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22.6.15

Referendar o acordo ortográfico


 


«A situação actual, de anarquia gráfica, é insustentável e lesa inapelavelmente a Língua Portuguesa, o nosso Património Cultural imaterial, bem como a estabilidade ortográfica. A riqueza de uma Língua está na sua diversidade. O AO90 não corresponde a uma “evolução natural” da língua, mas a uma alteração forçada, em sentido negativo e empobrecedor. Há muito que a maioria dos Portugueses vê como indispensável um Referendo Nacional, de modo a dar a voz ao Povo nesta matéria. Ora, a Constituição da República Portuguesa (CRP) permite justamente a submissão a Referendo das questões de relevante interesse nacional que sejam objecto de Tratado internacional (artigo 115.º, n.º 3, da CRP); o que é o caso do Tratado do AO90 e das alterações que sofreu (através dos seus Protocolos Modificativos). A Iniciativa poderá provir dos cidadãos (artigo 115.º, n.º 2, da Constituição), como é o caso da presente. Antes da realização de eleições (ou, se for o caso, após estas), os agentes políticos deverão dizer qual o seu sentido de voto, na Assembleia da República, em relação à presente Iniciativa de Referendo: se votarão a favor; ou se, no mínimo, viabilizarão esta Iniciativa, através da abstenção na AR. Convocado o Referendo Nacional, faremos campanha. Os resultados reflectirão o modo como todos os utentes da Língua pensam acerca da ortografia que melhor corresponde a um uso sustentado da mesma, no quadro das línguas europeias da mesma família. Apelamos a cada Português para que assine esta Iniciativa de Referendo; e, na medida do possível, pedimos que angarie assinaturas (dentro do seu meio, da sua família, do seu círculo social; ou até, mais latamente, de forma pública).»

8.4.14

Já "aprofundou" o tratado orçamental?


 


«O que devia estar a ser discutido nesta campanha para o Parlamento Europeu era a Europa e os seus regulamentos. O Tratado Orçamental europeu é um desses regulamentos que contêm objectivos de equilíbrio orçamental que nunca existiram em Portugal (pelo menos em democracia) e foi assinado com satisfação pelo PSD e CDS e com algum mal-estar pelo PS. O mais que fizeram os socialistas foi evitar que o défice zero como regra de ouro fosse parar à Constituição, como queria o PSD. Acabaram a dar o seu ámen a uma lei de valor reforçado, que é quase a mesma coisa. É este Tratado Orçamental que faz com que a austeridade não venha a ter fim em Portugal, qualquer que seja o governo - simplesmente porque as regras europeias não permitem que se saia disto. Cavaco Silva explicou bem isso no famoso prefácio aos últimos roteiros. Qualquer que seja o governo - este ou um futuro governo PS ou PS/PSD - estará condenado a governar com as regras do Tratado Orçamental europeu. O que nos espera, enquanto o Tratado Orçamental não for revogado, é "austeridade para sempre" - o resto são fantasias. Como vários já escreveram, a Europa ilegalizou as políticas keynesianas, ao adoptar o Tratado Orçamental - com o alto patrocínio dos partidos socialistas e sociais-democratas europeus. A proposta de referendo do Bloco de Esquerda é uma excelente oportunidade para se discutir isto. Se a maioria do povo estiver disponível para viver com estas regras, muito bem. Ninguém vai ao engano. Infelizmente, o mantra do "não se pode falar", que já tinha sido matraqueado à exaustão a propósito do Manifesto dos 74 em defesa da reestruturação da dívida, é o "debate" dos tempos que correm. Rangel diz que o referendo "não tem oportunidade nem cabimento". Zorrinho, n.o 2 da lista do PS, diz ao i que "pôr em causa o Tratado é pôr em causa a continuidade de Portugal no euro". Mas aí é também importante que Zorrinho (e principalmente Seguro) explique como é que vai acabar com a austeridade amarrado a um pedregulho que envia Portugal para o fundo. É simples: não vai acabar. Mas era bom (e o referendo ajudaria muito) que os portugueses soubessem e decidissem, para o bem ou para o mal. E principalmente, "sem medos".»


 


Ana Sá Lopes. i

30.11.09

TENHAM PACIÊNCIA


Uma das coisas mais fascinantes de Istambul - Istambul, toda, é uma das cidades mais fascinantes do mundo - é a profusão de mesquitas. E onde há mesquitas, há chamamento para as orações. O cruzamento desses sons é outra das coisas fascinantes de Istambul. Isto serve para dizer que aprecio mesquitas. É um lugar de culto como outro qualquer e que me merece todo o respeito. O mesmo que me suscita o resultado de uma consulta popular, vulgo referendo. Os suiços decidiram-se pela suficiência dos minaretes construídos nas suas mesquitas. Não querem mais. Por consequência, levantou-se imediatamente o coro internacional dos padroeiros da correcção política para atacar a decisão suiça. O argumentário é conhecido.Todavia, se existe país que dispensa lições destes curandeiros é a Suiça. Esta gente, no fundo, só suporta a democracia de que se reclama dona quando a democracia "vota" a seu favor. Tenham paciência.

TENHAM PACIÊNCIA


Uma das coisas mais fascinantes de Istambul - Istambul, toda, é uma das cidades mais fascinantes do mundo - é a profusão de mesquitas. E onde há mesquitas, há chamamento para as orações. O cruzamento desses sons é outra das coisas fascinantes de Istambul. Isto serve para dizer que aprecio mesquitas. É um lugar de culto como outro qualquer e que me merece todo o respeito. O mesmo que me suscita o resultado de uma consulta popular, vulgo referendo. Os suiços decidiram-se pela suficiência dos minaretes construídos nas suas mesquitas. Não querem mais. Por consequência, levantou-se imediatamente o coro internacional dos padroeiros da correcção política para atacar a decisão suiça. O argumentário é conhecido.Todavia, se existe país que dispensa lições destes curandeiros é a Suiça. Esta gente, no fundo, só suporta a democracia de que se reclama dona quando a democracia "vota" a seu favor. Tenham paciência.

14.6.09

RECADO A CAVACO. E A OUTROS

«Não se pode é negar o referendo aos portugueses e depois querer o seu voto representativo.»

Jo
sé Medeiros Ferreira, Correio da Manhã

RECADO A CAVACO. E A OUTROS

«Não se pode é negar o referendo aos portugueses e depois querer o seu voto representativo.»

Jo
sé Medeiros Ferreira, Correio da Manhã

20.6.08

SUMÁRIO DA PATRANHA

«O Tratado de Lisboa é uma versão da Constituição Europeia, que não ousa dizer o seu nome. Foi feito disfarçadamente para parecer tão complicado que não lembra o original. Está cheio de truques e de subterfúgios. No ano passado só houve um fio condutor na preparação do novo tratado, e esse fio condutor foi usar todos os artifícios inclusive o dolo, a pressão, a chantagem, para evitar que o Tratado fosse a votos em qualquer sítio na Europa. Sobrava a arcaica Irlanda que ainda tinha a obrigação referendária na sua Constituição. Mas não devia haver problema, como se atreveria esse povo de beatos, freiras, proto-nazis, bêbados, brigões, e comedores de batata, a por em causa o projecto iluminista do nosso tempo, a Europa? Se tivessem lido Joyce, Yeats ou J. M. Synge saberiam que eles não são de fiar.Agora querem-nos expulsar da Europa, querem tornar um fardo para o governo irlandês o voto democrático dos seus concidadãos e dizem-lhe com arrogância: consertem lá o brinquedo senão vamos brincar para outro lado. Em Portugal também isto foi dito, sem sequer o temor de perceber que esta violência verbal ressabiada ter sido apenas dirigida a um pequeno país e nunca ter sido usada para, por exemplo, a França que votou um sonoro “não” à refulgente Constituição. Quando do “não” na Holanda e na França ninguém disse aos dois países para não empecilharem a Europa e saírem pela porta da rua da União.»

SUMÁRIO DA PATRANHA

«O Tratado de Lisboa é uma versão da Constituição Europeia, que não ousa dizer o seu nome. Foi feito disfarçadamente para parecer tão complicado que não lembra o original. Está cheio de truques e de subterfúgios. No ano passado só houve um fio condutor na preparação do novo tratado, e esse fio condutor foi usar todos os artifícios inclusive o dolo, a pressão, a chantagem, para evitar que o Tratado fosse a votos em qualquer sítio na Europa. Sobrava a arcaica Irlanda que ainda tinha a obrigação referendária na sua Constituição. Mas não devia haver problema, como se atreveria esse povo de beatos, freiras, proto-nazis, bêbados, brigões, e comedores de batata, a por em causa o projecto iluminista do nosso tempo, a Europa? Se tivessem lido Joyce, Yeats ou J. M. Synge saberiam que eles não são de fiar.Agora querem-nos expulsar da Europa, querem tornar um fardo para o governo irlandês o voto democrático dos seus concidadãos e dizem-lhe com arrogância: consertem lá o brinquedo senão vamos brincar para outro lado. Em Portugal também isto foi dito, sem sequer o temor de perceber que esta violência verbal ressabiada ter sido apenas dirigida a um pequeno país e nunca ter sido usada para, por exemplo, a França que votou um sonoro “não” à refulgente Constituição. Quando do “não” na Holanda e na França ninguém disse aos dois países para não empecilharem a Europa e saírem pela porta da rua da União.»

17.6.08

SE NA HOLANDA...


«A majority of the Dutch is against the Treaty of Lisbon, according to a poll by Maurice de Hond. But the Netherlands is going ahead with its ratification. If the Netherlands were to hold a referendum now on the new EU treaty, 54 percent would vote against it, De Hond reported. He polled the views of the Dutch after the Irish rejected the treaty last week. A majority (56 percent) wants the Netherlands to also hold a referendum on the Treaty of Lisbon. It is an adaptation of the European Constitution, on which a referendum was held in the Netherlands in 2005 - which rejected it by 62 to 38 percent.»


SE NA HOLANDA...


«A majority of the Dutch is against the Treaty of Lisbon, according to a poll by Maurice de Hond. But the Netherlands is going ahead with its ratification. If the Netherlands were to hold a referendum now on the new EU treaty, 54 percent would vote against it, De Hond reported. He polled the views of the Dutch after the Irish rejected the treaty last week. A majority (56 percent) wants the Netherlands to also hold a referendum on the Treaty of Lisbon. It is an adaptation of the European Constitution, on which a referendum was held in the Netherlands in 2005 - which rejected it by 62 to 38 percent.»


16.6.08

HOLZWEGE

Para os MNE's da UE, os irlandeses não são pessoas adultas e, muito menos, "normais". Há, pois, que "ajudá-los". Sarkozy até já se "ofereceu" para ir à Irlanda presumivelmente para fazer de explicador ou de pedopsiquiatra. A Europa viveu bem até agora sem o tratado de Lisboa ou uma "constituição". Passar atestados de retardados mentais aos irlandeses é que, de certeza, não conduz a lado algum. Para isso chegam aqueles que foram "poupados" pelo "iluminismo" reunido no Mosteiro dos Jerónimos a pronunciar-se através do voto directo, universal e secreto sobre o tratado. A nomenclatura insiste nos obscuros "caminhos de floresta". Bom proveito.

HOLZWEGE

Para os MNE's da UE, os irlandeses não são pessoas adultas e, muito menos, "normais". Há, pois, que "ajudá-los". Sarkozy até já se "ofereceu" para ir à Irlanda presumivelmente para fazer de explicador ou de pedopsiquiatra. A Europa viveu bem até agora sem o tratado de Lisboa ou uma "constituição". Passar atestados de retardados mentais aos irlandeses é que, de certeza, não conduz a lado algum. Para isso chegam aqueles que foram "poupados" pelo "iluminismo" reunido no Mosteiro dos Jerónimos a pronunciar-se através do voto directo, universal e secreto sobre o tratado. A nomenclatura insiste nos obscuros "caminhos de floresta". Bom proveito.

13.6.08

PORREIRO, PÁ



O pretty boy associou a sua magnífica carreira política - não tem outra - ao tratado de Lisboa. O pretty boy, o dr. Barroso e demais dirigentes de uma Europa artificial e burocrática, justificadora de correrias permanentes e frívolas a Bruxelas, acabaram enterrados na sua teimosia arrogante. Bastou o voto de um dos povos europeus para renascer a esperança de uma Europa fundada naquilo que é a sua história e o seu fundamento: o conflito criador contra os consensos das salas cinzentas, a diversidade dos povos contra a unificação desnaturada por cima, o respeito pela liberdade da opinião pública em vez dos clichés do jornalismo oficioso estilo D. Teresa de Sousa e demais correspondentes televisivos lambe-botas. A Irlanda merece um pouco de Píndaro: «dá-lhe, de concidadãos/ e estranhos, o respeito e agrado./Pois ele segue direito/ por caminhos à insolência hostis,/de seus nobres maiores/ o pensar escorreito claramente praticando.» Porreiro, pá.

Nota: Por cá, a coisa esconde-se nas televisões atrás das "grandes vitórias" do Porto e do Benfica junto da UEFA. Com a RTP sempre na frente da mediocridade servil da propaganda. Pobre país eternamente periférico que nem na Europa merece estar.

PORREIRO, PÁ



O pretty boy associou a sua magnífica carreira política - não tem outra - ao tratado de Lisboa. O pretty boy, o dr. Barroso e demais dirigentes de uma Europa artificial e burocrática, justificadora de correrias permanentes e frívolas a Bruxelas, acabaram enterrados na sua teimosia arrogante. Bastou o voto de um dos povos europeus para renascer a esperança de uma Europa fundada naquilo que é a sua história e o seu fundamento: o conflito criador contra os consensos das salas cinzentas, a diversidade dos povos contra a unificação desnaturada por cima, o respeito pela liberdade da opinião pública em vez dos clichés do jornalismo oficioso estilo D. Teresa de Sousa e demais correspondentes televisivos lambe-botas. A Irlanda merece um pouco de Píndaro: «dá-lhe, de concidadãos/ e estranhos, o respeito e agrado./Pois ele segue direito/ por caminhos à insolência hostis,/de seus nobres maiores/ o pensar escorreito claramente praticando.» Porreiro, pá.

Nota: Por cá, a coisa esconde-se nas televisões atrás das "grandes vitórias" do Porto e do Benfica junto da UEFA. Com a RTP sempre na frente da mediocridade servil da propaganda. Pobre país eternamente periférico que nem na Europa merece estar.

10.6.08

OS VERDADEIROS PORREIROS


"Não podemos votar naquilo que não percebemos", foi assim que um eleitor irlandês respondeu acerca do referendo de quinta-feira. Uma sondagem coloca hoje o "não" à frente. Que pensará o nosso evoluído primeiro-ministro destes primitivos? E o dr. Barroso? Estes irlandeses podem, afinal, vir a revelar-se os verdadeiros porreiros europeus.

OS VERDADEIROS PORREIROS


"Não podemos votar naquilo que não percebemos", foi assim que um eleitor irlandês respondeu acerca do referendo de quinta-feira. Uma sondagem coloca hoje o "não" à frente. Que pensará o nosso evoluído primeiro-ministro destes primitivos? E o dr. Barroso? Estes irlandeses podem, afinal, vir a revelar-se os verdadeiros porreiros europeus.

24.5.08

NUMA GALÁXIA MUITO DISTANTE


Campanha para o referendo ao tratado de Lisboa na Irlanda, claramente um país subdesenvolvido, falho de Europa, de história, de tradição democrática, de "esquerda moderna" e de "novas oportunidades". Via Abrupto.

NUMA GALÁXIA MUITO DISTANTE


Campanha para o referendo ao tratado de Lisboa na Irlanda, claramente um país subdesenvolvido, falho de Europa, de história, de tradição democrática, de "esquerda moderna" e de "novas oportunidades". Via Abrupto.

23.4.08

O SILÊNCIO DOS PORTUGUESES



Este sujeito imagina que, por ter promovido duas ou três reuniões íntimas, passou a haver um "grande consenso político e social" sobre o "tratado de Lisboa". O que ele nunca explicou foi a perda que objectivamente o "tratado" representa para os países "médios" da União, ou seja, para países como o nosso. Sócrates teve os seus quinze minutos de fama internacional mas, irresponsavelmente, não deu uma palavra aos portugueses sobre o que estava em causa, refugiando-se em trivialidades "consensuais". As repercussões do que os senhores deputados votaram, sem um módico de reflexão, só se farão sentir lá mais para diante, provavelmente quando Sócrates constar do rodapé num almanaque da história. A menorização a que os povos europeus se prestaram, não referendando o "tratado", é a prova da "consideração democrática" em que os seus césares de circunstância os têm. A Irlanda vota porque está na constituição, senão também estaria metida neste embuste. Portugal aprovou a "constituição europeia" - sem hino, bandeira e "lema"- travestida de "tratado de Lisboa", a coroa de glória de Sócrates. Agarre-se a ela porque não terá outra.

Adenda: Não reconheço ao 1º ministro, seja lá ele quem for, qualquer tipo de "superioridade" intelectual, política ou outra para passar atestados de anti-europeísmo a quem não defende o "seu" tratado de Lisboa. Já sabia que Sócrates não é homem de cultura democrática. Não precisava de o recordar constantemente.

O SILÊNCIO DOS PORTUGUESES



Este sujeito imagina que, por ter promovido duas ou três reuniões íntimas, passou a haver um "grande consenso político e social" sobre o "tratado de Lisboa". O que ele nunca explicou foi a perda que objectivamente o "tratado" representa para os países "médios" da União, ou seja, para países como o nosso. Sócrates teve os seus quinze minutos de fama internacional mas, irresponsavelmente, não deu uma palavra aos portugueses sobre o que estava em causa, refugiando-se em trivialidades "consensuais". As repercussões do que os senhores deputados votaram, sem um módico de reflexão, só se farão sentir lá mais para diante, provavelmente quando Sócrates constar do rodapé num almanaque da história. A menorização a que os povos europeus se prestaram, não referendando o "tratado", é a prova da "consideração democrática" em que os seus césares de circunstância os têm. A Irlanda vota porque está na constituição, senão também estaria metida neste embuste. Portugal aprovou a "constituição europeia" - sem hino, bandeira e "lema"- travestida de "tratado de Lisboa", a coroa de glória de Sócrates. Agarre-se a ela porque não terá outra.

Adenda: Não reconheço ao 1º ministro, seja lá ele quem for, qualquer tipo de "superioridade" intelectual, política ou outra para passar atestados de anti-europeísmo a quem não defende o "seu" tratado de Lisboa. Já sabia que Sócrates não é homem de cultura democrática. Não precisava de o recordar constantemente.