29.5.07

OS NOVOS MONSTROS


O "eduquês", representado pelo director de não sei que "gabinete educacional", um tal Carlos Ferreira, estava a falar com Mário Crespo quando saí para passear o cão. Este soixante-huitard, presumivelmente pedagogo, queria convencer-nos que não vem mal ao mundo pela circunstância de os alunos do 4º e 6º darem erros ortográficos em provas de português destinadas à interpretação de textos. Ia ele nas "competências (este repelente jargão semiótico) quando a necessidade de urinar do meu cão falou mais alto. Fui ensinado a não dar erros ortográficos e a ser convenientemente castigado por os dar. Aliás, qualquer um de nós está sujeito a cometê-los. A diferença em relação aos novos monstros é que nós fomos treinados para os evitar, sem o peso da "pedagogia", da "pedopsiquiatria" e das "novas metodologias" em cima da cabeça. Na "primária" ensinava-se sobretudo a ler e a escrever. Hoje ensina-se a brincar com coisas sérias e, por isso, quando escutamos adolescentes nos cafés muitas vezes nos interrogamos sobre que raio de "competência" linguística será aquela. As nossas escolas não preparam ninguém para a complexidade e para a dificuldade. Pelo contrário, pagam tributo ao vício, à preguiça intelectual e à idiotia. É esse o quid da "idade democrática": manter-nos a todos no mesmo plano infantil, imbecilizados, em nome da bendita igualdade e do repouso cívico. Qualquer dia não se distingue um macaco de uma criancinha.

9 comentários:

António Viriato disse...

Bem dito. Cava vez as comparações serão mais odiosas para o tempo presente, no que respeita a temas de Ensino. Como é possível fazer hoje tão pouco, com tanto recurso, por comparação com o que aqueles que aprenderam por este livro aqui evocado, os quais, com tão pouco, afinal, tiveram de aprender tanto, sem computadores, sem máquinas de calcular, sem internet, sem, sem...

Cabe também acrescentar : Quosque tandem...

escória-porco disse...

Lanço um desafio aos doutos "posteiros" deste blogue: Debater as causas da decadência do Portugal "democrático".
Algumas pistas (politicamente incorrectas): A integração de perto de 500.000 retornados, nomeadamente na função pública, possuidores de métodos de trabalho coloniais, tipo deixa andar que o "preto" não se queixa. Portugal é o país da UE onde mais mulheres trabalham (o que terá a ver com isso a pouca produtividade e a aceitação de salários baixos?). O ensino misto (mas de vertente mais teórica, mais humanista, menos competitivo, menos prático, portanto mais feminino). O que terá a ver com isso o facto de muitos rapazes abandonarem o ensino precocemente. Mais do que as raparigas? A justiça funciona mal. Qual a % de juízas em Portugal em relação à UE?
Agora não cabem mais pistas. Continuarei...

Anónimo disse...

Quanto mais ignorante, mais escravo,
Quanto mais iletrado, mais manipulável,
Quanto mais incompetente, mais politicamente correcto.
Tanta complacência e brandura para com a ignorância não existem por acaso: "Ignorance is strength"
RMR

disse...

Antes de mais parabéns pelo blog!
Convido-o agora a visitar:

http://aguia-de-ouro.blogspot.com/

Futebol e política num só!
Obrigado!

Anónimo disse...

E eu pergunto como é que eu, e os do meu tempo (anos 50/60), sobrivemos aos métodos anti-pedagógicos de UM ERRO... UMA REGUADA.

Anónimo disse...

Aprendi a ler, contar e pensar por aqueles quatro livros da primária, que passavam para os irmãos, os primos, os vizinhos, ganhando mais “patine”, riscos e moças nas suas rijas e resistentes capas, enquanto multiplicavam saber e despertavam vocações.
Perdi-os, por entre empréstimos e mudanças.
Estou agora a comprar as reedições a preços exorbitantes e até consegui comprar um original do livro da 3ª classe que, esquecido numa livraria da baixa de Lisboa, se valorizou mais de cem vezes sobre os seus treze escudos a preço de capa.
Completavam esses livros, a construção de escolas primárias, que se foram espalhando, com grande esforço, por todo o país e nas províncias ultramarinas, nos pontos mais recônditos, onde se falava a língua pátria.
Edifícios exemplarmente traçados à medida das necessidades das populações, de uma beleza muito nossa, perfeitamente enquadrados na paisagem, quer rural quer urbana, mas que as novas vontades políticas vão vendendo para casas de fim-de-semana, ou pura e simplesmente abandonando, colocando os miúdos, ao monte, em contentores, a muitas léguas das suas casas.
Não frequentei nenhuma dessas escolas, coube-me o privilégio de, não sendo sequer baptizado, frequentar sem qualquer estigma ou discriminação, a Escola Salesiana do Estoril (então frequentada por oriundos de todas as classes sociais), onde a minha querida, inesquecível e paciente professora Hermínia Barata me ensinou, com os meios da época; giz, quadro de ardósia, régua, ponteiro, cadernos, lápis, caneta ou (já havia) “bic” e os nossos queridos livros.
Findo o Preparatório, passei para o ensino público, onde “à solta” tropecei, de imediato, no 3º ano do liceu, já inspirado pelas reformas de Veiga Simão (sim aquele que depois se tornou socialista) e depois, voltei a tropeçar no 5º ano do liceu, (re)voltado que estava, no Passos Manuel, em guerrear contra os amigos do PREC (alunos e professores) que, saneado o Reitor, saqueado o vasto património do centro de actividades ( ex- M.P.), ali se instalaram de armas e bagagens.
A partir de então, a minha escolaridade arrastou-se penosamente até à Faculdade de Direito de Lisboa, onde com algum esforço tive de recuperar a bagagem perdida pelo caminho.
Não se me previam grandes sucessos, isto senão quando, no 2º ano, sou surpreendido com o elogio da Doutora Ana Prata, de ter sido o único aluno do curso que não cometeu qualquer erro ortográfico no teste de Obrigações.
Pela singularidade da chamada de atenção, fiquei com a ideia, ao longo de todo o curso, que foi a única docente a preocupar-se com a questão, que para futuros juristas é no mínimo essencial, como ferramenta do pensamento e da exteriorização do mesmo.
Estávamos em 1980 e, com os seis anos de “reformas” na Educação, os resultados já estavam à vista.
Pelas peças processuais, diplomas legais, correspondência de licenciados, mestres e até alguns doutorados de várias áreas que leio, sinto que pouco mudou desde 1980. Continua-se a escrever mal, com erros graves e, pior, muitos não percebem o que lêem, nem sabem expressar por escrito o que pensam ou o que querem.
Para completar o drama temos, na geração dos nossos filhos ( e não só), o flagelo da “escrita” de “sms” que, sem o rigor e unanimidade das abreviaturas da correspondência comercial, já corrompe os “bloges”, “e-mails”, os “faxes” e até a tradicional carta.
Povo que escreve mal, pensa deficientemente, expressa-se sem coerência, será manipulado na decisão e acabará escravizado, sem língua nem Pátria!
R.A.I.

João Rato disse...

Companheiro, este é um movimento novo! Há poucas horas está a ser posto um movimento em marcha que visa paralisar a blogosfera.
Existe uma certa blogosfera que quer, também ela, participar na GREVE GERAL, só que não sabe como.
É simples, basta colocar esta imagem no teu blog [comunicação via comentários = colocar imagem às 0 horas]:

http://img409.imageshack.us/img409/9072/grevegeralvz7.jpg

Porque tu tens um amigo que tem um blog, porque alguém do teu livro de endereços tem outro amigo que tem um blog, é importante que contribuas para o movimento "assim não!".

Antes de reenviares a todos os constantes do teu livro de endereços, apaga por favor o remetente (from): estamos num estado de pré-ditadura.

paulo g. disse...

O que me espanta é que a razão para todo este alarido está inscrita nos critérios de correcção desde 2001 e só agora deram por isso.

Há meses que houve quem escrevesse sobre o assunto e nada.

De repente levanta-se a onda...

Vá lá, antes tarde do que nunca.

Anónimo disse...

Também aprendi a ler, a escrever e a contar pelo método dos anos 60 e, quanto mais ouço as gerações posteriores, incluindo políticos, licenciados e apresentadores de TV, mais me orgulho de ter sido tão bem ensinada naquele tempo!!!