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29.9.13

Os votos


 


Desde Julho último - se não contarmos com o congresso do PSD do ano passado no qual o eng. Moreira da Silva ascendeu inexplicavelmente a "nº2" - que se andava a falar em um "novo ciclo". Numa tarde quente desse mês de Julho, o "novo ciclo" foi consagrado oficialmente no Hotel Tivoli em Lisboa. O Presidente da República empossou-o, ao "novo ciclo", uns dias depois. Pelo meio houve uma demissão a sério e uma demissão a brincar que o país está a pagar em prestações suaves. O PSD começou este domingo a pagar a sua. Ironicamente a extraordinária "coesão interna" e a "consistência" deste "novo ciclo" até nas autárquicas se manifestou. No Porto, por exemplo, o presidente do PSD apoiava o candidato que ficou em segundo ou terceiro lugar enquanto o presidente do CDS estava com o candidato vencedor. Em Lisboa, ambos perderam com estrondo por interposta má escolha. Em Sintra, o único sítio em que os dois dirigentes apareceram juntos, a coligação quedou-se por um humilhante terceiro lugar protagonizado por um vice-presidente do PSD. A hegemonia do PSD na Madeira também foi abalada com uma brutal perda de câmaras como a do Funchal. O CDS ganhou cinco câmaras, directamente, o que decerto é mais um reflexo daquela "coesão interna" e "consistência" coligatórias. Finalmente a própria coligação, enquanto tal, conseguiu a proeza de ser ultrapassada em presidências pela CDU.Tudo visto e ponderado, começou "outro" ciclo pelo menos para o PSD. Quem não perceber isto, meta explicador.

28.9.13

Dia de reflexão








 


Como é dia de reflexão, só se pode falar do chamado segundo resgate - do qual também não se pode falar apesar de ter sido o próprio primeiro-ministro a falar nele faz hoje oito dias e do dr. Portas ter dado o "tiro de partida" para a conversa no passado dia 2 de Julho - e da sra D. Iolanda Oliveira Costa.


 


Ilustração: Excertos do artigo de José Pacheco Pereira no jornal Público de sábado.

27.9.13

Votos


 


Voto em Lisboa. Há quatro anos apoiei Pedro Santana Lopes e perdi. Agora apenas desejo que António Costa não obtenha uma maioria absoluta e que o dr. Roboredo fique longe como merece. No Porto, não gostaria de ver o despesista utópico do dr. Menezes substituir e dar cabo do trabalho de Rui Rio. Em Braga, Ricardo Rio merece acabar com o reinado absurdo do betoneiro Mesquita Machado. Em Gaia, Carlos Abreu Amorim vai pagar, não o despesismo do incumbente de saída, mas a cizânia no PSD - a câmara deve voltar para o PS. Barbosa de Melo, em Coimbra, pode não chegar para travar o regresso de Manuel Machado e do PS. Na Guarda, espero que Álvaro Amaro seja bem sucedido apesar da transumância de cernelha. Em Loures, acharia piada à vitória do meu vizinho Bernardino Soares (quem é que conhece o truculento Fernando Costa vindo das Caldas de balão?). Dizem-me que Marco Almeida, o "independente" do PSD, era o passador dos cheques do dr. Roboredo (razão pela qual conhece bem as freguesias rurais que lhe podem dar a vitória), mas entre ele e o dr. Basílio não hesitaria. Pedro Pinto não existe. Dar-me-ia um certo gozo se Paulo Vistas continuasse presidente em Oeiras ou Marcos Sá surpreendesse. Moita Flores nunca. Não sei quais são as hipóteses do meu amigo João Ribeiro, do PS, em Setúbal. O eleitorado "moderado" devia votar nele. O transumante da CDU em Évora é capaz de tirar a câmara ao PS e em Beja, Pulido Valente, outro que tal pelo PS, ficava bem. Com a saída de Macário em Faro, é natural que o PS reconquiste a edilidade. Sempre com Alberto João Jardim na Madeira e sempre contra César e os seu epígonos nos Açores. Finalmente Cascais, que alberga a minha praia favorita, fica tranquila nas mãos de Carlos Carreiras. No todo nacional, como diria o Doutor Salazar, vamos ver como é que os eleitores (a abstenção deve ser enorme) avaliam o "novo ciclo" e o dr. Seguro. Boa tarde e boa sorte.

14.9.13

Os pastelões


 


Precisamente daqui a quinze dias - inúteis - têm lugar as eleições autárquicas. As últimas com um módico de punch foram as de Dezembro de 2001. De norte a sul, o país, mais do que escolher este ou aquele contra o outro, decidiu varrer indirectamente o imenso pastelão em que se tinha tornado a governação de António Guterres. A coisa foi tão surpreendente que o então líder do PSD, D. Barroso, que já se tinha despedido da noite eleitoral, voltou depois de Guterres ter anunciado que se ia embora, exibindo a gravitas de futuro, ainda que breve, PM. Nada disto veremos na noite de 29 de Setembro a menos que haja para aí uma qualquer "maioria silenciosa" que não debita para as sondagens e que se reserva para o voto. E não será por falta, não de um, mas de vários pastelões. Sucede que a mediocridade do "ambiente" político geral fatalmente contamina este processo. Para além disso, as pessoas estão assustadas. As prestações dos principais dirigentes partidários são confrangedoras e as dos candidatos autárquicos "mediáticos" não são melhores. Nas principais capitais de distrito, não se vislumbra uma luz. Nos concelhos limítrofes, salvo raras excepções, é a mesma coisa. Em Lisboa, onde voto, Costa será amplamente reeleito e, espero, Seara adequadamente vexado. O presidente da Câmara, em vez de ter reunido a sua comissão de honra no quentinho chique do Pátio da Galé, devia tê-la conduzido através do lixo e do pó das obrinhas de circunstância dos passeios de Lisboa. E Seara devia fazer um voto patriótico de silêncio durante estes quinze dias para dar descanso à sua proverbial nulidade. Entre estes dois "colossos", com as cabeças noutras coisas, apetece ficar em casa, votar em branco ou votar num candidato que sobretudo não dispute nem a nossa paciência nem a nossa inteligência.

5.9.13

É o que há

Não me interessa nada a hermenêutica da graduação do "senso" dos juízes do Tribunal Constitucional. Isso é matéria reservada ao senhor primeiro-ministro. Tal como em outras matérias bem mais importantes do que os candidatos autárquicos, o TC actua de acordo com a lei e, para além disso, interpreta a lei à luz da Constituição. Nada de particularmente dramático. No caso dos transumantes tarimbeiros das câmaras e das freguesias, o legislador lavou as mãos pela voz da senhora Presidente da AR e coube ao TC validá-los ou não o que, politicamente, é mais uma originalidade deste país das maravilhas. Venceu a primeira hipótese. Em Lisboa, o dr. Roboredo Seara, por exemplo, já pode exibir livremente os dois pezinhos na capital, a cara em Sintra e a cabeça, se tiver uma, nas europeias de Maio do próximo ano. É o que há.

13.8.13

O breviário autárquico


 


O que se passa com a "interpretação" da lei de limitação de mandatos autárquicos é mais digno da Nigéria, salvo o devido respeito, do que de uma democracia que enche a boca com a sua maioridade. Mas os tribunais não têm a menor culpa nisto. Se as coisas chegaram ao ridículo em curso, ao parlamento devemos agradecer. E ao princípio do domínio de umas dezenas de pessoas sobre as autarquias onde alguns manifestos analfabetos funcionais e outros simples se "profissionalizaram". Uma eleição destas, afinal não livre como afirmou a Ana Sá Lopes na antena1, reclama que pessoas de bem, no mínimo, se abstenham de participar, com o seu voto, numa farsa digna dos anos 70 e 80 latino-americanos. E o breviário pode perfeitamente ficar a cargo do estimável prof. Herrero.

7.8.13

Um bípede em Lisboa

Fiquei satisfeito com a escolha de Marco António Costa para substituir, no PSD, uma pessoa que foi para o Governo mas que por lá, para já, apenas hiberna. É-lhe muitas vezes imputada a maleita partidocrática. Eu próprio o critiquei por aqui. Todavia, trata-se um trabalhador incansável, como pude verificar nos dois últimos anos, e que exerceu com competência e seriedade as suas funções governativas. Não lhe gabo a sorte agora. Marco António carrega o fardo das autárquicas juntamente com o de porta-voz do partido maioritário. Ainda hoje, andando pela capital, dei de caras com uma série de cartazes do dr. Roboredo Seara em que nos afiança ser bípede pelo menos em Lisboa. Marco, se me permite um conselho amigo, não perca tempo com este bípede esquecível. Os lisboetas, de certeza, não perderão.

31.7.13

Lisboa, cidade em branco


 


As eleições autárquicas, pelo menos em Lisboa e no Porto, para além da política representam um torvelinho jurídico por causa da cretinice parlamentar. De petições em petições, de recursos em recursos, alguns candidatos e candidatos a candidatos, em vez de "programas", elaboram articulados judiciais. O sr. Seara, por exemplo, alcançou uma "vitória"  através de um lance do Tribunal Constitucional (e que aproveite bem estas "vitórias" de secretaria porque são as únicas que vai ter). Mesmo assim, ainda não está nem "fermoso" nem "seguro". Nunca estaria, aliás, por definição. Tudo visto e ponderado, a não esquerda não tem candidato à Câmara de Lisboa apesar deste inócuo benfiquista e dos "apoios" que alguma dela depôe aos pés do Bonaparte socialista. Deve abster-se ou votar em branco como brancas são as "ideias" destes pernósticos todos juntos.

15.7.13

Oito anos?



Seara ainda nem sequer "está" candidato e já promete, a Lisboa,  um filme de terror. Para além disso, julgo que o Presidente da República não pediu a sua "douta" opinião sobre nada.

26.5.13

Depois não se queixem

Fernando Seara saiu por breves instantes do jazigo político onde a imperícia dos seus o tinha enfiado (sim, não foram os tribunais) para balbuciar umas coisas sobre arrendamentos. O caso é que, a escassos meses das eleições autárquicas, o dr. António Costa não tem quem se lhe oponha em Lisboa. Seara, mesmo sem ser na versão tumular, seria sempre irrelevante e insusceptível de unir o que, por exemplo, Santana Lopes uniu. Não sei o que é que a coligação que o foi apoiar nas vésperas, precisamente, da desclassificação jurídica da sua candidatura pretende fazer com Seara e, sobretudo, o que pretende fazer apesar de Seara. Se nada for feito, Costa ameaça, sem sequer precisar de se mexer, um passeio triunfal. Depois não se queixem.

29.3.13

Merecem perder

À conta das eleições autárquicas deste ano, têm sido servidos ao país diversos e prometedores "aperitivos". Desde logo a preciosa ambiguidade jurídica em torno da interpretação da chamada lei de limitação "de" mandatos autárquicos. Como o parlamento, do alto da sua excepcional presciência, decidiu que a lei não carecia de ser interpretada a não ser pelos tribunais, estes andam a fazer-lhe a vontade em prestações suaves. Depois, há pessoas que aparentemente fizeram profissão da contingência do voto que receberam para exercer mandatos nas autarquias. E que pretendem manter uma espécie de direito de pernada sobre uma junta ou uma câmara que nunca viram na vida à conta desse extraordinário chamamento. Finalmente sobram aqueles que, com a maior ligeireza, trocam responsabilidades de Estado pela precaridade de uma candidaturazinha paroquial a fim de satisfazer a gula torpe da intriga partidária. Nuns casos como nos outros, merecem perder.

23.2.13

A profissão que não existe

De uma forma inteligente, o Presidente da República deu uma hipótese ao parlamento de resolver o problema político e jurídico - por esta ordem - da limitação dos mandatos autárquicos. Aparentemente o parlamento não tenciona mexer uma palha e, assim sendo, vale a lei em vigor. E a letra da lei é muito clara - ao contrário do famoso "legislador" que usou a chamada "técnica da meia-dose" para deixar clareiras de ambiguidade interpretativa - no sentido de não permitir a existência, na prática, de uma profissão que não existe, a de presidente de câmara ou de junta de freguesia. À boa maneira portuguesa da esperteza saloia, pretende-se que nada impeça que floresçam aqui e ali pequenos salazarinhos autárquicos que saltitem, alegre e eternamente, de câmara em câmara sem limites temporais como, por exemplo, os impostos ao PR. Um módico de ética e de bom senso políticos, aliás, bastaria para que as criaturas percebessem o que deve ser a contingência do exercício de funções públicas eleitas. Uma dessas criaturas, sem se rir, até se louvou no Presidente para dizer que este "destruiu" argumentos contra a sua candidatura o que diz tudo do propósito que o anima: não interessa o conteúdo (no caso, pequenino) mas a forma que o "salva". Mais coisas que são o que são.

5.2.13

de acordo


 


Com o Manuel Falcão. «Digo sem problemas que, neste momento, em Lisboa, não tenho em quem votar. Se surgisse algum candidato independente com um discurso de ruptura com os interesses instalados e que pensasse no desenvolvimento da cidade e do seu bem estar, não hesitaria em lhe dar o meu apoio. Um candidato que não fosse politicamente correcto mas tivesse a coragem de melhorar a cidade teria o meu voto. Não me apetece votar numa eleição que está condenada a ser uma peça da disputa nacional e interna dos partidos, com dois candidatos que encaram a cidade como um meio e não um fim.»

3.2.13

Lisboa feliz?


 


Ao parecer - e em política, como dizia o outro, o que parece, é - mais um pusilânime à coca das melhores expectativas e oportunidades, António Costa arrisca-se a perder o partido e a câmara. Relativamente ao partido, estou-me nas tintas para essa miserável conversa de porteiras sem um pingo de nível. Mas quanto a Lisboa, a minha cidade, a coisa fia mais fino. Costa prodigalizou na capital uma espécie de proto-mandato autárquico. Delegou praticamente tudo nos seus improváveis vereadores, não prestou grande atenção à cidade a não ser em pequenos aspectos "emblemáticos" para aparecer e, finalmente, como bom tacticista que é, "deixou" chumbar o orçamento da câmara pela oposição que não viu que, mantendo-se o de 2012 (maior), Costa tem uns meses para se exibir como recandidato "obreirista" e com um módico de "desígnio" que foi algo que nunca conseguiu verdadeiramente desenvolver até agora (Lisboa, como ideia de cidade, é uma treta). Como opositor a este estado da arte, dois partidos, o PSD e o CDS, decidiram apresentar o dr. Seara, conhecido comentador desportivo e ainda presidente da câmara de Sintra. Não sei o que é que os munícipes de Sintra e arrabaldes pensam dos mandatos autárquicos de Seara nem, francamente, me interessa. Todavia, e como tenho reclamado no Facebook, interessa-me saber o que é que Pedro Santana Lopes, de quem fui apoiante em 2009, pensa disto tudo. Porque não julgo que Seara "una" a direita e o centro-direita contra Costa (começou logo mal com "piadas" - algo para que tem jeito - sobre a vida interna do PS) a não ser pelo lado "desportivo-televisivo" da sua personalidade o que não é propriamente nem entusiasmante nem um elogio. Neste contexto, pode aparecer um "Rui Moreira" em Lisboa mesmo com o CDS "oficial" encafuado em Seara? Parafraseando um dito muito glosado, ai pode pode.

11.10.09

O REGRESSO DOS SUBTIS ANALISTAS


Daqui a algumas horas lá teremos de gramar com o tradicional cortejo de comentadores - "os subtis analistas" na linguagem dos Gato - que virão oficiar vários casamentos e diversos funerais. Gostava que houvesse um dia um programa que os "comentasse" definitivamente.

O REGRESSO DOS SUBTIS ANALISTAS


Daqui a algumas horas lá teremos de gramar com o tradicional cortejo de comentadores - "os subtis analistas" na linguagem dos Gato - que virão oficiar vários casamentos e diversos funerais. Gostava que houvesse um dia um programa que os "comentasse" definitivamente.

10.10.09

DEITEM O VOTO

O senhor Presidente da República veio apelar ao voto, amanhã, naqueles milhares de senhores e senhoras de bigode, dos cartazes, que concorrem a câmaras e juntas de freguesia. Isso inclui, naturalmente, as Felgueiras, os Isaltinos, os Avelinos, os Narcisos e os Majores. O que seria da democracia - desta coisa - sem eles?

DEITEM O VOTO

O senhor Presidente da República veio apelar ao voto, amanhã, naqueles milhares de senhores e senhoras de bigode, dos cartazes, que concorrem a câmaras e juntas de freguesia. Isso inclui, naturalmente, as Felgueiras, os Isaltinos, os Avelinos, os Narcisos e os Majores. O que seria da democracia - desta coisa - sem eles?

9.10.09

CORAGEM PARA NÓS SÓ (act.)


Todas as sondagens de hoje, sexta-feira, derrotam (por mais ou por menos, não importa) Pedro Santana Lopes em Lisboa. Enquanto lisboeta prefiro Santana Lopes à mixórdia demagógica que António Costa, Roseta (esta triste que, agora, entrou muda e saiu calada) e Sá Fernandes representam. E humanamente também. Costa transformou-se num pequeno tirano meramente politiqueiro que, por exemplo, dança quando lhe "apetece e é necessário" (sic) e a quem Pacheco Pereira disponibiliza abraços públicos para televisão ver e registar. Que primitivo anti-nietzschiano! Como se escreve, citando, num post mais abaixo, «o resto não me interessa, não me comove, não entra cá dentro.» Coragem para nós só, diria o Céline.

CORAGEM PARA NÓS SÓ (act.)


Todas as sondagens de hoje, sexta-feira, derrotam (por mais ou por menos, não importa) Pedro Santana Lopes em Lisboa. Enquanto lisboeta prefiro Santana Lopes à mixórdia demagógica que António Costa, Roseta (esta triste que, agora, entrou muda e saiu calada) e Sá Fernandes representam. E humanamente também. Costa transformou-se num pequeno tirano meramente politiqueiro que, por exemplo, dança quando lhe "apetece e é necessário" (sic) e a quem Pacheco Pereira disponibiliza abraços públicos para televisão ver e registar. Que primitivo anti-nietzschiano! Como se escreve, citando, num post mais abaixo, «o resto não me interessa, não me comove, não entra cá dentro.» Coragem para nós só, diria o Céline.