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19.6.12

Na morte do último faraó


 


As últimas imagens de Mubarak, no seu "julgamento", eram as de um homem que já não tinha nada a perder. Exibiram-no numa jaula enquanto fora do tribunal a multidão ululante não se satisfazia com a perpétua. Pois Mubarak acabou de entrar na única perpétua que calha a todos e por causas naturais. A mesma multidão acéfala anda agora ocupada em berrar contra os militares que, ironicamente, tomaram conta do poder constitucional contra todas as "previsôes" das "inteligências" ocidentais. Lembram-se da "primavera" e dos amanhãs que iam cantarolar no Egipto, especialmente a partir da "mítica" praça Tahir que se converteu numa espécie de santuário da parvoeira ocidental que vê brotar democracias inverosímeis em países inverosímeis para a democracia? A mania que se pode exportar a dita cuja para todo o lado (os EUA fomentam democracias e ditaduras à vez) releva da mais reles ignorância. Aquela que, aos poucos, vai dando precisamente sepultura a uma certa ideia de "ocidente" à custa da tolice multiculturalista.

20.11.11

A INGENUIDADE OCIDENTAL


Lembram-se da "primavera" e dos amanhãs que iam cantar no Egipto, especialmente a partir da "mítica" praça Tahir que se converteu numa espécie de santuário da ingenuidade ocidental que vê brotar democracias inverosímeis em países inverosímeis para a democracia? Pois bem. Depois da exibição de Mubarak numa jaula, moribundo, a ser "julgado", o Egipto persiste em dar provas da sua disposição "primaveril" para tudo menos para a democracia. A mania que se pode exportar a dita cuja para todo o lado (os EUA fomentam democracias e ditaduras à vez) releva da mais pura ignorância, aquela que, aos poucos, vai enterrando uma certa "ideia de ocidente" à custa da tolice multicultural.

A INGENUIDADE OCIDENTAL


Lembram-se da "primavera" e dos amanhãs que iam cantar no Egipto, especialmente a partir da "mítica" praça Tahir que se converteu numa espécie de santuário da ingenuidade ocidental que vê brotar democracias inverosímeis em países inverosímeis para a democracia? Pois bem. Depois da exibição de Mubarak numa jaula, moribundo, a ser "julgado", o Egipto persiste em dar provas da sua disposição "primaveril" para tudo menos para a democracia. A mania que se pode exportar a dita cuja para todo o lado (os EUA fomentam democracias e ditaduras à vez) releva da mais pura ignorância, aquela que, aos poucos, vai enterrando uma certa "ideia de ocidente" à custa da tolice multicultural.

15.8.11

O FARAÓ ENJAULADO


O sr. Mubarak foi, indisputavelmente, um ditador. O sr. Mubarak portou-se mal com o seu povo que tratou com a sobranceria de um pífio faraó. O sr. Mubarak não soube nem quis sair a tempo, Todavia nada no mundo justifica que o sr. Mubaral seja exibido publicamente pela "justiça" egípcia (ponho entre aspas porque amanhã ou depois esta justiça já pode ser outra) como um animal enjaulado, moribundo e impotente, deitado numa maca a aguardar um desfecho previsível.

O FARAÓ ENJAULADO


O sr. Mubarak foi, indisputavelmente, um ditador. O sr. Mubarak portou-se mal com o seu povo que tratou com a sobranceria de um pífio faraó. O sr. Mubarak não soube nem quis sair a tempo, Todavia nada no mundo justifica que o sr. Mubaral seja exibido publicamente pela "justiça" egípcia (ponho entre aspas porque amanhã ou depois esta justiça já pode ser outra) como um animal enjaulado, moribundo e impotente, deitado numa maca a aguardar um desfecho previsível.

20.2.11

«SEM EMENDA»


«Vários comentadores exibiram a sua indignação ou o seu desprezo pelas dúvidas que manifestei sobre a possibilidade de se estabelecer um regime democrático no Egipto. Esquecendo por agora os pormenores do caso, isto levanta um problema interessante: o problema da diferença entre a visão da política de um historiador académico e a de qualquer outro especialista. Sou um historiador académico e, ainda por cima, estudo principalmente o século XIX e o século XX. Como é natural, perante as manifestações da Praça Tahrir, como da Praça Vermelha ou, se me permitem, do Rossio, as minhas preocupações são sempre duas. Primeiro, perceber as sociedades em que essas manifestações sucederam. Segundo, comparar a situação de que elas nasceram ou criaram com o que sei sobre casos análogos, embora a analogia seja discutível ou ténue. Numa história geral de França, François Furet, encarregado do volume sobre a revolução, escolheu duas datas que, para ele, a limitavam: 1789 e 1870. Porquê? Porque achou, e provavelmente bem, que só com a III República (quase cem anos depois da tomada da Bastilha) se chegou a uma democracia estável, geralmente aceite pela população. E, mesmo assim, não contou com Vichy e com o voto feminino, que teve de esperar por 1944. Houve entretanto duas repúblicas (agora estamos na quinta), três monarquias, Napoleão (o grande) e Napoleão III (o pequeno). Este tumulto endémico em que viveu a França veio directamente da resistência ao Governo representativo e, a seguir, ao Estado laico e ao sufrágio universal da democracia. A França não é o Egipto. Pois não. A França passou, à sua maneira, pelo "iluminismo" e, na literatura, como na pintura, e parcialmente na filosofia, a França era o exemplo do mundo. Em França, existia uma aristocracia "liberal", uma burguesia "progressista" e um eleitorado urbano de "esquerda". E a própria Igreja se submeteu à autoridade civil. E, no entanto, o caminho para o que hoje nós tomamos por "normalidade" foi longo e foi duro. Pensar que 80 milhões de egípcios (na esmagadora maioria, muçulmanos), neste momento "governados" por uma junta militar anónima, encontrarão depressa o regime democrático que lhes convém é, com certeza, um testemunho de virtude cívica. Mas basta pensar em Portugal (ou em Espanha) para perceber que é também um acto de ingenuidade e esperança, que ignora militantemente a realidade e a história. Quanto ao que me disseram os novos missionários da liberdade, repete letra a letra o que os velhos me disseram em 1991, quando a URSS se desfez.»

Vasco Pulido Valente, Público

«SEM EMENDA»


«Vários comentadores exibiram a sua indignação ou o seu desprezo pelas dúvidas que manifestei sobre a possibilidade de se estabelecer um regime democrático no Egipto. Esquecendo por agora os pormenores do caso, isto levanta um problema interessante: o problema da diferença entre a visão da política de um historiador académico e a de qualquer outro especialista. Sou um historiador académico e, ainda por cima, estudo principalmente o século XIX e o século XX. Como é natural, perante as manifestações da Praça Tahrir, como da Praça Vermelha ou, se me permitem, do Rossio, as minhas preocupações são sempre duas. Primeiro, perceber as sociedades em que essas manifestações sucederam. Segundo, comparar a situação de que elas nasceram ou criaram com o que sei sobre casos análogos, embora a analogia seja discutível ou ténue. Numa história geral de França, François Furet, encarregado do volume sobre a revolução, escolheu duas datas que, para ele, a limitavam: 1789 e 1870. Porquê? Porque achou, e provavelmente bem, que só com a III República (quase cem anos depois da tomada da Bastilha) se chegou a uma democracia estável, geralmente aceite pela população. E, mesmo assim, não contou com Vichy e com o voto feminino, que teve de esperar por 1944. Houve entretanto duas repúblicas (agora estamos na quinta), três monarquias, Napoleão (o grande) e Napoleão III (o pequeno). Este tumulto endémico em que viveu a França veio directamente da resistência ao Governo representativo e, a seguir, ao Estado laico e ao sufrágio universal da democracia. A França não é o Egipto. Pois não. A França passou, à sua maneira, pelo "iluminismo" e, na literatura, como na pintura, e parcialmente na filosofia, a França era o exemplo do mundo. Em França, existia uma aristocracia "liberal", uma burguesia "progressista" e um eleitorado urbano de "esquerda". E a própria Igreja se submeteu à autoridade civil. E, no entanto, o caminho para o que hoje nós tomamos por "normalidade" foi longo e foi duro. Pensar que 80 milhões de egípcios (na esmagadora maioria, muçulmanos), neste momento "governados" por uma junta militar anónima, encontrarão depressa o regime democrático que lhes convém é, com certeza, um testemunho de virtude cívica. Mas basta pensar em Portugal (ou em Espanha) para perceber que é também um acto de ingenuidade e esperança, que ignora militantemente a realidade e a história. Quanto ao que me disseram os novos missionários da liberdade, repete letra a letra o que os velhos me disseram em 1991, quando a URSS se desfez.»

Vasco Pulido Valente, Público

13.2.11

À ATENÇÃO DO IDEALISMO ADOLESCENTE EM MODA


«Não percebo por que razão os políticos divagam e os jornais se entusiasmam. Não chegou o delírio democrático depois da queda do muro e do colapso da URSS, para perceber que uma insurreição popular não leva forçosamente a uma democracia? Nem sequer chegou o exemplo português de que um pequeno partido, com influência ideológica e bem organizado, pode facilmente corromper os militares e tomar conta do Estado? Os manifestantes da praça Tahrir, um conjunto heterogéneo de descontentes, conseguiram de facto correr com Mubarak. Mas porque o Exército (nestas coisas, a Força Aérea e a Marinha não contam), que era o árbitro desde o primeiro momento, o abandonou. Foi o Exército que uniu a oposição e que, em última análise, tinha os meios de agir. Por muito que doa ao idealismo adolescente em moda, civis sem armas não derrubam ditaduras. Barak Obama disse logo que a "revolução" (?) do Egipto o inspirara. Também, segundo consta, inspirou a Liga Árabe, o Irão, o Hezbollah e o Hamas. Isto devia dar que pensar a Obama e à "Europa". Infelizmente não deu. Até a pobre Suíça, com a sua prudência, congelou as contas de Mubarak. Ninguém no Egipto vai agradecer à ingenuidade do Ocidente e, sobretudo, ninguém espera que eleições livres (a mezinha do costume) refaçam um regime e uma ordem civil tolerável. Em primeiro lugar, não há - e tão cedo não haverá - partidos democráticos. Em segundo lugar, há a Irmandade Muçulmana, cujo nome fala por si (apesar da mansidão que ultimamente exibiu). Em terceiro lugar, há 80 milhões de habitantes, na maioria miseráveis, dispersos por um país sem fim. No meio disto, e presumindo a mais do que provável (se não inevitável) interferência do Irão, como imaginar que se resolveria fosse o que fosse com eleições? O único resultado seria quase com certeza o alargamento e o reforço da "Irmandade Muçulmana". O Ocidente continua a persistir que a democracia ("a liberdade") é uma fórmula política. O pior é que não é - é uma forma de civilização, que mesmo na Europa levou dois séculos de conflito, interno e externo, para se impor e que exige a existência prévia de uma cultura "iluminista" (de qualquer espécie: francesa, inglesa ou alemã...) e de um Estado decididamente secular. Se o Egipto, que nunca pertenceu, nem temporariamente, ao mundo democrático se sair deste aperto com uma ditadura militar, menos brutal e menos corrupta do que a de Mubarak, já é uma sorte. Uma grande sorte.»

Vasco Pulido Valente, Público


Nota: Entretanto, o PREC egípcio já fez as primeiras vítimas. O Museu do Cairo foi vandalizado pelos "revolucionários democráticos" e desapareceram pelo menos três peças de valor inestimável fora as tradicionais peripécias da pura e estúpida destruição. Aquela gente não muda a sua natureza pelo simples facto de ter o focinho no facebook e acesso à internet. Os milhares ou milhões de manifestantes que tão túrgidos derrames têm provocado ao "ocidente" - entre nós, é ler os jornais ou os blogues para se perceber até onde pode chegar a idiotia colectiva - constituem uma sociedade que não se distingue propriamente pelo "progresso" intelectual, pelo cosmopolitismo dos costumes ou pelo respeito do "outro". A mania que se pode exportar a democracia para todo o lado (os EUA fomentam democracias e ditaduras à vez) releva da mais pura ignorância, aquela que, aos poucos, vai enterrando uma certa "ideia de ocidente" à custa da tolice multicultural.

À ATENÇÃO DO IDEALISMO ADOLESCENTE EM MODA


«Não percebo por que razão os políticos divagam e os jornais se entusiasmam. Não chegou o delírio democrático depois da queda do muro e do colapso da URSS, para perceber que uma insurreição popular não leva forçosamente a uma democracia? Nem sequer chegou o exemplo português de que um pequeno partido, com influência ideológica e bem organizado, pode facilmente corromper os militares e tomar conta do Estado? Os manifestantes da praça Tahrir, um conjunto heterogéneo de descontentes, conseguiram de facto correr com Mubarak. Mas porque o Exército (nestas coisas, a Força Aérea e a Marinha não contam), que era o árbitro desde o primeiro momento, o abandonou. Foi o Exército que uniu a oposição e que, em última análise, tinha os meios de agir. Por muito que doa ao idealismo adolescente em moda, civis sem armas não derrubam ditaduras. Barak Obama disse logo que a "revolução" (?) do Egipto o inspirara. Também, segundo consta, inspirou a Liga Árabe, o Irão, o Hezbollah e o Hamas. Isto devia dar que pensar a Obama e à "Europa". Infelizmente não deu. Até a pobre Suíça, com a sua prudência, congelou as contas de Mubarak. Ninguém no Egipto vai agradecer à ingenuidade do Ocidente e, sobretudo, ninguém espera que eleições livres (a mezinha do costume) refaçam um regime e uma ordem civil tolerável. Em primeiro lugar, não há - e tão cedo não haverá - partidos democráticos. Em segundo lugar, há a Irmandade Muçulmana, cujo nome fala por si (apesar da mansidão que ultimamente exibiu). Em terceiro lugar, há 80 milhões de habitantes, na maioria miseráveis, dispersos por um país sem fim. No meio disto, e presumindo a mais do que provável (se não inevitável) interferência do Irão, como imaginar que se resolveria fosse o que fosse com eleições? O único resultado seria quase com certeza o alargamento e o reforço da "Irmandade Muçulmana". O Ocidente continua a persistir que a democracia ("a liberdade") é uma fórmula política. O pior é que não é - é uma forma de civilização, que mesmo na Europa levou dois séculos de conflito, interno e externo, para se impor e que exige a existência prévia de uma cultura "iluminista" (de qualquer espécie: francesa, inglesa ou alemã...) e de um Estado decididamente secular. Se o Egipto, que nunca pertenceu, nem temporariamente, ao mundo democrático se sair deste aperto com uma ditadura militar, menos brutal e menos corrupta do que a de Mubarak, já é uma sorte. Uma grande sorte.»

Vasco Pulido Valente, Público


Nota: Entretanto, o PREC egípcio já fez as primeiras vítimas. O Museu do Cairo foi vandalizado pelos "revolucionários democráticos" e desapareceram pelo menos três peças de valor inestimável fora as tradicionais peripécias da pura e estúpida destruição. Aquela gente não muda a sua natureza pelo simples facto de ter o focinho no facebook e acesso à internet. Os milhares ou milhões de manifestantes que tão túrgidos derrames têm provocado ao "ocidente" - entre nós, é ler os jornais ou os blogues para se perceber até onde pode chegar a idiotia colectiva - constituem uma sociedade que não se distingue propriamente pelo "progresso" intelectual, pelo cosmopolitismo dos costumes ou pelo respeito do "outro". A mania que se pode exportar a democracia para todo o lado (os EUA fomentam democracias e ditaduras à vez) releva da mais pura ignorância, aquela que, aos poucos, vai enterrando uma certa "ideia de ocidente" à custa da tolice multicultural.

12.2.11

A ARCÁDIA NO CAIRO

Tanta limitação intelectual, tanto lirismo alarvemente inconsequente nos "correspondentes" tugas no Cairo. Para não ir mais longe, um título de Paulo Moura do Público: «no dia em que Mubarak caiu, a multidão foi maior que o Cairo» ou «chorar é o primeiro apanágio da liberdade.» E do disparate. «Talvez este seja um daqueles raros momentos em os que seres humanos se olham uns aos outros e vêem seres humanos. Sente-se que alguma coisa decisiva está a acontecer. Até o Nilo se revolveu no seu leito sagrado. A Esfinge olhou, desconfiada, a pirâmide de Kéops rangeu nos pedregulhos. Os jovens do Egipto exigiram o impossível. E venceram.» A arcádia no Cairo. Mais no raio que o parta, ó Moura.

A ARCÁDIA NO CAIRO

Tanta limitação intelectual, tanto lirismo alarvemente inconsequente nos "correspondentes" tugas no Cairo. Para não ir mais longe, um título de Paulo Moura do Público: «no dia em que Mubarak caiu, a multidão foi maior que o Cairo» ou «chorar é o primeiro apanágio da liberdade.» E do disparate. «Talvez este seja um daqueles raros momentos em os que seres humanos se olham uns aos outros e vêem seres humanos. Sente-se que alguma coisa decisiva está a acontecer. Até o Nilo se revolveu no seu leito sagrado. A Esfinge olhou, desconfiada, a pirâmide de Kéops rangeu nos pedregulhos. Os jovens do Egipto exigiram o impossível. E venceram.» A arcádia no Cairo. Mais no raio que o parta, ó Moura.

11.2.11

A "INSPIRAÇÃO"


Os EUA, hipócritas como ninguém, dizem-se "inspirados" (os americanos estão sempre "inspired" seja por um hamburger, seja pela demagogia discursiva do seu presidente) pelo MFA egípcio, isto é, em linguagem nossa conhecida, pela "aliança povo-MFA". A emergência do exército era expectável. Todavia falta provar que tipo de "democracia" pretende numa sociedade tipicamente não vocacionada para a importar a não ser na faceta do esplendor folclórico que tanto impressiona o jornalismo doméstico. Mubarak foi um aliado estratégico dos EUA (e de Israel) enquanto travão à proliferação do fundamentalismo islâmico. Presidia a uma república autoritária mas os EUA estavam fartinhos de saber que era assim e, até às palhaçadas da "praça da libertação", nunca se comoveram por aí além. De repente, a dita praça "inspirou-os" e a praticamente todo o ocidente. Oxalá não venham a ter de engolir em seco tanta "inspiração".

A "INSPIRAÇÃO"


Os EUA, hipócritas como ninguém, dizem-se "inspirados" (os americanos estão sempre "inspired" seja por um hamburger, seja pela demagogia discursiva do seu presidente) pelo MFA egípcio, isto é, em linguagem nossa conhecida, pela "aliança povo-MFA". A emergência do exército era expectável. Todavia falta provar que tipo de "democracia" pretende numa sociedade tipicamente não vocacionada para a importar a não ser na faceta do esplendor folclórico que tanto impressiona o jornalismo doméstico. Mubarak foi um aliado estratégico dos EUA (e de Israel) enquanto travão à proliferação do fundamentalismo islâmico. Presidia a uma república autoritária mas os EUA estavam fartinhos de saber que era assim e, até às palhaçadas da "praça da libertação", nunca se comoveram por aí além. De repente, a dita praça "inspirou-os" e a praticamente todo o ocidente. Oxalá não venham a ter de engolir em seco tanta "inspiração".

4.2.11

EM TEMPO REAL



«Para sobreviver, o regime precisa de recuperar o controle do espaço público. A contra-multidão de quarta-feira assinala não só que Mubarak não desistiu, como poderá recorrer ao caos para retomar por completo o controle do país. A oposição, para já, nada mais tem além da ocupação do espaço público. Por isso, tem de manter a multidão acesa. A oposição optou pela única solução viável quanto à sua própria gestão da multidão: manter as manifestações sem provocar o regime com actos violentos. A multidão tem tudo a ganhar se não recorrer à violência, apresentando-se como vítima do regime e dos seus provocadores nas ruas, mas isso só é uma estratégia viável com as televisões a transmitirem em directo do Cairo.» Isto escreve Cintra Torres no Público. Mas, com o devido respeito, subsistem demasiados equívocos sobre o que seja a "oposição" ali bem como a "multidão". Aquele ocidentalizado Baradai que pouca gente conhece no Egipto e que regressou arvorado em líder dele próprio e de meia dúzia de "elites? Os barbudos hirsutos e violentos que querem substituir o autoritarismo árabe representado por Mubarak pelo fundamentalismo islâmico de estimação? As televisões e os seus jornalistas que ficam histéricos se não apanham com uma pedra na tola? Repito. O papel das forças armadas nisto é decisivo. Julgo que o milenar e solene Egipto não soçobrará facilmente às mãos de uma palhaçada por mais que o "ocidente" - em que uns hipócritas EUA têm o costumado papel de assegurar a correcção política que até há dias se chamava Mubarak mas que agora não é seguro que ainda se chame assim - reprove os "provocadores" do regime (gangs nas palavras esclarecidas e isentas dos nossos jornalistas) que andam pelas ruas a espalhar o "terror" enquanto espectáculo televisivo em tempo real.

EM TEMPO REAL



«Para sobreviver, o regime precisa de recuperar o controle do espaço público. A contra-multidão de quarta-feira assinala não só que Mubarak não desistiu, como poderá recorrer ao caos para retomar por completo o controle do país. A oposição, para já, nada mais tem além da ocupação do espaço público. Por isso, tem de manter a multidão acesa. A oposição optou pela única solução viável quanto à sua própria gestão da multidão: manter as manifestações sem provocar o regime com actos violentos. A multidão tem tudo a ganhar se não recorrer à violência, apresentando-se como vítima do regime e dos seus provocadores nas ruas, mas isso só é uma estratégia viável com as televisões a transmitirem em directo do Cairo.» Isto escreve Cintra Torres no Público. Mas, com o devido respeito, subsistem demasiados equívocos sobre o que seja a "oposição" ali bem como a "multidão". Aquele ocidentalizado Baradai que pouca gente conhece no Egipto e que regressou arvorado em líder dele próprio e de meia dúzia de "elites? Os barbudos hirsutos e violentos que querem substituir o autoritarismo árabe representado por Mubarak pelo fundamentalismo islâmico de estimação? As televisões e os seus jornalistas que ficam histéricos se não apanham com uma pedra na tola? Repito. O papel das forças armadas nisto é decisivo. Julgo que o milenar e solene Egipto não soçobrará facilmente às mãos de uma palhaçada por mais que o "ocidente" - em que uns hipócritas EUA têm o costumado papel de assegurar a correcção política que até há dias se chamava Mubarak mas que agora não é seguro que ainda se chame assim - reprove os "provocadores" do regime (gangs nas palavras esclarecidas e isentas dos nossos jornalistas) que andam pelas ruas a espalhar o "terror" enquanto espectáculo televisivo em tempo real.

2.2.11

A NOVA PORTA

A propósito do Egipto ocorreu-me que ali existem forças armadas nacionais, em regime de conscrição (e não de "voluntários" para "missões de paz" e apagadores de fogos em part-time), que nunca poderiam ser politicamente dirigidas por sociólogos do calibre do nosso inefável S. Silva. É, aliás, dali que brota Mubarak (força aérea, se não erro) que, suspeito, está longe de se declarar acabado pese a opinião do também nosso Louçã que já saudou a "extraordinária revolução democrática" traduzida na ululação elementar de milhares de barbudos histéricos e de uns quantos deslumbrados (nem todos idiotas úteis) das "redes sociais". Isto para dizer que importa mais estar atento às forças armadas egípcias do que a estas manifestações "impressionantes" que trazem todos os dias, para a nossa casa e em directo, a nova Porta.

A NOVA PORTA

A propósito do Egipto ocorreu-me que ali existem forças armadas nacionais, em regime de conscrição (e não de "voluntários" para "missões de paz" e apagadores de fogos em part-time), que nunca poderiam ser politicamente dirigidas por sociólogos do calibre do nosso inefável S. Silva. É, aliás, dali que brota Mubarak (força aérea, se não erro) que, suspeito, está longe de se declarar acabado pese a opinião do também nosso Louçã que já saudou a "extraordinária revolução democrática" traduzida na ululação elementar de milhares de barbudos histéricos e de uns quantos deslumbrados (nem todos idiotas úteis) das "redes sociais". Isto para dizer que importa mais estar atento às forças armadas egípcias do que a estas manifestações "impressionantes" que trazem todos os dias, para a nossa casa e em directo, a nova Porta.

1.2.11

A "REVOLUÇÃO"


Cerca de cem patuscos promoveram uma manifestação de solidariedade com a "revolução" em curso no Egipto. Descontado o ridículo folclore lisboeta, não deixa de ser curioso assistir às "posições" pró Mubarak dos grandes "democratas" Kadafi e Chávez, este sempre tão dado ao popularucho fácil. Também Israel receia o eventual afastamento do homem por causa dos "fundamentalismos islâmicos" e porque, em tese, receia sempre tudo e nada. Estas "revoluções" - que alguns patetas comparam ao "avril au Portugal" - terão certamente uma história qualquer para contar que ainda não foi contada. É aguardar.