
Passa hoje o centenário do nascimento do bardo Torga. A oficiosa RTP mandou uma jornalista qualquer sentar-se no meio das serras e apresentar o telejornal da tarde. Tudo, naturalmente, por causa do dito Torga. Torga nunca me impressionou como escritor. Um conto ou outro, um ou dois poemas e basta. O "Diário" é de fugir. E toda a mitologia construída à volta do autor de Bichos também. Foi um putativo Nobel, julgo que apenas na cabeça de meia dúzia de luminárias da "cultura". Tinha uma coisa boa: mau feitio. De resto, preferirei sempre Vergílio Ferreira a este montanhês constantemente incensado. O padrão do nosso rusticismo literário e saloio escreveu uma vez no seu infindável "Diário" que "não há nada mais repugnante do que um escritor a ejacular pela caneta" referindo-se a Henry Miller. Tomara ele.
