O meu amigo de sempre, José Medeiros Ferreira, pediu-me, por razões técnicas pessoais, que evidenciasse por ele a sua "carta ao Presidente" publicada na coluna de opinião semanal no Correio da Manhã. É claro que não acompanho o teor da mesma mas sou um feroz adepto da liberdade de espírito. Sobretudo não vejo necessidade de celebrar a instauração de uma ditadura (o 5 de Outubro) e, apesar de acreditar na força simbólica de dois ou três momentos nacionais, creio que é relativamente indiferente "puxar" a sua celebração para os fins de semana anteriores ou posteriores. Dito isto, também julgo que o "problema" não é os dias feriados, em si, mas as famosas "pontes" que às vezes propiciam. Podemos ser sempre patriotas mas não devemos estar condenados a ser permanentemente tropicais.
«Um trem de ferro é uma coisa mecânica, mas atravessa a noite, a madrugada, o dia, atravessou minha vida.» Adélia Prado
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19.5.12
6.9.11
30.3.11
OUTROS TEMPOS, OUTRA GENTE
Ao fim do dia, no Pavilhão Chinês, o José Medeiros Ferreira perguntava-me quais seriam os melhores cronistas de jornais que ambos conhecemos (e/ou lemos). Coincidimos em três nomes: Fernando Piteira Santos, Victor Cunha Rego e Vasco Pulido Valente. O Medeiros acrescentou Nuno Brederode dos Santos. Conversas entre o Medeiros e alguém que (cito-o da dedicatória nos estudos em sua homenagem) o "acompanha com a sua liberdade e a sua crítica neste (seu) "Longo Curso" de vida". Pode crer.
Adenda: O Medeiros participa numa "maratona" de comentadores da tvi24 escolhidos por Júlio Magalhães. Que os escolheu e que agora deixa a direcção de informação. No 1º painel está Santana Lopes que, se lhe pedissem para comentar o boletim meteorológico (e ele comentava), conseguiria lá meter uma bucha contra Cavaco. Alguém que o livre rapidamente desta doentia cretinice. Ou nos livre dele como comentador monomaníaco.
Adenda (do dia seguinte) : O "modelo" escolhido por Magalhães para se despedir não podia ter sido mais desastroso independentemente da qualidade de alguns participantes. Só a presença final (e fatal) desse sublime papagaio socrático que é Peres Metello era o bastante para estragar tudo. Imagino que nem o mais irrelevante ajudante de Sócrates consegue exibir aqueles níveis de "capachice" paspalhona e de propaganda reles. "Modelos" comunicacionais deste calibre apenas servem para se perder as mensagens que interessam no meio de dichotes cruzados a que, dada a pressa, ninguém presta atenção. As televisões (porque é o que as pessoas vêem já que não lêem jornais) não podem tratar os espectadores como meros consumidores de guloseimas que assistem, quais brutos insones, a conversas de café no plasma em vez de se sentarem no café propriamente dito ao lado daqueles senhores tão amáveis uns para os outros.
Adenda: O Medeiros participa numa "maratona" de comentadores da tvi24 escolhidos por Júlio Magalhães. Que os escolheu e que agora deixa a direcção de informação. No 1º painel está Santana Lopes que, se lhe pedissem para comentar o boletim meteorológico (e ele comentava), conseguiria lá meter uma bucha contra Cavaco. Alguém que o livre rapidamente desta doentia cretinice. Ou nos livre dele como comentador monomaníaco.
Adenda (do dia seguinte) : O "modelo" escolhido por Magalhães para se despedir não podia ter sido mais desastroso independentemente da qualidade de alguns participantes. Só a presença final (e fatal) desse sublime papagaio socrático que é Peres Metello era o bastante para estragar tudo. Imagino que nem o mais irrelevante ajudante de Sócrates consegue exibir aqueles níveis de "capachice" paspalhona e de propaganda reles. "Modelos" comunicacionais deste calibre apenas servem para se perder as mensagens que interessam no meio de dichotes cruzados a que, dada a pressa, ninguém presta atenção. As televisões (porque é o que as pessoas vêem já que não lêem jornais) não podem tratar os espectadores como meros consumidores de guloseimas que assistem, quais brutos insones, a conversas de café no plasma em vez de se sentarem no café propriamente dito ao lado daqueles senhores tão amáveis uns para os outros.
OUTROS TEMPOS, OUTRA GENTE
Ao fim do dia, no Pavilhão Chinês, o José Medeiros Ferreira perguntava-me quais seriam os melhores cronistas de jornais que ambos conhecemos (e/ou lemos). Coincidimos em três nomes: Fernando Piteira Santos, Victor Cunha Rego e Vasco Pulido Valente. O Medeiros acrescentou Nuno Brederode dos Santos. Conversas entre o Medeiros e alguém que (cito-o da dedicatória nos estudos em sua homenagem) o "acompanha com a sua liberdade e a sua crítica neste (seu) "Longo Curso" de vida". Pode crer.
Adenda: O Medeiros participa numa "maratona" de comentadores da tvi24 escolhidos por Júlio Magalhães. Que os escolheu e que agora deixa a direcção de informação. No 1º painel está Santana Lopes que, se lhe pedissem para comentar o boletim meteorológico (e ele comentava), conseguiria lá meter uma bucha contra Cavaco. Alguém que o livre rapidamente desta doentia cretinice. Ou nos livre dele como comentador monomaníaco.
Adenda (do dia seguinte) : O "modelo" escolhido por Magalhães para se despedir não podia ter sido mais desastroso independentemente da qualidade de alguns participantes. Só a presença final (e fatal) desse sublime papagaio socrático que é Peres Metello era o bastante para estragar tudo. Imagino que nem o mais irrelevante ajudante de Sócrates consegue exibir aqueles níveis de "capachice" paspalhona e de propaganda reles. "Modelos" comunicacionais deste calibre apenas servem para se perder as mensagens que interessam no meio de dichotes cruzados a que, dada a pressa, ninguém presta atenção. As televisões (porque é o que as pessoas vêem já que não lêem jornais) não podem tratar os espectadores como meros consumidores de guloseimas que assistem, quais brutos insones, a conversas de café no plasma em vez de se sentarem no café propriamente dito ao lado daqueles senhores tão amáveis uns para os outros.
Adenda: O Medeiros participa numa "maratona" de comentadores da tvi24 escolhidos por Júlio Magalhães. Que os escolheu e que agora deixa a direcção de informação. No 1º painel está Santana Lopes que, se lhe pedissem para comentar o boletim meteorológico (e ele comentava), conseguiria lá meter uma bucha contra Cavaco. Alguém que o livre rapidamente desta doentia cretinice. Ou nos livre dele como comentador monomaníaco.
Adenda (do dia seguinte) : O "modelo" escolhido por Magalhães para se despedir não podia ter sido mais desastroso independentemente da qualidade de alguns participantes. Só a presença final (e fatal) desse sublime papagaio socrático que é Peres Metello era o bastante para estragar tudo. Imagino que nem o mais irrelevante ajudante de Sócrates consegue exibir aqueles níveis de "capachice" paspalhona e de propaganda reles. "Modelos" comunicacionais deste calibre apenas servem para se perder as mensagens que interessam no meio de dichotes cruzados a que, dada a pressa, ninguém presta atenção. As televisões (porque é o que as pessoas vêem já que não lêem jornais) não podem tratar os espectadores como meros consumidores de guloseimas que assistem, quais brutos insones, a conversas de café no plasma em vez de se sentarem no café propriamente dito ao lado daqueles senhores tão amáveis uns para os outros.
27.3.11
POUCO APROVEITADO

Esqueçam a capa, esqueçam as primeiras 49 páginas e passem logo para a 50 da Pública deste domingo. Medeiros Ferreira, meu querido Amigo de há décadas, e prefaciador do meu primeiro livro, "ser errático" como se define (e eu gosto), e sim, definitivamente alguém que Portugal aproveitou pouco, é ali entrevistado. Se hoje, leitores, sois europeus de papel passado pela União (porque, no fundo, sois os mesmos burgessos, sempre prontos a deixar crescer a unha do dedo mindinho dentro da cabeça e a eleger os chefes dos vossos partidos em manada), à intervenção de Medeiros o deveis. Por isso, quando vejo gente a babar-se para cima do "génio" do Amado - actual MNE com ar de Sandokan do Fogueteiro - não posso deixar de recordar os versos do Régio. Há, nos olhos meus, ironias e cansaços. E no Medeiros também.
Adenda: Há uns cromos - se calhar sempre o mesmo idiota shallow - que, volta não volta, vêm aqui deixar um comentário pseudo-erudito sobre o meu alegado "ressabiamento". Com uma insistência típica de "ressabiados". Não vale a pena, porém, porque gente estreita e ainda por cima anónimos não "passam". Vão directamente para o "trash".
Adenda: Há uns cromos - se calhar sempre o mesmo idiota shallow - que, volta não volta, vêm aqui deixar um comentário pseudo-erudito sobre o meu alegado "ressabiamento". Com uma insistência típica de "ressabiados". Não vale a pena, porém, porque gente estreita e ainda por cima anónimos não "passam". Vão directamente para o "trash".
POUCO APROVEITADO

Esqueçam a capa, esqueçam as primeiras 49 páginas e passem logo para a 50 da Pública deste domingo. Medeiros Ferreira, meu querido Amigo de há décadas, e prefaciador do meu primeiro livro, "ser errático" como se define (e eu gosto), e sim, definitivamente alguém que Portugal aproveitou pouco, é ali entrevistado. Se hoje, leitores, sois europeus de papel passado pela União (porque, no fundo, sois os mesmos burgessos, sempre prontos a deixar crescer a unha do dedo mindinho dentro da cabeça e a eleger os chefes dos vossos partidos em manada), à intervenção de Medeiros o deveis. Por isso, quando vejo gente a babar-se para cima do "génio" do Amado - actual MNE com ar de Sandokan do Fogueteiro - não posso deixar de recordar os versos do Régio. Há, nos olhos meus, ironias e cansaços. E no Medeiros também.
Adenda: Há uns cromos - se calhar sempre o mesmo idiota shallow - que, volta não volta, vêm aqui deixar um comentário pseudo-erudito sobre o meu alegado "ressabiamento". Com uma insistência típica de "ressabiados". Não vale a pena, porém, porque gente estreita e ainda por cima anónimos não "passam". Vão directamente para o "trash".
Adenda: Há uns cromos - se calhar sempre o mesmo idiota shallow - que, volta não volta, vêm aqui deixar um comentário pseudo-erudito sobre o meu alegado "ressabiamento". Com uma insistência típica de "ressabiados". Não vale a pena, porém, porque gente estreita e ainda por cima anónimos não "passam". Vão directamente para o "trash".
18.3.11
AJUDAR A PENSAR

Já se sabe que o actual PS é um amontoado de quadrilheiros desbiografados. Por isso, e não sendo forçoso concordar-se com tudo o que Medeiros Ferreira diz é bom que ele o diga e que o pense. Porque, tipicamente, pensamento é algo que desapareceu do partido de Soares, uma coisa agora entregue a franco-atiradores e a pessoal menor.
Adenda de sábado: A posição de Carrilho sobre isto, deixando de fora o insuportável Costa que Medeiros sugere. Dito isto, o autor deste blogue está-se relativamente nas tintas para o futuro imediato do PS por cujo "presente" vamos pagar caro. "Este" PS (de Sócrates &Cia.) deve ser removido impiedosamente. Mas Medeiros e Carrilho são amigos que respeito.
Adenda de sábado: A posição de Carrilho sobre isto, deixando de fora o insuportável Costa que Medeiros sugere. Dito isto, o autor deste blogue está-se relativamente nas tintas para o futuro imediato do PS por cujo "presente" vamos pagar caro. "Este" PS (de Sócrates &Cia.) deve ser removido impiedosamente. Mas Medeiros e Carrilho são amigos que respeito.
AJUDAR A PENSAR

Já se sabe que o actual PS é um amontoado de quadrilheiros desbiografados. Por isso, e não sendo forçoso concordar-se com tudo o que Medeiros Ferreira diz é bom que ele o diga e que o pense. Porque, tipicamente, pensamento é algo que desapareceu do partido de Soares, uma coisa agora entregue a franco-atiradores e a pessoal menor.
Adenda de sábado: A posição de Carrilho sobre isto, deixando de fora o insuportável Costa que Medeiros sugere. Dito isto, o autor deste blogue está-se relativamente nas tintas para o futuro imediato do PS por cujo "presente" vamos pagar caro. "Este" PS (de Sócrates &Cia.) deve ser removido impiedosamente. Mas Medeiros e Carrilho são amigos que respeito.
Adenda de sábado: A posição de Carrilho sobre isto, deixando de fora o insuportável Costa que Medeiros sugere. Dito isto, o autor deste blogue está-se relativamente nas tintas para o futuro imediato do PS por cujo "presente" vamos pagar caro. "Este" PS (de Sócrates &Cia.) deve ser removido impiedosamente. Mas Medeiros e Carrilho são amigos que respeito.
3.3.11
LIVRE E ÚTIL
LIVRE E ÚTIL
1.3.11
UM CONVITE
UM CONVITE
23.2.11
IRONISMO POLÍTICO REFORMADOR
Ouve-se agora muito António Barreto tal como em Un Ballo in Maschera se ouve Ulrika. Mas, ao escutar Medeiros Ferreira (em boa hora "recuperado" na tvi24 por Constança Cunha e Sá), percebe-se quem era (é) o verdadeiro reformador.
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José Medeiros Ferreira,
Teoria da acção comunicacional
IRONISMO POLÍTICO REFORMADOR
Ouve-se agora muito António Barreto tal como em Un Ballo in Maschera se ouve Ulrika. Mas, ao escutar Medeiros Ferreira (em boa hora "recuperado" na tvi24 por Constança Cunha e Sá), percebe-se quem era (é) o verdadeiro reformador.
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José Medeiros Ferreira,
Teoria da acção comunicacional
19.7.10
À ESPERA DOS BÁRBAROS?
Encontrei o José Medeiros Ferreira, no D. Maria, com a Maria Emília. Bem humorado, sempre certeiro, amigo, o Medeiros faz parte de uma paisagem da qual fui forçado a expulsar tanta gente quanta a que me expulsou da sua. A vantagem do decurso do tempo - e a poesia de Kavafis que ali ouvimos não fala de outra coisa - é podermos decantar, com ou sem a ironia dos versos, as amizades e o resto. O Medeiros apareceu (mais rigorosamente, fui eu quem apareceu) em 1979, nos meus improváveis dezoito anos, para ficar. E justamente, entre 82 e 83, as coisas foram assim como ele as conta singularmente. «Não fui um entusiasta da revisão de 1982 no que disse respeito aos poderes presidenciais. Ela foi feita com aquela« largueza de vistas» de quem queria apenas arrumar politicamente com o general Eanes. O pacto inter-partidário PS-PSD nesta matéria está em vigor há perto de três décadas. Para os nostálgicos de pactos de regime, aí está um, e dos duros.» Os jogos florais entre o PS e o PSD este fim de semana não passam precisamente disso, de jogos florais. E de quem sabe que não haverá nenhuma revisão constitucional nem nenhum candidato presidencial que rompa com isto propondo ele uma. Que melhor referendo a isso que uma eleição presidencial? Por que é que há-de ser o parlamento o preponderante nesta matéria? Só uma cultura democrática de pequeninos é que pode refugiar-se na epifania parlamentar ou inclinar-se perante ela. Cresçam. Ou estão à espera dos bárbaros?
Que esperamos na ágora congregados?
Os bárbaros hão-de chegar hoje.
Porquê tanta inactividade no Senado?
Porque estão lá os Senadores e não legislam?
Porque os bárbaros chegarão hoje.
Que leis irão fazer já os Senadores?
Os bárbaros quando vierem legislarão.
Porque se levantou tão cedo o nosso Imperador,
e está sentado à maior porta da cidade,
no seu trono, solene, de coroa?
Porque os bárbaros chegarão hoje...
E o imperador espera para receber
o seu chefe. Até preparou
para lhe dar um pergaminho. Aí
escreveu muitos títulos e nomes.
Porque os nossos dois cônsules e os pretores,
saíram hoje com as suas togas vermelhas, as bordadas,
porque levaram pulseiras com tantas ametistas,
e anéis com esmeraldas esplêndidas, brilhantes;
porque terão pegado hoje em báculos preciosos
com pratas e adornos de ouro extraordinariamente cinzelados?
Porque os bárbaros chegarão hoje.
e tais coisas deslumbram os bárbaros.
E porque não vêm os valiosos oradores como sempre,
para fazerem os seus discursos, dizerem das suas coisas?
Porque os bárbaros chegarão hoje;
e eles aborrecem-se com eloquências e orações políticas.
Porque terá começado de repente este desassossego
e confusão. (Como se tornaram sérios os rostos.)
Porque se esvaziam rapidamente as ruas e as praças,
e todos regressam tão às suas casas muito pensativos?
Porque anoiteceu e os bárbaros não vieram.
E chegaram alguns das fronteiras,
e disseram que já não há bárbaros.
E agora que vai ser de nós sem bárbaros.
Esta gente era alguma solução.
Konstandinos Kavafis
Que esperamos na ágora congregados?
Os bárbaros hão-de chegar hoje.
Porquê tanta inactividade no Senado?
Porque estão lá os Senadores e não legislam?
Porque os bárbaros chegarão hoje.
Que leis irão fazer já os Senadores?
Os bárbaros quando vierem legislarão.
Porque se levantou tão cedo o nosso Imperador,
e está sentado à maior porta da cidade,
no seu trono, solene, de coroa?
Porque os bárbaros chegarão hoje...
E o imperador espera para receber
o seu chefe. Até preparou
para lhe dar um pergaminho. Aí
escreveu muitos títulos e nomes.
Porque os nossos dois cônsules e os pretores,
saíram hoje com as suas togas vermelhas, as bordadas,
porque levaram pulseiras com tantas ametistas,
e anéis com esmeraldas esplêndidas, brilhantes;
porque terão pegado hoje em báculos preciosos
com pratas e adornos de ouro extraordinariamente cinzelados?
Porque os bárbaros chegarão hoje.
e tais coisas deslumbram os bárbaros.
E porque não vêm os valiosos oradores como sempre,
para fazerem os seus discursos, dizerem das suas coisas?
Porque os bárbaros chegarão hoje;
e eles aborrecem-se com eloquências e orações políticas.
Porque terá começado de repente este desassossego
e confusão. (Como se tornaram sérios os rostos.)
Porque se esvaziam rapidamente as ruas e as praças,
e todos regressam tão às suas casas muito pensativos?
Porque anoiteceu e os bárbaros não vieram.
E chegaram alguns das fronteiras,
e disseram que já não há bárbaros.
E agora que vai ser de nós sem bárbaros.
Esta gente era alguma solução.
Konstandinos Kavafis
Etiquetas:
Constituição,
José Medeiros Ferreira,
presidencialismo,
Regime
À ESPERA DOS BÁRBAROS?
Encontrei o José Medeiros Ferreira, no D. Maria, com a Maria Emília. Bem humorado, sempre certeiro, amigo, o Medeiros faz parte de uma paisagem da qual fui forçado a expulsar tanta gente quanta a que me expulsou da sua. A vantagem do decurso do tempo - e a poesia de Kavafis que ali ouvimos não fala de outra coisa - é podermos decantar, com ou sem a ironia dos versos, as amizades e o resto. O Medeiros apareceu (mais rigorosamente, fui eu quem apareceu) em 1979, nos meus improváveis dezoito anos, para ficar. E justamente, entre 82 e 83, as coisas foram assim como ele as conta singularmente. «Não fui um entusiasta da revisão de 1982 no que disse respeito aos poderes presidenciais. Ela foi feita com aquela« largueza de vistas» de quem queria apenas arrumar politicamente com o general Eanes. O pacto inter-partidário PS-PSD nesta matéria está em vigor há perto de três décadas. Para os nostálgicos de pactos de regime, aí está um, e dos duros.» Os jogos florais entre o PS e o PSD este fim de semana não passam precisamente disso, de jogos florais. E de quem sabe que não haverá nenhuma revisão constitucional nem nenhum candidato presidencial que rompa com isto propondo ele uma. Que melhor referendo a isso que uma eleição presidencial? Por que é que há-de ser o parlamento o preponderante nesta matéria? Só uma cultura democrática de pequeninos é que pode refugiar-se na epifania parlamentar ou inclinar-se perante ela. Cresçam. Ou estão à espera dos bárbaros?
Que esperamos na ágora congregados?
Os bárbaros hão-de chegar hoje.
Porquê tanta inactividade no Senado?
Porque estão lá os Senadores e não legislam?
Porque os bárbaros chegarão hoje.
Que leis irão fazer já os Senadores?
Os bárbaros quando vierem legislarão.
Porque se levantou tão cedo o nosso Imperador,
e está sentado à maior porta da cidade,
no seu trono, solene, de coroa?
Porque os bárbaros chegarão hoje...
E o imperador espera para receber
o seu chefe. Até preparou
para lhe dar um pergaminho. Aí
escreveu muitos títulos e nomes.
Porque os nossos dois cônsules e os pretores,
saíram hoje com as suas togas vermelhas, as bordadas,
porque levaram pulseiras com tantas ametistas,
e anéis com esmeraldas esplêndidas, brilhantes;
porque terão pegado hoje em báculos preciosos
com pratas e adornos de ouro extraordinariamente cinzelados?
Porque os bárbaros chegarão hoje.
e tais coisas deslumbram os bárbaros.
E porque não vêm os valiosos oradores como sempre,
para fazerem os seus discursos, dizerem das suas coisas?
Porque os bárbaros chegarão hoje;
e eles aborrecem-se com eloquências e orações políticas.
Porque terá começado de repente este desassossego
e confusão. (Como se tornaram sérios os rostos.)
Porque se esvaziam rapidamente as ruas e as praças,
e todos regressam tão às suas casas muito pensativos?
Porque anoiteceu e os bárbaros não vieram.
E chegaram alguns das fronteiras,
e disseram que já não há bárbaros.
E agora que vai ser de nós sem bárbaros.
Esta gente era alguma solução.
Konstandinos Kavafis
Que esperamos na ágora congregados?
Os bárbaros hão-de chegar hoje.
Porquê tanta inactividade no Senado?
Porque estão lá os Senadores e não legislam?
Porque os bárbaros chegarão hoje.
Que leis irão fazer já os Senadores?
Os bárbaros quando vierem legislarão.
Porque se levantou tão cedo o nosso Imperador,
e está sentado à maior porta da cidade,
no seu trono, solene, de coroa?
Porque os bárbaros chegarão hoje...
E o imperador espera para receber
o seu chefe. Até preparou
para lhe dar um pergaminho. Aí
escreveu muitos títulos e nomes.
Porque os nossos dois cônsules e os pretores,
saíram hoje com as suas togas vermelhas, as bordadas,
porque levaram pulseiras com tantas ametistas,
e anéis com esmeraldas esplêndidas, brilhantes;
porque terão pegado hoje em báculos preciosos
com pratas e adornos de ouro extraordinariamente cinzelados?
Porque os bárbaros chegarão hoje.
e tais coisas deslumbram os bárbaros.
E porque não vêm os valiosos oradores como sempre,
para fazerem os seus discursos, dizerem das suas coisas?
Porque os bárbaros chegarão hoje;
e eles aborrecem-se com eloquências e orações políticas.
Porque terá começado de repente este desassossego
e confusão. (Como se tornaram sérios os rostos.)
Porque se esvaziam rapidamente as ruas e as praças,
e todos regressam tão às suas casas muito pensativos?
Porque anoiteceu e os bárbaros não vieram.
E chegaram alguns das fronteiras,
e disseram que já não há bárbaros.
E agora que vai ser de nós sem bárbaros.
Esta gente era alguma solução.
Konstandinos Kavafis
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4.6.10
OLHAR PARA A FRENTE

Medeiros Ferreira, com indisputável brilho, acabou de explicar na SICN que o PS não está condenado a ser um partido albanês. E como Alegre, que tanta bravata retórica alimentou contra essa albanização, acaba pateticamente refém da única coisa que o distinguia de um Sócrates no qual, há apenas escassas horas, descobriu "ética" e "convicções": ter estado seis anos contra ele.
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