
Acentos, de Fernando Gil (Imprensa Nacional- Casa da Moeda, 2005). Reúne textos de diversas proveniências e entrevistas, permitindo obter uma visão lata do pensamento de um dos nossos melhores filósofos contemporâneos, recentemente desaparecido.
«Um trem de ferro é uma coisa mecânica, mas atravessa a noite, a madrugada, o dia, atravessou minha vida.» Adélia Prado
A acreditar nos textos de alguns jornais, parece que existe uma luta em surdina entre os dois Costas do governo por causa da Judiciária. Acontece que Costa, António, é tão somente o "número dois" do executivo e uma espécie de predador ministerial. Dá ideia, aliás, que o epíteto de ministro de Estado significa poder mandar livremente, e por delegação directa de Sócrates, nos seus colegas. Isso tem como consequência óbvia mais poder político e mais visibilidade, quase um supra-Sócrates. O que é certo é que Costa, António, manda e que Costa, Alberto, não manda nada. Se mandasse, a direcção da PJ, independentemente da bondade das suas razões e das suas "ameaças", já teria sido sumariamente despedida. Nada pior para uma instituição com as prerrogativas da PJ do que manter por muito mais tempo esta instabilidade larvar propiciada pelos constrangimentos financeiros e pelas estratégias "políticas" de cada um dos "intervenientes". Esta disputa doméstica, entre a Justiça e a Administração Interna, não é politicamente saudável. Entre os dois Costas, é bom que Sócrates se decida rapidamente. É que há mais vida para além deles.
A acreditar nos textos de alguns jornais, parece que existe uma luta em surdina entre os dois Costas do governo por causa da Judiciária. Acontece que Costa, António, é tão somente o "número dois" do executivo e uma espécie de predador ministerial. Dá ideia, aliás, que o epíteto de ministro de Estado significa poder mandar livremente, e por delegação directa de Sócrates, nos seus colegas. Isso tem como consequência óbvia mais poder político e mais visibilidade, quase um supra-Sócrates. O que é certo é que Costa, António, manda e que Costa, Alberto, não manda nada. Se mandasse, a direcção da PJ, independentemente da bondade das suas razões e das suas "ameaças", já teria sido sumariamente despedida. Nada pior para uma instituição com as prerrogativas da PJ do que manter por muito mais tempo esta instabilidade larvar propiciada pelos constrangimentos financeiros e pelas estratégias "políticas" de cada um dos "intervenientes". Esta disputa doméstica, entre a Justiça e a Administração Interna, não é politicamente saudável. Entre os dois Costas, é bom que Sócrates se decida rapidamente. É que há mais vida para além deles.
Leio no Independente que Marco António Costa, cacique "laranja" do Porto, "desistiu" de se candidatar à liderança do PSD. Também Luís Filipe Menezes, uma eminência nortenha do partido, não está disponível para se travar de razões com o líder na escolha a efectuar nas "directas" de Maio. Quando pensamos num partido que já foi chefiado por pessoas como Francisco Sá Carneiro, Mota Pinto ou Cavaco Silva, custa a engolir, a não ser a título trágico-cómico, que a estas pequenas figuras de proa da nomenclatura mais básica possa ter ocorrido a ideia de ocuparem o cargo de presidente do maior partido da oposição. É um sinal terrível do que espera o PSD Nos próximos anos. A coisa está de tal maneira que, por mera caridade cristã, é forçoso concluir-se que Marques Mendes ainda é o menos mau, ou seja, o melhor do que não presta. Quem é que, dentro do PSD, tem coragem para dizer que o estilo torrencial de boas novas anunciadas constantemente pelo primeiro-ministro - como se não governasse num país de penúria e de sombras -, é duvidoso, mas de sucesso garantido? Eu sei que não é fácil competir com um Sócrates perfeitamente social-democrata e grande especialista em marketing político, e do bom. De vez em quando Marques Mendes tenta regurgitar umas "propostas temáticas" a quem ninguém, muito justamente, liga. Até quando irá Mendes suportar este calvário, até quando?
Leio no Independente que Marco António Costa, cacique "laranja" do Porto, "desistiu" de se candidatar à liderança do PSD. Também Luís Filipe Menezes, uma eminência nortenha do partido, não está disponível para se travar de razões com o líder na escolha a efectuar nas "directas" de Maio. Quando pensamos num partido que já foi chefiado por pessoas como Francisco Sá Carneiro, Mota Pinto ou Cavaco Silva, custa a engolir, a não ser a título trágico-cómico, que a estas pequenas figuras de proa da nomenclatura mais básica possa ter ocorrido a ideia de ocuparem o cargo de presidente do maior partido da oposição. É um sinal terrível do que espera o PSD Nos próximos anos. A coisa está de tal maneira que, por mera caridade cristã, é forçoso concluir-se que Marques Mendes ainda é o menos mau, ou seja, o melhor do que não presta. Quem é que, dentro do PSD, tem coragem para dizer que o estilo torrencial de boas novas anunciadas constantemente pelo primeiro-ministro - como se não governasse num país de penúria e de sombras -, é duvidoso, mas de sucesso garantido? Eu sei que não é fácil competir com um Sócrates perfeitamente social-democrata e grande especialista em marketing político, e do bom. De vez em quando Marques Mendes tenta regurgitar umas "propostas temáticas" a quem ninguém, muito justamente, liga. Até quando irá Mendes suportar este calvário, até quando?

Eu não tenho nada contra as "reformas". Aliás, iniciei-me nas coisas públicas ao lado do Manifesto Reformador numa altura em que muitos dos actuais arautos da "modernidade" estavam caladinhos. Digo isto porque vejo os "liberais" e os militantes anti-Estado rebolarem-se de gozo cada vez que se anuncia uma machadada no status quo, sem sequer perceberem o alcance da maior parte dos anúncios. As fusões e as alterações que estão a ser preparadas na orgânica governamental, primeiro, e dos serviços tutelados, depois, não pode ser um mero jogo da cabra-cega. A falada "falência técnica" e financeira da Polícia Judiciária, por um lado, e a "disputa" pela sua tutela, por outro, só têm uma conclusão plausível, o seu progressivo enfraquecimento. É inaceitável que, por causa das vaidades políticas e da crónica falta de dinheiro, se ande a brincar perigosamente aos polícias. Depois não se queixem.
Eu não tenho nada contra as "reformas". Aliás, iniciei-me nas coisas públicas ao lado do Manifesto Reformador numa altura em que muitos dos actuais arautos da "modernidade" estavam caladinhos. Digo isto porque vejo os "liberais" e os militantes anti-Estado rebolarem-se de gozo cada vez que se anuncia uma machadada no status quo, sem sequer perceberem o alcance da maior parte dos anúncios. As fusões e as alterações que estão a ser preparadas na orgânica governamental, primeiro, e dos serviços tutelados, depois, não pode ser um mero jogo da cabra-cega. A falada "falência técnica" e financeira da Polícia Judiciária, por um lado, e a "disputa" pela sua tutela, por outro, só têm uma conclusão plausível, o seu progressivo enfraquecimento. É inaceitável que, por causa das vaidades políticas e da crónica falta de dinheiro, se ande a brincar perigosamente aos polícias. Depois não se queixem.
Sobre a queda na venda e na leitura de jornais, José António Barreiros resume o essencial: "Acho que as pessoas não lêem só por uma razão: preferem ver na TV. Ali há uma vantagem, a notícia passa mais depressa e vai-se embora num instante. Além disso, pode-se ir lavando a loiça, gritar com os miúdos ou cortar as unhas dos pés."
Sobre a queda na venda e na leitura de jornais, José António Barreiros resume o essencial: "Acho que as pessoas não lêem só por uma razão: preferem ver na TV. Ali há uma vantagem, a notícia passa mais depressa e vai-se embora num instante. Além disso, pode-se ir lavando a loiça, gritar com os miúdos ou cortar as unhas dos pés."

Paris "arde". Aqui nunca "arde" nada. Somos uns songamongas. Fomos poupados a todas as guerras, a todo o sangue, a todo o suor. Até o 25/4 foi feito com... flores. Existimos pela graça da nossa etérea bovinidade. Não sabemos dizer "não" a nada, nem que seja só pelo prazer de o dizer. A "massa" só se dá a conhecer nos jogos da bola. Antes assim. Nada pior que matilhas tresmalhadas ou carneiros perdidos pela ruas. Um país de salazarentos, mais do que de Salazar propriamente dito, é uma herança civilizacional pesada na qual não se conhece a força do contraditório e do conflito. Somos apenas isto.
Paris "arde". Aqui nunca "arde" nada. Somos uns songamongas. Fomos poupados a todas as guerras, a todo o sangue, a todo o suor. Até o 25/4 foi feito com... flores. Existimos pela graça da nossa etérea bovinidade. Não sabemos dizer "não" a nada, nem que seja só pelo prazer de o dizer. A "massa" só se dá a conhecer nos jogos da bola. Antes assim. Nada pior que matilhas tresmalhadas ou carneiros perdidos pela ruas. Um país de salazarentos, mais do que de Salazar propriamente dito, é uma herança civilizacional pesada na qual não se conhece a força do contraditório e do conflito. Somos apenas isto.
A sra. D. Margarida Rebelo Pinto, que usa o epíteto de "escritora", interpôs uma providência cautelar "com a finalidade de impedir a distribuição e venda da obra Couves & Alforrecas: Os Segredos da Escrita de Margarida Rebelo Pinto", de João Pedro George. Este livro resulta de uma série de posts editados no Esplanar nos quais se analisava, detalhada e criticamente, a "prosa" da senhora recolhida da sua "obra completa". É claro que não falamos de literatura quando falamos de Margarida Rebelo Pinto, mas há muito boa gente equivocada no meio do lixo. A senhora e a sua editora alegam que, depois dos textos de João Pedro George, "as vendas sofreram uma forte quebra" o que constitui manifestamente uma enorme perda para a humanidade, como se calcula. O editor foi mais longe e falou em "ofensas" que não são "próprias de um estado de direito". Vai daí, achou por bem recorrer ao velho esquema da censura por interposta providência cautelar, destinada não só a apreender todos os livros eventualmente já cá fora, como, e sobretudo, a evitar que cheguem a sair. O respeitinho é muito bonito e, para não fugir ao esprit du temps, a sra. D. Margarida também parece estar preocupada com a licenciosidade e com a pouca vergonha. E diz ela que é escritora. Porra.
A sra. D. Margarida Rebelo Pinto, que usa o epíteto de "escritora", interpôs uma providência cautelar "com a finalidade de impedir a distribuição e venda da obra Couves & Alforrecas: Os Segredos da Escrita de Margarida Rebelo Pinto", de João Pedro George. Este livro resulta de uma série de posts editados no Esplanar nos quais se analisava, detalhada e criticamente, a "prosa" da senhora recolhida da sua "obra completa". É claro que não falamos de literatura quando falamos de Margarida Rebelo Pinto, mas há muito boa gente equivocada no meio do lixo. A senhora e a sua editora alegam que, depois dos textos de João Pedro George, "as vendas sofreram uma forte quebra" o que constitui manifestamente uma enorme perda para a humanidade, como se calcula. O editor foi mais longe e falou em "ofensas" que não são "próprias de um estado de direito". Vai daí, achou por bem recorrer ao velho esquema da censura por interposta providência cautelar, destinada não só a apreender todos os livros eventualmente já cá fora, como, e sobretudo, a evitar que cheguem a sair. O respeitinho é muito bonito e, para não fugir ao esprit du temps, a sra. D. Margarida também parece estar preocupada com a licenciosidade e com a pouca vergonha. E diz ela que é escritora. Porra.
Uma das almas penadas do "portismo", o dr. Pires de Lima, lembrou-se de dizer que o CDS tinha de ser um partido "sexy", supôe-se que em oposição à sexualidade "branca" imprimida pela linha oficial de Ribeiro e Castro. Acontece que ocorreu a Ribeiro e Castro dar-se a si próprio um arzinho "sexy" e "entalar" a banda resmungona do grupo parlamentar com um congresso extraordinário. E Paulo Portas, o cínico presente-ausente da SIC Notícias, também deu um contributo para a teoria "sexy" do CDS, exibindo não apenas uma retórica adequada ao habitual fatinho às riscas - devidamente secundada por uma subserviente Clara de Sousa -, como umas másculas patilhas à agricultor da CAP que muito devem ter impressionado os seus epígonos. A "direita" está de férias forçadas e isso permite-lhe asneirar à vontade. Cavaco e Sócrates, para já, agradecem.
Uma das almas penadas do "portismo", o dr. Pires de Lima, lembrou-se de dizer que o CDS tinha de ser um partido "sexy", supôe-se que em oposição à sexualidade "branca" imprimida pela linha oficial de Ribeiro e Castro. Acontece que ocorreu a Ribeiro e Castro dar-se a si próprio um arzinho "sexy" e "entalar" a banda resmungona do grupo parlamentar com um congresso extraordinário. E Paulo Portas, o cínico presente-ausente da SIC Notícias, também deu um contributo para a teoria "sexy" do CDS, exibindo não apenas uma retórica adequada ao habitual fatinho às riscas - devidamente secundada por uma subserviente Clara de Sousa -, como umas másculas patilhas à agricultor da CAP que muito devem ter impressionado os seus epígonos. A "direita" está de férias forçadas e isso permite-lhe asneirar à vontade. Cavaco e Sócrates, para já, agradecem.
Li algures que foi aberto um concurso para as universidades e os institutos equiparados fornecerem cursos específicos para os dirigentes da administração pública. De acordo com o governo, aos referidos dirigentes faltar-lhes-á esta "formação" suplementar para aí, sim, poderem exercer as respectivas funções com suposta competência. Desde tempos imemoriais - que precedem a ditadura e a democracia - que o Estado abriga invariavelmente "chefes" de diversa proveniência, com carreira, sem carreira, com mérito pessoal e profissional ou sem ele, distintos "amigos" ou ilustres desconhecidos. Não é à falta de possuírem um curso suplementar que essas almas exercem melhor ou pior os seus cargos. Existe um problema prévio de perfil, para recorrer ao lugar-comum. É tão simples quanto isto. E não adianta enfiar-lhes cursinhos pela cabeça adentro. Convém, aliás, assegurarem-se primeiro de que alguns deles efectivamente a têm.
Li algures que foi aberto um concurso para as universidades e os institutos equiparados fornecerem cursos específicos para os dirigentes da administração pública. De acordo com o governo, aos referidos dirigentes faltar-lhes-á esta "formação" suplementar para aí, sim, poderem exercer as respectivas funções com suposta competência. Desde tempos imemoriais - que precedem a ditadura e a democracia - que o Estado abriga invariavelmente "chefes" de diversa proveniência, com carreira, sem carreira, com mérito pessoal e profissional ou sem ele, distintos "amigos" ou ilustres desconhecidos. Não é à falta de possuírem um curso suplementar que essas almas exercem melhor ou pior os seus cargos. Existe um problema prévio de perfil, para recorrer ao lugar-comum. É tão simples quanto isto. E não adianta enfiar-lhes cursinhos pela cabeça adentro. Convém, aliás, assegurarem-se primeiro de que alguns deles efectivamente a têm.

O João Morgado Fernandes não me vai levar a mal por eu reproduzir aqui na íntegra este seu post. Finalmente alguém se pronuncia contra o desvario anti-francês que tomou conta de tanto "espírito" dito "liberal", neoconservador e modernaço que olha para o mundo com uns binóculos exclusivamente anglo-americanos. Eu estou à vontade porque gosto por igual de ambas as tradições, sendo certo que, tradições, tradições, só mesmo a França as tem já que, mal ou bem, possui uma "história". Chirac, aliás, é irrelevante nela.
O João Morgado Fernandes não me vai levar a mal por eu reproduzir aqui na íntegra este seu post. Finalmente alguém se pronuncia contra o desvario anti-francês que tomou conta de tanto "espírito" dito "liberal", neoconservador e modernaço que olha para o mundo com uns binóculos exclusivamente anglo-americanos. Eu estou à vontade porque gosto por igual de ambas as tradições, sendo certo que, tradições, tradições, só mesmo a França as tem já que, mal ou bem, possui uma "história". Chirac, aliás, é irrelevante nela.
Um dos temas mais imbecis que anda no ar é seguramente o da "paridade". O termo, por si só, já é irritante. Lembro-me de Manuel Alegre, na campanha presidencial, com a sua voz tonitruante, invocar a "paridade" contra Cavaco sob o olhar enlevado das mulheres "alegristas", muitas por sinal. Esta é manifestamente uma falsa questão que obriga a dar asas a outra ainda mais ridícula que é a das "quotas". A má consciência política e dos "costumes" produz destas aberrações. A qualidade e a quantidade de mulheres que participam na vida política activa jamais deviam estar dependentes de um critério sexista. Uma mulher - ou um homem - não são melhores "políticas" ou "políticos" por serem mulheres ou homens. Ou são ou não são, independentemente do número e do sexo. A ideia das "quotas" amesquinha as mulheres, embora se comprazam todos e todas nessa falácia. Não é por existirem mais mulheres na vida política activa que a "paridade" vale a pena. Até podia haver mais mulheres do que homens ou mesmo nenhuma, ou vice-versa. A maturidade cívica e política de um agente representativo não se mede nem pelo sexo nem pela "paridade". Não é preciso andar para aí a berrar a diferença e o consequente "direito" à igualdade. Para este peditório, estamos fartinhos de dar.
Um dos temas mais imbecis que anda no ar é seguramente o da "paridade". O termo, por si só, já é irritante. Lembro-me de Manuel Alegre, na campanha presidencial, com a sua voz tonitruante, invocar a "paridade" contra Cavaco sob o olhar enlevado das mulheres "alegristas", muitas por sinal. Esta é manifestamente uma falsa questão que obriga a dar asas a outra ainda mais ridícula que é a das "quotas". A má consciência política e dos "costumes" produz destas aberrações. A qualidade e a quantidade de mulheres que participam na vida política activa jamais deviam estar dependentes de um critério sexista. Uma mulher - ou um homem - não são melhores "políticas" ou "políticos" por serem mulheres ou homens. Ou são ou não são, independentemente do número e do sexo. A ideia das "quotas" amesquinha as mulheres, embora se comprazam todos e todas nessa falácia. Não é por existirem mais mulheres na vida política activa que a "paridade" vale a pena. Até podia haver mais mulheres do que homens ou mesmo nenhuma, ou vice-versa. A maturidade cívica e política de um agente representativo não se mede nem pelo sexo nem pela "paridade". Não é preciso andar para aí a berrar a diferença e o consequente "direito" à igualdade. Para este peditório, estamos fartinhos de dar.
O governo federal do Canadá decidiu expulsar os imigrantes em situação ilegal. No turbilhão foram "apanhados" centenas, se não milhares, de emigrantes portugueses que não trataram de legalizar a sua presença no Canadá, apesar de lá trabalharem há vários anos. Onde quer que estejamos, tendemos a levar connosco a nossa extrema badalhoquice. Neste caso, nada justifica que os portugueses, sobretudo os que têm família constituída, não tivessem providenciado para, em devido tempo, se legalizarem. Agora choram, fazem abaixo-assinados inúteis e, obviamente, as malas. Parece que há quem goste de passar vergonhas desnecessárias. Admiram-se de quê?
O governo federal do Canadá decidiu expulsar os imigrantes em situação ilegal. No turbilhão foram "apanhados" centenas, se não milhares, de emigrantes portugueses que não trataram de legalizar a sua presença no Canadá, apesar de lá trabalharem há vários anos. Onde quer que estejamos, tendemos a levar connosco a nossa extrema badalhoquice. Neste caso, nada justifica que os portugueses, sobretudo os que têm família constituída, não tivessem providenciado para, em devido tempo, se legalizarem. Agora choram, fazem abaixo-assinados inúteis e, obviamente, as malas. Parece que há quem goste de passar vergonhas desnecessárias. Admiram-se de quê?
Quase três anos depois de ter começado esta aventura bloguística, decidi convidar dois amigos de diferentes gerações para "enriquecer" o Portugal dos Pequeninos. Este é um blogue livre e "liberal". Eles escreverão o que quiserem e como quiserem. Eu continuarei na mesma, uma espécie de House com uma pequena equipa. Pode ser que venham mais.
Quase três anos depois de ter começado esta aventura bloguística, decidi convidar dois amigos de diferentes gerações para "enriquecer" o Portugal dos Pequeninos. Este é um blogue livre e "liberal". Eles escreverão o que quiserem e como quiserem. Eu continuarei na mesma, uma espécie de House com uma pequena equipa. Pode ser que venham mais.

O PS, em matéria de regionalização, vai tentar meter pela janela o que não conseguiu fazer passar pela porta. De acordo com o dr. Junqueiro, uma notablidade do grupo parlamentar socialista, a dita regionalização deverá primeiro "avançar no terreno" - cinco regiões em vez das sete chumbadas em 1998 - e seguidamente referenda-se. Esta decisão original daria depois lugar à figura do "governador civil regional" em substituição dos actuais dezoito, a única ideia razoável desta história. O PS quer à viva força "desforrar-se" dos resultados dos dois únicos referendos realizados até hoje. Em Setembro propôe o do aborto e, pelos vistos, seguir-se-á um outro sobre uma regionalização entretanto posta em prática. O país é pouco mais do que uma pequena caixa de fósforos. Não precisa de mais "divisões" sustentadas por mais burocracia. Assim, para além dos caciques autárquicos, teríamos os suseranos regionais, coisa que só de pensar nela me dá arrepios. Esta ideia manhosa do "faz-se agora" e legitima-se depois é perigosa. Para o PS, naturalmente. Arrisca-se a ficar com o mesmo resultado de há oito anos.
O PS, em matéria de regionalização, vai tentar meter pela janela o que não conseguiu fazer passar pela porta. De acordo com o dr. Junqueiro, uma notablidade do grupo parlamentar socialista, a dita regionalização deverá primeiro "avançar no terreno" - cinco regiões em vez das sete chumbadas em 1998 - e seguidamente referenda-se. Esta decisão original daria depois lugar à figura do "governador civil regional" em substituição dos actuais dezoito, a única ideia razoável desta história. O PS quer à viva força "desforrar-se" dos resultados dos dois únicos referendos realizados até hoje. Em Setembro propôe o do aborto e, pelos vistos, seguir-se-á um outro sobre uma regionalização entretanto posta em prática. O país é pouco mais do que uma pequena caixa de fósforos. Não precisa de mais "divisões" sustentadas por mais burocracia. Assim, para além dos caciques autárquicos, teríamos os suseranos regionais, coisa que só de pensar nela me dá arrepios. Esta ideia manhosa do "faz-se agora" e legitima-se depois é perigosa. Para o PS, naturalmente. Arrisca-se a ficar com o mesmo resultado de há oito anos.
O governo parece apostado em controlar todos os nossos passos. Depois do "cartão único", chega a "regulamentação" do Código da Estrada nazi. Entre outras "novidades", prevê-se "a introdução de testes rápidos na fiscalização de condutores sob efeito de substâncias psicotrópicas". Esses "testes rápidos" - realizados, presume-se, em plena estrada e ao ar livre - são realizados "numa amostra de urina, saliva ou suor e só no caso de ser positivo se submeterá o indivíduo a um exame de confirmação em amostra de sangue". Como uma grande maioria de portugueses consome relaxantes, tranquilizantes e anti-depressivos, entre outras coisas, para suportar a arrogância dos "agentes da autoridade" que adoram vasculhar as nossas viaturas e esconder-se atrás das moitas e das árvores, esta "inovação" promete. O Código da Estrada do dr. Costa, agora "regulamentado", não evita o pior. Os condutores assassinos ou suicidas continuarão impávidos e serenos a matar e a matar-se onde calhar. Eu apenas reclamo o meu direito a tomar os Prozac's ou os Lexotan's que me aprouver sem correr o risco de ser incomodado por uma qualquer brigada policial não só de trânsito como de costumes. Mais vale proibirem-me de mexer no carro. Lá chegaremos.
O governo parece apostado em controlar todos os nossos passos. Depois do "cartão único", chega a "regulamentação" do Código da Estrada nazi. Entre outras "novidades", prevê-se "a introdução de testes rápidos na fiscalização de condutores sob efeito de substâncias psicotrópicas". Esses "testes rápidos" - realizados, presume-se, em plena estrada e ao ar livre - são realizados "numa amostra de urina, saliva ou suor e só no caso de ser positivo se submeterá o indivíduo a um exame de confirmação em amostra de sangue". Como uma grande maioria de portugueses consome relaxantes, tranquilizantes e anti-depressivos, entre outras coisas, para suportar a arrogância dos "agentes da autoridade" que adoram vasculhar as nossas viaturas e esconder-se atrás das moitas e das árvores, esta "inovação" promete. O Código da Estrada do dr. Costa, agora "regulamentado", não evita o pior. Os condutores assassinos ou suicidas continuarão impávidos e serenos a matar e a matar-se onde calhar. Eu apenas reclamo o meu direito a tomar os Prozac's ou os Lexotan's que me aprouver sem correr o risco de ser incomodado por uma qualquer brigada policial não só de trânsito como de costumes. Mais vale proibirem-me de mexer no carro. Lá chegaremos.
Isto anda assim: aparentemente calmo mas pronto a disparar à primeira provocação. Este rapaz, por exemplo, tem um bar, uma família e serve café americano na maior tranquilidade. E em apenas hora e meia de filme é capaz de "despachar" dez almas sem pestanejar. É obra.
Isto anda assim: aparentemente calmo mas pronto a disparar à primeira provocação. Este rapaz, por exemplo, tem um bar, uma família e serve café americano na maior tranquilidade. E em apenas hora e meia de filme é capaz de "despachar" dez almas sem pestanejar. É obra.
O Bloco de Esquerda, que andava moribundo desde a justa sova que Francisco Louçã levou nas presidenciais, decidiu apresentar uma proposta legislativa que altera o divórcio. Segundo o distinto prof. Rosas, importa "modernizar o casamento" e, consequentemente, acabar com ele de uma forma mais expedita. Os bloquistas entendem que basta a "vontade" de um dos cônjuges para, em três meses e com duas conferências matrimoniais, pôr termo ao contrato. Trivialidades como o património comum ou os filhos são tratados em "processos paralelos". De uma forma sucinta, o prof. Rosas resumiu a lógica da coisa: "Uma pessoa casa-se. Chega à conclusão que foi um erro de casting. Pode requerer a dissolução do casamento. Conclui que se enganou, que não está bem, pede o divórcio". Eu não gosto de casamentos, seja com quem for, e julgo que não há maneira de os "modernizar". Todavia parece-me que fazer deles laboratórios para experiências a dois, como propôe o BE, só contribui para desacreditar ainda mais a provecta instituição. Dá ideia que alguém se casa a pensar de imediato em se divorciar quando lhe der na real gana. Mais vale estar quieto.
O Bloco de Esquerda, que andava moribundo desde a justa sova que Francisco Louçã levou nas presidenciais, decidiu apresentar uma proposta legislativa que altera o divórcio. Segundo o distinto prof. Rosas, importa "modernizar o casamento" e, consequentemente, acabar com ele de uma forma mais expedita. Os bloquistas entendem que basta a "vontade" de um dos cônjuges para, em três meses e com duas conferências matrimoniais, pôr termo ao contrato. Trivialidades como o património comum ou os filhos são tratados em "processos paralelos". De uma forma sucinta, o prof. Rosas resumiu a lógica da coisa: "Uma pessoa casa-se. Chega à conclusão que foi um erro de casting. Pode requerer a dissolução do casamento. Conclui que se enganou, que não está bem, pede o divórcio". Eu não gosto de casamentos, seja com quem for, e julgo que não há maneira de os "modernizar". Todavia parece-me que fazer deles laboratórios para experiências a dois, como propôe o BE, só contribui para desacreditar ainda mais a provecta instituição. Dá ideia que alguém se casa a pensar de imediato em se divorciar quando lhe der na real gana. Mais vale estar quieto.