29.2.12

Rossini, 29 de Fevereiro de 1792

Abutres a sério


Isto é mais higiénico do que "conservar" certo tipo de gente.

Voltar atrás


 


Se Gabriela Canavilhas - um "modelo" de governante na área da cultura do consulado Sócrates - "não vê como voltar atrás" no acordo ortográfico, é porque, de certeza, se pode voltar atrás.


 


Adenda: E pode. Como bem disse o secretário de Estado da Cultura, «não há uma polícia da língua.»


 

28.2.12

Reformar o regime político



«Tal como ficou expresso no programa eleitoral sufragado nas últimas eleições legislativas”, (Passos Coelho) entende “que o sistema político carece de dois aperfeiçoamentos fundamentais”, um para “reforçar a proximidade entre cidadãos eleitores e eleitos” nas legislativas e outro para “aumentar a homogeneidade e transparência do sistema de governação” nas autarquias locais. No caso do Parlamento, o presidente do PSD reitera que a melhor solução é “a reconfiguração dos círculos eleitorais, de modo a combinar a existência de um círculo nacional com círculos locais de menor dimensão, onde o eleitor tem um voto nominal escolhendo o seu candidato preferido, além da escolha do partido da sua preferência”. Esta reconfiguração “pode e deve ser conjugada com uma redução do número de deputados que, sem pôr em causa a representação proporcional, facilite a eficácia da intervenção política e parlamentar dos deputados eleitos e promova a maior operacionalidade e eficácia do próprio Parlamento.»

O preço que a vanguarda paga à tradição



O Manuel. S. Fonseca decerto não releva que leve post, título e tudo.


 


«De vez em quando, para dize­mos uma coisa, devia bas­tar ir bus­car uma pessoa. Imaginem que alguém qui­sesse dizer: van­guarda! Em vez de estar com mui­tas expli­ca­ções, iria bus­car Ezar Pound, mos­trava Ezra Pound, o jovem bigode negro de Ezra Pound, e sabia-se que era aquilo a vanguarda. Outros dirão que se podia ir bus­car Mari­netti ou Maya­kovsky, mas não esta­ria a dizer a mesma coisa, por­que teria o dedo mais apon­tado para a revo­lu­ção do que para a van­guarda, ou para mais futu­rismo e menos poesia. Nas­cido no Idaho, Ezra Pound nunca esteve grá­vido (e já vão ver a que vem o des­pro­pó­sito), mas da bar­riga dele nas­ce­ram pelo menos dois dos mai­o­res poe­tas de lín­gua inglesa do século XX: Yeats e Eliot. Não vou dizer mais a não ser que Ezra gos­tava de Camões e que escre­veu alguns poe­mas que foram cen­su­ra­dos. Este, “The Tem­pe­ra­ments”, só viu a letra impressa numa edi­ção pri­vada publi­cada nos anos 10 do século XX. Hoje lê-se e ouve-se em qual­quer lado.


 


Nine adul­te­ries, 12 liai­sons, 64 for­ni­ca­ti­ons and something appro­ching a rape
Rest nigh­tly upon the soul of our deli­cate fri­end Flo­ri­a­lis,
And yet the man is so quiet and reser­ved in deme­a­nour
That he pas­ses for both blo­o­dless and sexless.


Bas­ti­di­dis, on the con­trary, who both talks and wri­tes of nothing save copu­la­tion,
Has become the father of twins,
But he accom­plished this feat at some cost;
He had to be four times cuckold.




Que tra­duzo desa­jei­ta­da­mente assim, à espera de que o Ruy Vas­con­ce­los o faça num por­tu­guês e métrica decentes.


 


 Nove adul­té­rios, 12 aven­tu­ras, 64 for­ni­ca­ções e algo muito simi­lar a uma vio­la­ção
assom­bram todas as noi­tes a alma do nosso deli­cado amigo Flo­ri­a­lis,
e no entanto o homem é tão calmo, tão reser­vado no seu com­por­ta­mento
que passa por não ter nem san­gue nem sexo.


Bas­ti­di­des, pelo con­trá­rio, que só fala e escreve sobre a cópula,
converteu-se no pai de gémeos,
gló­ria a que che­gou pagando um preço;
teve de ser qua­tro vezes corno.




Quem tenham sido as duas figu­ras retra­ta­das, o Flo­ri­a­lis e o Bas­ti­di­des do poema, é o que eu não sei. Mas foram, crê-se, figu­ras reais. O pró­prio Pound, pai des­tas duas simé­tri­cas virilidades, confessa, numa carta, que Bas­ti­di­des era um conhe­cido autor e que o retrato lhe saira tão bem que até lhe doía não poder reve­lar a sua iden­ti­dade. Tanta reserva é, afi­nal, o preço que mesmo a van­guarda sem­pre paga à tradição.»

Televisão, política e sociedade








Dois livros sobre um assunto em debate permanente e, salvo honrosas excepções, mal debatido. Não é o caso das ponderações e dos dados fornecidos por Nilza de Sena.

Em tempos que não estão para "galas"

O verso certeiro de Sophia (via A Roda):


 


Um dia, gastos, voltaremos/ A viver livres como os animais/ E mesmo tão cansados floriremos/ Irmãos vivos do mar e dos pinhais./ O vento levará os mil cansaços/ Dos gestos agitados irreais/ E há-de voltar aos nosso membros lassos/ A leve rapidez dos animais./ Só então poderemos caminhar/ Através do mistério que se embala/ No verde dos pinhais na voz do mar/ E em nós germinará a sua fala.

27.2.12

M de ficar mudo


 


Depois de um episódio de Desperate Housewives, passo pela RTP 1 onde passa isto. E percebo a nostalgia da academia de Hollywood ao premiar um filme mudo, a preto e branco, em 2012. Boa noite e boa sorte.

Gente com altura



Na foto está uma grande Amiga e alguém que, ao contrário dos tagarelas triviais do regime, não se coloca em bicos dos pés para "ir a todas". Hoje, em representação da Comissão de Honra do Plano Nacional de Ética no Desporto, presidida pelo Presidente Cavaco Silva, Manuela Eanes intervém na respectiva apresentação que decorrerá no Teatro Camões, em Lisboa, pelas 18 horas. O Plano Nacional de Ética no Desporto é uma iniciativa do Governo dirigida à população em geral, com especial incidência nas crianças e nos jovens, que visa um conjunto de acções estruturadas e planificadas que promovem os valores inerentes ao desporto consagrados em documentos como a Carta Olímpica  e o Código de Ética do Desporto do Conselho da Europa. É, portanto, uma iniciativa no combate a fenómenos como a corrupção, a violência, o doping, a intolerância, o racismo e a xenofobia no contexto da prática desportiva. Da Comissão de Honra fazem ainda parte, entre outros, o Primeiro-Ministro, Leonor Beleza, Bagão Félix, Gentil Martins, Graça Morais, Isabel Jonet, João Lobo Antunes, D. Manuel Clemente e Mário Moniz Pereira.


A "gala"

Leio no jornal que a RTP e a Sociedade Portuguesa de Autores se "associam" para promover logo à noite uma "gala" apresentada por Catarina Furtado. Durante o exercício será entregue um "prémio carreira", ou parecido, ao dr. Mário Soares a quem a RTP já dedicou mais documentários em meia dúzia de anos do que a RTP do Estado Novo ao Doutor Salazar. Se calhar está tudo bem assim e não podia ser de outra forma.