VIDA?
"Yes, life is a journey. One that is much better traveled with a companion by our side. Of course, that companion can be just about anyone. A neighbor on the other side of the street... Or the man on the other side of the bed. The companion can be a mother with good intentions... Or a child who's up to no good. Still, despite our best intentions, some of us will lose our companions along the way. And then the journey becomes unbearable. You see, human beings are designed for many things, but loneliness isn't one of them." SÓ, COM PORTUGAL
Os que "temiam" que Cavaco não se candidatasse ou que o fizesse apenas "empurrado" pelas sondagens, podem agora dormir descansados. Dentro de algumas semanas, como, aliás, sempre o disse, Cavaco formalizará a sua candidatura a Belém. Ao contrário do pífio "remake" de Mário Soares no final de Agosto, ao qual o país não prestou nenhuma atenção, a candidatura de Cavaco Silva constituirá o verdadeiro acto inaugural das presidenciais de 2006. É assim porque se sabe que, desta vez, são realistas as possibilidades de ele vir a ser o próximo PR. Toda a algazarra construída em torno do seu "silêncio" ou, pior, do seu "tabu", como eles dizem, não passa de uma mitomania gasta, destinada a tentar fazer o homem "aparecer" para massajar o ego aos adversários e a alguns "comentadores" mais excitados. Esta "pré-campanha" tem sido, nessa matéria, esclarecedora. Julgo não estar enganado quando pressinto que o país se inclina, de novo, para Cavaco Silva. Não por causa do "providencialismo" que lhe é atribuído maliciosamente pelo jacobinismo empoeirado de Mário Soares ou de Almeida Santos, ou pelo estatuto de "regedor ditatorial" que lhe é colado pelo PC e pelo BE. E muito menos, porque o argumento é rídiculo, por ser "professor de finanças". O "regime", se não se regenerar, afunda-se, mais tarde ou mais cedo, nas suas trapalhadas e na sua venalidade. Restaurar, com sensatez, a sua autoridade, sem pôr em causa a "natureza das coisas", é a tarefa mais nobre do próximo PR. Não é preciso ser "presidencialista" para achar que não é com magistraturas "monárquico-republicanas", requentadas com discursatas redondas e vazias, que "isto" lá vai. Cavaco não virá para a "desforra", como se insinua maliciosamente, e o país sabe-o. Sócrates tem um mandato claro que o obriga a ser mais clarividente do que tem sido. Ninguém mais do que Cavaco Silva aprecia a "estabilidade" para que se possa fazer alguma coisa. Mário Soares apenas quer a "estabilidade" - a dele - para não mudar nada e para embaraçar Sócrates quando este não respeitar o "cânone". Cavaco deverá transmitir solitariamente aos portugueses quais as razões políticas que o fazem ser, agora e de longe, o concidadão que, na chefia do Estado, melhores condições possui para prestigiar a democracia e honrar, com decência e um módico de equilíbrio, as instituições. Para isso não precisa de uma "corte". Basta-lhe estar só, com Portugal.SÓ, COM PORTUGAL
Os que "temiam" que Cavaco não se candidatasse ou que o fizesse apenas "empurrado" pelas sondagens, podem agora dormir descansados. Dentro de algumas semanas, como, aliás, sempre o disse, Cavaco formalizará a sua candidatura a Belém. Ao contrário do pífio "remake" de Mário Soares no final de Agosto, ao qual o país não prestou nenhuma atenção, a candidatura de Cavaco Silva constituirá o verdadeiro acto inaugural das presidenciais de 2006. É assim porque se sabe que, desta vez, são realistas as possibilidades de ele vir a ser o próximo PR. Toda a algazarra construída em torno do seu "silêncio" ou, pior, do seu "tabu", como eles dizem, não passa de uma mitomania gasta, destinada a tentar fazer o homem "aparecer" para massajar o ego aos adversários e a alguns "comentadores" mais excitados. Esta "pré-campanha" tem sido, nessa matéria, esclarecedora. Julgo não estar enganado quando pressinto que o país se inclina, de novo, para Cavaco Silva. Não por causa do "providencialismo" que lhe é atribuído maliciosamente pelo jacobinismo empoeirado de Mário Soares ou de Almeida Santos, ou pelo estatuto de "regedor ditatorial" que lhe é colado pelo PC e pelo BE. E muito menos, porque o argumento é rídiculo, por ser "professor de finanças". O "regime", se não se regenerar, afunda-se, mais tarde ou mais cedo, nas suas trapalhadas e na sua venalidade. Restaurar, com sensatez, a sua autoridade, sem pôr em causa a "natureza das coisas", é a tarefa mais nobre do próximo PR. Não é preciso ser "presidencialista" para achar que não é com magistraturas "monárquico-republicanas", requentadas com discursatas redondas e vazias, que "isto" lá vai. Cavaco não virá para a "desforra", como se insinua maliciosamente, e o país sabe-o. Sócrates tem um mandato claro que o obriga a ser mais clarividente do que tem sido. Ninguém mais do que Cavaco Silva aprecia a "estabilidade" para que se possa fazer alguma coisa. Mário Soares apenas quer a "estabilidade" - a dele - para não mudar nada e para embaraçar Sócrates quando este não respeitar o "cânone". Cavaco deverá transmitir solitariamente aos portugueses quais as razões políticas que o fazem ser, agora e de longe, o concidadão que, na chefia do Estado, melhores condições possui para prestigiar a democracia e honrar, com decência e um módico de equilíbrio, as instituições. Para isso não precisa de uma "corte". Basta-lhe estar só, com Portugal.17.9.05
UMA PENA
Ao autoritarismo jacobino de Mário Soares, seguiu-se, na mesma semana, o jacobinismo senil de Almeida Santos, uma espécie de "vaca sagrada" do "regime", por causa de Cavaco Silva. Na "convenção autárquica" do PS, em Coimbra, o "ex-número dois" da nação comparou Cavaco a Salazar, aparentemente por ele ter dito que se considerava "muito independente" de partidos políticos. Este maravilhoso linguarejar, mais adequado ao evangelista Louçã, irá sendo apurado, tudo o indica, com o decurso do tempo. Tal como Soares, Almeida Santos devia ter um pouco mais de respeito por si próprio e pela sua "história". O caprichismo arrogante e anti-democrático que vêm demonstrando, em vez de desqualificar os adversários, só os diminui a eles e ao que representavam aos olhos dos portugueses. E isso é manifestamente uma pena.
UMA PENA
Ao autoritarismo jacobino de Mário Soares, seguiu-se, na mesma semana, o jacobinismo senil de Almeida Santos, uma espécie de "vaca sagrada" do "regime", por causa de Cavaco Silva. Na "convenção autárquica" do PS, em Coimbra, o "ex-número dois" da nação comparou Cavaco a Salazar, aparentemente por ele ter dito que se considerava "muito independente" de partidos políticos. Este maravilhoso linguarejar, mais adequado ao evangelista Louçã, irá sendo apurado, tudo o indica, com o decurso do tempo. Tal como Soares, Almeida Santos devia ter um pouco mais de respeito por si próprio e pela sua "história". O caprichismo arrogante e anti-democrático que vêm demonstrando, em vez de desqualificar os adversários, só os diminui a eles e ao que representavam aos olhos dos portugueses. E isso é manifestamente uma pena.
UM MAU NEGÓCIO
Segundo o Expresso, "Soares não vai poder contar com Vitorino". Não é propriamente uma novidade, mas depois de se saber esta semana para que é que se "pode contar" efectivamente com Vitorino, deve concluir-se que, na óptica do mítico "habituem-se", Soares é um mau negócio.
UM MAU NEGÓCIO
Segundo o Expresso, "Soares não vai poder contar com Vitorino". Não é propriamente uma novidade, mas depois de se saber esta semana para que é que se "pode contar" efectivamente com Vitorino, deve concluir-se que, na óptica do mítico "habituem-se", Soares é um mau negócio.
"TAL COMO ELA FOI"
"Changer la vie quase aos 50 anos não é assim tão fácil nem eu quero. Mas sabermos que a vida levada ao presente está-nos a fugir para onde não a queríamos, marcar passo, olhar atrás e constatar com aborrecimento ou forte agravo ou molesta amargura que em 40 anos sempre assim me aconteceu e, mesmo assim, lenta lentamente continuo a avançar no projecto inicial embora com tramados trambolhões e perdas vitais."Luiz Pacheco, Diário Remendado, 1971-1975, fixação de texto e posfácio de João Pedro George, Dom Quixote, 2005
Como escreve no "posfácio" o J. P. George, "independentemente daquilo que pensarmos do Luiz Pacheco e do seu estilo de vida, este diário é a tentativa aproximada de dizer a verdade acerca de si próprio". E, na leitura de Eduardo Pitta, "num país menos engravatado, o livro seria vendido com cinta amarelo-vivo e frase com letras azul-forte: HIPOCONDRIA, BROCHES & LITERATURA. Com efeito. Um pouco de sorte, e nenhum recenseador o acusará de fazer alarde de calotes. A vida, portanto. Tal como ela foi."
"TAL COMO ELA FOI"
"Changer la vie quase aos 50 anos não é assim tão fácil nem eu quero. Mas sabermos que a vida levada ao presente está-nos a fugir para onde não a queríamos, marcar passo, olhar atrás e constatar com aborrecimento ou forte agravo ou molesta amargura que em 40 anos sempre assim me aconteceu e, mesmo assim, lenta lentamente continuo a avançar no projecto inicial embora com tramados trambolhões e perdas vitais."Luiz Pacheco, Diário Remendado, 1971-1975, fixação de texto e posfácio de João Pedro George, Dom Quixote, 2005
Como escreve no "posfácio" o J. P. George, "independentemente daquilo que pensarmos do Luiz Pacheco e do seu estilo de vida, este diário é a tentativa aproximada de dizer a verdade acerca de si próprio". E, na leitura de Eduardo Pitta, "num país menos engravatado, o livro seria vendido com cinta amarelo-vivo e frase com letras azul-forte: HIPOCONDRIA, BROCHES & LITERATURA. Com efeito. Um pouco de sorte, e nenhum recenseador o acusará de fazer alarde de calotes. A vida, portanto. Tal como ela foi."
FIM DE CITAÇÃO
Para que não restem dúvidas a alguns amáveis leitores, e embora isso não tenha importância nenhuma para o futuro da cidade, Manuel Maria Carrilho deixou de ser o "meu" candidato a presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Tem, como se costuma dizer, "perfil" político. Porém, há coisas que lhe escapam que são essenciais. A campanha, tal como a montanha, pariu um rato.
FIM DE CITAÇÃO
Para que não restem dúvidas a alguns amáveis leitores, e embora isso não tenha importância nenhuma para o futuro da cidade, Manuel Maria Carrilho deixou de ser o "meu" candidato a presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Tem, como se costuma dizer, "perfil" político. Porém, há coisas que lhe escapam que são essenciais. A campanha, tal como a montanha, pariu um rato.
16.9.05
CONVERSAS COM LEITORES
A propósito do post sobre "Lisboa" (debate Carrilho/Carmona), recebi uns "comentários" que não resisto a "comentar", salvo, como de costume, os "anónimos".
Do Rui: "Acho que só existe uma palavra para definir o candidato Carrilho: execrável. Já para não falar da sua má educação. Só não compreendo como o autor deste blog, tão esclarecido noutras circunstâncias, consegue continuar a apoiar a candidatura desta miserável criatura."
De CDSM (com mail): "Apesar da arrogância, presunção e sobranceria - para ser brando - de Carrilho, não acho que tenha feito mal em recusar o cumprimento de Carmona. Quando muito, num gesto de decência, explicaria a razão por que o fez. Isto porque todos estamos fartos de acusar os protagonistas da política-parti(d)(f)ária (fugiu-me o dedo para a verdade!!) de falta de seriedade, falsidade, de cinismo e hipocrisia por agirem no campo público dissimuladamente, com uma identidade projectada, que, em privado não corresponde ao seu real carácter, daí achar que as atitudes e identidades que se evidenciamou projectam publicamente pelos políticos devem corresponder à manifestação seu do real carácter. Assim, se dois políticos são incompatíveis no campo pessoal e privado (fora da projecção mediática) não devem tentar publicamente disfarçar ou sonegar esse facto. Se na vida extra-mediática, dois personagens nunca se cumprimentariam, porque o haveriam de fazer em frente às Câmaras de TV ?? para reforçar ainda mais a ideia já patente em muita gente de que "eles(os políticos) são todos iguais, são farinha do mesmo saco, insultam-se e criticam-se publicamente mas por detrás do público são todos uns amigalhaços" ??? (veja-se o caso de Jorge Coelho na recente entrevista à «Sàbado» em que confessava a grande amizade a Dias Loureiro, quantas pessoas sabiam disto e se o soubessem isso não influiria na avaliação das suas prestações públicas enquanto políticos ?? Não obstante entender que se deve usar de fair-play e destrinçar as diferenças pessoais das questões políticas e ideológicas, o certo é que muitas vezes a fronteira é ténue e, da diferença, depressa se chega ao insulto. Se somos pela verdade e contra a hipocrisia e o cinismo que o sejamos sempre, em todas as circunstâncias."
Comentário único : Cabe ao eleitorado avaliar os "conteúdos" e a "forma" dos "projectos" para Lisboa. O "carácter" dos candidatos passa a ter pública relevância apenas quando isso tem uma óbvia tradução política. É costume "pegar" em Carrilho pelo seu carácter e menos pelas suas ideias, tantas vezes obnubiladas pela "exteriorização" iconoclasta do seu autor. É um "estilo". Discutível, mas um "estilo". Porém, o mau-feitio ou a "falta de educação" não tornam essas ideias menos interessantes. A visibilidade que Carrilho anda a dar delas, é que, sim, me parece amplamente discutível. "Slogans" avulsos não fazem "um programa", por muito bonitinhos e "arejados" que sejam. Pelo que vi e ouvi, suspeito que o eleitorado não tenha conseguido "avaliar" nada depois daquele deplorável "debate" e das respectivas sequelas. Verdadeiramente nenhum deles, Carmona ou Carrilho, merece a Câmara Municipal de Lisboa.
Do Rui: "Acho que só existe uma palavra para definir o candidato Carrilho: execrável. Já para não falar da sua má educação. Só não compreendo como o autor deste blog, tão esclarecido noutras circunstâncias, consegue continuar a apoiar a candidatura desta miserável criatura."
De CDSM (com mail): "Apesar da arrogância, presunção e sobranceria - para ser brando - de Carrilho, não acho que tenha feito mal em recusar o cumprimento de Carmona. Quando muito, num gesto de decência, explicaria a razão por que o fez. Isto porque todos estamos fartos de acusar os protagonistas da política-parti(d)(f)ária (fugiu-me o dedo para a verdade!!) de falta de seriedade, falsidade, de cinismo e hipocrisia por agirem no campo público dissimuladamente, com uma identidade projectada, que, em privado não corresponde ao seu real carácter, daí achar que as atitudes e identidades que se evidenciamou projectam publicamente pelos políticos devem corresponder à manifestação seu do real carácter. Assim, se dois políticos são incompatíveis no campo pessoal e privado (fora da projecção mediática) não devem tentar publicamente disfarçar ou sonegar esse facto. Se na vida extra-mediática, dois personagens nunca se cumprimentariam, porque o haveriam de fazer em frente às Câmaras de TV ?? para reforçar ainda mais a ideia já patente em muita gente de que "eles(os políticos) são todos iguais, são farinha do mesmo saco, insultam-se e criticam-se publicamente mas por detrás do público são todos uns amigalhaços" ??? (veja-se o caso de Jorge Coelho na recente entrevista à «Sàbado» em que confessava a grande amizade a Dias Loureiro, quantas pessoas sabiam disto e se o soubessem isso não influiria na avaliação das suas prestações públicas enquanto políticos ?? Não obstante entender que se deve usar de fair-play e destrinçar as diferenças pessoais das questões políticas e ideológicas, o certo é que muitas vezes a fronteira é ténue e, da diferença, depressa se chega ao insulto. Se somos pela verdade e contra a hipocrisia e o cinismo que o sejamos sempre, em todas as circunstâncias."
Comentário único : Cabe ao eleitorado avaliar os "conteúdos" e a "forma" dos "projectos" para Lisboa. O "carácter" dos candidatos passa a ter pública relevância apenas quando isso tem uma óbvia tradução política. É costume "pegar" em Carrilho pelo seu carácter e menos pelas suas ideias, tantas vezes obnubiladas pela "exteriorização" iconoclasta do seu autor. É um "estilo". Discutível, mas um "estilo". Porém, o mau-feitio ou a "falta de educação" não tornam essas ideias menos interessantes. A visibilidade que Carrilho anda a dar delas, é que, sim, me parece amplamente discutível. "Slogans" avulsos não fazem "um programa", por muito bonitinhos e "arejados" que sejam. Pelo que vi e ouvi, suspeito que o eleitorado não tenha conseguido "avaliar" nada depois daquele deplorável "debate" e das respectivas sequelas. Verdadeiramente nenhum deles, Carmona ou Carrilho, merece a Câmara Municipal de Lisboa.
CONVERSAS COM LEITORES
A propósito do post sobre "Lisboa" (debate Carrilho/Carmona), recebi uns "comentários" que não resisto a "comentar", salvo, como de costume, os "anónimos".
Do Rui: "Acho que só existe uma palavra para definir o candidato Carrilho: execrável. Já para não falar da sua má educação. Só não compreendo como o autor deste blog, tão esclarecido noutras circunstâncias, consegue continuar a apoiar a candidatura desta miserável criatura."
De CDSM (com mail): "Apesar da arrogância, presunção e sobranceria - para ser brando - de Carrilho, não acho que tenha feito mal em recusar o cumprimento de Carmona. Quando muito, num gesto de decência, explicaria a razão por que o fez. Isto porque todos estamos fartos de acusar os protagonistas da política-parti(d)(f)ária (fugiu-me o dedo para a verdade!!) de falta de seriedade, falsidade, de cinismo e hipocrisia por agirem no campo público dissimuladamente, com uma identidade projectada, que, em privado não corresponde ao seu real carácter, daí achar que as atitudes e identidades que se evidenciamou projectam publicamente pelos políticos devem corresponder à manifestação seu do real carácter. Assim, se dois políticos são incompatíveis no campo pessoal e privado (fora da projecção mediática) não devem tentar publicamente disfarçar ou sonegar esse facto. Se na vida extra-mediática, dois personagens nunca se cumprimentariam, porque o haveriam de fazer em frente às Câmaras de TV ?? para reforçar ainda mais a ideia já patente em muita gente de que "eles(os políticos) são todos iguais, são farinha do mesmo saco, insultam-se e criticam-se publicamente mas por detrás do público são todos uns amigalhaços" ??? (veja-se o caso de Jorge Coelho na recente entrevista à «Sàbado» em que confessava a grande amizade a Dias Loureiro, quantas pessoas sabiam disto e se o soubessem isso não influiria na avaliação das suas prestações públicas enquanto políticos ?? Não obstante entender que se deve usar de fair-play e destrinçar as diferenças pessoais das questões políticas e ideológicas, o certo é que muitas vezes a fronteira é ténue e, da diferença, depressa se chega ao insulto. Se somos pela verdade e contra a hipocrisia e o cinismo que o sejamos sempre, em todas as circunstâncias."
Comentário único : Cabe ao eleitorado avaliar os "conteúdos" e a "forma" dos "projectos" para Lisboa. O "carácter" dos candidatos passa a ter pública relevância apenas quando isso tem uma óbvia tradução política. É costume "pegar" em Carrilho pelo seu carácter e menos pelas suas ideias, tantas vezes obnubiladas pela "exteriorização" iconoclasta do seu autor. É um "estilo". Discutível, mas um "estilo". Porém, o mau-feitio ou a "falta de educação" não tornam essas ideias menos interessantes. A visibilidade que Carrilho anda a dar delas, é que, sim, me parece amplamente discutível. "Slogans" avulsos não fazem "um programa", por muito bonitinhos e "arejados" que sejam. Pelo que vi e ouvi, suspeito que o eleitorado não tenha conseguido "avaliar" nada depois daquele deplorável "debate" e das respectivas sequelas. Verdadeiramente nenhum deles, Carmona ou Carrilho, merece a Câmara Municipal de Lisboa.
Do Rui: "Acho que só existe uma palavra para definir o candidato Carrilho: execrável. Já para não falar da sua má educação. Só não compreendo como o autor deste blog, tão esclarecido noutras circunstâncias, consegue continuar a apoiar a candidatura desta miserável criatura."
De CDSM (com mail): "Apesar da arrogância, presunção e sobranceria - para ser brando - de Carrilho, não acho que tenha feito mal em recusar o cumprimento de Carmona. Quando muito, num gesto de decência, explicaria a razão por que o fez. Isto porque todos estamos fartos de acusar os protagonistas da política-parti(d)(f)ária (fugiu-me o dedo para a verdade!!) de falta de seriedade, falsidade, de cinismo e hipocrisia por agirem no campo público dissimuladamente, com uma identidade projectada, que, em privado não corresponde ao seu real carácter, daí achar que as atitudes e identidades que se evidenciamou projectam publicamente pelos políticos devem corresponder à manifestação seu do real carácter. Assim, se dois políticos são incompatíveis no campo pessoal e privado (fora da projecção mediática) não devem tentar publicamente disfarçar ou sonegar esse facto. Se na vida extra-mediática, dois personagens nunca se cumprimentariam, porque o haveriam de fazer em frente às Câmaras de TV ?? para reforçar ainda mais a ideia já patente em muita gente de que "eles(os políticos) são todos iguais, são farinha do mesmo saco, insultam-se e criticam-se publicamente mas por detrás do público são todos uns amigalhaços" ??? (veja-se o caso de Jorge Coelho na recente entrevista à «Sàbado» em que confessava a grande amizade a Dias Loureiro, quantas pessoas sabiam disto e se o soubessem isso não influiria na avaliação das suas prestações públicas enquanto políticos ?? Não obstante entender que se deve usar de fair-play e destrinçar as diferenças pessoais das questões políticas e ideológicas, o certo é que muitas vezes a fronteira é ténue e, da diferença, depressa se chega ao insulto. Se somos pela verdade e contra a hipocrisia e o cinismo que o sejamos sempre, em todas as circunstâncias."
Comentário único : Cabe ao eleitorado avaliar os "conteúdos" e a "forma" dos "projectos" para Lisboa. O "carácter" dos candidatos passa a ter pública relevância apenas quando isso tem uma óbvia tradução política. É costume "pegar" em Carrilho pelo seu carácter e menos pelas suas ideias, tantas vezes obnubiladas pela "exteriorização" iconoclasta do seu autor. É um "estilo". Discutível, mas um "estilo". Porém, o mau-feitio ou a "falta de educação" não tornam essas ideias menos interessantes. A visibilidade que Carrilho anda a dar delas, é que, sim, me parece amplamente discutível. "Slogans" avulsos não fazem "um programa", por muito bonitinhos e "arejados" que sejam. Pelo que vi e ouvi, suspeito que o eleitorado não tenha conseguido "avaliar" nada depois daquele deplorável "debate" e das respectivas sequelas. Verdadeiramente nenhum deles, Carmona ou Carrilho, merece a Câmara Municipal de Lisboa.
LAMENTÁVEL...
... a decisão de Jaime Gama sobre a admissibilidade da proposta referendária do PS e, consequentemente, de tomar por boa a extravagante ideia de se dar início a nova sessão legislativa, "albardada" à vontade do "dono". O "regime" continua alegremente a caminhar para o abismo à conta das trapalhadas dos seus "donos". Como pergunta hoje Vasco Pulido Valente no Público, e se o país "gostar" mesmo de alguém disposto a "varrer" isto?
LAMENTÁVEL...
... a decisão de Jaime Gama sobre a admissibilidade da proposta referendária do PS e, consequentemente, de tomar por boa a extravagante ideia de se dar início a nova sessão legislativa, "albardada" à vontade do "dono". O "regime" continua alegremente a caminhar para o abismo à conta das trapalhadas dos seus "donos". Como pergunta hoje Vasco Pulido Valente no Público, e se o país "gostar" mesmo de alguém disposto a "varrer" isto?
LER
Sobre a esquizofrenia "estética" - e não só - que grassa na campanha autárquica em Lisboa, este artigo de Eduardo Cintra Torres. E do José Adelino Maltez, "Os pilares da ponte do tédio que vão de nós para o outro", um belo título. Sobre outra coisa completamente diferente (ou talvez não), os "estereótipos", João Morgado Fernandes, "O Ponto G".
LER
Sobre a esquizofrenia "estética" - e não só - que grassa na campanha autárquica em Lisboa, este artigo de Eduardo Cintra Torres. E do José Adelino Maltez, "Os pilares da ponte do tédio que vão de nós para o outro", um belo título. Sobre outra coisa completamente diferente (ou talvez não), os "estereótipos", João Morgado Fernandes, "O Ponto G".
LISBOA
O debate, na SIC Notícias, entre os dois candidatos - eleitoralmente verosímeis - ao cargo de presidente da Câmara Municipal de Lisboa, deve ter contribuido para levar muitos munícipes a optar pelas outras três candidaturas "marginais" ou pela abstenção. As boas ideias de Carrilho são constantemente atropeladas pela sua agressividade que, em televisão, não me parece que lhe seja favorável. Tanto assim, quando Carmona Rodrigues consegue disfarçar, com uma eficácia razoável, as suas insuficiências e responsabilidades, quer pela "modéstia" no "trato", quer pela forma "enxuta" como responde. Carrilho, em vez de acentuar o seu "projecto" e a sua "diferença", prefere desdenhar e desqualificar o adversário com um "estilo chorrilheiro-chic" que poderá não ser propriamente do agrado "popular". Praticamente só falta a Carrilho chamar crápula a Carmona, coisa que esbarra com a imagem de "simpatia" que este parece disfrutar junto da opinião pública. Em suma, eu não ponho as mãos no fogo por nenhum deles. Em Carrilho aprecio a frontalidade, a ambição e a legítima vontade política, há muito expressa, de ser presidente da Câmara. Custa-me, no entanto, aceitar a "forma" como tudo isso sai cá para fora e a recorrente obsessão em tratar todos os outros como atrasados mentais (alguns até o serão, porventura). Carmona carrega, por seu lado, uma pesada cruz chamada Santana Lopes. E uma profunda pusilanimidade política que, bem espremida, lhe pode custar o cargo. Não nutro hoje por Carrilho o mesmo "entusiasmo" que senti quando ele avançou. Sinto que falta ali qualquer coisa e que há qualquer coisa a mais que não devia lá estar. E é essa "qualquer coisa" que, na hora da verdade, lhe poderá ser fatal.
LISBOA
O debate, na SIC Notícias, entre os dois candidatos - eleitoralmente verosímeis - ao cargo de presidente da Câmara Municipal de Lisboa, deve ter contribuido para levar muitos munícipes a optar pelas outras três candidaturas "marginais" ou pela abstenção. As boas ideias de Carrilho são constantemente atropeladas pela sua agressividade que, em televisão, não me parece que lhe seja favorável. Tanto assim, quando Carmona Rodrigues consegue disfarçar, com uma eficácia razoável, as suas insuficiências e responsabilidades, quer pela "modéstia" no "trato", quer pela forma "enxuta" como responde. Carrilho, em vez de acentuar o seu "projecto" e a sua "diferença", prefere desdenhar e desqualificar o adversário com um "estilo chorrilheiro-chic" que poderá não ser propriamente do agrado "popular". Praticamente só falta a Carrilho chamar crápula a Carmona, coisa que esbarra com a imagem de "simpatia" que este parece disfrutar junto da opinião pública. Em suma, eu não ponho as mãos no fogo por nenhum deles. Em Carrilho aprecio a frontalidade, a ambição e a legítima vontade política, há muito expressa, de ser presidente da Câmara. Custa-me, no entanto, aceitar a "forma" como tudo isso sai cá para fora e a recorrente obsessão em tratar todos os outros como atrasados mentais (alguns até o serão, porventura). Carmona carrega, por seu lado, uma pesada cruz chamada Santana Lopes. E uma profunda pusilanimidade política que, bem espremida, lhe pode custar o cargo. Não nutro hoje por Carrilho o mesmo "entusiasmo" que senti quando ele avançou. Sinto que falta ali qualquer coisa e que há qualquer coisa a mais que não devia lá estar. E é essa "qualquer coisa" que, na hora da verdade, lhe poderá ser fatal.
15.9.05
O REGRESSO À VACA FRIA - 2
O Rui Costa Pinto chama a atenção para uma "pérola" do líder parlamentar do PS, um sobrevivente do "barroquismo democrático" de Coimbra, sobre o PR e o referendo. Não sei se o PS já contabilizou os votos que perde cada vez que A. Martins abre a boca.
O REGRESSO À VACA FRIA - 2
O Rui Costa Pinto chama a atenção para uma "pérola" do líder parlamentar do PS, um sobrevivente do "barroquismo democrático" de Coimbra, sobre o PR e o referendo. Não sei se o PS já contabilizou os votos que perde cada vez que A. Martins abre a boca.
A CONSTRUÇÃO DE UMA FIGURA
O Francisco José Viegas escreve sobre o verdadeiro "imperativo categórico" da "esquerda institucional" (não tenho a certeza que coincida com a "esquerda" eleitoral) : derrotar Cavaco Silva. Não há - nem em Soares, nem nos outros dois que andam a delimitar território - outro objectivo. Ainda há pouco mais de um ano, nas Cortes, em Leiria, Cavaco era um "bom candidato" presidencial para M. Soares, por causa de Guterres que tinha de ser "moído". Agora, Cavaco não tem sequer "perfil" e, vergonhosamente, não possui uma "formação humanista". Há uns meses, a sua - dele, Soares - candidatura seria "uma loucura" e, para evitar confusões, saiu-lhe na FIL o famoso "basta" que repetiu à saciedade. Desde há quinze dias que Soares é candidato oficial de um partido a Belém. Nada disto seria relevante se não se tratasse de quem se trata, alguém cuja própria "história" lhe devia merecer maior respeito. Parece que os "estrategas" estão preocupados por a "onda" anunciada pelo visionário Vitor Ramalho não "crescer". Não percebem que o "problema" não é a "estratégia" mas, antes, o seu teimoso candidato. Já aqui escrevi que o pior que pode acontecer a esta "aventura" é o patético. E, de facto, em cada dia que passa, o patético paira, ameaçador, sobre ela. Como escreve o Francisco, "com tantos ataques a Cavaco, mesmo antes de Cavaco Silva aparecer como candidato, de ele dizer ao que vem - se vier -, não sei se não valerá a pena prestar atenção à figura do homem das finanças e saber por que é que ele provoca esta urticária generalizada nas grandes províncias portuguesas. É assim que se constrói uma figura, aliás designando-a antes de ela se tornar visível."
A CONSTRUÇÃO DE UMA FIGURA
O Francisco José Viegas escreve sobre o verdadeiro "imperativo categórico" da "esquerda institucional" (não tenho a certeza que coincida com a "esquerda" eleitoral) : derrotar Cavaco Silva. Não há - nem em Soares, nem nos outros dois que andam a delimitar território - outro objectivo. Ainda há pouco mais de um ano, nas Cortes, em Leiria, Cavaco era um "bom candidato" presidencial para M. Soares, por causa de Guterres que tinha de ser "moído". Agora, Cavaco não tem sequer "perfil" e, vergonhosamente, não possui uma "formação humanista". Há uns meses, a sua - dele, Soares - candidatura seria "uma loucura" e, para evitar confusões, saiu-lhe na FIL o famoso "basta" que repetiu à saciedade. Desde há quinze dias que Soares é candidato oficial de um partido a Belém. Nada disto seria relevante se não se tratasse de quem se trata, alguém cuja própria "história" lhe devia merecer maior respeito. Parece que os "estrategas" estão preocupados por a "onda" anunciada pelo visionário Vitor Ramalho não "crescer". Não percebem que o "problema" não é a "estratégia" mas, antes, o seu teimoso candidato. Já aqui escrevi que o pior que pode acontecer a esta "aventura" é o patético. E, de facto, em cada dia que passa, o patético paira, ameaçador, sobre ela. Como escreve o Francisco, "com tantos ataques a Cavaco, mesmo antes de Cavaco Silva aparecer como candidato, de ele dizer ao que vem - se vier -, não sei se não valerá a pena prestar atenção à figura do homem das finanças e saber por que é que ele provoca esta urticária generalizada nas grandes províncias portuguesas. É assim que se constrói uma figura, aliás designando-a antes de ela se tornar visível."
O REGRESSO À VACA FRIA
Não se pode deixar de elogiar a "coerência" do PS. No meio da tormenta, com o país nitidamente "feliz", "progressivo" e muito pouco "corporativo", eis que volta a "prioridade" para reforço da alegria geral. A obsessão será de tal ordem que é indispensável "meter" o referendo no meio de outras eleições? Quem ganha com esta trapalhada rapidinha?
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