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12.8.07

NÃO É FÁCIL DIZER BEM - 20


Passa hoje o centenário do nascimento do bardo Torga. A oficiosa RTP mandou uma jornalista qualquer sentar-se no meio das serras e apresentar o telejornal da tarde. Tudo, naturalmente, por causa do dito Torga. Torga nunca me impressionou como escritor. Um conto ou outro, um ou dois poemas e basta. O "Diário" é de fugir. E toda a mitologia construída à volta do autor de Bichos também. Foi um putativo Nobel, julgo que apenas na cabeça de meia dúzia de luminárias da "cultura". Tinha uma coisa boa: mau feitio. De resto, preferirei sempre Vergílio Ferreira a este montanhês constantemente incensado. O padrão do nosso rusticismo literário e saloio escreveu uma vez no seu infindável "Diário" que "não há nada mais repugnante do que um escritor a ejacular pela caneta" referindo-se a Henry Miller. Tomara ele.

15.5.07

NÃO É FÁCIL DIZER BEM- 17

"O exemplo do ditador provinciano que admira o estilo de um romancista e conhece poemas de cor é a versão lusa dos comandantes dos campos de concentração que ouviam música clássica à noite, na companhia das respectivas famílias, após mais um dia ocupado com a execução da barbárie. Quanto aos escritores que se comovem com o elogio de um ditador, eles não são excepção, nem caso raro, porque a arte, ao contrário do que parecem pensar os que a idolatram, não afasta ninguém dos piores defeitos da humanidade.". Esta bojarda consta do Da Literatura que não é só Eduardo Pitta, agora, por habituação rosa, "costista". João Paulo Sousa parte da interessante entrevista de Eduardo Lourenço à Pública de domingo para, em duas linhas, malhar no Doutor Salazar, no Aquilino Ribeiro e no Torga, qualquer deles tão "provinciano" como ele. Mais valia destacar o que Lourenço diz na entrevista sobre a racaille literata nacional, sobre Ratzinger ou, mesmo, sobre Salazar. É por estes e por outros que, ao ouvir por vezes o termo "cultura", puxo o autoclismo.