31.7.05

LER...

... o Francisco José Viegas, Vencidos da Vida.

LER...

... o Francisco José Viegas, Vencidos da Vida.

A MALDIÇÃO

Dei-me ao trabalho de ler a entrevista que Santana Lopes concedeu à revista Única do Expresso. Pode ser lida de trás para a frente, ou vice-versa, que o efeito é o mesmo. Tal como Lopes é o mesmo. Espremida, não vagueia por ali o que quer que seja de "ideia" ou de "projecto" políticos. É apenas um retrato menor de um ressabiado ex-futuro candidato a tudo e mais alguma coisa, arvorado agora em "patrulha" circunstancial de Soares contra Cavaco, com a "lebre" Marcelo estrategicamente colocada no meio. O resto são pequenos exercícios de vaidade saloia -"sou o político português com mais citações na Net" - ou de sublime provincianismo - veio directamente de uma reunião com Bush e Annan para Benfica, para estar uma hora com a antiga professora primária. No entanto, ele quer voltar a tropeçar na "história" que, assevera, lhe foi madrasta. Com um pouco mais de juízo e com o seu inegável talento político, Santana Lopes podia ser o que quisesse. Acontece que, nele, raramente o juízo e o talento coincidem. Essa é a sua maldição.

A MALDIÇÃO

Dei-me ao trabalho de ler a entrevista que Santana Lopes concedeu à revista Única do Expresso. Pode ser lida de trás para a frente, ou vice-versa, que o efeito é o mesmo. Tal como Lopes é o mesmo. Espremida, não vagueia por ali o que quer que seja de "ideia" ou de "projecto" políticos. É apenas um retrato menor de um ressabiado ex-futuro candidato a tudo e mais alguma coisa, arvorado agora em "patrulha" circunstancial de Soares contra Cavaco, com a "lebre" Marcelo estrategicamente colocada no meio. O resto são pequenos exercícios de vaidade saloia -"sou o político português com mais citações na Net" - ou de sublime provincianismo - veio directamente de uma reunião com Bush e Annan para Benfica, para estar uma hora com a antiga professora primária. No entanto, ele quer voltar a tropeçar na "história" que, assevera, lhe foi madrasta. Com um pouco mais de juízo e com o seu inegável talento político, Santana Lopes podia ser o que quisesse. Acontece que, nele, raramente o juízo e o talento coincidem. Essa é a sua maldição.

COMEÇAR DE NOVO

Há uns bons posts atrás que o meu "entusiasmo" pelo governo esmoreceu. Não que eu esperasse do PS ou de Sócrates milagres ou redenções. De todo. Sobre isso, tenho tantas ilusões como no amor ou no sexo. Apesar da melancolia com que encaro o "futuro", continuo a não encontrar melhor do que Sócrates, o que quer dizer praticamente tudo. Assusta-me a displicência com que ele anda para aí a "disparar" com milhões para isto e para aquilo, ao lado da sua "Mona Lisa" Pinho. Agora voltou a saga da "internet". Onde o dr. Barroso tinha o "Portugal em Acção", o eng.º Sócrates anunciou que vai "Ligar Portugal". Este chavão faz parte do "pacote" do famoso "plano tecnológico" (ex-"choque") e destina-se infalivelmente a "modernizar-nos". Quantas vezes, meu Deus, ah quantas, desde o século XIX, para não andar mais para trás, já fomos "modernizados"? Este conhecido fôlego do "tomem lá disto que depois logo se vê", tem deixado um lastro terrível nas nossas instituições e na nossa sociedade. O recrutamento para a eterna função "modernizadora" arrasta consigo um sem número de luminárias e de "chicos espertos" que o Estado suporta e paga sem que, a final, a contrapartida seja evidente. Com o seu sorriso evangélico, Guterres, há coisa de apenas cinco anos, também nos ia "mudar", desde a idade do bibe, através da "internet". Depois veio o dr. Barroso e o "e-government" do dr. Vasconcelos, com direito a uma "estrutura de missão" e tudo, sumariamente removido pelo PS. Pelos vistos, não chegou. Foi preciso emergir Sócrates e, a partir de Aveiro, com pompa e circunstância, começar tudo de novo.

COMEÇAR DE NOVO

Há uns bons posts atrás que o meu "entusiasmo" pelo governo esmoreceu. Não que eu esperasse do PS ou de Sócrates milagres ou redenções. De todo. Sobre isso, tenho tantas ilusões como no amor ou no sexo. Apesar da melancolia com que encaro o "futuro", continuo a não encontrar melhor do que Sócrates, o que quer dizer praticamente tudo. Assusta-me a displicência com que ele anda para aí a "disparar" com milhões para isto e para aquilo, ao lado da sua "Mona Lisa" Pinho. Agora voltou a saga da "internet". Onde o dr. Barroso tinha o "Portugal em Acção", o eng.º Sócrates anunciou que vai "Ligar Portugal". Este chavão faz parte do "pacote" do famoso "plano tecnológico" (ex-"choque") e destina-se infalivelmente a "modernizar-nos". Quantas vezes, meu Deus, ah quantas, desde o século XIX, para não andar mais para trás, já fomos "modernizados"? Este conhecido fôlego do "tomem lá disto que depois logo se vê", tem deixado um lastro terrível nas nossas instituições e na nossa sociedade. O recrutamento para a eterna função "modernizadora" arrasta consigo um sem número de luminárias e de "chicos espertos" que o Estado suporta e paga sem que, a final, a contrapartida seja evidente. Com o seu sorriso evangélico, Guterres, há coisa de apenas cinco anos, também nos ia "mudar", desde a idade do bibe, através da "internet". Depois veio o dr. Barroso e o "e-government" do dr. Vasconcelos, com direito a uma "estrutura de missão" e tudo, sumariamente removido pelo PS. Pelos vistos, não chegou. Foi preciso emergir Sócrates e, a partir de Aveiro, com pompa e circunstância, começar tudo de novo.

30.7.05

DOIS LIVROS...

... de Pietro Citati, dos Livros Cotovia:

Israel e o Islão - As Centelhas de Deus e Ulisses e a Odisseia - A Mente Colorida


"A relação com Deus, tal como a conhecem hoje cristãos e muçulmanos, é de origem quase exclusivamente hebraica. Todos passámos pela Bíblia, pelo rosto múltiplo de Javé, pelos Salmos, por Job, pela leitura escrupulosa dos textos sagrados, pelo sonho do Messias, pela espera do fim dos tempos. Por isso, em primeiro lugar, cristãos e muçulmanos odiaram os hebreus. Odeia-se, sobretudo, os próprios pais e os próprios semelhantes. Os judeus ensinaram aos cristãos e aos muçulmanos uma ideia: que a cidade de Deus devia ser vivida aqui e agora, com um rigor absoluto, na pureza das leis e dos ritos. Nenhuma ideia é mais trágica; nenhuma causou mais desastres na história universal."

DOIS LIVROS...

... de Pietro Citati, dos Livros Cotovia:

Israel e o Islão - As Centelhas de Deus e Ulisses e a Odisseia - A Mente Colorida


"A relação com Deus, tal como a conhecem hoje cristãos e muçulmanos, é de origem quase exclusivamente hebraica. Todos passámos pela Bíblia, pelo rosto múltiplo de Javé, pelos Salmos, por Job, pela leitura escrupulosa dos textos sagrados, pelo sonho do Messias, pela espera do fim dos tempos. Por isso, em primeiro lugar, cristãos e muçulmanos odiaram os hebreus. Odeia-se, sobretudo, os próprios pais e os próprios semelhantes. Os judeus ensinaram aos cristãos e aos muçulmanos uma ideia: que a cidade de Deus devia ser vivida aqui e agora, com um rigor absoluto, na pureza das leis e dos ritos. Nenhuma ideia é mais trágica; nenhuma causou mais desastres na história universal."

DANOS COLATERIAIS

Chegam ao fim, por causa da "vida material" e dos "interesses, O Comércio do Porto e A Capital, duas publicações que só subsistiam pela vontade espanhola em os manter a qual, aparentemente, acaba agora. A opinião que se publica fica mais pobre. A pública também.

DANOS COLATERIAIS

Chegam ao fim, por causa da "vida material" e dos "interesses, O Comércio do Porto e A Capital, duas publicações que só subsistiam pela vontade espanhola em os manter a qual, aparentemente, acaba agora. A opinião que se publica fica mais pobre. A pública também.

"SFF"

"MICRO-CAUSAS: PODE O GOVERNO SFF COLOCAR EM LINHA OS ESTUDOS SOBRE O AEROPORTO DA OTA PARA QUE NA SOCIEDADE PORTUGUESA SE VALORIZE MAIS A “BUSCA DE SOLUÇÕES” EM DETRIMENTO DA “ESPECULAÇÃO”?" Apoiado.

"SFF"

"MICRO-CAUSAS: PODE O GOVERNO SFF COLOCAR EM LINHA OS ESTUDOS SOBRE O AEROPORTO DA OTA PARA QUE NA SOCIEDADE PORTUGUESA SE VALORIZE MAIS A “BUSCA DE SOLUÇÕES” EM DETRIMENTO DA “ESPECULAÇÃO”?" Apoiado.

"OTA É UM ERRO HISTÓRICO"

...para ler no suplemento de "Economia" do Expresso e, também, na Grande Loja. Também vale a pena este "Pinho rico" de Sérgio Figueiredo: "(...) O ministro Pinho justifica que, em quatro meses, um Governo não consegue realizar mais estudos. Está certo... Mas aprova um plano de 25 mil milhões!!!? Há duas coisas que Tavares [o ministro da Economia de Barroso]nunca percebeu da pátria que governou: que Portugal apenas precisa de ser um país normal; que isso só acontece com a simplificação. Ele só complicou. E este segue o mesmo caminho. Com um enorme inconveniente acrescido: não gosta de fazer contas."

"OTA É UM ERRO HISTÓRICO"

...para ler no suplemento de "Economia" do Expresso e, também, na Grande Loja. Também vale a pena este "Pinho rico" de Sérgio Figueiredo: "(...) O ministro Pinho justifica que, em quatro meses, um Governo não consegue realizar mais estudos. Está certo... Mas aprova um plano de 25 mil milhões!!!? Há duas coisas que Tavares [o ministro da Economia de Barroso]nunca percebeu da pátria que governou: que Portugal apenas precisa de ser um país normal; que isso só acontece com a simplificação. Ele só complicou. E este segue o mesmo caminho. Com um enorme inconveniente acrescido: não gosta de fazer contas."

NA MESMA

João Figueiredo, o secretário de Estado da Administração Pública, um "sobrevivente" à saída do ministro Campos e Cunha, afirmou no Parlamento que "em vez de haver auditorias a cada ministério separadamente, o Governo decidiu adoptar uma metodologia global de auditoria simultânea a todos os ministérios". Figueiredo, que é um homem da administração pública, com experiência e ainda por cima intelectualmente sério, já devia saber que a técnica mix anunciada é a melhor maneira de não se fazer nada. Uma "auditoria simultânea a todos os ministérios" - feita por quem (entidades públicas ou privadas) e com que metodologias? - parece-me qualquer coisa de inverosímil. A menos que se coloque um dos corpos de controlo do Estado, em exclusivo, a realizar a dita auditoria, ou se paguem milhares a uma empresa privada do "ramo". Salvo o devido respeito, julgo que anda por aí - e há bastante tempo - um Conselho Coordenador do Sistema de Controlo Interno da Administração Financeira do Estado (SCI), que inclui todas as inspecções sectoriais dos diversos ministérios, e que serve precisamente para avaliar, em permanência, o desempenho dos vários sectores, detectando anomalias e propondo ajustamentos. Passar a vida a "criar" ao lado do que já existe, outras coisas para fazer aquilo que justifica a actividade de controlo e avaliação do Estado, é apenas, como se costuma dizer, "bater no ceguinho". E é a maneira mais despachada de "fingir" que se está a mexer nalguma coisa para que o essencial fique na mesma.

NA MESMA

João Figueiredo, o secretário de Estado da Administração Pública, um "sobrevivente" à saída do ministro Campos e Cunha, afirmou no Parlamento que "em vez de haver auditorias a cada ministério separadamente, o Governo decidiu adoptar uma metodologia global de auditoria simultânea a todos os ministérios". Figueiredo, que é um homem da administração pública, com experiência e ainda por cima intelectualmente sério, já devia saber que a técnica mix anunciada é a melhor maneira de não se fazer nada. Uma "auditoria simultânea a todos os ministérios" - feita por quem (entidades públicas ou privadas) e com que metodologias? - parece-me qualquer coisa de inverosímil. A menos que se coloque um dos corpos de controlo do Estado, em exclusivo, a realizar a dita auditoria, ou se paguem milhares a uma empresa privada do "ramo". Salvo o devido respeito, julgo que anda por aí - e há bastante tempo - um Conselho Coordenador do Sistema de Controlo Interno da Administração Financeira do Estado (SCI), que inclui todas as inspecções sectoriais dos diversos ministérios, e que serve precisamente para avaliar, em permanência, o desempenho dos vários sectores, detectando anomalias e propondo ajustamentos. Passar a vida a "criar" ao lado do que já existe, outras coisas para fazer aquilo que justifica a actividade de controlo e avaliação do Estado, é apenas, como se costuma dizer, "bater no ceguinho". E é a maneira mais despachada de "fingir" que se está a mexer nalguma coisa para que o essencial fique na mesma.

DO "SPIN"

Por que razão o Diário de Notícias insiste em editar um "barómetro" sobre presidenciais em que Soares não figura, garantindo, por um lado, que a "direita é favorita nas presidenciais" e, por outro, que "os dados desta sondagem [surjem] desactualizados perante a realidade" que supostamente já inclui Soares? Qual é o interesse "noticioso" disto? O Paulo Gorjão, que percebe destas coisas de "spin", talvez nos consiga explicar.

DO "SPIN"

Por que razão o Diário de Notícias insiste em editar um "barómetro" sobre presidenciais em que Soares não figura, garantindo, por um lado, que a "direita é favorita nas presidenciais" e, por outro, que "os dados desta sondagem [surjem] desactualizados perante a realidade" que supostamente já inclui Soares? Qual é o interesse "noticioso" disto? O Paulo Gorjão, que percebe destas coisas de "spin", talvez nos consiga explicar.

29.7.05

NA GRANDE LOJA....

... estas "memória(s)".

NA GRANDE LOJA....

... estas "memória(s)".

LER...

...no Portugal Diário uma entrevista com Manuel Maria Carrilho. Dispensava-se o populismo "fadista" que não "cola" com a personagem.

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...no Portugal Diário uma entrevista com Manuel Maria Carrilho. Dispensava-se o populismo "fadista" que não "cola" com a personagem.

"UM DESTINO COMUM"

Segundo O Independente, a famosa "reflexão" a que o dr. Soares está a proceder, inclui romarias à Fundação do próprio. Aliás, o próprio mencionou há dois dias os vários tipos de corporações e de notabilidades que andava a "ouvir". De acordo com o jornal, a gravidade do momento exigiu "conversas individuais" com vultos como o dr. Almeida Santos, o sr. Carvalho da Silva, o dr. António Reis, grão-mestre da Maçonaria, e um almoçinho com Domingos Abrantes, uma das maiores sumidades estalinistas do PC. Este exercício pantomineiro promete continuar. Quando chegar a vez da procissão da "cultura", então, é que vai ser mesmo divertido. Por ora, seria interessante perguntar a Soares - não fosse dar-se o caso de ele estar "recolhido" -, o que é que ele pensa acerca dos tumultos orquestrados pelo PC, ontem, no Parlamento. Ou das "medidas" que o mesmo Parlamento aprovou em relação à administração pública, os seus funcionários e, por tabela, às suas famílias, mais conhecidos todos por "eleitorado" e não propriamente da "direita". Em suma, e como escreve Vasco Pulido Valente no Público de hoje (sem link), "levado a Belém por essa grande coligação do imobilismo, Soares (ainda por cima ajudado pelas suas próprias convicções) não tardaria a paralisar o Governo e o país. Ninguém investiria aqui um tostão e Portugal, incorrigível e falido, ficaria para exemplo de um sistema "perfeito" e de uma vida miserável. Um destino comum."

"UM DESTINO COMUM"

Segundo O Independente, a famosa "reflexão" a que o dr. Soares está a proceder, inclui romarias à Fundação do próprio. Aliás, o próprio mencionou há dois dias os vários tipos de corporações e de notabilidades que andava a "ouvir". De acordo com o jornal, a gravidade do momento exigiu "conversas individuais" com vultos como o dr. Almeida Santos, o sr. Carvalho da Silva, o dr. António Reis, grão-mestre da Maçonaria, e um almoçinho com Domingos Abrantes, uma das maiores sumidades estalinistas do PC. Este exercício pantomineiro promete continuar. Quando chegar a vez da procissão da "cultura", então, é que vai ser mesmo divertido. Por ora, seria interessante perguntar a Soares - não fosse dar-se o caso de ele estar "recolhido" -, o que é que ele pensa acerca dos tumultos orquestrados pelo PC, ontem, no Parlamento. Ou das "medidas" que o mesmo Parlamento aprovou em relação à administração pública, os seus funcionários e, por tabela, às suas famílias, mais conhecidos todos por "eleitorado" e não propriamente da "direita". Em suma, e como escreve Vasco Pulido Valente no Público de hoje (sem link), "levado a Belém por essa grande coligação do imobilismo, Soares (ainda por cima ajudado pelas suas próprias convicções) não tardaria a paralisar o Governo e o país. Ninguém investiria aqui um tostão e Portugal, incorrigível e falido, ficaria para exemplo de um sistema "perfeito" e de uma vida miserável. Um destino comum."

O BRAÇO DA D. MARIA JOSÉ

O Paulo Gorjão está "admirado" com o silêncio de Jorge Sampaio em relação aos "investimentos" do dr. Pinho e dos engenheiros Lino e Sócrates. Descontando a relevância que parece atribuir ao "manifesto dos 13" - estas designações "definidas" e de teor "histórico", "dos 13" ou "dos 18", divertem-me imenso e são a demonstração eloquente da nossa pinderiquice -, o Paulo tem razão ao perguntar pelo "supremo magistrado". Parece que anda embarcadiço nos Açores, com os reis de Espanha (ontem vi a D. Maria José de braço enfiado no braço da Rainha Sofia e pus-me a cogitar sobre o que iria na cabeça da real senhora, tratada em mar alto como uma mera "comadre" prazenteira: há coisas que em dez anos de protocolo jamais se aprendem). Vi-o murmurar qualquer coisa sobre a sua própria sucessão e "sugerir" que podia perfeitamente seguir o belo exemplo do seu antecessor, transformando assim Belém numa espécie de Dinastia Ming "socialista", uma "região demarcada" para "democratas" com pedigree. Mas adiante. Saiba o Paulo que Sua Excelência tem opinião sobre a OTA e, imagino, sobre os vitessse. E é de ampla concordância com a "teoria do investimento" que o governo anda por aí a vender. O que ele ainda não teve foi "ocasião" para a divulgar, mesmo que sob a forma "redonda" habitual e com uns números à mistura (Sampaio, ao contrário de Soares, gosta de dossiês). Para além disso, o que é que ele tem a perder? Não é ele quem paga. Ele é apenas mais um "visionário" feliz que nos imagina prósperos numa próxima encarnação. O melhor mesmo, no meio desta "loucura normal", ainda é o braço da D. Maria José carinhosamente enfiado no da Rainha de Espanha. Se calhar, e para nossa felicidade, devia ter sido sempre assim.

O BRAÇO DA D. MARIA JOSÉ

O Paulo Gorjão está "admirado" com o silêncio de Jorge Sampaio em relação aos "investimentos" do dr. Pinho e dos engenheiros Lino e Sócrates. Descontando a relevância que parece atribuir ao "manifesto dos 13" - estas designações "definidas" e de teor "histórico", "dos 13" ou "dos 18", divertem-me imenso e são a demonstração eloquente da nossa pinderiquice -, o Paulo tem razão ao perguntar pelo "supremo magistrado". Parece que anda embarcadiço nos Açores, com os reis de Espanha (ontem vi a D. Maria José de braço enfiado no braço da Rainha Sofia e pus-me a cogitar sobre o que iria na cabeça da real senhora, tratada em mar alto como uma mera "comadre" prazenteira: há coisas que em dez anos de protocolo jamais se aprendem). Vi-o murmurar qualquer coisa sobre a sua própria sucessão e "sugerir" que podia perfeitamente seguir o belo exemplo do seu antecessor, transformando assim Belém numa espécie de Dinastia Ming "socialista", uma "região demarcada" para "democratas" com pedigree. Mas adiante. Saiba o Paulo que Sua Excelência tem opinião sobre a OTA e, imagino, sobre os vitessse. E é de ampla concordância com a "teoria do investimento" que o governo anda por aí a vender. O que ele ainda não teve foi "ocasião" para a divulgar, mesmo que sob a forma "redonda" habitual e com uns números à mistura (Sampaio, ao contrário de Soares, gosta de dossiês). Para além disso, o que é que ele tem a perder? Não é ele quem paga. Ele é apenas mais um "visionário" feliz que nos imagina prósperos numa próxima encarnação. O melhor mesmo, no meio desta "loucura normal", ainda é o braço da D. Maria José carinhosamente enfiado no da Rainha de Espanha. Se calhar, e para nossa felicidade, devia ter sido sempre assim.

28.7.05

"PEDAGOGIA DE QUÊ?"

Isto está tão bem escrito e é de tal maneira certeiro, que certamente o Francisco José Viegas não se importará que eu o "copie" na íntegra para aqui:

O anúncio da candidatura de Soares à presidência, preparado e calculado há bastante tempo, veio interromper a modorra da política ou reconduzir os caminhos da política para lá dos limites do défice. Os portugueses terão, agora, mais com que se preocupar. Vai ser uma festa. Uma fonte próxima de Soares declarou ao jornal "A Capital" que espera uma campanha alegre e com ideias. Em simultâneo. Vai ser uma festa. Outra fonte próxima mencionou também a necessidade de mais ideias. Portugal vai, finalmente, regurgitar de ideias graças às presidenciais. Vai ser mais do que uma festa, porque se trata, ainda de acordo com essa fonte, um "acto cívico e pedagógico". Eu compreendo que se trata de um acto cívico dos 35 anos em diante, um dos direitos dos cidadãos é o de poder candidatar-se à presidência da República. Mas não entendo a natureza pedagógica da candidatura presidencial. Admito que o dr. Mário Soares tenha coisas para dizer (o que faz, aliás, num programa de televisão) e que tenha, até, ideias para discutir; o regime deve-lhe bastante e essa dívida tem sido paga em reconhecimento, respeito, silêncio e também veneração - infelizmente, há quem ache que o respeito pelas suas ideias se deve confundir com o respeito pela sua idade, o que é lamentável e o deve desgostar bastante. Não encontro nesta candidatura "virtudes pedagógicas" maiores do que em qualquer outra. A sabedoria que se retira da velhice é boa para relermos Séneca, mas não deve aprisionar-nos quando se trata de política. O pior que se pode fazer a Mário Soares e à sua candidatura é manifestar-lhe o respeitinho moral que fará dele um bonzo da República ou uma velharia aceitável e comovente. Parte da Esquerda vê nessa candidatura a salvação; provavelmente, até Sócrates a acolhe com alívio, ele que foi publicamente humilhado por Soares (que lhe chamou a parte "menos feliz da herança guterrista, pela falta de firmeza nas ideias"): porque esta candidatura "cívica e pedagógica" é entendida como "supranacional" ou apenas "superiormente orientada para o mundo das ideias" (já ouvi isto e ninguém se riu). Evidentemente que é um erro - e grave - dizer que a idade é um argumento sério contra Soares. No país que tem cada vez mais a mania imbecil da juventude eterna, a velhice merece ser valorizada, mas não idolatrada ou desculpada. E a candidatura de Soares servir-se-á certamente da idade como um valor essencial do seu marketing vejam como o velho combatente regressa; vejam como ele se submete ao confronto; vejam como ele tem, aos 80 anos, coragem de subir ao ringue e de assumir este "acto pedagógico"; vejam como a sua experiência é um valor. E virão então as imagens nos tempos de antena da candidatura: o velho resistente ao fascismo; o republicanismo a reboque; o regresso do exílio; os tempos da luta contra os militares e os comunistas; a primeira eleição presidencial; as suas presidências abertas contra Cavaco, "o gajo"; a sua amizade com "intelectuais e artistas"; a sua participação nas manifestações contra a guerra; e essa biografia avassaladora, cheia de momentos sublimes, de vitórias e de discursos, será servida como um antídoto contra a política e, justamente, contra as ideias. As dele, talvez; mas, certamente, as dos outros. O que estão a fazer a Soares é transformá-lo no semi-deus da democracia. O que é, manifestamente, um perigo para todos. Talvez uma derrota eleitoral o faça descer à terra e ser humano. Nessa altura discutiremos ideias.

P.S. Votei uma vez em Mário Soares nas eleições para a presidência da República porque não queria a vitória de um candidato antiliberal (Freitas do Amaral). Era bom que as pessoas se recordassem desses tempos.

"PEDAGOGIA DE QUÊ?"

Isto está tão bem escrito e é de tal maneira certeiro, que certamente o Francisco José Viegas não se importará que eu o "copie" na íntegra para aqui:

O anúncio da candidatura de Soares à presidência, preparado e calculado há bastante tempo, veio interromper a modorra da política ou reconduzir os caminhos da política para lá dos limites do défice. Os portugueses terão, agora, mais com que se preocupar. Vai ser uma festa. Uma fonte próxima de Soares declarou ao jornal "A Capital" que espera uma campanha alegre e com ideias. Em simultâneo. Vai ser uma festa. Outra fonte próxima mencionou também a necessidade de mais ideias. Portugal vai, finalmente, regurgitar de ideias graças às presidenciais. Vai ser mais do que uma festa, porque se trata, ainda de acordo com essa fonte, um "acto cívico e pedagógico". Eu compreendo que se trata de um acto cívico dos 35 anos em diante, um dos direitos dos cidadãos é o de poder candidatar-se à presidência da República. Mas não entendo a natureza pedagógica da candidatura presidencial. Admito que o dr. Mário Soares tenha coisas para dizer (o que faz, aliás, num programa de televisão) e que tenha, até, ideias para discutir; o regime deve-lhe bastante e essa dívida tem sido paga em reconhecimento, respeito, silêncio e também veneração - infelizmente, há quem ache que o respeito pelas suas ideias se deve confundir com o respeito pela sua idade, o que é lamentável e o deve desgostar bastante. Não encontro nesta candidatura "virtudes pedagógicas" maiores do que em qualquer outra. A sabedoria que se retira da velhice é boa para relermos Séneca, mas não deve aprisionar-nos quando se trata de política. O pior que se pode fazer a Mário Soares e à sua candidatura é manifestar-lhe o respeitinho moral que fará dele um bonzo da República ou uma velharia aceitável e comovente. Parte da Esquerda vê nessa candidatura a salvação; provavelmente, até Sócrates a acolhe com alívio, ele que foi publicamente humilhado por Soares (que lhe chamou a parte "menos feliz da herança guterrista, pela falta de firmeza nas ideias"): porque esta candidatura "cívica e pedagógica" é entendida como "supranacional" ou apenas "superiormente orientada para o mundo das ideias" (já ouvi isto e ninguém se riu). Evidentemente que é um erro - e grave - dizer que a idade é um argumento sério contra Soares. No país que tem cada vez mais a mania imbecil da juventude eterna, a velhice merece ser valorizada, mas não idolatrada ou desculpada. E a candidatura de Soares servir-se-á certamente da idade como um valor essencial do seu marketing vejam como o velho combatente regressa; vejam como ele se submete ao confronto; vejam como ele tem, aos 80 anos, coragem de subir ao ringue e de assumir este "acto pedagógico"; vejam como a sua experiência é um valor. E virão então as imagens nos tempos de antena da candidatura: o velho resistente ao fascismo; o republicanismo a reboque; o regresso do exílio; os tempos da luta contra os militares e os comunistas; a primeira eleição presidencial; as suas presidências abertas contra Cavaco, "o gajo"; a sua amizade com "intelectuais e artistas"; a sua participação nas manifestações contra a guerra; e essa biografia avassaladora, cheia de momentos sublimes, de vitórias e de discursos, será servida como um antídoto contra a política e, justamente, contra as ideias. As dele, talvez; mas, certamente, as dos outros. O que estão a fazer a Soares é transformá-lo no semi-deus da democracia. O que é, manifestamente, um perigo para todos. Talvez uma derrota eleitoral o faça descer à terra e ser humano. Nessa altura discutiremos ideias.

P.S. Votei uma vez em Mário Soares nas eleições para a presidência da República porque não queria a vitória de um candidato antiliberal (Freitas do Amaral). Era bom que as pessoas se recordassem desses tempos.

A CEDÊNCIA

É isso mesmo, um "mau sinal", no Causa Nossa. Nenhuma das reivindicações dos camionistas me parece merecedora de ser satisfeita. Criação de privilégios e regimes especiais é coisa que neste momento deveria ser proibida, ainda por cima para um sector muito custoso em termos ambientais, que tem alternativa no transporte ferroviário. Mas o Governo já anunciou disposição para ceder, o que é mau, primeiro porque a causa não é meritória, depois porque a acção ilícita dos camionistas não deveria ser premiada.

A CEDÊNCIA

É isso mesmo, um "mau sinal", no Causa Nossa. Nenhuma das reivindicações dos camionistas me parece merecedora de ser satisfeita. Criação de privilégios e regimes especiais é coisa que neste momento deveria ser proibida, ainda por cima para um sector muito custoso em termos ambientais, que tem alternativa no transporte ferroviário. Mas o Governo já anunciou disposição para ceder, o que é mau, primeiro porque a causa não é meritória, depois porque a acção ilícita dos camionistas não deveria ser premiada.

UM LIVRO

Eça de Queiroz, Jornalista, Introdução, pesquisa e selecção de textos de Maria Filomena Mónica. Aprende-se muito com os "velhinhos"...

UM LIVRO

Eça de Queiroz, Jornalista, Introdução, pesquisa e selecção de textos de Maria Filomena Mónica. Aprende-se muito com os "velhinhos"...

AUTO-RETRATO

"Para se ser advogado é preciso ter-se uma inteligência estúpida e que eu tenho é uma estupidez inteligente." Teixeira de Pascoaes

AUTO-RETRATO

"Para se ser advogado é preciso ter-se uma inteligência estúpida e que eu tenho é uma estupidez inteligente." Teixeira de Pascoaes

EMBARCAÇÕES PRESIDENCIAIS - 2

Eu e José Medeiros Ferreira, voltamos, afinal, a estar de acordo. Apreciamos a "passagem" de Heródoto pelas páginas de "O Doente Inglês", esse estranho e belo livro que aproxima as principais personagens da magnífica história de abandono, deserto e morte de Michael Ondaatje. Continuamos ambos "reformadores" e mantemos os dois - indemne - o "espiríto livre". Precisamente por causa destas duas últimas coincidências é que nos separamos nas "presidenciais". Não me preocupa minimamente o "destino" da "esquerda em geral" que, naturalmente, extravasa as fronteiras minimalistas dos partidos que a compôem. O meu Amigo, aliás, é um bom exemplo de alguém que, respeitando o papel da organização partidária na vida pública democrática, bem sabe que não é ali que esta se esgota. Da mesma maneira que não me maço com as venturas da "direita em geral". O próximo presidente da República deve estar acima desta "topografia política" demasiado primária. A questão está em saber qual é o "lado" que, nas presentes circunstâncias, mais "equilibra" e qual é o "lado" que mais "desequilibra". A maioria absoluta do Partido Socialista, numa altura em que simultaneamente as outras "esquerdas" cresceram, não foi conquistada pelo "lado esquerdo". Um presidente que "some" as "esquerdas em geral", desequilibra. Um presidente que "junte" o contributo para a solução maioritária de Executivo, encontrada em Fevereiro, com as expectativas legítimas de representatividade institucional do "centro-esquerda" e das "direitas", equilibra. De um lado, um potencial "desestabilizador". Do outro, um verdadeiro "moderador". E é precisamente por eu ser um espiríto livre, meu caro Amigo, que não cedo à chantagem reverencial que se prepara para acolher Mário Soares como o tal "salvador da pátria" de que tanto se falou e que, afinal, era outro.

EMBARCAÇÕES PRESIDENCIAIS - 2

Eu e José Medeiros Ferreira, voltamos, afinal, a estar de acordo. Apreciamos a "passagem" de Heródoto pelas páginas de "O Doente Inglês", esse estranho e belo livro que aproxima as principais personagens da magnífica história de abandono, deserto e morte de Michael Ondaatje. Continuamos ambos "reformadores" e mantemos os dois - indemne - o "espiríto livre". Precisamente por causa destas duas últimas coincidências é que nos separamos nas "presidenciais". Não me preocupa minimamente o "destino" da "esquerda em geral" que, naturalmente, extravasa as fronteiras minimalistas dos partidos que a compôem. O meu Amigo, aliás, é um bom exemplo de alguém que, respeitando o papel da organização partidária na vida pública democrática, bem sabe que não é ali que esta se esgota. Da mesma maneira que não me maço com as venturas da "direita em geral". O próximo presidente da República deve estar acima desta "topografia política" demasiado primária. A questão está em saber qual é o "lado" que, nas presentes circunstâncias, mais "equilibra" e qual é o "lado" que mais "desequilibra". A maioria absoluta do Partido Socialista, numa altura em que simultaneamente as outras "esquerdas" cresceram, não foi conquistada pelo "lado esquerdo". Um presidente que "some" as "esquerdas em geral", desequilibra. Um presidente que "junte" o contributo para a solução maioritária de Executivo, encontrada em Fevereiro, com as expectativas legítimas de representatividade institucional do "centro-esquerda" e das "direitas", equilibra. De um lado, um potencial "desestabilizador". Do outro, um verdadeiro "moderador". E é precisamente por eu ser um espiríto livre, meu caro Amigo, que não cedo à chantagem reverencial que se prepara para acolher Mário Soares como o tal "salvador da pátria" de que tanto se falou e que, afinal, era outro.

O VÉU

A conveniente algazarra em curso por causa do dr. Soares, lançou como que um véu sobre dois assuntos importantes e recorrentes a que convém prestar toda a atenção. Refiro-me à preparação do orçamento de Estado para 2006 - a decorrer na maior das clandestinidades - e às eleições autárquicas de Outubro. No primeiro caso, desconhecemos as "prioridades" de Teixeira dos Santos. Será politicamente mais vulnerável às pretensões despesistas dos seus colegas do que Campos e Cunha o era? É mais condescendente ou não com o devorismo localista? Isto prende-se com a escolha autárquica. As abencerragens que concorrem em alguns lados, seja pela "antiguidade", seja pelas suspeitas de corrupção, fragilizam ainda mais a credibilidade de um "poder" que é tido invariavelmente por todos, desde o "25 de Abril", como "modelar". Redondo como as rotundas espalhadas pelo país, pelo menos é. Basta ver as caras dos principais concorrentes para desesperar de qualquer "renovação". A palavra das "finanças", por todas as razões, continua a ser determinante, independentemente da mudança "oportuna" ocorrida a semana passada, votada tão rapidamente ao esquecimento. A questão está em saber onde é que ela está. É que, no horizonte, só vejo florescer - e muito contentinhas - as megalomanias milionárias dos drs. Pinho e Lino, certamente acarinhadas por grande parte da boçalidade autárquica que aí vem.

O VÉU

A conveniente algazarra em curso por causa do dr. Soares, lançou como que um véu sobre dois assuntos importantes e recorrentes a que convém prestar toda a atenção. Refiro-me à preparação do orçamento de Estado para 2006 - a decorrer na maior das clandestinidades - e às eleições autárquicas de Outubro. No primeiro caso, desconhecemos as "prioridades" de Teixeira dos Santos. Será politicamente mais vulnerável às pretensões despesistas dos seus colegas do que Campos e Cunha o era? É mais condescendente ou não com o devorismo localista? Isto prende-se com a escolha autárquica. As abencerragens que concorrem em alguns lados, seja pela "antiguidade", seja pelas suspeitas de corrupção, fragilizam ainda mais a credibilidade de um "poder" que é tido invariavelmente por todos, desde o "25 de Abril", como "modelar". Redondo como as rotundas espalhadas pelo país, pelo menos é. Basta ver as caras dos principais concorrentes para desesperar de qualquer "renovação". A palavra das "finanças", por todas as razões, continua a ser determinante, independentemente da mudança "oportuna" ocorrida a semana passada, votada tão rapidamente ao esquecimento. A questão está em saber onde é que ela está. É que, no horizonte, só vejo florescer - e muito contentinhas - as megalomanias milionárias dos drs. Pinho e Lino, certamente acarinhadas por grande parte da boçalidade autárquica que aí vem.

LER

... o Paulo Gorjão, "Questões de semântica e de estratégia".

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... o Paulo Gorjão, "Questões de semântica e de estratégia".

O "DONO"

Na Figueira da Foz e em grande forma - talvez ligeiramente irritado -, Mário Soares reiterou que estava "em reflexão" e que nem sequer sabe "se vai a campanha". Anda, disse ele, a ouvir "partidos" -no plural- e a famigerada "sociedade civil" que inclui "cientistas, universitários, sindicatos, associações" e "magistrados", enfim, "todo o tipo de gente". Pelo meio, fugiu-lhe a boca para a verdade e disse com todas as letras que, por terem existido "grandes falhas" em matéria de presidenciais dentro do PS, então "chegaram" a ele. O talento para a mistificação, em Soares, permanece intacto. Quem o conhece, sabe várias coisas. Soares pura e simplesmente não ouve ninguém. Não ouve, pronto. Eles podem falar, até admito umas trocas simpáticas de impressões, mas ele não que saber disso para nada. Nunca quis, nem precisa. Depois, é manifesto que há que tempos tomou a decisão. A "sociedade civil" virá apenas compôr, na hora certa, o ramalhete. Nada mais. Finalmente deu de barato que foi ele quem forçou o partido e, por tabela Sócrates, a "lá chegarem". E imagino com que "delicadeza". "Levar a água ao seu moínho" sempre foi o seu lema. Apenas um ano passado sobre a entrada em cena do "social-democrata" José Sócrates, Soares é ,de novo, o "dono" do PS.

O "DONO"

Na Figueira da Foz e em grande forma - talvez ligeiramente irritado -, Mário Soares reiterou que estava "em reflexão" e que nem sequer sabe "se vai a campanha". Anda, disse ele, a ouvir "partidos" -no plural- e a famigerada "sociedade civil" que inclui "cientistas, universitários, sindicatos, associações" e "magistrados", enfim, "todo o tipo de gente". Pelo meio, fugiu-lhe a boca para a verdade e disse com todas as letras que, por terem existido "grandes falhas" em matéria de presidenciais dentro do PS, então "chegaram" a ele. O talento para a mistificação, em Soares, permanece intacto. Quem o conhece, sabe várias coisas. Soares pura e simplesmente não ouve ninguém. Não ouve, pronto. Eles podem falar, até admito umas trocas simpáticas de impressões, mas ele não que saber disso para nada. Nunca quis, nem precisa. Depois, é manifesto que há que tempos tomou a decisão. A "sociedade civil" virá apenas compôr, na hora certa, o ramalhete. Nada mais. Finalmente deu de barato que foi ele quem forçou o partido e, por tabela Sócrates, a "lá chegarem". E imagino com que "delicadeza". "Levar a água ao seu moínho" sempre foi o seu lema. Apenas um ano passado sobre a entrada em cena do "social-democrata" José Sócrates, Soares é ,de novo, o "dono" do PS.

27.7.05

A TEORIA DO PERIGO

Vital Moreira vem aqui apresentar a famosa "teoria do perigo", algo de que vamos ouvir falar muitas vezes nos próximos tempos. Segundo ele, Cavaco pode pôr em causa a "estabilidade e a natureza do regime político". Com o devido respeito, se há algo ou alguém que anda a pôr em causa "a estabilidade e a natureza do regime político", é a "situação". Refiro-me à situação de pobreza franciscana - politica e institucionalmente falando - em que vivemos desde, pelo menos, 2001, e a que, com imensa felicidade, António Guterres apelidou de "pântano". É, de facto, algo tão profundo que Mário Soares teve que "reencarnar" junto de Sócrates por manifestamente também não confiar nele. Acha verdadeiramente que Soares, uma vez em Belém, vai deixar Sócrates fazer o que tem de ser feito e que nada tem a ver com a mitomania faraónica das cimenteiras, tão em voga? Já imaginou o que seriam as romarias da "esquerda em geral" - de que fala Medeiros Ferreira - ao Palácio e os "Portugal, que futuro?" para domar Sócrates, partindo do princípio que este ainda não está completamente rendido à tal "natureza moribunda" do "regime"? A "estabilidade" do "regime" já não convence ninguém. O "regime", ou evolui, ou morre. E evolui melhor com Soares ou com Cavaco? Limito-me a reproduzir o seu (bom) argumento: o argumento mais errado contra a candidatura de Cavaco Silva é o de que ele não tem perfil para o lugar.

A TEORIA DO PERIGO

Vital Moreira vem aqui apresentar a famosa "teoria do perigo", algo de que vamos ouvir falar muitas vezes nos próximos tempos. Segundo ele, Cavaco pode pôr em causa a "estabilidade e a natureza do regime político". Com o devido respeito, se há algo ou alguém que anda a pôr em causa "a estabilidade e a natureza do regime político", é a "situação". Refiro-me à situação de pobreza franciscana - politica e institucionalmente falando - em que vivemos desde, pelo menos, 2001, e a que, com imensa felicidade, António Guterres apelidou de "pântano". É, de facto, algo tão profundo que Mário Soares teve que "reencarnar" junto de Sócrates por manifestamente também não confiar nele. Acha verdadeiramente que Soares, uma vez em Belém, vai deixar Sócrates fazer o que tem de ser feito e que nada tem a ver com a mitomania faraónica das cimenteiras, tão em voga? Já imaginou o que seriam as romarias da "esquerda em geral" - de que fala Medeiros Ferreira - ao Palácio e os "Portugal, que futuro?" para domar Sócrates, partindo do princípio que este ainda não está completamente rendido à tal "natureza moribunda" do "regime"? A "estabilidade" do "regime" já não convence ninguém. O "regime", ou evolui, ou morre. E evolui melhor com Soares ou com Cavaco? Limito-me a reproduzir o seu (bom) argumento: o argumento mais errado contra a candidatura de Cavaco Silva é o de que ele não tem perfil para o lugar.

JÁ REPARARAM...

...que, desde a saída de Campos e Cunha do governo e da sua substituição pelo compagnon Teixeira dos Santos, só se fala em milhões, cimento, "ideias luminosas" e "inovação" - até o SIRESP do dr. Daniel Sanches, inicialmente tão conspurcado pelo dr. Costa, foi "recuperado" -, enquanto o "rigor" desapareceu, perdido porventura algures nos campos da Ota, onde Manuel Pinho nos promete o céu por cima dos malmequeres?

JÁ REPARARAM...

...que, desde a saída de Campos e Cunha do governo e da sua substituição pelo compagnon Teixeira dos Santos, só se fala em milhões, cimento, "ideias luminosas" e "inovação" - até o SIRESP do dr. Daniel Sanches, inicialmente tão conspurcado pelo dr. Costa, foi "recuperado" -, enquanto o "rigor" desapareceu, perdido porventura algures nos campos da Ota, onde Manuel Pinho nos promete o céu por cima dos malmequeres?

O "MANIFESTO" - 2

Comentário/pergunta de um leitor:

Em época de discussão de bons e maus investimentos, estranho o silêncio sobre a rentabilização do porto/terminal de carga de Sines e do aeroporto de Beja; aliás, no PIIP faz-se uma breve referência a um ramal ferroviário Sines/Elvas, mas não se voltou a ouvir falar deste assunto. Esqueceram-se do Alentejo?

O "MANIFESTO" - 2

Comentário/pergunta de um leitor:

Em época de discussão de bons e maus investimentos, estranho o silêncio sobre a rentabilização do porto/terminal de carga de Sines e do aeroporto de Beja; aliás, no PIIP faz-se uma breve referência a um ramal ferroviário Sines/Elvas, mas não se voltou a ouvir falar deste assunto. Esqueceram-se do Alentejo?

EMBARCAÇÕES PRESIDENCIAIS

O meu Amigo José Medeiros Ferreira, defensor "histórico" da recandidatura presidencial de Mário Soares, escreve pela primeira vez sobre o assunto no Bicho Carpinteiro. Devo-lhe -jamais o esquecerei- a minha "imersão" nas coisas políticas, nos idos de 79, através do "Movimento Reformador", com António Barreto, Sousa Tavares e outros. Não o acompanhei na "aventura" do PRD (nessa altura já era do PSD) e muito menos na campanha fratricida de Salgado Zenha, em 1986, contra um Soares que eu apoiava desde muito antes da "primeira volta". Nunca militei no PS - nem faço a mínima intenção de alguma vez o vir a fazer -, pelo que nunca senti qualquer impulso romântico para lá voltar. Estivemos em sintonia em 2001, com Jorge Sampaio, já que em 1996 apoiei, como hoje apoio, Cavaco. E presumo que teremos ambos votado no PS em Fevereiro deste ano, seguramente por motivos completamente distintos. Agora encontramo-nos, de novo, separados com - quem diria - Soares de permeio. Medeiros Ferreira "justifica" Soares "com o estado de desorientação das elites de imitação sobre o futuro de Portugal" e com a "firme convicção que ele trará força, determinação e ideias de futuro para Portugal e para a esquerda em geral." Termina, por causa da imagem da "batalha naval" utilizada por Marcelo, "desafiando" este a avançar "contra o velho porta-aviões". Esta visão jubilatória do regresso belenense de Mário Soares merece-me uns breves comentários. Em primeiro lugar, a sua emergência/urgência decorre precisamente da "desorientação" das "elites" do Partido Socialista em matéria presidencial e do fracasso das gerações políticas de Guterres e de Sócrates em produzirem "matéria comestível" aos olhos da opinião pública. O simétrico passa-se com a "direita", depois do clamoroso falhanço dos últimos três anos. Vitorino conta pouco, já que é politicamente cobarde. Alegre conta humanamente mais por ser frontal e corajoso, embora politicamente irrelevante. Não foi, pois, por estar a pensar no "futuro de Portugal" que Soares se chegou "à frente". Foi como militante e "dono" do património jacobino do PS, em "risco de vida" com este governo e com este secretário-geral, que Soares se impôs. A seguir, Soares traria "ideias de futuro" à "esquerda em geral", pelo que a sua aparição reveste-se de um inegável teor profiláctico para a dita. De facto, por ocasião dos trinta anos da Alameda, já com a candidatura no bolso esquerdo do casaco, Soares advertiu que agora o "perigo" vinha em "sentido contrário" ao de 1975. Curiosa lembrança. Soares, em 1986, "passou" à "segunda volta" graças ao "centro" político que o amparou para derrotar Freitas do Amaral. Se dependesse de Medeiros Ferreira - nessa altura já preocupado com a "esquerda em geral", ao lado do PC e de Zenha -, isso jamais teria acontecido. Finalmente chama-se Marcelo ao debate, uma "lebre-patrulha" que Medeiros Ferreira gostaria de ver avançar "contra o velho porta-aviões", provavelmente mais útil nesta altura do que o antigo primeiro-ministro. Como diria o nosso comum e saudoso amigo Cunha Rego, as coisas são o que são. Soares, ao contrário de 1986 e 1991, está apenas metido numa meritória "missão partidária" de redenção que não acrescenta nada ao "futuro" do país. Cavaco Silva deixou-se disso há muito tempo e a nação reconhecê-lo-á na devida altura.

EMBARCAÇÕES PRESIDENCIAIS

O meu Amigo José Medeiros Ferreira, defensor "histórico" da recandidatura presidencial de Mário Soares, escreve pela primeira vez sobre o assunto no Bicho Carpinteiro. Devo-lhe -jamais o esquecerei- a minha "imersão" nas coisas políticas, nos idos de 79, através do "Movimento Reformador", com António Barreto, Sousa Tavares e outros. Não o acompanhei na "aventura" do PRD (nessa altura já era do PSD) e muito menos na campanha fratricida de Salgado Zenha, em 1986, contra um Soares que eu apoiava desde muito antes da "primeira volta". Nunca militei no PS - nem faço a mínima intenção de alguma vez o vir a fazer -, pelo que nunca senti qualquer impulso romântico para lá voltar. Estivemos em sintonia em 2001, com Jorge Sampaio, já que em 1996 apoiei, como hoje apoio, Cavaco. E presumo que teremos ambos votado no PS em Fevereiro deste ano, seguramente por motivos completamente distintos. Agora encontramo-nos, de novo, separados com - quem diria - Soares de permeio. Medeiros Ferreira "justifica" Soares "com o estado de desorientação das elites de imitação sobre o futuro de Portugal" e com a "firme convicção que ele trará força, determinação e ideias de futuro para Portugal e para a esquerda em geral." Termina, por causa da imagem da "batalha naval" utilizada por Marcelo, "desafiando" este a avançar "contra o velho porta-aviões". Esta visão jubilatória do regresso belenense de Mário Soares merece-me uns breves comentários. Em primeiro lugar, a sua emergência/urgência decorre precisamente da "desorientação" das "elites" do Partido Socialista em matéria presidencial e do fracasso das gerações políticas de Guterres e de Sócrates em produzirem "matéria comestível" aos olhos da opinião pública. O simétrico passa-se com a "direita", depois do clamoroso falhanço dos últimos três anos. Vitorino conta pouco, já que é politicamente cobarde. Alegre conta humanamente mais por ser frontal e corajoso, embora politicamente irrelevante. Não foi, pois, por estar a pensar no "futuro de Portugal" que Soares se chegou "à frente". Foi como militante e "dono" do património jacobino do PS, em "risco de vida" com este governo e com este secretário-geral, que Soares se impôs. A seguir, Soares traria "ideias de futuro" à "esquerda em geral", pelo que a sua aparição reveste-se de um inegável teor profiláctico para a dita. De facto, por ocasião dos trinta anos da Alameda, já com a candidatura no bolso esquerdo do casaco, Soares advertiu que agora o "perigo" vinha em "sentido contrário" ao de 1975. Curiosa lembrança. Soares, em 1986, "passou" à "segunda volta" graças ao "centro" político que o amparou para derrotar Freitas do Amaral. Se dependesse de Medeiros Ferreira - nessa altura já preocupado com a "esquerda em geral", ao lado do PC e de Zenha -, isso jamais teria acontecido. Finalmente chama-se Marcelo ao debate, uma "lebre-patrulha" que Medeiros Ferreira gostaria de ver avançar "contra o velho porta-aviões", provavelmente mais útil nesta altura do que o antigo primeiro-ministro. Como diria o nosso comum e saudoso amigo Cunha Rego, as coisas são o que são. Soares, ao contrário de 1986 e 1991, está apenas metido numa meritória "missão partidária" de redenção que não acrescenta nada ao "futuro" do país. Cavaco Silva deixou-se disso há muito tempo e a nação reconhecê-lo-á na devida altura.

O "MANIFESTO"

Voltaram os "manifestos". É um péssimo sinal. Nos dias "de chumbo" do "barrosismo/lopismo", "choviam" prosas deste estilo, assinadas praticamente pelos mesmos. Não estou a dizer que a coisa em si seja má. Não é, sobretudo este, que "alerta" para a circunstância de o investimento público não fazer milagres. E muito menos o que brota da temível e baça imaginação da dupla Pinho/Lino. Os "manifestos" espelham apenas a desacreditação crescente da actividade política sufragada eleitoralmente, bem como a eterna contradição entre a "política" e alguns dos seus executores momentâneos. Muitos dos que os costumam assinar foram responsáveis políticos governativos e em pastas apropriadas. Falam "de cátedra" como se não tivessem já "sujado" as mãos sem evidentes proveitos. Porém, a questão de fundo ali levantada permanece como uma ameaça que paira sobre a nossa cabeça. Num país de mitómanos desvairados e irresponsáveis como o nosso, querer "mostrar obra" significa invariavelmente "risco de vida" pública. No caso do aeroporto, o avisado e insuspeito Fernando Pinto da TAP já explicou o que se pode fazer. Quanto aos comboios, para quê pensar em ligações "vitessse", quando hoje, para chegar ao Algarve ou para ir ao Porto, os carris do dr. Salazar ainda não "dão" com os comboios "intercidades" ou "pendulares" do eng. º Cravinho? E não falemos do "metro" de Santa Apolónia, um dos maiores fracassos do betão e da nobre engenharia pátria, exposto em "carne viva" aos olhos de toda a gente que passa na zona ribeirinha de Lisboa. Os Linos e os Pinhos deste mundo passam. Estes abortos ficam para várias gerações pagarem. É o "pacote democrático" no seu esplendor. Não há manifesto que lhe valha.

O "MANIFESTO"

Voltaram os "manifestos". É um péssimo sinal. Nos dias "de chumbo" do "barrosismo/lopismo", "choviam" prosas deste estilo, assinadas praticamente pelos mesmos. Não estou a dizer que a coisa em si seja má. Não é, sobretudo este, que "alerta" para a circunstância de o investimento público não fazer milagres. E muito menos o que brota da temível e baça imaginação da dupla Pinho/Lino. Os "manifestos" espelham apenas a desacreditação crescente da actividade política sufragada eleitoralmente, bem como a eterna contradição entre a "política" e alguns dos seus executores momentâneos. Muitos dos que os costumam assinar foram responsáveis políticos governativos e em pastas apropriadas. Falam "de cátedra" como se não tivessem já "sujado" as mãos sem evidentes proveitos. Porém, a questão de fundo ali levantada permanece como uma ameaça que paira sobre a nossa cabeça. Num país de mitómanos desvairados e irresponsáveis como o nosso, querer "mostrar obra" significa invariavelmente "risco de vida" pública. No caso do aeroporto, o avisado e insuspeito Fernando Pinto da TAP já explicou o que se pode fazer. Quanto aos comboios, para quê pensar em ligações "vitessse", quando hoje, para chegar ao Algarve ou para ir ao Porto, os carris do dr. Salazar ainda não "dão" com os comboios "intercidades" ou "pendulares" do eng. º Cravinho? E não falemos do "metro" de Santa Apolónia, um dos maiores fracassos do betão e da nobre engenharia pátria, exposto em "carne viva" aos olhos de toda a gente que passa na zona ribeirinha de Lisboa. Os Linos e os Pinhos deste mundo passam. Estes abortos ficam para várias gerações pagarem. É o "pacote democrático" no seu esplendor. Não há manifesto que lhe valha.

SOBRE...

... a já "popular" questão da "Idade", Francisco José Viegas reflecte bem:

Se há argumento pernicioso é o da idade: Soares poderia candidatar-se aos noventa anos. Seria um bom sinal; a vida política não tem de ser entregue à rapaziada com bom aspecto. O problema da candidatura de Soares é que vai aproveitar a sua própria idade para pretender tornar indiscutíveis as suas ideias. É um poderoso instrumento de marketing.

SOBRE...

... a já "popular" questão da "Idade", Francisco José Viegas reflecte bem:

Se há argumento pernicioso é o da idade: Soares poderia candidatar-se aos noventa anos. Seria um bom sinal; a vida política não tem de ser entregue à rapaziada com bom aspecto. O problema da candidatura de Soares é que vai aproveitar a sua própria idade para pretender tornar indiscutíveis as suas ideias. É um poderoso instrumento de marketing.

26.7.05

CONCORDO...

...com estes "Argumentos Errados" apontados por Vital Moreira.

CONCORDO...

...com estes "Argumentos Errados" apontados por Vital Moreira.

A "HONRA NACIONAL"

Há pouco mais de um ano - lembram-se? - era a "honra nacional". Desde Sampaio ao mais prosélito articulista, não houve cão nem gato que não balbuciasse, emocionado, o nome de Durão Barroso, mais tarde conhecido por José Barroso, um dos "campeões" na "luta" pela defunta Constituição Europeia. Passou um ano sobre a sua chegada à Comissão Europeia. Vale, pois, a pena ler este artigo do "Financial Times" dedicado ao balanço desse ano de desempenho da então promissora "honra" pátria. Como Sampaio sabe mais inglês do que português, pode ser que agora entenda.

José Manuel Barroso, European Commission president, heads for the beaches of Portugal this week with warnings ringing in his ears to start showing some leadership. A year after he was confirmed in the job, Mr Barroso's stock has fallen sharply. The knives are out in some of Europe's main capitals, and his own team is becoming restless. The former prime minister of Portugal knows that after a year of crises he needs to return from the seaside ready to help lead Europe out of its profound malaise. Mr Barroso is not short of advice. At the end of June, in a private meeting in a spa hotel in Aachen, Gerhard Schröder, the German chancellor, told him to take charge. “It was a barrage of bullying,” said one observer, who claimed Mr Schröder told Mr Barroso he must stand up to Tony Blair, UK prime minister, who holds the six-month rotating EU presidency. “Schröder told him to show leadership, and not to work with Blair, whom he claimed was out to wreck Europe. To his credit, Barroso stood his ground and said he would work with Blair.” Criticism of his leadership also rings loud in the European parliament and among his own team of 24 commissioners, who claim he is a remote figure and has failed to get a grip on the Brussels machine. Peter Mandelson, the British trade commissioner and a liberal ally of Mr Barroso, expressed the frustration in a carefully worded speech in Brussels last week. “This coming autumn the Commission has got to be bold, it has got to get out on the front foot,” he said. “What we need is focus and impact.” Mr Barroso's problems are often ascribed to the series of political storms he has endured some self-inflicted over the past 12 months. But they also reflect the decline of the Commission once seen as a federal European government-in-waiting in the face of resurgent national self-interest in the 25-member club. Mr Barroso's last 12 months have been a political horror show. At the start, his choice of the highly conservative Rocco Buttiglione as justice commissioner was rejected by the European parliament. He oversaw a shambolic retreat over the Commission's plan to open the EU's market in services, a measure strongly opposed by protectionist forces in France and Germany. Even his summer holiday last year, on the yacht of the Greek shipping tycoon Spiros Latsis, turned into a public relations embarrassment: Mr Barroso was responsible for handling an EU inquiry into shipping cartels.
Portrayed as an “ultra-liberal” by Jacques Chirac, the French president, Mr Barroso was told to keep quiet during the doomed campaign for a Yes vote in the French referendum on the EU constitution. After Dutch and French voters rejected the constitution, sending Europe's flagship project up in flames, Mr Barroso worked behind the scenes as EU leaders grappled with the next European budget. But his public backing for a big increase in EU spending infuriated Mr Schröder, the union's biggest budget contributor. While these political setbacks have weakened him personally, the post of European Commission president has become more difficult. National leaders increasingly put domestic concerns ahead of the European interest. Many see the Commission as little more than a secretariat. As Mr Mandelson observed last week, most recent EU initiatives have been driven by member states, including the Lisbon economic reform agenda, co-operation in justice and security, and foreign and defence policy. Mr Barroso also faces an unprecedented additional problem: he is the first person to have secured his job without the full support of France and Germany. Instead his appointment crystallised Europe's ideological divide: Mr Chirac and Mr Schröder favoured Guy Verhofstadt, their Belgian ally, who shared their scepticism towards the US and “Anglo-Saxon” capitalism. But they were over-ruled by an Atlanticist coalition headed by Mr Blair and Silvio Berlusconi, the Italian prime minister, broadly in favour of liberal economic reforms and a wider EU. The Commission president at least realises the limitations of his position and that he has no choice but to work with member states a political reality never fully grasped by Romano Prodi, his Italian predecessor. Mr Barroso also recognises the need to slow down an EU legislative machine Mr Prodi allowed to spin rapidly; he believes Europeans want fewer EU laws, not more. “He sees his role differently to the paternalistic vision of the Commission in the past,” says one Barroso aide. “He is an honest broker, a facilitator. If he can work with our British friends, so much the better.” Aides believe Mr Barroso's “jobs and growth” agenda will win increasing support across Europe. Angela Merkel, the German conservative leader expected to win power in September, is an ally. An autumn relaunch is likely to revolve around the priorities of the British presidency, including a deregulation initiative under which Mr Barroso will axe a number of proposed laws. He will also try to resurrect the EU services directive and broker a deal on the union's budget. Whether he succeeds depends partly on whether he can win some support from France and Germany. He will also have to galvanise his own commissioners, some of whom complain they never see him and that there is a lack of collegiate spirit. Peter Sutherland, the BP and Goldman Sachs International chairman who coveted the post, called it “one of the most difficult jobs in the world”. Watching Mr Barroso's travails, he may now be glad that he was not tapped.

A "HONRA NACIONAL"

Há pouco mais de um ano - lembram-se? - era a "honra nacional". Desde Sampaio ao mais prosélito articulista, não houve cão nem gato que não balbuciasse, emocionado, o nome de Durão Barroso, mais tarde conhecido por José Barroso, um dos "campeões" na "luta" pela defunta Constituição Europeia. Passou um ano sobre a sua chegada à Comissão Europeia. Vale, pois, a pena ler este artigo do "Financial Times" dedicado ao balanço desse ano de desempenho da então promissora "honra" pátria. Como Sampaio sabe mais inglês do que português, pode ser que agora entenda.

José Manuel Barroso, European Commission president, heads for the beaches of Portugal this week with warnings ringing in his ears to start showing some leadership. A year after he was confirmed in the job, Mr Barroso's stock has fallen sharply. The knives are out in some of Europe's main capitals, and his own team is becoming restless. The former prime minister of Portugal knows that after a year of crises he needs to return from the seaside ready to help lead Europe out of its profound malaise. Mr Barroso is not short of advice. At the end of June, in a private meeting in a spa hotel in Aachen, Gerhard Schröder, the German chancellor, told him to take charge. “It was a barrage of bullying,” said one observer, who claimed Mr Schröder told Mr Barroso he must stand up to Tony Blair, UK prime minister, who holds the six-month rotating EU presidency. “Schröder told him to show leadership, and not to work with Blair, whom he claimed was out to wreck Europe. To his credit, Barroso stood his ground and said he would work with Blair.” Criticism of his leadership also rings loud in the European parliament and among his own team of 24 commissioners, who claim he is a remote figure and has failed to get a grip on the Brussels machine. Peter Mandelson, the British trade commissioner and a liberal ally of Mr Barroso, expressed the frustration in a carefully worded speech in Brussels last week. “This coming autumn the Commission has got to be bold, it has got to get out on the front foot,” he said. “What we need is focus and impact.” Mr Barroso's problems are often ascribed to the series of political storms he has endured some self-inflicted over the past 12 months. But they also reflect the decline of the Commission once seen as a federal European government-in-waiting in the face of resurgent national self-interest in the 25-member club. Mr Barroso's last 12 months have been a political horror show. At the start, his choice of the highly conservative Rocco Buttiglione as justice commissioner was rejected by the European parliament. He oversaw a shambolic retreat over the Commission's plan to open the EU's market in services, a measure strongly opposed by protectionist forces in France and Germany. Even his summer holiday last year, on the yacht of the Greek shipping tycoon Spiros Latsis, turned into a public relations embarrassment: Mr Barroso was responsible for handling an EU inquiry into shipping cartels.
Portrayed as an “ultra-liberal” by Jacques Chirac, the French president, Mr Barroso was told to keep quiet during the doomed campaign for a Yes vote in the French referendum on the EU constitution. After Dutch and French voters rejected the constitution, sending Europe's flagship project up in flames, Mr Barroso worked behind the scenes as EU leaders grappled with the next European budget. But his public backing for a big increase in EU spending infuriated Mr Schröder, the union's biggest budget contributor. While these political setbacks have weakened him personally, the post of European Commission president has become more difficult. National leaders increasingly put domestic concerns ahead of the European interest. Many see the Commission as little more than a secretariat. As Mr Mandelson observed last week, most recent EU initiatives have been driven by member states, including the Lisbon economic reform agenda, co-operation in justice and security, and foreign and defence policy. Mr Barroso also faces an unprecedented additional problem: he is the first person to have secured his job without the full support of France and Germany. Instead his appointment crystallised Europe's ideological divide: Mr Chirac and Mr Schröder favoured Guy Verhofstadt, their Belgian ally, who shared their scepticism towards the US and “Anglo-Saxon” capitalism. But they were over-ruled by an Atlanticist coalition headed by Mr Blair and Silvio Berlusconi, the Italian prime minister, broadly in favour of liberal economic reforms and a wider EU. The Commission president at least realises the limitations of his position and that he has no choice but to work with member states a political reality never fully grasped by Romano Prodi, his Italian predecessor. Mr Barroso also recognises the need to slow down an EU legislative machine Mr Prodi allowed to spin rapidly; he believes Europeans want fewer EU laws, not more. “He sees his role differently to the paternalistic vision of the Commission in the past,” says one Barroso aide. “He is an honest broker, a facilitator. If he can work with our British friends, so much the better.” Aides believe Mr Barroso's “jobs and growth” agenda will win increasing support across Europe. Angela Merkel, the German conservative leader expected to win power in September, is an ally. An autumn relaunch is likely to revolve around the priorities of the British presidency, including a deregulation initiative under which Mr Barroso will axe a number of proposed laws. He will also try to resurrect the EU services directive and broker a deal on the union's budget. Whether he succeeds depends partly on whether he can win some support from France and Germany. He will also have to galvanise his own commissioners, some of whom complain they never see him and that there is a lack of collegiate spirit. Peter Sutherland, the BP and Goldman Sachs International chairman who coveted the post, called it “one of the most difficult jobs in the world”. Watching Mr Barroso's travails, he may now be glad that he was not tapped.

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... na Grande Loja, Equívocos & Presidenciais.

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NÃO É...

... a estação que é "silly". É mesmo o país. Leia-se esta grotesca trapalhada na Grande Loja.

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EXISTÊNCIAS -2

Já se sabia que António Costa não morria de amores por Rodrigues Maximiano. No entanto, quando ele chegou, o magistrado já se tinha ido embora da Inspecção Geral da Administração Interna, um dos melhores e mais dinâmicos projectos da administração pública portuguesa dos últimos anos. Ao que parece, Costa não tem ligado pevas ao trabalho da IGAI e ainda não substituiu o anterior inspector-geral, mantendo-se a situação encontrada de "substituição". Até pelas contradições que reinam presentemente no sector policial, a IGAI precisaria de um apoio político forte o qual, aliás, nunca lhe faltou no tempo de Guterres ou de Barroso. E o ministro ganharia com a intervenção da Inspecção. Do que é que Costa está à espera?

EXISTÊNCIAS -2

Já se sabia que António Costa não morria de amores por Rodrigues Maximiano. No entanto, quando ele chegou, o magistrado já se tinha ido embora da Inspecção Geral da Administração Interna, um dos melhores e mais dinâmicos projectos da administração pública portuguesa dos últimos anos. Ao que parece, Costa não tem ligado pevas ao trabalho da IGAI e ainda não substituiu o anterior inspector-geral, mantendo-se a situação encontrada de "substituição". Até pelas contradições que reinam presentemente no sector policial, a IGAI precisaria de um apoio político forte o qual, aliás, nunca lhe faltou no tempo de Guterres ou de Barroso. E o ministro ganharia com a intervenção da Inspecção. Do que é que Costa está à espera?

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... este magnífico post de Filipe Nunes Vicente:

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AS ARMAS AO CANTO

O PS anda a "treinar" Manuel Alegre para "engolir" o "pai fundador" e para a "declaração" de apoio. Será que Alegre vê isto mais como um "acto poético" ou mais como uma "disponibilidade"?

AS ARMAS AO CANTO

O PS anda a "treinar" Manuel Alegre para "engolir" o "pai fundador" e para a "declaração" de apoio. Será que Alegre vê isto mais como um "acto poético" ou mais como uma "disponibilidade"?

EXISTÊNCIAS

Aqui está um "bom" exemplo do que é voltar ao essencial, ou seja, ao momento em que Campos e Cunha deixou o governo. Manuel Pinho veio fazer o favor de nos lembrar que existe politicamente e que, com ele, existem a OTA e o TGV. Ou será que a OTA e o TGV existem para que Pinho possa existir?

EXISTÊNCIAS

Aqui está um "bom" exemplo do que é voltar ao essencial, ou seja, ao momento em que Campos e Cunha deixou o governo. Manuel Pinho veio fazer o favor de nos lembrar que existe politicamente e que, com ele, existem a OTA e o TGV. Ou será que a OTA e o TGV existem para que Pinho possa existir?

VOLTAR AO ESSENCIAL

Ainda nada de verdadeiramente palpável se passou, e já José Sócrates está refém do seu mais remoto antecessor no cargo de secretário-geral do PS. Eu explico. O primeiro-ministro, depois da maçada com Campos e Cunha e do episódio Freitas do Amaral, "apareceu" com uma imagem diferente daquela com que ganhou o partido, primeiro, e, depois, o país. Pressentiu-se ali - algo que, aliás, vinha de trás e era indiciado por sinais inconsistentes da governação - algum amadorismo, disfarçado pelo estatuto arrogante da "esquerda moderna", qualquer coisa de improvável e de imaterial que nem o seu autor consegue definir muito bem. Não convinha consequentemente deixar alastrar por muito mais tempo esta "impressão" negativa. Sem intervir directamente, Soares interveio realmente. O nevoeiro "presidencial" que caiu subitamente sobre a accão governativa - como se a famosa "agenda" socrática de há apenas uns dias tivesse desaparecido de cima da mesa por magia -, veio mesmo a calhar. Só que o nevoeiro esconde o mais hábil coveiro da "esquerda moderna", o "vingador" das humilhações a que estiveram sujeitos o jacobinismo partidário e a "esquerda" - a que não é "moderna"- nos últimos tempos. Quando Sócrates deu por isso, já Soares estava confortavelmente sentado sobre a sua "modernidade" puramente retórica. Daqui para a frente sabe-se quem manda. Sucede que as condições alarmantes do funcionamento geral da pátria, "aligeiradas" nestes últimos dias à conta do "folclore" presidencial, não mudaram. Suspeito mesmo que se agravaram. A emergência de Soares não resolve nenhum problema ao governo e, por tabela, ao país. Pelo contrário, "alivia" politicamente o governo na resolução dos problemas imediatos. Basta-lhe fingir que está a "resolver". Convém, por isso, regressarmos ao ponto exacto em que o anterior ministro das Finanças abandonou o governo e estarmos atentos ao essencial. E o essencial não é o nevoeiro nem quem, por vaidade ou tentação, vem lá dentro.

VOLTAR AO ESSENCIAL

Ainda nada de verdadeiramente palpável se passou, e já José Sócrates está refém do seu mais remoto antecessor no cargo de secretário-geral do PS. Eu explico. O primeiro-ministro, depois da maçada com Campos e Cunha e do episódio Freitas do Amaral, "apareceu" com uma imagem diferente daquela com que ganhou o partido, primeiro, e, depois, o país. Pressentiu-se ali - algo que, aliás, vinha de trás e era indiciado por sinais inconsistentes da governação - algum amadorismo, disfarçado pelo estatuto arrogante da "esquerda moderna", qualquer coisa de improvável e de imaterial que nem o seu autor consegue definir muito bem. Não convinha consequentemente deixar alastrar por muito mais tempo esta "impressão" negativa. Sem intervir directamente, Soares interveio realmente. O nevoeiro "presidencial" que caiu subitamente sobre a accão governativa - como se a famosa "agenda" socrática de há apenas uns dias tivesse desaparecido de cima da mesa por magia -, veio mesmo a calhar. Só que o nevoeiro esconde o mais hábil coveiro da "esquerda moderna", o "vingador" das humilhações a que estiveram sujeitos o jacobinismo partidário e a "esquerda" - a que não é "moderna"- nos últimos tempos. Quando Sócrates deu por isso, já Soares estava confortavelmente sentado sobre a sua "modernidade" puramente retórica. Daqui para a frente sabe-se quem manda. Sucede que as condições alarmantes do funcionamento geral da pátria, "aligeiradas" nestes últimos dias à conta do "folclore" presidencial, não mudaram. Suspeito mesmo que se agravaram. A emergência de Soares não resolve nenhum problema ao governo e, por tabela, ao país. Pelo contrário, "alivia" politicamente o governo na resolução dos problemas imediatos. Basta-lhe fingir que está a "resolver". Convém, por isso, regressarmos ao ponto exacto em que o anterior ministro das Finanças abandonou o governo e estarmos atentos ao essencial. E o essencial não é o nevoeiro nem quem, por vaidade ou tentação, vem lá dentro.

25.7.05

LER OS OUTROS

Ele é tão suspeito como eu porque esteve nos dois MASP's e apoia Cavaco. Ele sabe mais do que eu, porque defrontou Soares enquanto "cabeça-de-lista" nas "europeias" de 1999. Ler, no Abrupto, a sequência (anunciada) de posts denominados "Candidaturas Presidenciais".

LER OS OUTROS

Ele é tão suspeito como eu porque esteve nos dois MASP's e apoia Cavaco. Ele sabe mais do que eu, porque defrontou Soares enquanto "cabeça-de-lista" nas "europeias" de 1999. Ler, no Abrupto, a sequência (anunciada) de posts denominados "Candidaturas Presidenciais".

A BABOSEIRA DO DIA

De acordo com o previsto, as baboseiras por causa de Soares já começaram. Não falo só do mau-gosto dos que criticam a idade, sem perceberem que não é por aí. Nem tão-pouco dos que referem o "déjà vu" e a "incoerência", lembrando o solene "basta!" à actividade política, proferido na FIL em Dezembro último. Nunca existem renúncias definitivas e a verdadeira "política" precisa de alguma pantominice para sobreviver. Para além disso, os "teóricos" da candidatura do "velho leão", alguns deles meus amigos, têm o resto do Verão todo para preparar a explicação adequada, a ser dada no momento certo. Soares não vai partir para a sua derradeira aventura sem encerrar este incómodo capítulo do "basta". Mas, dizia, eu, as baboseiras estão na rua. António Mega Ferreira, o soba da Expo98 e actual mandatário (não se pode ter tudo) da dupla Soares-filho/Coelho para Sintra - se eu lá residisse, votava neles, e jamais num Seara relaxado -, falou em "golpe de estado constitucional" a propósito de existir uma séria possibilidade de um economista poder ocupar o Palácio de Belém. O seu lado "escritor" deve ter inspirado esta deliciosa boutade. Ninguém "governa" ou "orçamenta" a partir de Belém. Para esse peditório, uns dias melhor, outros dias pior, já demos em Fevereiro. Soares, como escrevi por causa do célebre aniversário, resolveu-nos o problema da liberdade. Cavaco, em Belém, pode ajudar-nos a tratar do problema da credibilidade. Sem "golpes" ou delírios "salvadores". É que, em matéria de "salvadores da pátria", depois de domingo, estamos conversados.

A BABOSEIRA DO DIA

De acordo com o previsto, as baboseiras por causa de Soares já começaram. Não falo só do mau-gosto dos que criticam a idade, sem perceberem que não é por aí. Nem tão-pouco dos que referem o "déjà vu" e a "incoerência", lembrando o solene "basta!" à actividade política, proferido na FIL em Dezembro último. Nunca existem renúncias definitivas e a verdadeira "política" precisa de alguma pantominice para sobreviver. Para além disso, os "teóricos" da candidatura do "velho leão", alguns deles meus amigos, têm o resto do Verão todo para preparar a explicação adequada, a ser dada no momento certo. Soares não vai partir para a sua derradeira aventura sem encerrar este incómodo capítulo do "basta". Mas, dizia, eu, as baboseiras estão na rua. António Mega Ferreira, o soba da Expo98 e actual mandatário (não se pode ter tudo) da dupla Soares-filho/Coelho para Sintra - se eu lá residisse, votava neles, e jamais num Seara relaxado -, falou em "golpe de estado constitucional" a propósito de existir uma séria possibilidade de um economista poder ocupar o Palácio de Belém. O seu lado "escritor" deve ter inspirado esta deliciosa boutade. Ninguém "governa" ou "orçamenta" a partir de Belém. Para esse peditório, uns dias melhor, outros dias pior, já demos em Fevereiro. Soares, como escrevi por causa do célebre aniversário, resolveu-nos o problema da liberdade. Cavaco, em Belém, pode ajudar-nos a tratar do problema da credibilidade. Sem "golpes" ou delírios "salvadores". É que, em matéria de "salvadores da pátria", depois de domingo, estamos conversados.

MADE IN PORTUGAL

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LIVROS

Felizmente há mais vida para além de Soares e Cavaco. Respira-se sempre melhor lendo. Ou relendo. Três sugestões:


De Miguel Sousa Tavares, Não te deixarei morrer, David Crockett, livro de crónicas e de "short-stories", reeditado pela Oficina do Livro, com outra "capa";

De Luiz Pacheco, o "clássico" Comunidade, da Contraponto;

De Donna Tartt, A História Secreta, de 1992, em boa hora "recuperado" pela Dom Quixote e pelo Círculo de Leitores.

LIVROS

Felizmente há mais vida para além de Soares e Cavaco. Respira-se sempre melhor lendo. Ou relendo. Três sugestões:


De Miguel Sousa Tavares, Não te deixarei morrer, David Crockett, livro de crónicas e de "short-stories", reeditado pela Oficina do Livro, com outra "capa";

De Luiz Pacheco, o "clássico" Comunidade, da Contraponto;

De Donna Tartt, A História Secreta, de 1992, em boa hora "recuperado" pela Dom Quixote e pelo Círculo de Leitores.

ESTIMULANTE

Andam para aí umas almas penadas a afiançar que Cavaco está "inibido" e que não vai avançar com Soares na "corrida". Os "transversais" que costumam navegar entre o PSD e o PS e que apascentam algum "soarismo" - o meu "soarismo" não inclui qualquer tipo de temor reverencial por ninguém, mas apenas o respeito pela memória e pela história -, fazem parte desta "brigada" lúdica que não vai deixar de se manifestar (vão ver!) por Soares. Acontece que, desta vez, Soares não é o candidato do "centro". Vai tentá-lo, mas, salvo o devido respeito, o lugar já está ocupado. Podem, pois, ficar descansados que Cavaco Silva será oportunamente candidato, jamais em concordância com os "horários" dos outros. É ele quem está melhor "sintonizado" com os "tempos" do país, o "moderador e árbitro" a que aludia o ex-presidente da República. O dr. Soares, infelizmente, é um mero compagnon de route dos drs. Louçã, Drago, Rosas e Freitas do Amaral, apenas mais estimulante que qualquer um deles. É pouco e o pouco que é, não deixa de ser perturbador.

ESTIMULANTE

Andam para aí umas almas penadas a afiançar que Cavaco está "inibido" e que não vai avançar com Soares na "corrida". Os "transversais" que costumam navegar entre o PSD e o PS e que apascentam algum "soarismo" - o meu "soarismo" não inclui qualquer tipo de temor reverencial por ninguém, mas apenas o respeito pela memória e pela história -, fazem parte desta "brigada" lúdica que não vai deixar de se manifestar (vão ver!) por Soares. Acontece que, desta vez, Soares não é o candidato do "centro". Vai tentá-lo, mas, salvo o devido respeito, o lugar já está ocupado. Podem, pois, ficar descansados que Cavaco Silva será oportunamente candidato, jamais em concordância com os "horários" dos outros. É ele quem está melhor "sintonizado" com os "tempos" do país, o "moderador e árbitro" a que aludia o ex-presidente da República. O dr. Soares, infelizmente, é um mero compagnon de route dos drs. Louçã, Drago, Rosas e Freitas do Amaral, apenas mais estimulante que qualquer um deles. É pouco e o pouco que é, não deixa de ser perturbador.

DA DUPLICIDADE

Ler no Bloguítica este post. Parece que, afinal, o eng. º Sócrates já andava para aí há um mês em "conversações" com Mário Soares, que incluíram um "jantar" com o dr. Coelho (quem não janta com o dr. Coelho, "leva"). No entanto, ia deixando "cair" que tinha uma conversa marcada com Alegre para o fim do mês e dava conta aos "próximos" que o poeta era viável como candidato. Vistas as coisas pelo lado "deles", portaram-se muito bem uns com os outros, dando-se a circunstância de serem amplamente "amigos". Talvez Manuel Alegre perceba finalmente o não-sentido do seu falhado "acto poético". Se há coisa que Soares e Sócrates não são decididamente em política, é poetas. E têm razão. Tal como a têm ao reafirmarem o velho princípio de que, em política, não existe lugar para a amizade ou para a gratidão. Alguém outro dia, a propósito de Carrilho, falou em "deficiências de carácter". Eu gosto mais de "duplicidade". Por que é que Manuel Alegre não nos faz o favor de explicar - poetica ou politicamente - o conceito, pelos vistos tão em voga no PS e no governo?

DA DUPLICIDADE

Ler no Bloguítica este post. Parece que, afinal, o eng. º Sócrates já andava para aí há um mês em "conversações" com Mário Soares, que incluíram um "jantar" com o dr. Coelho (quem não janta com o dr. Coelho, "leva"). No entanto, ia deixando "cair" que tinha uma conversa marcada com Alegre para o fim do mês e dava conta aos "próximos" que o poeta era viável como candidato. Vistas as coisas pelo lado "deles", portaram-se muito bem uns com os outros, dando-se a circunstância de serem amplamente "amigos". Talvez Manuel Alegre perceba finalmente o não-sentido do seu falhado "acto poético". Se há coisa que Soares e Sócrates não são decididamente em política, é poetas. E têm razão. Tal como a têm ao reafirmarem o velho princípio de que, em política, não existe lugar para a amizade ou para a gratidão. Alguém outro dia, a propósito de Carrilho, falou em "deficiências de carácter". Eu gosto mais de "duplicidade". Por que é que Manuel Alegre não nos faz o favor de explicar - poetica ou politicamente - o conceito, pelos vistos tão em voga no PS e no governo?

24.7.05

O AVANÇO

Convém estarmos preparados para ouvir nos próximos dias os mais extraordinários derrames, delíquios e aquiescências acerca da candidatura de M. Soares. Aliás, o próprio já anunciou que vai "reflectir e contactar sectores muito alargados da sociedade portuguesa", bem como "escutar o sentimento e o pensar profundo dos portugueses, nos seus anseios, angústias e esperanças". Isto, traduzido do "soarês", quer dizer que Soares vai querer ouvir apenas o que já sabe e vindo de quem ele sabe que vai dizer o que ele quer ouvir. Nada mais. Devemos, pois, aguardar a emissão das mais solenes baboseiras sobre o assunto. A diferença em relação a outras "eras" está na circunstância de o "frentismo" poder começar já a ser exercido, sem angústias existenciais, face à "profundidade" do "programa": deter Cavaco a tempo.Não foi o PC o primeiro a ir ao Campo Grande, ainda reinavam Barroso e Lopes, pedir ao agora candidato que "avançasse"? Para quê um ou dois "homens-de-palha" de novo?