
Ontem, entre um cachecol da bola e meia dúzia de livrinhos, Marcelo Rebelo de Sousa prodigalizou o elogio do futebol,em doses cavalares, como terapia para "aliviar" o povo. Começou por descrever o excesso - há bola praticamente todos dos dias, da Buraca a Bucareste, do canal público aos privados, com ou sem caixinha -, falou na "alienaçao" sugerida pelo marxismo para concluir que, afinal, no meio da crise e das aflições convinha distrair a populaça com futebol. A ideia é mais ou menos esta: "coitadinhos, ao menos não lhes tirem o futebol da mesma forma que não se deve tirar os brinquedos aos meninos e as bonecas às meninas". Não fica bem a um professor universitário recomendar a infantilização geral e, no limite, a tal "alienação" de que falava Marx. Mas, se repararmos bem, Marcelo há muito que transformou o seu programa de domingo num enorme divertimento pessoal com figurante. Não vale a pena é alargar a coisa ao país.





