10.3.08

PERDA DE TEMPO


Chego a casa, vindo da TV Net, e dou com a D. Fátima a debater a forma do regime. Independentemente da qualidade intelectual de António Reis, Medeiros Ferreira, Teixeira Pinto e Ribeiro Telles, importa repetir o óbvio da história. Não foi nenhum republicano desvairado quem varreu definitivamente a hipótese monárquica. Foi Salazar. Salazar achava que a monarquia era uma instituição e não propriamente um regime. Por isso preferiu "roubar" a instituição, dissolvendo-a no regime. Defensor de que não valia a pena a nação dividir-se por causa do que não interessava - como hoje, aliás, não vale - Salazar meteu a "instituição" no bolso. E aqui ao lado - como recordou M. Ferreira - foi o "republicano" Franco que, na solidão do seu gabinete, designou pessoalmente Juan Carlos como seu sucessor, ignorando o respectivo paizinho. A "sucessão dinástica" não foi para aqui chamada para coisa alguma. Os monárquicos têm a mania que são mais "patriotas" do que os republicanos. Não são nem deixam de ser. Esquecem-se, todavia, que, por cá, a "teoria da sucessão dinástica", levada às últimas consequências pelo tio Filipe de D. Sebastião, privou o país da soberania na ordem externa entre 1580 e 1640. Pela circunstância de a I República ter sido uma ditadura medíocre, da II ter sido outra ditadura de género diverso e de a III ser esta "coisa em forma de assim", tal não torna a forma republicana do regime má em si mesma. Discuti-la agora é pura perda de tempo.

32 comentários:

Orlando disse...

Não falta muito tempo. Segundo o tratado de Lisboa, Portugal vai paulatinamente deixar de ter embaixadores e política externa; as funções do PR deixará de fazer sentido,e até o nosso parlamento será um parlamento secundário no âmbito europeu.
Quando chegar esse tempo -- será a altura de discutir o assunto sem perda de tempo.

Ségo-Sarko disse...

Você não é NAAADA tendencioso!
Nem dado a julgamentos
apressados...
- Rui Rio é um "moralista" que tem de passar à acção. - Este debate é 1 "perda de tempo"
(e 'passo em branco' a opção da foto propositadamente).
Apre!!!!!
Olhe que o TEMPO REAL ainda existe!
Isto não 'está' tudo ao ritmo sumarizado e sumariável da blogosfera!

Enfim... para quem quer analisar e muitas vezes analisa bem, o ritmo do 'sitemeter' é um inimigo, acredite.

Vá por mim e alimente-se também de algumas incertezas...
Verá que é mais prudente! E acima de tudo que elas o acordarão para um tipo de sensibilidade que não lhe descubro, mas que é todavia indispensável para poder tomar o pulso a certas manifestações de vida menos evidentes.

Anónimo disse...

João Gonçalves no seu pior.

Anónimo disse...

Pois, mas em 1640 foi a monarquia que recuperou a independência. Em 1383 o mesmo, à revelia da "sucessão dinastica". Reduzir a monarquia linhas sanguineas não me parece intelectualmente honesto.

impensado disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anónimo disse...

Continua cheio de angústias,Gonçalves.Ou será só azia?

Nuno Góis disse...

Também fiquei estupefacto quando vi o tema do prós e contras, aliás acontece-me o mesmo quase todas as semanas...
Será que não há ou não se passa nada que seja importante, se não mesmo premente discutir, que não estes temas que vão sendo escolhidos pelo programa?

Discutir hoje monarquia ou republica não lembra mesmo a ninguém.

Anónimo disse...

no grande oriente o a. reis só se preocupa com o pagamento das cotas

Fado Alexandrino disse...

Discuti-la agora é pura perda de tempo.

Pelo contrário assim gastou-se tempo que, sei lá, alguém podia aproveitar para discutir alguma coisa que incomodasse o governo.
E assim este tempo foi muito bem usado.

Nuno Castelo-Branco disse...

De todo o debate, que segui com atenção, retive alguns aspectos:
1- Se excluirmos o habitual cavalheirismo, cordialidade e abrangência de Medeiros Ferreira, o campo "republicano" foi uma desgraça: argumentos paupérrimos, total inconsistência ideológica (porque inexistente), enraizamento de velhos e estafados preconceitos e claro está, uma evidentíssima ânsia de manter a Situação que tantas prebendas lhes dá. Os dois jornalistas de serviço nada adiantaram e o sr. Arrastão do Eixo do mal, balbuciou habituais inanidades relativas ao "filho do gasolineiro" (com que indisfarçável desprezo o disse!), etc, acabando por implicitamente se colocar ao lado dos regicidas. Só não percebeu quem é parvo.
Quanto ao Sumo Sacerdote da Grande Loja de Trastes em que Portugal se transformou, enfim, lembro-me apenas das últimas palavras: total recusa da mera hipótese de um referendo. Referendo que há-de ser feito, mesmo que o percamos com apenas 1% dos votos. Para isso precisamos apenas de recolher assinaturas e liquidar a cretinice inventada pelo sr. Jorge Miranda nos chamados Limites Materiais. Quem pensam eles que são? Deuses? Devem estar loucos.
2- Adelino Maltês, Castro Henriques, Teixeira Pinto e Ribeiro Telles, deram bem conta do recado, até porque são sem dúvida, o pior pesadelo dos "republicanos": cultivados, fluentes, com pés assentes na terra e de uma tolerância a toda a prova. Sobretudo, com Passado, coisa que causa imensa impressão a alguns. É curioso ser o "lado de lá" a esgrimir hoje com ossinhos, heroizinhos de pacotilha, fetiches, bustozinhos e toda uma sucata que há muito deveria ter sido reciclada.
No entanto, há quem ainda julgue tudo estar definido. Não está e a simples existência do debate é prova disso. Perda de tempo? Talvez, mas para "eles", porque sabemos bem do estado em que deixarão o país. Os "republicanos" de hoje são afinal, um verdadeiro perigo para aquilo que se chama independência nacional, porque tudo têm feito para levar Portugal a ser mais um florão da coroa dos Bourbon-Castela. O plano é velho e bem conhecido, aliás foi daí que o p.r.p. nasceu e medrou.

jb disse...

Então, meu caro João Gonçalves, não perca tempo.... deixe lá esses assunto para os que se preocupam com o abastardamento deste quintal... realmente "perder tempo" com a discussão da nossa identidade....mas porque é que a "esquerda" perde tanto tempo a defender o regime mamão??

Anónimo disse...

E imaginar D. Duarte Pio de Bragança rei desta terra apenas dá vontade de rir. Ou melhor, de chorar...

douro disse...

João Gonçalves no seu melhor!

Anónimo disse...

Gostei do debate, achei-o muito oportuno e sobretudo muito interessante. É evidente que a Instituição Real responde com redobrado fundamento e eficácia aos riscos da aventura Europeia.
Mas isso, percebe quem pode.

z1971 disse...

Isto não tem remédio. Deviam estar a discutir como nos livrarmos do Estado e aqueles senhores a falar de repúblicas reais (como se tivéssemos que comer com o retrato do rei na sala de jantar) e aquele emplastro sinistro da Maçonaria a evidenciar que a III República está podre mas não se pode questionar a si própria.

Anónimo disse...

Apesar de tudo, Portugal ainda é melhor que estes Braganças e seus acólitos

Anónimo disse...

Ahh é verdade, o António Reis vestido de maçon a explicar os rituais maçónicos, é um tratado, um tratado !
Aquilo mais parece uma coisa de adolescentes do tipo «Os Cinco no Castelo dos fantasmas».

Anónimo disse...

Na verdade, eles acham-se mesmo donos disto tudo e até se dão ao luxo de proibir o referendo. Afinal têm medo de quê? O sr. Grão-Mestre , como acima o designam, quer as coisas como estão, precisamente no exacto momento em que todos pensam que não poderão continuar a estar! É de loucos? E qual é o problema do chefe de estado não ser eleito? Quem é que elege o PGR, os juízes, os chefes da polícia e do exército, etc? Quem? Os grandes interesses, talvez. Quanto ao filho do gasolineiro, foi eleito por ser apoiado pelo psd, por ter sido primeiro ministro e por representar os interesses dos bancos e confederações patronais. só isso.
Pedro Matias
Lisboa

Jorge Santos Cruz disse...

Ainda assim prefiro as palavras do sempre misógino Gabriel e cito "Perdi cerca de 17 minutos da minha vida à volta de um programa da Sra. Fátima (deus a guarde), sobre (pareceu-me), a temática (pertinente?) de um regime monárquico versus republicano. Coisa de importância transcendental, dada a presença de iminências a toda a prova. Da sapiência em seu redor, não posso falar, sem deixar de fora o meu gato, monárquico na pose, mas republicano de sapatilhas, quando toca a comidinha e a pêlo lavado (pelo próprio), que nestas minudências não demanda nem confia outrem.

Tomando o gato por ensaio, à laia de pensamentos de cabaré, vá lá, ainda tentei esboçar um artigo de repasto cerebral, mas logo contido, num enfrascar de benfica com letra pequena a denunciar os melhores dias do burgo. Deve o dito ilustrar-se, por ser sempre segunda-feira de romantizar, no entreposto dos camiões que o carregam, com enfado, mais a inteligência das cortes às costas. Por cá ficam os burros e os pobres, a desmamar mais um programinha. Pertinente.

em www.anjoinutil.blogspot.com

Neanduarterthal de Bragança disse...

Realmente qual o problema dos dirigentes políticos não serem eleitos?

Talvez o problemazito de voltar-mos à Idade Média? De entregar-mos a representação dos interesses de milhões de pessoas nas mãozinhas abençoadas de uma família escolhida por Deus?

Claro que a meio de tudo isto ficaria a igualdade de direitos entre os cidadãos. Voltaríamos a ter aquelas hostes de cavalheiros de sangue azul.

Trinta duques e quarenta barões dariam sem dúvida um grande alento à economia.Com mais umas dúzias de marqueses então o PIB dispararia para números estratosféricos.

Mas se me permitirem a ousadia sugiro uma idéia ainda mais progressista. Porque não voltarmos às cavernas,abolir a linguagem e desatarmos todos aos urros?

VANGUARDISTA disse...

E esta III República, não "privou o país da soberania na ordem externa" ?
Mais uma vez se prova que Salazar conduziu a Nação num rumo uno e indivisível, ele bem sabia que republicanos e monárquicos tinhamos, no fundo o futuro de Portugal , continua a não estar na questão de regime , mas na concepção de Estado.

Anónimo disse...

João Gonçalves
Três breves palavras:o preconceito; o preconceito; o preconceito.

Anónimo disse...

Eu não sou monárquico, mas consigo vislumbrar na forma monárquica de governo algo que tem faltado à República: O Sentido de serviço.
Porque entre a limitação dos mandatos e as prebendas corriqueiras, a Republica tem sido fonte de tráficos mesquinhos. ... E para aqueles que se acometem com cortes Luisianas imaginárias, penso nas "cortes" de Gestores Públicos que Republica medrou.
O problema da "Corte" resolve-se, limitando-a e obrigando o monarca a pagar impostos. Impedindo-o de dar "baronatos", mantendo a ordem das comendas no plano simbólico. Deveria haver um Senado dos mais ilustres nas artes, ciência e cultura. A sua missão seria rever as leis insanas que a AR vai produzindo. E Apenas pago por valores simbólicos.
Quanto aos simbolismos, o facto dos nossos PR jurarem a Constituição na AR(ao contrário do que se passa na cesariana França), de não viverem em Belém,etc., tem realçado uma democraticidade (que os espanhóis, por exemplo, muito apreciam em nós, quando pensam na guerrinha de Aznar e respectiva com Juan Carlos)
Mas dos rituais à praxis política quotidiana vai uma certa distância). A valia do Rei é o apreço pela sua gente e o amor aquilo que é nosso, por exemplo o respeito pelo território.
Algumas elites republicanas desprezam o que somos e em vez de fazerem pedagogia para nos tornarmos melhor, recorrem à importação decretada.
Como dizia Texeira Pinto, com habilidade, falta Humildade a muitos republicanos.
Não admira que em resposta, António Reis se tenha circunscrito ao aspecto mais "prático" do referendo. Não me admiraria nada que em momento de crise moral, a monarquia saia do fermol em que a insistem em manter e venha desempenhar um papel fundamental: O do amor genuíno à pátria e ao povo português.

Cristina Ribeiro disse...

Para mim, a questão resume-se a isto: esclarecer, sem as proibições constitucionais- de que têm medo,afinal?- as pessoas, e depois elas, conscientemente, dirão, livremente, o que mais lhes interessa- não é isto a democracia?

Anónimo disse...

olha, os góis agora já vão a jogo só com duques e "senas" tristes. vá primeiro aprender a lavar as mãos.

Jean-Paul Marat disse...

Quando surgem tempos de dificuldade dizem-se muitas coisas insensatas.
Há que discernir para além da bruma, da névoa que nos tolda a visão.
Seria agora que deveria aparecer o desejado. O cavaleiro andante que nos levaria a um futuro de glória.
Infelizmente parece que teremos que nos resignar com alguns Quixotes.
Respeitando todas as opiniões, o caminho para o futuro da nação não pode ser um retorno ao passado.
A continuarmos assim, voltaremos às árvores!
Sob a máscara de mudança de regime está a questão da desigualdade de direitos.
O bom e o mau nascimento.
Se a III República é um fiasco tenhamos a frieza necessária à reflexão.
O sistema de justiça corrupto é o responsável pela decadência, não actua sobre os bandos de saqueadores que desvitalizam a nação.

Pedro Nogueira disse...

Ao contrário do que muita gente pensa,não acho que a discussão do ultimo "Prós e Contras" seja de todo desnecessária e pouco importante. Apesar de haver outras questões mais prementes, vale sempre a pena discutir o âmago do nosso regime e pensar numa monarquia não é uma questão assim tão disparatada. Mais disparatados são os argumentos que a desqualificam. E já agora, apesar de me considerar republicano, penso que os monárquicos deram -lhes um valente "bigode". Com mais "pesos pesados", os republicanos perderam o debate pela sobranceria e pela incapacidade de se porem em causa.

Anónimo disse...

Anónimo das 7:37 PM

Estou completamente de acordo consigo no que disse, só acrescento que para que não houvesse dúvidas do espírito de serviço do Rei, ele não pudesse ter outros rendimentos próprios, nem familiares, para que nunca por nunca se levantasse a suspeita de que teria interesse em promover a "coca cola". Infelizmente, nos dias de hoje, a fortuna pessoal do rei poderia ser incompatível com os interesses nacionais. A esperança de vida é grande e as tentações muitas.
Viveria apens e só do orçamento do estado, tal como os PRs.

Sandra disse...

Concluindo, não há interesse em aperfeiçoar as instituições, criar mecanismos que afastem a possibilidade de abuso de poder.
A solução passa mesmo por um novo presépio.
Como os portugueses gostam de ser apascentados!

Nuno Góis disse...

Fico tão contente quando esse idiota desse anónimo me trata no plural. Já lhe expliquei, mas não me importo de repetir: Eu sou só um.
A não ser que tenha descoberto o meu irmão, mas aí fica provado nestes comentários que o sr.anónimo(com todo respeito para os outros anónimos)é mesmo burro. Pois nestes comentários até se deu o caso do meu irmão escrever e discordar comigo. Engraçado não é?
O meu irmão assina Pedro Nogueira e partilhamos (não todas as ideias)o nosso blogue.
Parabéns sua besta pseudo-opinativa.
E já agora o que é que são "senas", e o que é que voçê sabe das minhas mãos ou de seja o que for. Sua excelência é um frustrado de tal ordem que se dá ao trabalho de escrever mensagens sob anónimato só para falar mal de mim. VÁ-SE TRATAR COM URGÊNCIA SE AINDA ENCONTRAR MÃOS, LAVADAS OU SUJAS, QUE LHE PEGUEM SEU PEÇONHENTO.

Anónimo disse...

A Jean-Paul Marat ; se lhe aprouver, leia :

http://estadosentido.blogspot.com/2008/02/da-igualdade-que-os-republicanos.html

Jean-Paul Marat disse...

O que me coloca em desacordo convosco são as premissas, não o edifício argumentativo, cujo brilhantismo aprecio.

Mantenho o juízo de que à face das leis de um Estado todos nascemos em igualdade de direitos, possa ou não circunstâncialmente haver dificuldades na praxis.

É idiossincrásico e inegociável no meu conceito, o que não inibe outras formas de perspectivar o tópico.

Calculo que V.Exa tenha sólidas bases em que assentam suas convicções, pelo que me dispenso de lhe indicar bibliografia em sentido contrário.

Cumprimentos.