
«Encontrávamo-nos sempre os dois à espera de qualquer coisa, de notícias de um outro mundo qualquer, que nos tirasse da ansiedade não sei de quê. Mas éramos novos, ainda estávamos à espera de qualquer coisa. Agora já não estou à espera de nada.»
«Um trem de ferro é uma coisa mecânica, mas atravessa a noite, a madrugada, o dia, atravessou minha vida.» Adélia Prado

«Encontrávamo-nos sempre os dois à espera de qualquer coisa, de notícias de um outro mundo qualquer, que nos tirasse da ansiedade não sei de quê. Mas éramos novos, ainda estávamos à espera de qualquer coisa. Agora já não estou à espera de nada.»
«Hoje, livros como o Heterodoxia, parecem coisas simples, mas eram coisa para o gigantesco na altura em que foram feitos. E tão excepcionais eram que foram respondidos pelo silêncio que protege a incomodidade. O livro permanecia, como aliás muitos escritos de Lourenço, num limbo bem afastado da moda corrente, na primeira edição (...). No seu discurso a receber o prémio [Pessoa], Lourenço fez também uma coisa cada vez mais rara: trouxe consigo esse “país estrangeiro” que é o passado, para homenagear, ao receber o Pessoa, o papel dos que ajudaram Pessoa a ser mais do que um grande poeta, um elemento simbólico dos nossos tempos portugueses do século XX. Falou de gente esquecida como Adolfo Casais Monteiro ou João Gaspar Simões, que alguns, poucos, intelectuais recordam e ainda menos lêem. E ao falar sobre eles, falou também sobre si. Falou num momento de consagração pessoal, sobre como é efémera essa glória e como nós temos uma excelente capacidade para esquecer o importante e uma excelente capacidade para perpetuar a trivialidade. As duas coisas juntas foram o seu verdadeiro discurso sobre a crise. »











